o convidado de hoje é o Leonardo Zonenschein, diretor de marketing e comercial da Dimona, uma empresa que há mais de três décadas vem investindo em diferentes e avançadas técnicas de estamparia, se especializando em soluções para quem quer personalizar.

se você é do Rio, com certeza já fez ou comprou alguma camiseta [ou outro item personalizado] com eles. mas, se você não conhece, saiba que eles são a maior empresa de camisetas personalizadas do Brasil e oferecem diversas ferramentas proprietárias pra facilitar a vida de quem quer personalizar, mas não sabe como.

sob a direção do Leonardo, a empresa que sempre teve inovação no DNA está se tornando uma startup, com foco em tecnologia, sempre testando novos modelos de negócio e com implementações feitas em tempo recorde!

no episódio a gente fala sobre alguns cases com mais detalhes, mas só pra vocês terem uma noção, eles foram responsáveis pelos produtos oficiais e merchandising dos maiores e mais tradicionais eventos do Rio, como: Rock In Rio (2011, 2013, 2015, 2017 e 2019), JMJ Rio 2013, diversos dos maiores blocos de rua, além dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

um detalhe relevante é que essa é a primeira vez que trago um cliente para o podcast e o motivo é simples: acredito demais no que a Dimona vem construindo e na maneira como o Leo vem liderando o crescimento da marca. além disso, a gente tem uma uma sinergia muito boa, o que sabia que contribuiria para um bate-papo super rico e proveitoso pra vocês, ouvintes.

LIVROS CITADOS
PESSOAS CITADAS

Edwin Junior

Tim Ferriss

Dua Lipa

Hugh Jackman

Seweryn Blumberg

Papa Bento XVI

Papa Francisco

Phil Knight

Bill Gates

Eduardo Paes

LINKS IMPORTANTES

se você curtir o podcast vai lá no Apple Podcasts / Spotify e deixa uma avaliação, pleaaaase? leva menos de 60 segundos e realmente faz a diferença na hora trazer convidados mais difíceis.

Henrique de Moraes – Fala Léo, seja muito bem-vindo ao calma!, prazer ter você por aqui, primeira vez que eu trago um cliente, olha só que exclusividade. Sinta-se elogiado porque eu só trago pessoas que eu admiro pra cá hein, então é uma honra mesmo, não sei para você mas para mim parece ser

Leonardo Zonenschein – Pra mim também. Pra trabalhar com as pessoas eu prezo por isso também, pela admiração, pela troca, pelo aprendizado, obrigado aí por me receber e bora abrir esse espaço aí pra gente contar um pouco da nossas histórias de vida, de trabalho.

Henrique de Moraes – Maravilha cara. Vou começar falando sobre um assunto que não tem nada a ver com trabalho então, falar sobre vida, falar sobre música. É engraçado, há pouco tempo atrás eu entrevistei também, eu bati um papo com o Edwin, que ele era CMO da Domino’s e agora ele tá numa agência, virou sócio de uma agência e ele também tinha passado com música, eu tô percebendo que isso é muito comum para quem trabalha com publicidade e marketing né, eu acho que tem alguma coisa a ver com criatividade, e eu queria entender primeiro que instrumento você tocava e que tipo de música você curtia enfim, fala um pouquinho sobre sua história com a música.

Leonardo Zonenschein – A música ela está presente na nossa vida de uma maneira que você tem que aprender, tem pessoas que não se conectam tanto mas eu acho que as pessoas que se conectam com a música conseguem escutar as esferas dela, você consegue aproveitar a música para te levar para caminhos que muitas vezes sem ela você não consegue né, e desde muito cedo eu comecei a perceber isso né, que a música ela me ajudava em vários sentidos e me trazia um prazer enorme de ouvir, de descobrir, eu sempre desde mais novo quando era criança eu tentava, quando ouvia qualquer música eu tentava escutar os instrumentos separadamente, o que não é uma coisa tão trivial assim, às vezes as pessoas não se ligam nisso né, de você procurar a guitarra, procurar o baixo, procurar bateria, cadê o teclado? E você ir desconstruindo a música e tentar entender como é que cada um daqueles caras criaram aquele arranjo, enfim.

Henrique de Moraes – Com quantos anos você começou a fazer isso, só pra eu entender?

Leonardo Zonenschein – Quantos ano? Eu não sei exatamente, mas eu comecei a estudar violão quando eu tinha 12 anos de idade, 11 anos de idade, e eu achava bonito assim, eu via as pessoas tocando e achava uma coisa bonita de ver, me despertava um interesse e eu queria despertar aquele interesse nas pessoas também tocando violão, então além da música acho que tinha uma questão do que que aprender um instrumento significa né, é como se fosse aprender uma língua né, você aprender a conversar com o instrumento é como se você tivesse aprendendo a falar uma língua, eu acho uma virtude, eu gostaria de ter me dedicado mais na parte técnica, eu sempre fui muito prática pra isso, então já queria aprender a música, não queria aprender a receita, eu nunca fui de ler manual de instruções, então eu estudei menos do que eu deveria, mas formei uma banda, chegamos a gravar um disco, banda Quarto Ideal

Henrique de Moraes – Tô com uma foto aqui de você com cara de sei lá, 17 anos.

Leonardo Zonenschein – Cabelo de miojo. Saudades

Henrique de Moraes – E uma carinha tentando ser sexy

Leonardo Zonenschein – Pois é. Acho que tem disso também né, um coisa que eu acho que as pessoas, muitos artistas erram muito né que é essa coisa de muitas vezes querer parecer nas fotos uma coisa totalmente distante do que a pessoa realmente é, eu vejo hoje artistas muito grandes né, você vai vendo o trabalho deles no passado, vou dar um exemplo prático aqui, Dua Lipa, não sei se você conhece a Dua Lipa

Henrique de Moraes – Conheço pouco

Leonardo Zonenschein – Dua Lipa é hoje uma mulher muito famosa, é pop né, aquela coisa pop internacional e tal e ela tem uma puta voz mas eu andei vendo aqui, de vez em quando a gente senta aqui eu com a minha mulher, a gente bota no YouTube com música e tal e de vez em quando aparece um clipe dela, não é meu estilo musical preferido mas eu gosto de ver as produções e tal. Cara hoje é um negócio, aquela coisa daquele personagem que criam com todo aquele, homens e mulheres dançando ao redor, e você pega um vídeo dela cara de 7 anos atrás, ela num barzinho com um microfone e uma puta voz, e você só valoriza aquela voz sabe, aho que que às vezes as coisas se perdem um pouco, pelo menos na minha opinião, claro que a parte visual é o pão e circo que as pessoas querem ver mas às vezes as coisas se perde um pouco e a essência fica perdida.

Henrique de Moraes – Eu acho que você falou uma coisa, desculpa te interromper mas, que é legal porque isso acho que, hoje em dia especialmente nessa era de super conectividade que a gente vive, faz sentido até para empresas né, porque você falou do artista que destoa de quem de fato é, e a gente vê isso acontecer muito com empresas também que tentam vestir um propósito que às vezes não tem a ver ou assim, não enxergando de fato qual é seu próprio diferencial e tentando vender alguma coisa diferente, tentando parecer uma coisa diferente por causa de moda e alguma coisa nesse sentido e é interessante porque eu acho que isso vai muito do que você quer como empresa ou como artista né, vamos voltar pro artista porque a gente tá falando de música mas, eu vejo muita gente se perdendo, e é difícil mesmo, você se perde no momento que você não sabe se você quer ter volume e sucesso ou se você quer de fato ser fiel ao que você acredita, as coisas que você gosta porque existe uma distância entre essas coisas e você conseguir preencher essa distância de uma maneira orgânica e significativa para você é muito difícil porque o mundo, o mercado vai ficar te puxando aqui para esse lado, vai falar “Vem cá, olha isso que tá na moda, isso aqui é legal”, e eu conheço até empresários hoje em dia com essa coisa da internet, empresários e pessoas que estão mais em voga aí, estão super populares, que elas vestem, elas são personagens na forma como elas se comunicam online, e isso é muito doido e eu me pego às vezes nessa de que eu tô tentando entender assim sabe onde eu participo sabe, porque eu quero divulgar as coisas que eu faço, eu quero que tenha sucesso de certa forma, quero que o podcast seja escutado por mais gente porque eu acho que muita coisa que eu falo aqui, as pessoas falam na verdade, que o podcast é pra aprender, o que as pessoas falam é importante então eu queria que chegasse em mais gente a mensagem, só que ao mesmo tempo eu não quero parecer uma coisa que eu não sou porque eu não vou sustentar isso durante muito tempo, eu não vou conseguir, e se eu sei que não vou conseguir então não quero também sabe, e é uma escolha que as pessoas tem que fazer né

