calminha #1: pela última vez

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este episódio é a adaptação de parte de um conteúdo do escritor, filósofo, e neurocientista norte-americano, Sam Harris, e se chama “pela última vez”.

clique aqui para acessar a playlist com o conteúdo original. o episódio se chama “The Last Time”.


eu queria tirar um tempinho pra refletir sobre todas as coisas nesta vida que você vai experimentar pela última vez.

é claro, vai ter uma hora que você vai ter que encarar a morte e tudo terá sido feito pela última vez! mas muito antes de morrer, você vai deixar de ter certas experiências, muitas das quais, hoje, você provavelmente não dá o valor adequado.

se você é pai ou mãe, por exemplo, quando será a última vez que você vai pegar seu filho na escola? ou vai colocá-lo pra dormir? ou ler uma história? minha filha mais nova chama um de nossos gatos de “Orvile” em vez de Oliver e, por mais que eu seja chato com as palavras, não quero corrigi-la, porque essas coisinhas não têm preço e, tenho certeza, vou lembrar delas com nostalgia muito em breve.

pensar dessa maneira dá uma pungência a tudo, até mesmo para as coisas que você não gosta. mais uma vez, por exemplo, digamos que você se tornou pai há pouco tempo e está sendo acordado várias vezes durante a noite: eu sei bem, é uma experiência brutal! mas, vai ter uma última vez e, saber disso, pode mudar sua percepção do presente. tem alguma coisa doce até nessa experiência! e é possível, inclusive, que você sinta falta dela.

nós fazemos tudo por um número finito de vezes e, ainda assim, tendemos a não dar valor nem aos bons momentos. e pior, no resto do tempo estamos tentando superar coisas. ou seja, estamos apenas tentando chegar ao fim de seja lá qual for a experiência que estivermos tendo.

Tim Urban, que escreve o maravilhoso blog chamado “Wait but Why” publicou um pôster que representa 90 anos de vida em semanas. cada linha tem 52 quadrados e há 90 linhas em uma única página. a escala é, francamente, um pouco alarmante de se contemplar. cada semana é uma parte significativa de 90 anos ao ponto de você poder apontar para a semana atual da sua vida.

o que você deveria se dar conta, portanto, é que cada vez que você faz alguma coisa, agradável ou não, essa pode ser a última vez. e você raramente vai perceber quando isso acontecer. por exemplo, eu toco bateria e eu amava fazer shows, mas tem um tempo que isso está longe de fazer parte da minha realidade. será que eu nunca mais vou tocar ao vivo? não faço ideia, mas posso garantir que da última vez que subi em um palco, não estava nem um pouco consciente da possibilidade de que poderia ser a última vez. quando foi a última vez que você nadou no mar? ou foi fazer uma trilha? quando foi a última vez que deu um passeio só por passear e apreciar a paisagem?

enquanto você segue pelo seu dia hoje, considere que tudo o que está fazendo é assim: tudo representa uma oportunidade finita de saborear sua vida. em algum nível, tudo é precioso e, se não parecer assim, acho que você vai descobrir que prestar mais atenção pode fazer com que pareça. a atenção é realmente a sua verdadeira fonte de riqueza, mais até do que o tempo. porque você pode perder tempo estando distraído. portanto, estou aqui só para te lembrar de ter um pouco mais de cuidado. quando você encontrar alguém pela primeira vez e apertar sua mão, preste um pouco mais de atenção. quando agradecer alguém por qualquer coisa, faça com intenção. volte a se conectar com a sua própria vida! e a atenção plena (ou mindfulness) é a ferramenta que te permite fazer isso. porque a outra alternativa é se perder em pensamentos. mas toda vez que você perceber que está perdido… que está distraído com pensando sobre o passado ou futuro e conseguir voltar para o presente, você vai estar treinando sua mente. pode parecer um esforço no início mas, eventualmente, vai ser como acordar de um sonho. quanto esforço é necessário pra isso?