Leonardo Zonenschein – E às vezes a imposição pela aceitação ela te coloca camadas que você às vezes involuntariamente vai vestindo, a tua empresa às vezes, você representando a sua empresa, às vezes quando eu vou falar sobre a Dimona, quando eu vou vender alguma coisa, muitas vezes eu assisto depois e eu fico me questionando justamente isso né, eu quero poder ser verdadeiro sempre e às vezes realmente o mercado ele vai te impondo algumas camadas que você começa “Opa, será que isso aqui é isso mesmo? Será que de fato eu tô falando o que eu realmente acredito ou eu tô falando o que eles querem ouvir?”, invariavelmente as pessoas, você às vezes precisa se adequar né você precisa às vezes colocar o interesse da empresa, o interesse de um projeto, flexibilizar, não necessariamente vai ser sempre a coisa que você gostaria da forma que você gostaria que fosse do início ao fim mas acho que o importante é você não perder a essência, você saber também e assim, quem empreende sabe né, tem muito mais derrota do que vitória, o que que muda é que as derrotas te levam à vitórias mais gloriosas, maiores né mas eu vejo muito isso, as pessoas com essas camadas, inclusive eu eu acho, talvez se for parar para analisar, as pessoas não contam as derrotas, não contam as dificuldades e às vezes fazem parecer que as coisas são relativamente simples e fáceis, não que elas sejam complexas, mas tudo requer um esforço e uma construção que às vezes é uma conexão da sua vida que você vai agrupando de diferentes momentos, a gente tá falando agora da minha banda por exemplo, vou dar um exemplo prático, eu era moleque, comecei a tocar e aí começamos a querer fazer show, aí eu batia lá nas casas, cara eu tinha 15 anos de idade, eu batia nas casas de música que tinham, falava que eu tinha uma banda, que eu queria fazer um evento, que eu queria alugar a casa, vender ingresso, e aí conseguia fazer, fechava o espaço, ia vender os ingressos, aí ia montar o som e aí tinha que fazer o orçamento de quanto custava o equipamento de som, quanto ia custar cada coisa, quanto ia custar pra construir aquele evento naquele momento, eu com 15, 16 anos e fazia shows para 300 pessoas e vendia para todos os meus amigos o ingresso e tal. E pensando hoje cara eu era um garoto, como é que eu conseguia fazer aquilo né com aquela idade e tal, e aí você vai conectando como que essa iniciativa me fez ganhar confiança, me fez ver que às vezes uma ideia que parece uma ideia improvável você consegue fazer, anos depois eu fui morar na Austrália e comecei a fazer eventos também para ganhar dinheiro na Austrália e rodar o mundo por lá enfim, fiquei um ano rodando lá mas comecei a fazer evento muito ligado com que eu aprendi quando era garoto e aí voltei para o Brasil, também comecei a fazer festa aqui, criei uma marca de festa no Brasil. Aí você vai voltando, não é que eu acordei um dia e falei “Vou começar a fazer evento”, tem toda uma construção de garoto, de vida que você vai criando associações e ganhando confiança para fazer, e cada um tem a sua construção né, cada um tem seu momento, seu tempo, acho que realmente o nome desse trabalho aqui, o calma! ele é muito bom porque todos nós a gente tá o tempo inteiro querendo fazer mais, querendo fazer mais e às vezes a gente olha pessoas que a gente acha que fazem muito e essas pessoas acham que precisam fazer mais, às vezes a gente acha que nós precisamos fazer mais e aí você começa a falar “Cara mas olha tudo que a gente tá construindo, calma né” então acho que calma! É um nome que todos nós precisamos lembrar mais ao longo da nossa existência

Henrique de Moraes – Sim totalmente, o nome é exatamente por isso, é para me lembrar inclusive também pra ter calma porque como você, a gente sabe né a gente trabalha junto, sou muito ansioso então

Leonardo Zonenschein – Eu sou tranquilão

Henrique de Moraes – Super relax, vou falar isso pro time e vou ver o que eles vão achar

Leonardo Zonenschein – A ansiedade ajuda muito e atrapalha muito ao mesmo tempo cara, a ansiedade ela causa um movimento às vezes de inquietude relevante, a ansiedade pelo menos pra mim ela tá o tempo inteiro fazendo com que aquela coisa fique subindo na sua cabeça, como é que vai ser, o que vai fazer e você acaba criando ideias muito boas, movimentos muito bons e a dificuldade é você não deixar ela te dominar porque você deixa seu time perdido e às vezes o excesso de ideias é um inimigo também né porque uma boa ideia sem uma boa execução ela é perda de tempo né e a ansiedade faz isso, a ansiedade leva a gente a ter muitas ideias e às vezes atropelar, então acho que a ansiedade ao mesmo tempo ajuda muito e aprender a dominar a ansiedade é um trabalho que eu tenho tentado fazer todos os dias para conseguir focar na execução e distribuir melhor pro meu time, deixar as pessoas mais assim, mais seguras do que elas tem que fazer porque senão deixo todo mundo maluco mesmo.

Henrique de Moraes – Como que você faz, você tem algum exercício ou alguma rotina para tentar lidar com ansiedade de forma prática?

Leonardo Zonenschein – Tem algumas coisas que eu faço, que eu busco fazer né, eu sou judeu né, minha família é toda de origem judaica e no judaísmo tem, não sei qual é o nome exato disso mas a gente coloca tefilin todos os dias né, é uma reza né, não chega a ser uma cerimônia, é uma reza onde você coloca no braço e na cabeça e faz uma reza matinal enfim, faz uma reza

Henrique de Moraes – Como é que é o nome?

Leonardo Zonenschein – Tefilin. Ele tem um significado muito bonito né porque tem um pergaminho com uma reza que você coloca no braço e aponta para o coração e um pergaminho que você coloca na cabeça e em cada um desses pergaminhos você tem uma reza em hebraico né, e é muito disso né, apontado pro coração para você conseguir equilibrar suas emoções, para você conseguir equilibrar os seus sentimentos e tal e na cabeça para você também equilibrar sua razão, então é uma coisa que dura 4, 5 minutos mas que todo dia de manhã faz parte da minha rotina matinal e acaba virando um momento onde também tento pedir saúde, pedir prosperidade, pedir que o universo ilumine minhas ideias, ilumine as pessoas que estão ao meu redor enfim, me ajuda muito, me ajuda a manter sempre um sentimento propositivo, positivo e eventualmente quando eu esqueço é engraçado isso, se eu sair de casa e por ventura eu tiver esquecido de fazer, é um sentimento de como se você tivesse esquecido o celular, sabe? Como se você tivesse esquecido alguma coisa, parece que faltou alguma coisa no meu dia e já aconteceu até de eu voltar pra casa para colocar porque eu fiquei me sentindo fraco sem ter feito, sabe? São essas coisas que a gente vai construindo, cada um com sua fé, cada um com os seus ritos, acho que os ritos são legais porque nos ajudam a consolidar uma rotina de pensamento e as coisas têm que ser constantes né, nada é do dia para a noite, eu acho que a constância, a rotina, a constância das coisas vai te criando mais clareza né das ideias.

Henrique de Moraes – Sim, totalmente. O Hugh Jackman ele faz uma, antes de entrar no palco ele tem toda uma rotina né que ele repete toda vez, e ele fala que ele é religioso porque ele fala o seguinte “Eu não sei se a rotina me ajuda mas eu sei que se eu não fizer o meu cérebro do macaco, minha monkey mind vai ficar martelando ‘Você não fez, você não fez’ e eu vou errar por causa disso”

Leonardo Zonenschein – E às vezes quando eu tô muito assim, quando eu tô muito insatisfeito assim, às vezes quando a ansiedade está forte assim, cara corrida, bota o tênis, vai dar um corridão e seguida de um mergulho no mar cara, que é uma coisa que me energiza muito, é um momento também que eu sempre rezo, mergulho e tal e faço aquela reza pra natureza, um agradecimento por estar aqui, por estar vivo, por estar atuante, por estar realizando as coisas que eu desejo, e me faz muito bem esse ritual.

Henrique de Moraes – Deixa eu voltar um pouquinho no que você tava falando, você falou desse tempo na Austrália né em que você fez evento por lá, eu queria entender um pouco como é que foi, quantos anos você tinha quando você foi pra lá, quanto tempo você ficou e você foi fazer o quê exatamente assim, como é que foi essa rotina?

Leonardo Zonenschein – Cara assim, viajar sempre foi uma coisa que me movimentou muito sabe, para mim conhecer o mundo é um dos grandes objetivos da nossa natureza, do ser humano, a descoberta dos novos lugares, novas pessoas, novas temperaturas enfim, viajar para mim é um sinônimo de realização, eu me realizo quando viajo. E isso desde novo, desde pequeno e quando eu tinha 20 anos de idade eu queria muito passar um fora, é aquela coisa né, 20 anos de idade, ainda morava com meus pais, tava na faculdade e queria muito dar uma rodada pelo mundo, e eu tinha um grande amigo meu na época que tava lá, tava na Austrália, já tava lá há seis meses e a gente se falava periodicamente e acabou que eu resolvi ir passar um ano lá né, foi um ano muito incrível né, eu era novo ainda e foi um ano onde eu fiz tudo que você pode imaginar com relação à trabalho, foi uma construção muito legal pra minha formação, não tinha grana direito, era um moleque de 20, 21 anos de idade mas também não queria pedir ajuda dos pais então mergulhei e cara, lavei banheiro, lavei prato, trabalhei no McDonald’s alguns meses, fui o destaque do mês, aliás vários meses. E assim, foi uma viagem que me fez muito me descobri assim sabe, descobrir a simplicidade das coisas né, eu morava num apartamentinho alugado com oito pessoas em dois quartos e foi um ano maravilhoso onde eu me sentia muito vivo, me sentia muito descobrindo a cada dia novos lugares, novas pessoas e fazendo novas amizades, e hoje quando eu olho para trás eu vejo a importância disso né, da simplicidade, da gente ter tempo para fazer as coisas que a gente gosta e aí foi isso. Então na Austrália eu trabalhei com tudo que você pode imaginar e em determinado momento eu comecei a fazer festa né, tinham aquelas festas brasileiras lá, aquelas festas de gringo, sabe? Coloca aquela coisa do carnaval, com aquelas roupas de carnaval, como se as festas brasileiras fossem tipo festas do Scala, sabe? Não sei se você lembra do Scala

Henrique de Moraes – Lembro

Leonardo Zonenschein – E aí cara e assim, a gente reclama do Brasil mas quando a gente tá fora a gente sente falta né, da cultura, das pessoas, da música que é muito importante aqui no Brasil e que às vezes a gente não se dá conta, eu chegava naquelas festas e falava “Cara, o que esses caras estão fazendo aqui cara? Isso não é festa brasileira, isso é festa de gringo e tal”, eu falei “Quer saber? Vou fazer minha festa brasileira”, e lembro que eu tinha um case de CDs, na época era CD, tinha aquele case de CD desse tamanho que aliás até hoje ando com meu case de CDs no carro, não sei aonde enfiar aquilo e não tenho coragem de jogar fora, um case desse tamanho com vários clássicos assim e eu não sei o que fazer com aquilo

Henrique de Moraes – Você tem as capas ainda?

Leonardo Zonenschein – Cara sabe quando você enfia as capinhas assim, você põe o CD e a capinha na frente?

Henrique de Moraes – Isso é clássico

Leonardo Zonenschein – E aí peguei meu case de CD, aluguei um espaço lá na Gold Coast lá na Austrália, fui começando a chamar galera, ia ser meu aniversário né, fizemos uma festa brasileira e eu com meus CDs, nunca tinha sido DJ, botava o CD de um lado, botava o CD do outro, botava play e assim, inacreditável, eu tenho fotos e pra mim foi ótimo porque a galera curtiu, era uma festa com músicas brasileiras, bandas brasileiras, de rock brasileiro e tal e acabou que eu comecei fazer festa lá, fiz vários eventos, fiz campeonato de surf, embora eu não seja sufista enfim, tentei tentei mas é um negócio que não nasci pra surfar

Henrique de Moraes – Somos dois

Leonardo Zonenschein – Pois é mas aí comecei a aproveitar que eu não surfava mas que eu gostava de ir pra praia com a turma lá e organizei um campeonato de surf enfim, e várias coisas relacionadas à evento né e foi bacana, consegui com o dinheiro que eu ganhava nesses eventos conhecer vários países, fui pra Nova Zelândia, pra Fiji, pra Tailândia, Indonésia, consegui rodar bastante lá, cheguei no Brasil sem um puto na carteira porque eu gastei tudo lá fora, mas rodei o mundo e enfim, foi bem inesquecível e bem importante pra minha formação não só como pessoa mas acaba que essas coisas vão também te agregando futuramente na parte profissional.

Henrique de Moraes – Você falou sobre uma coisa que eu acho bem relevante que é essa questão de que você tava num apartamento de dois quartos né com a maior galera enfim, e é o tipo de coisa que a gente não é treinado né, de fato treinado pela sociedade à dar valor para essas coisas né, e esses são os momentos mais relevantes assim. Eu sempre, uma coisa que eu sempre reflito muito assim, ainda mais agora que eu tô morando fora e não tem ninguém dos meus amigos, cara sou muito próximo dos meus amigos e a gente se via toda semana pelo menos uma vez por semana a gente tava junto fazendo alguma coisa e agora eu tô longe aqui e eu fico o tempo inteiro “Caraca como isso faz falta né”, e qualquer lugar né quando você parar para pensar assim, quando você tá com as pessoas, numa vibe boa com as pessoas que você gosta, qualquer lugar é lugar cara, qualquer lugar serve. Eu tenho uma lembrança na minha cabeça que é muito legal, que o meu meu sogro, ele é um cara bem sucedido enfim, e tem uma vida super confortável e quando a gente foi casar, eu e minha esposa a gente casou em Amsterdã e assim, só que a gente casou em Amsterdã mas a gente não fez um puta casamento, era um restaurantezinho que a gente alugou pra galera ficar e curtir, o casamento era a viagem, e ao longo da viagem a gente tinha planejado algumas coisas e tinha um dia que a gente tinha marcado num bar que ia rolar um jazz, e a gente foi lá só que tava calor do inferno dentro do bar assim, não tinha ar condicionado, era pequenininho, tava um calor do cacete e a gente ficava lá fora, pegava a cerveja, ficava ouvindo a música do lado de fora, e nisso tava o meu sogro e o irmão dele, e eles saíram, sumiram, de repente a gente “Ué, cadê o tio Paulo, cadê o tio Rubinho?” Cara, estavam os dois sentados num canal, quem conhece Amsterdã sabe que é cheio de canal, eles estavam sentados no canal tomando cerveja e se divertindo, rindo pra caralho, tomando cerveja de frente pro canal assim, e eu olhei praquilo, todo mundo sentou em volta deles e ficou conversando e eu falei “Cara olha essa porra, é isso que a gente precisa, sabe? De gente que a gente gosta de estar, da vibe boa”, ok a gente estava em Amsterdã, a gente tava viajando mas ainda assim, a gente não tava num restaurante maneiro, tava sentado no meio fio tomando cerveja e gargalhando, lembrando as história de infância dele com o irmão, sabe?

Leonardo Zonenschein – Eu fui pra Austrália em 2004/2005 e é engraçado que esses anos pra mim são muito claros, 2004 e 2005. Depois de 2006 até, você nunca sabe qual ano é qual, você acaba embaralhando os anos mas aquele ano eu sei o que aconteceu né, depois o que foi 2006, o que foi 2008 eu não sei, mas eu lembro um dia que eu cheguei em casa porque quando eu quando eu trabalhei no McDonald’s, e trabalhar no McDonald’s para mim hoje tem um valor porque eu aprendi muitas coisas assim da base necessária de aprender, eu trabalhava de madrugada né, eu trabalhava num restaurante do McDonald’s de madrugada em Surfers Paradise que é como se fosse o centro da Gold Coast, onde tem as noitadas enfim, então eu trabalhava naquele lugar na madrugada que a galera saia da noitada trêbada e vinha no McDonald’s comer, era um negócio, depois eu te mando umas fotos pra você botar aí no vídeo, mas eu lembro um dia que eu cheguei em casa, como eu trabalhava de madrugada muitas vezes os meus amigos saíam e se divertiam e tal, conheciam gente e tal, teve um dia que eu cheguei em casa e um dos amigos que moram comigo ele tava, eu não sei o que aconteceu mas a minha cama estava ocupada, acho que ele conheceu alguém, minha cama tava ocupada, eu cheguei em casa o sofá tinha alguém dormindo e os quartos geralmente tinha mais de uma pessoa por quarto, eram dois quartos para várias pessoas, os quartos apinhados de gente, cara fui dormir no box, montei no box um lençol com travesseiro, dormir no box porque eu cheguei em casa já 6 horas da manhã, dormi lá no box e fiquei esperando as primeiras pessoas acordarem pra liberar a cama pra eu poder dormir, enfim cara, sufoco mas que hoje em dia acho que são pequenas coisinhas que você vai lembrando e se divertindo de ter vivido, acho que foi um ano muito importante pra mim, realmente recomendo as pessoas que tenham oportunidade, respirem novos ares sempre que possível

Henrique de Moraes – Verdade. Vamos falar um pouco sobre a Dimona cara. Vou te pedir para contar, que eu sei que você fala sempre com muito orgulho da história da Dimona, eu queria que você contasse um pouquinho, se você conseguir resumir um pouquinho pra não se estender tanto mas assim, se conseguisse falar um pouco da história e quando que você entra na empresa né e como o seu papel foi mudando, se você puder.

Leonardo Zonenschein – Bom, a Dimona é uma marca, uma empresa que o CNPJ é de 1967, foi fundada por um imigrante, na verdade a história a seguinte: quem fundou foi o Seweryn, ele veio da Segunda Guerra fugido né, uma história de vida muito difícil, muito dura, perdeu quase a família toda na Segunda Guerra com a perseguição nazista né, a gente como eu disse antes, somos uma família de origem judaica, e ele chegou no Brasil vindo da Polônia, não falava português, chegou no Brasil e começou a tentar ganhar a vida aqui sozinho né. Alguns anos depois ele abriu esse nosso primeiro CNPJ e daí começou a nossa história. Era uma lojinha antigamente de roupas convencionais e a partir da década de 80 com a entrada da segunda geração né que eram os filhos do Seweryn né, o Eduardo e o Luiz, a empresa começou a personalizar camisetas de fato, e uma coisa que é muito legal é que a história da Dimona se confunde muito com a história da estamparia, a evolução da estamparia, evolução dos processos desde a década de 80, uma coisa que a Dimona sempre foi acompanhando, então a gente vai compreendendo essa evolução que tá ligada à outras evoluções, evolução também dos softwares de computador, do acesso às pessoas, do design, você vai criando a demanda de novas formas de fazer, de mais cores, de mais efeitos e aí a estamparia vai evoluindo e com isso a Dimona foi evoluíndo junto. Mas então a segunda geração é o Eduardo e o Luiz, o Eduardo é meu padrasto, casou com a minha mãe eu tinha 3 anos de idade, minha mãe separou do meu pai eu era muito novo e o Eduardo considero um segundo pai então eu comecei a trabalhar na Dimona em 2007, eu trabalhava antes na Kraft Foods que é uma empresa multinacional de alimentos e fui para lá, eu lembro do meu primeiro dia lá, a empresa nasceu no Saara né, até hoje nosso escritório é no Saara, pra quem não conhece o Saara, é um mercado popular aqui do Rio, vibrante, barulhento e muito rico de histórias e de personagens, é um lugar, uma escola o Saara que eu tenho muito orgulho dos amigos que eu tenho lá enfim, muito orgulho do que eu aprendi com a família toda lá, não só tem a Dimona lá mas tem meus avós, meus tios, todos são comerciantes do Saara desde sempre. E eu lembro que eu cheguei, eu tinha vindo de uma multinacional né, trabalhava social, cinto de couro, sapato de couro todo bonitinho, aí eu cheguei lá com 23 anos de idade na loja do Saara todo arrumadinho, camisa toda fechada, pra dentro, meu primeiro dia na empresa né. Cara eu lembro que eu cheguei lá tinha caixa no meio da loja, e eram duas lojas na época, uma era a Dimona mesmo e a outra se chamava Beto Confecções, porque o dono anterior da loja se chamava Beto, então ficou. Não tinha uma organização de marca, e a estratégia deles que eu acho de certa forma genial, que eram duas lojas na mesma rua, então eles tinham uma loja com o nome e a outra loja com outro nome, então qual era a tese? De que o cliente passava, ele queria fazer 50 camisetas personalizadas, fazia o orçamento numa loja e aí pegava o preço, aí ele continuava andando, “Vamos fazer outro orçamento”, aí ele encontrava outra loja na frente, aí ele fazia outro orçamento na nossa outra loja, então era uma estratégia de competição na mesma rua pro cliente cotar nas duas e comprar em uma das duas, engraçado que isso dava certo né, porque o cliente chegava em outra loja com o cartãozinho da outra, e aí os vendedores ficavam brigando entre si pra fazer a venda e tal enfim, uma estratégia engraçada mas que dava relativamente certo. Mas aí enfim, entrei em 2007, um garoto assim

Henrique de Moraes – Você entrou pra fazer o que?

Leonardo Zonenschein – Cara eu entrei pra tocar a empresa, eu queria aprender, fazer, botar a empresa pra crescer mas não tinha um projeto, as pessoas às vezes acham que “Ah o cara entrou porque ele queria”, cara eu queria trabalhar, queria aprender, queria ganhar dinheiro, um garoto de 23 anos de idade, não tinha projeto nenhum, embora eu tenha preparado um projetinho para apresentar lá pro meu tio e pro meu padrasto, o que eu ia fazer, como que eu ia organizar as vendas, como que eu vou motivar os vendedores, criei um projeto de remuneração com algumas premiações, com jogos de venda, começamos a organizar a parte sistêmica porque era tudo muito desorganizado enfim, começamos um trabalho de modernização mesmo né do negócio. E aí começou né, comecei a tomar gosto, comecei a aprender muito e tem uma coisa que foi muito produtiva para mim é que no primeiro dia de trabalho, como uma empresa familiar, muitas vezes as pessoas reclamam da falta de autonomia, geralmente as novas gerações chegam e encontram um cenário de resistência, de muitos vícios que as pessoas não querem largar, dificuldade às vezes de inovar, de ter um espaço pra inovar, e meu tio me chamou na sala dele, o Luiz e falou “Olha Léo eu vou te dar um ano para você fazer o que você quiser, tem um ano. Se você tiver alguma ideia que eu não concordar, eu vou te falar que eu não concordo e eu vou te falar porque mas a decisão vai ser sua”, aí cara eu achei aquilo ali, eu não esperava né, tava pronto para guerrear né porque eu sou um cara assim, gosto de uma boa briga no bom sentido né, gosto de ir de ir atrás das minhas coisas, de conquistar, de fazer e tal mas ele abriu a guarda de um jeito que eu falei “Opa calma aí, então quer dizer que as decisões que eu tomar, a decisão vai ser minha e a responsabilidade também né?” eu com 23 anos começando o negócio, começando a trabalhar e aquilo me deu um senso muito forte assim de pertencimento e de responsabilidade, de como a palavra final era minha eu fiz questão sempre de ponderar as opiniões deles para não tomar a decisão errada. Isso me ensinou um pouco a escutá-los um pouco mais né, vejo muitas pessoas às vezes entrando nas empresas e querendo mudar tudo de uma vez só, a qualquer custo, e esse início do trabalho me fez respeitar a história mais, me fez escutar, me fez buscar mais, entender um pouco mais quem eram as pessoas que estavam lá há mais tempo, qual era a história de vida delas ali dentro, porque que as coisas eram daquele jeito, porque que não eram enfim, e aí eu tomava decisões na época, decisões de inovação e tudo mas levando em consideração um pouco da história. Eu já tive alguns profissionais trabalhando comigo que não compreendiam isso, que chegavam e queriam impor a sua forma de trabalhar mas sem perguntar como é que era antes, porque que era antes. Quando você trabalha numa empresa familiar com tantos anos de história, a história passa a ser um asset da empresa, a história passa a ser um elemento de muito valor emocional pra quem trabalha, pra quem está ali. E aí começamos o trabalho, e aí começamos a trabalho de novação, depois chegou o Igor né que é meu primo, filho do Luiz, cara de TI brilhante, engenheiro de computação, recentemente chegaram as meninas, a Karine e a Fernanda e aí a gente agora tem uma empresa familiar completa com time familiar e não familiar também trabalhando com a gente, e a gente pode começar a falar um pouquinho se você quiser, todas as inovações e as conquistas da Dimona nos últimos anos.

Henrique de Moraes – Ta vamos lá, mas antes da gente falar sobre isso eu queria entender uma coisa assim, você entrou então já tinha né esse histórico familiar né dos irmãos e você tentou se manter afastado da arrogância dos jovens que é o normal né, de chegar e falar “Eu sei da porra toda”

Leonardo Zonenschein – Eu não deixei de ser arrogante, não deixei de ter arrogância não tá, é uma coisa que a gente aprende todos os dias né, foi mais uma quebra de paradigma para mim

Henrique de Moraes – Você lembra alguma coisa assim muito importante que você tenha aprendido com eles?

Leonardo Zonenschein – Muita coisa

Henrique de Moraes – Tem alguma coisa que te salte a memória assim, alguma história?

Leonardo Zonenschein – Cara tem muita coisa né, o convívio familiar no trabalho é um convívio fraternal né e eu tenho uma sorte muito grande de estar numa empresa familiar onde a gente tem por uma coincidência cósmica, a gente tem pessoas com personalidades e com virtude muito distintas né então isso agrega muito, é muito ruim quando você trabalha com pessoas sempre muito parecidas né então nosso núcleo familiar que toca, que administra a empresa são muito distintos né. E isso me faz aprender muito até hoje né, com essas diferentes percepções e visões, e às vezes coisas que para mim são muito óbvias e muito claras, quando eu converso com eles eu vejo que nem tanto né, que tem outros pontos de vista, que tem outros paradigmas, outras formas de atuar. Isso acaba ajudando você, acaba ajudando a construir uma forma de raciocínio mais ampla né, mas eu acho que a maior forma de aprendizado que eu tenho com eles é o respeito ao trabalho sabe, são pessoas que até hoje, meu padrasto por exemplo tá na empresa há mais de 40 anos, e é uma empresa que hoje eu considero uma startup, a Dimona hoje tem projetos super inovadores de integração de tecnologia, de maquinário, de print on demand, estamparia sob demanda enfim, uma marca muito vibrante numa velocidade de startup de verdade assim, a gente hoje tem um núcleo da empresa, a gente hoje tem a Dimona tradicional e a Dimona startup né, que é a coisa da integração, abertura nos Estados Unidos que a gente fez recentemente da operação enfim, mas o respeito ao trabalho é o que nos ajuda a chegar nos nossos objetivos né, eu acho que o jovem quando chega para trabalhar ele pensa muito como ele é inovador, como ele tá fresco, como ele quer fazer, e esse contato com uma outra geração que tinha experiência, que tava ali todos os dias, que dava os exemplos né, eu acho que os exemplos são muito importantes né, o respeito, o respeito ao fornecedor, pagamento em dia das coisas sabe, ter esse senso de comprometimento das pessoas que estão ao redor, das empresas que estão ao seu redor foi uma coisa que eu aprendi muito com eles e aprendo até hoje. Cara olha só eu falo muito, se você deixar eu vou assim.

Henrique de Moraes – Cara aqui é pra ser à vontade mesmo

Leonardo Zonenschein – Me corta aí cara, quando você quiser mudar de assunto porque

Henrique de Moraes – Tranquilo. Eu queria te perguntar sobre uma história aqui que eu fiquei curioso, que você só me deu a deixa mas não falou o que é. Que história é essa do banquinho do Papa?

Leonardo Zonenschein – Banquinho do Papa? Essa é uma história, uma boa história dde fracasso mas que praticamente virou um sucesso. Bom, a Dimona começou a trabalhar muito forte com os grandes eventos né, a gente só para contextualizar um pouquinho, a gente é uma empresa que transforma ideias em camisetas acima de tudo né, não só ideias como projetos, eventos, sentimentos, opiniões, a gente é uma marca muito focada em oferecer soluções para que isso aconteça. Em determinado momento a gente começou, a partir de 2009 a gente começou a entrar muito forte nos grandes eventos né, a gente hoje tem uma fábrica de estamparia, vários processos de personalização, várias técnicas diferentes e a gente começou a apostar muito em como que a gente poderia aproveitar, principalmente porque na época estavam vindo muitos eventos importantes pro Rio né, Rock in Rio retornou em 2011, a JMJ em 2013, Jogos Olímpicos em 2016, a Copa do Brasil em 2014, então a gente se organizou pra isso. A história do banquinho foi o seguinte, em 2013 o Papa Bento XVI, era um Papa alemão, você deve lembrar dele, existe um evento que é a Jornada Mundial da Juventude, um evento mundial que acontece de 4 em 4 anos e tava previsto do Papa Bento XVI vir ao Brasil para ser o grande anfitrião desse evento. E assim não me levem a mal o que vou dizer, mas o Papa Bento XVI não era um cara muito popular, não era um cara muito carismático, mexia muito com o brio das pessoas e aí tinha um processo de licenciamento pra venda de produtos na Jornada e as pessoas não estavam muito interessadas assim, não acreditava muito né que a coisa ia acontecer na magnitude que estavam se vendendo, que o Papa era um Papa meio, realmente sem muita popularidade. Cara aí a gente acreditou no projeto, a gente falou “Vamos apostar, grande evento que o Rio vai receber, acho que faz parte do nosso objetivo de transformar ideias em camisetas, de ajudar a contar a história das pessoas, dos projetos a partir da estampa enfim, isso pode gerar um volume de vendas considerável, vamos apostar”. Então apostamos, fizemos lá o contrato de licenciamento e tínhamos a licença pra poder explorar, vamos dizer assim, a marca dos produtos de forma licenciada. E aí no meio do caminho teve uma troca do Papa, o papa abdciou e aí surgiu o Papa Francisco, Papa sul-americano, super carismático

Henrique de Moraes – Que aliás, quem quiser saber mais sobre a história tem um filme né

Leonardo Zonenschein – Tem o filme, filme muito bom sobre isso né, eles se encontram

Henrique de Moraes – Super recomendado

Leonardo Zonenschein – E aí de repente a JMJ seria a primeira visita do Papa Francisco como Papa, esqueci o nome dele original agora, mas seria a primeira viagem dele como Papa Francisco, e aí virou, era um cara argentino, sul-americano, virou um negócio de louco assim, quem mora no Rio deve lembrar de Copacabana amanhecendo com aquelas milhões de pessoas que dormiram ali na areia, um evento gigante. E aí a gente criou um projeto na época para comercializar esse evento, criamos o disque-paróquia inclusive na época, um projeto

Henrique de Moraes – O que é isso?

Leonardo Zonenschein – Que a gente acha muito curioso até hoje mas que deu muito certo, a gente operou o site de venda do evento mas, o e-commerce na época, foi um dos primeiros e-commerces que a gente fez como operação, que hoje desdobra no Drop Simples de hoje né, e aí voltando naquela história de como que as coisas às vezes a gente faz sem saber, a primeira camada às vezes você não vê as camadas seguintes, uma coisa vai puxando a outra, as oportunidade nem sempre elas estão na primeira camada, elas podem estar em camadas que você não enxerga num primeiro momento

Henrique de Moraes – Mas o que era o disque-paróquia?

Leonardo Zonenschein – Então, o site da JMJ vendia camisas personalizadas do evento, mas aí ligavam umas senhorinhas pra gente, pro nosso atendimento e falava assim “Oi gente, eu tô aqui querendo comprar camisa da JMJ mas eu não sei mexer nesse negócio de internet, eu não sei mexer com esse negócio de e-commerce, eu sou aqui da minha paróquia aqui de Manaus e tem aqui 30 pessoas querendo fazer as camisetas com o nome da paróquia”, aí a gente falou “Gente, vamos criar o disque-paróquia, as pessoas vão ligar do Brasil inteiro, e era o símbolo da JMJ na frente né, um coração com o Cristo Redentor e atrás as pessoas botavam o nome da paróquia porque as pessoas viriam pro evento do Brasil inteiro em grupos né, uma coisa bem legal inclusive, cada paróquia organizava os grupos e mandavam. Aí criamos o disque-paróquia, a pessoa ligava, mandava a arte pra gente por email, muitas vezes alguém ajudava e a senhorinha mandava o e-mail porque enfim, embora seja 2013 e pareça ser recente mas de 2013 para 2021 teve uma evolução muito grande, muita gente em 2013 ainda tinha dificuldade de comprar online, embora pareça que era anteontem. E aí a gente criou o canal disque-paróquia, vendemos cerca de 80, 90 mil camisetas por telefone, pra paróquias do Brasil inteiro, e aí quando começou a JMJ cara que eu cheguei em Copacabana, eu vi aquela galera com os nomes das paróquias atrás se encontrando, e é isso que eu gosto de fazer cara, tenho muito assim, tenho muita admiração, quanto você vende a camisa, ainda mais que a gente vende de atacado né, a gente sempre vendeu muito pras marcas, quantidade e tal, a gente também faz camisa no varejo, uma camisa só personalizada, mas a gente sempre fez muito camisa de volume, e é muito legal quando você vê as camisas ganhando vida, as pessoas usando né, deixa de ser um número e passa a ser uma realização, uma transformação mesmo.

Henrique de Moraes – Tangibilizar né aquilo que você tá fazendo.

Leonardo Zonenschein – É, e os grandes eventos eles trazem uma magnitude muito forte nesse sentido, então você vê realmente aquela multidão usando e aí você volta o filme né, você lembra da história, como começou o projeto, que a gente apostou, a correria, e a galera estampando, a equipe ajudando, o disque-paróquia e etc enfim, a galera ta lá, mas eu vou chegar no banquinho né. E aí a gente pegou um contrato que além de vender os produtos oficiais a gente poderia operar, a gente conseguiu com a prefeitura na época organizar junto com uma empresa também parceira nossa, vendas ambulantes credenciados para o evento, então a gente tinha vendedores credenciados de cracházinho que vendiam os produtos enfim, era multidão mesmo né então você tinha a galera que vendia a camiseta, que vendia o botom, que vendia as coisas da JMJ. Eu não sei se a galera vai lembrar mas quando o Papa veio pro Rio durante esse período, ele passava no papamóvel ali em Copacabana né dando tchau e ficava a multidão ao redor. E alguém na época, da galera que estava montando com a gente lá o projeto teve a brilhante ideiae falou “Gente eu vi em algum país que um dos grandes sucessos de venda desses eventos são banquinhos descartáveis reciclados”, era um banquinho de papelão, e parecia uma caixa de papelão que a pessoa leva debaixo do braço mas que você monta e vira um banco pra você sentar. Aí o cara “Pô, vamos estar vendendo camiseta, botom, vamos botar o banquinho também com a logo que vai ser sucesso”, a gente tava naquela coisa, brainstorm e tal e aí o cara falou “Deixa que eu vou tocar, vou comprar os banquinhos pra gente botar na operação”. Aí o cara comprou o banquinho, fomos começar a operar o evento quando de repente chegam três carretas em Copacabana de banquinho de papelão. Cara, não tinha nenhuma estrutura logística para vender aquilo no meio da multidão, galera falhou, não organizou direito e a gente tinha três caminhões de banquinho reciclado pra vender, eu falei “Caralho cara, o que a gente vai fazer com isso pelo amor de Deus”, e aí os vendedores não conseguiam andar, não conseguiam levar os banquinhos, era um desastre, falta de planejamento às vezes adequado leva à isso. Tô contando uma derrota aqui tá gente tá vendo? As pessoas ficam só contando vitória, tô contando derrota também. E aí a gente teve um insight de repente, quando o Papa passava, eu vi uma pessoa que tinha comprado esse banquinho, a pessoa subiu no banquinho para ver o Papa, e como ela subiu no banquinho e era uma briga pra ver o Papa porque ficava todo mundo um na frente do outro, cara ela via o Papa numa visão extraordinária, o Papa viu ela, deu tchau pra ela, e a gente vendo aquilo ali falou “Cara ninguém quer o banquinho pra sentar, as pessoas querem um banquinho pra subir e ver o Papa”. Cara a gente pegou 40 vendedores nossos das nossas lojas, era um sábado e as lojas fechavam mais cedo, alugamos um ônibus escolar, botamos a galera credenciada lá em Copacabana, treinamos a galera pra mostrar como é que subia no banco pra ver o Papa e virou o banquinho pras pessoas subirem. E aí vem a coisas da adaptabilidade né, às vezes você lança um produto com um fim e você às vezes precisa adaptar ou flexibilizar a forma de uso dele, ou flexibilizar a forma de fazer pra atender o mercado né, às vezes as coisas não vão como você imagina e às vezes você pode ter uma ótima oportunidade insistindo no produto mas mudando a perspectiva dele. No final das contas cara, no segundo dia ou no terceiro eu lembro do Papa passando e tava todo mundo em cima do banquinho, e aí o que aconteceu? Todo mundo tava igual de novo, tava todo mundo no banquinho, quem não tinha banquinho esquece, quem não tinha banquinho vai pra casa porque só ia ver a bunda do outro na frente e o que a galera começou a fazer? Comprar dois banquinhos, porque aí ela botava um em cima do outro

Henrique de Moraes – Cara começou a empilhar, que doideira

Leonardo Zonenschein – E aí cara você descobre a natureza humana porque na verdade tava todo mundo ali já na mesma posição aí um quis ser melhor do que o outro e aí todo mundo tentou correr atrás e aí depois um começou a ser melhor que o outro de novo e no final das contas todos mundo voltou pra estaca zero que era todo mundo na mesma posição, isso diz muito sobre a nossa sociedade né, enfim essa é a história do banquinho

Henrique de Moraes – Próximo evento que o Papa vier vai ter o banquinho e vai ter a escada

Leonardo Zonenschein – Não quero fazer banquinho nenhum, tô fora, nunca mais, quero vender camiseta.

Henrique de Moraes – Tem uma história que é muito boa do cara que criou a massinha, a Play Doh, sabe aquela marca, que na verdade aquela massinha ela era alguma coisa para lareira, pra você acender fogo, eu não sei direito exatamente qual era o uso mas alguma coisa nesse sentido e ele viu que os filhos dele gostavam de ficar apertando, e ele foi e botou uma cor e começou vender. A parada nunca tinha dado certo, era pra ser tipo uma revolução nas lareiras, nunca deu certo e ele botou a tinta ali, começou a vender e a parada vendeu que nem água, é um pouco disso

Leonardo Zonenschein – É isso, o aprendizado é esse, apostamos num Papa e depois tivemos sorte. E o projeto foi maravilhoso, a gente na época fez quase 400 mil camisas no total, foi um projeto lindo assim e que nos deu muita bagagem para outros projetos grandes né, Dimona foi a camisa oficial dos Jogos Olímpicos por exemplo, que foi o maior projeto da minha vida, a gente produziu camisetas que eram vendidas na Cidade dos Atletas e nas lojas oficiais, e fomos inclusive selecionados entre os três destaques do programa de licenciamento em 2016, tem até um vídeo no YouTube, uma entrevista que eu dei lá dentro do Parque Olímpico, eu fui convidado para dar uma palestra pros japoneses contando sobre nosso projeto de licenciamento, foi um grande sucesso né, além do Rock in Rio também que é um projeto que a gente começou em 2011 e hoje a gente tem uma parceria muito bacana lá com o pessoal que opera as lojas oficiais. Esses eventos nos deram uma experiência de já começar a produzir sob demanda mesmo antes né desse conceito ser um conceito tão estabelecido como ele é hoje né, o Rock in Rio por exemplo é um projeto onde a gente organiza, o festival tem duas semanas né então a gente organiza, a gente produz as camisetas que são vendidas na primeira semana, é aquela camisa “Eu fui”, tradicional e tal e a gente é fornecedor né do festival e da operação do festival, então a gente produz a primeira semana mas a gente deixa tudo separado e pronto para que a venda da primeira semana possa gerar demanda da segunda semana, então quando chega domingo à noite, o festival começa sexta, a gente chega domingo à noite, geralmente 00h, 1h da manhã tó lá na Cidade do Rock, vou lá na salinha do pessoal da operação e eles dão o pedido da semana seguinte. Então a gente praticamente produz um festival de música sob demanda né, então a gente fica segunda, terça e quarta produzindo as camisas vão ser vendidas no festival quinta, sexta, sábado e domingo da semana seguinte, e a gente passa a fazer um on demand diário né, o que o cara vende na quinta eu entrego na sexta e aí você potencializa o lucro da operação de maneira exponencial porque ele tem uma sobra de estoque muito pequena, e ele faz mais do que vende bem e deixa de fazer, deixa de ter um encalhe né. Esse conceito é um conceito que sempre nos perseguiu né, do sob demanda, e que nos faz ser a primeira a marca do Brasil a trazer maquinários digitais de produção sob demanda digital na época, a gente trouxe em 2010 a primeira máquina digital do Brasil que abriu a porteira para essa coisa do on demand e aliás, voltando essa história do Papa, o primeiro caso, o primeiro projeto on demand que a gente fez foi quando trocou o Papa, porque lembra quando sai a fumacinha do Papa, do “habemus papam”, a gente deixou tudo pronto pra lançar no minuto seguinte a camisa com o nome do novo Papa, e com a logo da Jornada né porque ele foi anunciado alguns meses antes da Jornada, então quando saiu a fumacinha branca do “habemus papam” a gente fez a camiseta “Papa Francisco, te receberemos de braços abertos” e o logo da JMJ. Cara foi na época uma enxurrada de pessoas falando que a fumacinha era uma fraude, que a Dimona tinha informação privilegiada de quem ia ser o Papa, porque na época as pessoas não tinham esse conceito do on demand na cabeça ainda entendeu?

Henrique de Moraes – Tem aquela frase né, “Não é magia, é tecnologia”

Leonardo Zonenschein – Exatamente. Enfim, e hoje a gente é marca referência na produção de estampas de camiseta sob demanda, e não sei se você quer começar a falar sobre isso, sobre de repente a gente falar sobre as nossas plataformas de integração, tudo que a gente tá fazendo hoje, tudo que a gente tá inventando hoje.

Henrique de Moraes – Então me conta, já que você estava falando aí do on demand né, a gente ajudou a Dimona a lançar o Drop Simples, que é um projeto que tá bombante né assim, pelo menos a parte de geração de leads tá uma loucura e vocês estão com algumas novidades aí, fala um pouquinho sobre cada uma delas.

Leonardo Zonenschein – Eu acho que tem uma coisa muito interessante que é como que você transforma a empresa tradicional, uma empresa do mercado popular que faz camiseta no balcão para uma empresa digital né, isso é um desafio que me faz aprender muito todos os dias e que me faz ter muita vontade de crescer e de ser esponjinha que vai vai aprendendo cada dia um pouco mais sobre este mundo digital que é um mundo extraordinário e que rompe todas as barreiras possíveis e imaginárias que a gente tem na loja física né. E a gente começou em 2014, é até um projeto do Igor meu sócio e nosso CPO, nosso homem de tecnologia, o Igor é um cara completamente alucinado e louco com essa coisa de tecnologia, o cara senta e faz umas coisas que demoraria 1 mês o cara faz duas horas assim, realmente é fora de série e ele começou, a gente começou a fazer os sites, a gente operou um site da JMJ, operando o site do Porta dos Fundos em 2013 e tava bombando, operamos outros sites de eventos e tal mas gente viu que a gente não conseguiu escalar aquilo né, era muito esforço para um projeto mas que a gente não consegui escalar, e aí o Igor começou a criar plataformas de integração, ele começou a criar uma forma de comunicar o nosso sistema, nossa fila de impressão de camiseta permitindo que as pessoas plugassem né suas lojas na nossa produção, então o objetivo era, como a gente fabrica camiseta, como a gente tem as pesquisas de produção, de logística, começamos a integrar também parceiro logísticos nessa solução, a gente começou em 2014 a criar essa solução das pessoas plugarem e integrarem as suas plataformas diretamente na nossa filha de produção e começou a ideia né, na época chamava e-print, e a gente começou a construir comunicação com cada uma das plataformas de e-commerce, então a gente montou o primeiro lá Shopify, Vtex, Ucommerce, Loja Integrada enfim, cada uma das principais a gente ia lá, lia toda parte de API dos caras e criava integração e permitia que o lojista dessa plataforma se comunicasse com a nossa produção, e fomos construindo isso até que a gente conseguiu uma gama muito forte, muito boa de plataformas já integradas, e hoje a gente tem no nosso site do Drop Simples né todas as plataformas já integradas com a gente então hoje qualquer pessoa que construa uma loja de camiseta nessas plataformas, elas podem sem custo automaticamente interligar e nos utilizar como fornecedor através da produção sob demanda, a gente só produz aquilo que o lojista vendeu né, de hora em hora nosso sistema vai lá na plataforma e captura o pedido dele, que ele vendeu para o cliente dele e isso entra na nossa fila de impressão. Então isso permite que as pessoas vendam sem estoque, a pessoa pode hoje ter uma loja de camiseta sem nenhum investimento inicial de estoque, sem nenhum investimento de maquinário, sem ter que tratar com fornecedor, sem ter que falar com fornecedor né, o que tá abrindo muitas possibilidades para muitas pessoas né. Uma coisa que é clara pra mim hoje é que o cara criativo, o cara que muitas vezes cria uma marca, que cria uma estampa, que cria um conceito, não é necessariamente um bom empresário, um cara que tem uma organização financeira para fazer um estoque, para fazer um controle de estoque, para fazer uma logística, pra comprar máquina né, são perfis muitas vezes distintos né de atuação, então a gente resolveu um super problema pra esses empresários né, esses empreendedores que tem audiência, que tem para quem vender, que tem um trabalho autoral, que fala com uma audiência relevante e que não conseguiu monetizar essa audiência de uma forma sustentável. E coisa cresceu tanto que resolveu criar uma marca nova que é o Drop Simples né, que está muito relacionado ao nome “dropshipping”, só que a gente foi ao mercado e você Henrique participou desse trabalho, a gente ficou procurando uma palavra que traduzisse a palavra “dropshipping” que é uma palavra do inglês que nada mais é do que a integração entre quem vende com quem fabrica, de forma que o comprador compra de um lojista mas recebe diretamente da fábrica, e a gente na ausência dessa palavra em português e na nossa pesquisa a gente também percebeu que o dropshipping muitas vezes está muito ligado ao conceito de fornecimento de outros países, principalmente da China que existe até um certo problema com relação à isso de Alfândega, de confiabilidade se o produto vai chegar, se você vai ser taxado ou se não vai, a gente resolveu criar o nome Drop Simples que é uma palavra em português para o conceito de dropshipping e que deixa claro que é sim a integração de quem vende com quem fabrica, porém valorizando a produção local, a fabricação é local então a gente produz no Brasil, a gente personaliza no Brasil, gera empregos no Brasil e tem uma empresa por trás que é a Dimona dando toda a segurança jurídica, enfim toda a segurança necessária para que o vendedor fique tranquilo de que o produto vai chegar no cliente final dele ou se eventualmente tiver qualquer tipo de problema, que ele tem a quem recorrer.

Henrique de Moraes – E se resolvem vários problemas né porque tanto do pequeno, da pessoa que, pequeno no sentido não só de tamanho de loja e tudo mais mas assim, uma pessoa que nunca vendeu camiseta como um influencer por exemplo, ele pode simplesmente chegar lá, ele já tem audiência como você falou, ele só pluga ali e começa a vender e não precisa lidar, aprender um monte de coisa que é muito difícil porque assim cara, uma vez eu fiz camiseta pra agência e foi um inferno porque eu tinha que saber antes de sequer saber o que ia acontecer com as camiseta quais tamanhos que eu tinha que comprar, cor e não sei o que, quanto de cada, falei “Caralho como eu decido isso agora?”

Leonardo Zonenschein – É, são essas soluções que o mundo digital está nos proporcionando né, hoje no site da Dimona a gente lançou um studio 3D, então você consegue personalizar sua camiseta direto no site e você vê a camisa de todos os ângulos, o que é muito legal, a experiência hoje pra quem não conhece um site e quer fazer uma camiseta, ou tá afim de imprimir sei lá, foto da sogra ou um pensamento do dia ou uma ideia que tenha, uma opinião, o que quiser, nosso produto é uma folha em branco para você criar e fazer. Entra no site, a gente tem uma plataforma muito simples, você faz um upload, vê sua camisa, muda a cor, escolhe o tipo de camisa, se quer mais simples, mais premium, e a navegabilidade está muito bacana, tá muito agradável assim, tem muito cliente que entra e fica brincando né com as camisetas, girando, vendo ela de todas as posições, faz print e posta na rede social mas é por aí né, a gente tá cada vez mais agora aumentando a parte startup da Dimona né, que é essa parte digital que a gente desenvolveu, que hoje toca o Drop Simples, que hoje toca as integrações, que hoje toca o próprio site da Dimona com o studio 3d, a gente tem outro produto que é o Pixel Art, que é uma forma de personalizar camiseta a partir de estampas pré-prontas, e vamos lançar muito em breve a compra de atacado né, da gente conseguir botar todos os variantes de atacado para a pessoa personalizar online, provavelmente nos próximos 60 dias isso vai estar no ar.

Henrique de Moraes – É as coisas acontecem muito rápido mesmo porque se você parar pra pensar a gente está trabalhando juntos há 4 meses, 5 meses, alguma coisa assim, não sei nem se tem isso tudo, tem?

Leonardo Zonenschein – Cara eu tô meio perdido já no tempo com essa pandemia, mas tem uns 5 meses né

Henrique de Moraes – Acho que uns 5 meses e cara, a quantidade de coisas que aconteceu, vocês mudaram o e-commerce todo basicamente, o site de vocês foi completamente remodelado, lançaram o Drop Simples, depois veio agora a campanha do carnaval né que tá agora sendo quase que atropelada pelo lançamento da Libertadores né, quando a gente lançar esse podcast já vai ter passado mas enfim

Leonardo Zonenschein – E teve o Comvida20 também que foi um projeto social durante a pandemia que cara eu tenho um super orgulho de ter participado desse negócio

Henrique de Moraes – E vocês não estão entendendo, o Drop Simples saiu do zero basicamente, já tinha ali lógico a inteligência de como fazer e tudo mais, mas o projeto em si, a mudança toda de comunicação, de ser um portal de informação pras pessoas né, pras pessoas conseguirem entender o que que é o Drop Simples, print on demand, essas coisas todas, isso veio muito rápido cara, eu lembro de quando vocês passaram a ideia pra gente né, na verdade ia ser uma coisa diferente e foi se transformando também ao longo do tempo, foi o que? Um mês eu acho que um pouco mais

Leonardo Zonenschein – A gente botou a parte do site em 35 dias no ar, só que tem toda a parte de trás né, além de tudo isso que você falou, e acho que a pandemia cara botou a gente numa situação de acelerar muita coisa, a gente trabalhou loucamente nessa pandemia, minha equipe ficou louca, minha mulher também enfim, porque trabalhando de casa você trabalha muito mais, além desses projetos todos que você mencionou a gente trouxe, foi a primeira empresa no Brasil nesse período a trazer o maquinário com tintas biodegradáveis pro Brasil, de silk HD né, que é a evolução do silk digital então a gente fez toda a parte de concepção, de obras, de infraestrutura, de instalação, de importação, as máquinas são lá de Israel né, tintas biodegradáveis, zero emissão de dióxido de carbono, mega resolução de impressão, 64 milhões de possibilidades de cores na estampa enfim, a gente instalou esse maquinário no Brasil para o Drop Simples e abrimos a Dimona USA, que tá a pleno vapor funcionando, eu acho que é legal falar sobre isso porque o Drop Simples é uma plataforma de integração né, na verdade é uma solução de integrações onde a gente tem várias soluções para quem quer vender online, pra quem já é grande, pra quem é pequeno, pra qum é médio, pra quem tem uma marca consolidada, a gente tem plataformas focadas parceiras nossas, focadas em que tá começando enfim, a gente tem lá um conjunto de soluções. Mas hoje com a operação Dimona USA, a Dimona americana, a gente também possibilita que lojistas no Brasil possam vender para o mercado americano sem nenhuma burocracia, entregando nos Estados Unidos, produzindo localmente lá, a gente também instalou operação com maquinário lá, então hoje se a Wee quiser montar uma loja de camisetas para vender no Brasil você também pode oferecer e fazer uma campanha para o mercado americano, a integra as soluções via tecnologia e a gente está começando a construir uma rede mundial de print on demand de camisetas permitindo que as pessoas possam vender para qualquer lugar do mundo com produção local.

Henrique de Moraes – Velocidade de startup mesmo. E sobre o Drop Simples, antes da gente começar o trabalho né você falou assim “Vou te dar acesso às plataformas aqui, tem como você fazer um relatório geral, um report do que pode melhorar, como vocês podem trazer alguma melhoria e tudo mais pra gente ver como é que a gente vai fazer para seguir”, e a gente trouxe um documento em que mostrava que o público que vocês tinham na loja era completamente diferente do público online né, e que até então vocês não tinham percebido e os anúncios acabavam sendo muito mais voltados pro público que vocês estavam acostumados a atender fisicamente, e quando a gente foi fazer o Drop Simples né, a identidade visual, isso foi completamente levado em consideração né, a gente fez uma identidade pra um público muito mais jovem do que um público mais velho, que era o que a gente via que não só comprava na Dimona mas provavelmente também ia ser quem ia se envolver com o Drop Simples.

Leonardo Zonenschein – É, o Drop simples é uma ferramenta com um poder de escalabilidade muito rápido né, um negócio completamente diferente, é uma marca que tende a crescer muito rápido e tende a escalar muito rápido porque ela lida com o Brasil inteiro e agora com os Estados Unidos também né. É muito mais fácil a gente escalar você tendo todo dia lojistas novos entrando e cada lojista que entra, que integra na solução é um lojista que tem uma ideia, que tem uma campanha, que tem uma audiência, então a gente potencializa a venda do nosso produto final né que é a camisa personalizada quando a gente acaba tendo milhares de pessoas simultaneamente fazendo campanha, com as suas ideias e vendendo para o seu público, pra sua audiência. Eu acho que no médio prazo, talvez até de repente antes do que eu imagino talvez até o conceito do Drop Simples vai ser maior do que a Dimona em termos de faturamento porque é muito rápido escalar né, e é uma coisa que tá muito fort,  as pessoas querem empreender, as pessoas estão querendo se descobrir, as marcas querem reduzir suas compras de estoque, querem fazer sob demanda então hoje a gente trabalha com um cara iniciante nas plataformas parceiras que a gente tem já integrados na gente, mas a gente trabalha com marcas grandes também, marcas conhecidas do mercado que estão integradas, estão fazendo e buscando a nossa solução

Henrique de Moraes – E vocês acabam se aproveitando da cauda longa também né, como a gente chama, porque você vai ter desde o pequenininho ali que vende às vezes uma camiseta só por semana por exemplo, mas você tem também um cara que vende pra cacete, e pro cara que está lá ele pode ter todas aquelas estampas sem se preocupar então assim, para ele é vantagem ter mais estampas anunciadas porque assim, é mais chance dele vender um produto mesmo que ele venda aquela aquela estampa uma vez só por semana também, pra ele é super tranquilo porque ele não tem um toque daquilo acumulando, então todo mundo se dá bem

Leonardo Zonenschein – Total, você muda a regra do jogo né, no modelo antigo você tinha que comprar, fazer a aposta de qual estampa ia vender, comprar as estampas, comprar grade, aí você tinha que limitar seus lançamentos porque você não queria, você tem um limite orçamentário então ao invés de lançar 50 estampas você lançava 10 na sua loja. Então hoje não, hoje o cara pode lançar 5 mil estampas, 1 milhão de estampas e é legal que nosso sistema ele só cadastra a estampa que vender, então se ele lançar 1 milhão de estampas e só vender duas, ele não tem que cadastrar 5 milhões de estampas, tem que cadastrar só essas duas, e ele não tem limite de cores porque a gente têm a tecnologia de impressão, então a gente muda a regra do jogo, você consegue ter uma loja fazendo nenhum tipo de investimento na frente em estoque, e você só paga aquilo que você de fato vendeu, além de toda parte logística né, hoje como a gente tem contrato com operadores logísticos acaba que um cara que não é tão grande ele acaba usufruindo do nosso frete que é negociado pelo volume, ele acaba tendo um frete mais barato do que se ele fizesse um contato direto com os Correios por exemplo, porque ele usufrui desse volume que a gente tem com outros clientes, enfim. Então a solução traz muitas vantagens para quem quer vender online, quem quer vender uma marca ou que já tem uma marca e precisa migrar de um modelo de estoque para o modelo on demand.

Henrique de Moraes – Perfeito. Cara vamos lá, eu vou passar aqui pra segunda parte finalzinha da entrevista onde tem algumas perguntas que eu faço pra todo mundo e a galera se amarra porque enfim, sempre sai alguma recomendação ou alguma coisa assim. A primeira que eu acho que essa eu não te mandei tá, mas é uma pergunta que eu adicionei há pouco tempo que eu acho muito divertida que é, qual foi a pior reunião da sua vida? Você lembra?

Leonardo Zonenschein – Pior reunião da minha vida? Cara nunca pensei nisso mas tiveram várias né, cara não sei preciso pensar, daqui a pouco eu te falo.

Henrique de Moraes – Tranquilo sem problemas, a gente volta nela depois. Quais são os livros, se é que você tem algum, que tenha sido muito importante para você? Pode ser de 1 à 3 livros mais ou menos que mais te impactaram e não precisa ser pra trabalho tá, pode ser vida pessoal assim até porque no final das contas quando impacta na vida pessoal acaba impactando na nossa vida profissional também de certa forma

Leonardo Zonenschein – Eu sou um cara muito pescador assim, dentro da minha ansiedade, da minha forma de ser eu dificilmente, raramente termino um livro, eu tenho esse problema, eu começo muitos e termino poucos. Eu gosto muito de pescar assim sabe, partes assim, às vezes eu começo um livro depois começo outro mas eu não sou um franco leitor, percebo muitas vezes nessas entrevistas que as pessoas se sentem obrigadas a ter um livro que mudou sua vida né, eu acho que não tenho nenhum título assim que tenha mudado a minha vida, a minha percepção mas eu acho que a construção, essa pescaria que eu vou fazendo que vai me ajudando a construir uma fonte de conhecimento e de pensamento. Um livro que recentemente eu dei uma boa paginada foi o “O Poder do Hábito” né que me ajudou a repensar um pouco a reconstrução mental e a reconstrução até fisiológica às vezes das coisas que a gente faz né, é interessante entender como que os nossos hábitos são construídos e como que eles precisam eventualmente serem desconstruídos para reconstruir novos. E pra gente que é empreendedor, empresário, que tá o tempo inteiro precisando se inovar, repensar, estar com a cabeça boa, articular, eu acho que esse conhecimento, saber desse funcionamento me ajudou muito a ter uma compreensão de que tem coisas que eu faço hoje que eu não deveria fazer e que pra deixar de fazê-las eu preciso seguir um rito e seguir um modelo que funciona. Tem o livro do Phil Knight, da história da Nike que eu li recentemente também, que eu me reconheci né, como a gente nasceu no Saara e nosso escritório originalmente sempre foi lá, mas originalmente fica ainda num lugar que é de frente para a rua Senhor dos Passos ali, e a gente tinha um vizinho que ficava com aquelas caixinhas de som fazendo aquela gritaria de comerciante que era um inferno, e tem um parte do livro dele que ele diz que o escritório da Nike começou do lado de uma boate, uma coisa assim, uma casa de show, e que ele trabalhava ao som das batidas da música lá e é muito legal ver essa perspectiva de que um dia ele esteve num lugar onde já estive e que enfim, claro que eu não tenho nenhuma pretensão de construir uma Nike, não tenho nem essa capacidade mas é importante ver também esses dilemas de quem tá empreendendo e o caminho que as pessoas estão percorrendo.

Henrique de Moraes – Cara eu adoro esses dois livros, são livros que eu sou apaixonado, “O Poder do Hábito” eu li há muito tempo atrás, eu queria até reler porque as histórias são muito boas, são muito divertidas inclusive e o cara escreve de uma maneira muito fluida, acho que é bem tranquilo, recomendo bastante para todo mundo, é um livro que eu dei bastante de presente, inclusive. E o do Phil Knight eu li não tem muito tempo também e cara, eu achei esse livro dele muito sensacional assim, pra começar que se alguém quiser, alguém que estiver empreendendo, lê só o primeiro capítulo quando ele compara empreender com correr né, que ele fala que aprender e correr são uma loucura porque não tem ponto de chegada né, você vai correndo e tipo assim você faz porque você quer e tipo assim é dolorido, é ruim, é desconfortável e você só continua fazendo né, se parar pra pensar no empreendedorismo você não tem um teto, não tem uma meta, qualquer meta que você botar é arbitrária, ela tá ali só pra você ter um touchpoint, mas depois que você chegou ali beleza você pode continuar, e continua.

Leonardo Zonenschein – Empreender é irracional né, eu acho que ainda mais no Brasil é totalmente irracional, é totalmente, tem que ter muita esperança e acho que esperança é uma palavra, um cara muito pessimista não pode empreender porque tem que ser muito otimista pra empreender, você tem que acreditar muito de que as coisas vão conspirar e de que você vai conseguir desenvolver, vai conseguir construir, vai conseguir articular e que no final do dia você vai conseguir ter sucesso e prosperidade. Mas quando você começa, você começa a ver “Opa, isso aqui não era bem assim que eu imaginei”, tem as dificuldades, você tem que lidar com as pessoas e as pessoas são complexas, as pessoas muitas vezes não tem o comprometimento, tem pessoas muito comprometidas e pessoas muito pouco comprometidas que você vai encontrar ao longo do seu caminho, então você saber também trazer as comprometidas, trabalhar com elas e desenvolver e se desenvolver junto com elas é um desafio enfim.

Henrique de Moraes – É, muito bom. E tem um outro ponto legal do livro também e para quem gostar de empreendedorismo eu recomendo muito esse livro também, que o livro acaba quando a Nike faz sucesso, ele vai contando só as merdas, como ele ficava endividado, ele teve que se endividar o tempo inteiro pra conseguir fazer, ele tava sempre do limite ali do quanto ele conseguia pegar de empréstimo

Leonardo Zonenschein – Articulação que ele tem que ir pro Japão negociar com fornecedor

Henrique de Moraes – Isso, e que a Nike surgiu porque esse fornecedor quis dar a volta nele e aí só por isso que a Nike surgiu porque senão não sei se teria feito o sucesso que fez porque a Nike mudou né o jogo assim na época, tipo tanto com o nome, logo e aí como eles se posicionaram e é engraçado até ver ele falar que ele era contra publicidade, a primeira agência que ele contratou ele contratou meio que a contragosto, e como depois ele aprendeu a trabalhar e aí viu como aquilo ajudou, cara tem toda essa construção que é muito lenta, o nome calma! desse livro representa bastante por que sei lá foram 20 anos, 15 anos, foi um tempo muito longo de uma construção muito lenta sabe, muito muito lenta tipo para a marca se tornar o que se tornou, e aí depois ele explode né. E aí acaba quando ele consegue resolver os problemas financeiros dele e aí corta para ele já tipo indo no cinema encontrando com Bill Gates, então tá bom né?

Leonardo Zonenschein – É bom a gente que gosta assim desse mundo de empreendedorismo e que de certa divide um pouco isso pelos bastidores enfim, e a gente sabe a quantidade de nãos que a gente recebe ao longo da trajetória, a quantidade de bateção de cabeça, de cabeça na parede que tem que bater de vez em quando e assim, eu acho que hoje em dia as pessoas vendem muito os pratos feitos né, como se as coisas fossem muito naturais, como se o sucesso brotasse da árvore e ponto final. E não existe isso né, dentro do conceito do Drop Simples, sempre que as pessoas me perguntam “Ah eu quero empreender, quero integrar na solução de vocês” eu falo “Gente olha só, a primeira coisa, se você quer empreender você tem que entender o que você tá disposto a fazer e abrir se dedicar” porque hoje em dia as pessoas vendem “Como empreender em 5 passos”, “Como ter uma loja de camisetas em 3 passos” isso não é real entendeu, isso não é razoável entendeu? Tô numa empresa de 67, a gente tá há 54 anos batendo com a cabeça na parede e aprendendo, inovando e fazendo e persistindo, e arriscando sabe, e tudo bem às vezes a gente vê pela mídia assim aquelas empresas que surgem, que explodem e tal, não que não exista, claro que existe mas sem dúvida por trás disso tudo tem um esforço insano e pessoas super dedicadas e envolvidas em fazer a coisa acontecer e abdicando de muitas outras coisas. Empreender tá muito ligado à abrir mão eu acho, aliás todas as carreiras né.

Henrique de Moraes – Acho que depende muito de qual é a ambição também né porque as pessoas acabaram associando o empreendedorismo à unicórnios, a tipo startups, a crescer muito rápido e o empreendedorismo pode ser outra coisa, você poder ter uma empresa que vai sustentar ali o seu estilo de vida né, então quanto você precisa para viver? Então são coisas que as pessoas não falam na mídia mas isso existe, existem livros que falam sobre isso, existem pessoas que, o primeiro livro inclusive do cara que é um dos meus maiores ídolos hoje que é o Tim Ferriss, ele falava sobre isso, quanto você precisa pra ter seu estilo de vida ideal e como você faz pra conseguir faturar só o que você precisa pra ter seu estilo de vida ideal, não ficar preocupado em crescer infinitamente até o infinito enfim

Leonardo Zonenschein – Às vezes você é levado à isso né porque às vezes uma boa ideia, você não tem como parar uma boa ideia né às vezes o negócio ele vai naturalmente acontecendo e você se vê dentro de uma boa oportunidade. E assim, você tem que estar disposto né, a gente tá vivendo isso hoje, eu nunca poderia imaginar pouco tempo atrás que a gente teria uma empresa internacional, uma operação nos Estados Unidos, com perspectiva de ser uma rede mundial de integração, eu não sonhava isso antes. E eu acho que uma coisa que as pessoas também se iludem de achar que aquilo ali que o cara conquistou é o que ele imaginava desde o início, as coisas vão acontecendo e vão surgindo e você vai se vendo às vezes em decisões que você precisa “Vou pra para cá ou vou pra cá”, e você às vezes acerta as decisões, acerta o modelo e você fala “Cara isso aqui pode crescer vezes 50, vezes 100 se eu optar por isso daqui né, então você é levado às vezes a sair dessa zona talvez, não vou dizer de conforto mas uma zona mais confortável, de ser uma coisa um pouco mais localizada quando você tá dentro de uma boa ideia com perspectiva de crescimento e de escalabilidade, acho que a Dimona tá vivendo isso hoje, a Dimona olha pro mundo, olha pro Brasil inteiro mas sem perder o nosso pé no chão né, sem perder a nossa relação com a nossa origen, com o Rio de Janeiro, o projeto do carnaval que gente tá fazendo agora por exemplo onde a gente reuniu os blocos nesse ano de pandemia pra lançar uma camiseta de conscientização pela não aglomeração e que reverte o lucro pros próprios blocos, é um projeto regionalizado, é um projeto focado no Rio, numa empresa que está abrindo nos Estados Unidos então assim, para muitos pode não fazer muito sentido em termos de posicionamento, “Mas pô, vocês estão virando uma empresa que tem que olhar pro Brasil, que tem que olhar de uma maneira mais internacional” eu concordo mas existe uma essência de ser uma marca carioca, de não deixar essa relação que a gente construiu com essas pessoas e com o carnaval sabe, não dá para largar de mão e achar que isso não é mais importante né, então pra quem não sabe esse projeto do Unidos pelo Distanciamento virou uma camiseta, foi uma coisa que a gente criou em 15 dias, reunimos importantes blocos do Rio de Janeiro, pra quem é do Rio conhece o Bola Preta, Monobloco, Fogo e Paixão, Sargento Pimenta, Orquestra Voadora, tem vários, lá no site tem a relação de todos os blocos super importantes da cidade e pessoas que ajudam a construir o Carnaval que hoje é um um ecossistema que gera oportunidades, que gera riqueza, que gera impostos, que gera empregos e a gente se viu “Cara como é que a gente vai ajudar esse ecossistema a ter voz e a sobreviver”, não que a gente vá resolver o problema financeiro desses blocos, mas a gente tá dando oportunidade, a gente está possibilitando que a nossa camisetas seja de alguma maneira a forma deles venderem, comercializarem e terem o lucro. E o prefeito do Rio resolveu apoiar a iniciativa, eles gostaram acharam que isso está muito ligado com o que a prefeitura quer construir daqui para frente né, parceria os atores do carnaval, com as marcas, com as empresas e com a própria prefeitura e a gente fez essa semana o lançamento da camiseta “Unidos pelo Distanciamento” com o prefeito Eduardo Paes e a prefeitura como embaixadores do projeto, e o legal é que essa articulação que era para ser uma coisa pontual e aí voltando pro que a gente falou aí da oportunidade que vai acontecendo, recebi hoje uma ligação do assistente da prefeitura pedindo pra marcar uma reunião de trabalho com os blocos pra começar, porque o prefeito assinou nesse lançamento da camiseta, também foi a assinatura de um termo do prefeito assumindo um compromisso junto aos atores do Carnaval que todos juntos construam ano que vem o melhor Carnaval da história da cidade. Ou seja, o movimento que era uma camiseta virou um compromisso do melhor Carnaval ano que vem do prefeito junto com os bloco e agora já tá virando um grupo de trabalho unindo blocos a agora já quer fomentar as empresas junto com o prefeito, a prefeitura ou seja, a gente sem querer já está interferindo na qualidade do Carnaval do Rio do ano que vem, interferindo positivamente, articulando. Aí você pergunta “Ah Léo o que você ganha com isso, o que a Dimona ganha com isso?”, cara a gente vai ganhar alguma coisa, a gente vai ganhar o respeito dos blocos, vai ganhar a preferência, vai geral valor, vai ajudar a aumentar o bolo do Carnaval, vai trazer mais turistas que vão comprar mais da gente, vão comprar mais de outros, as coisas não são tão matemáticas às vezes né, às vezes nem tudo tem uma resposta imediata e as coisas acabam tendo um resultado de médio e longo prazo e oportunidades surgem justamente por conta das articulações que são feitas.

Henrique de Moraes – Sim, eu acho que é uma forma de pensar sensacional e que muita gente acaba errando, sendo muito analítica nesse tipo de coisa, especialmente com relacionamentos. Por exemplo eu tava conversando com um amigo meu, e ele tava perguntando qual é o objetivo do podcast, como se conecta com o que eu tô planejando pra minha vida, pro negócio e tudo mais, eu falei “Cara, ele se conecta com a parte do que eu quero conhecer gente nova e eu quero aprender com essas pessoas, esse é o ponto principal assim” eu comecei o podcast para aprender com outras pessoas e ouvir o que elas têm a dizer e assim, eu não sei exatamente o que eu vou tirar disso mas eu sei que assim, como empresa, como a Wee vai tirar alguma coisa disso mas eu sei que eu tenho crescido, o meu crescimento significa também o crescimento da empresa mas nesse meio tempo eu conheci pessoas com quem eu tô começando projetos juntos porque, e eu só conheci por causa do podcast porque eu não conhecia, nunca tinha falado antes, chamei para participar, a gente se deu bem, achou legal, falou “Tenho um projeto que tem fit com o que vocês estão fazendo e tudo mais, vamos de repente começar uma parada juntos?” e a gente começou, sabe?

Leonardo Zonenschein – É cara, eu tenho uma política Henrique que é a seguinte, às vezes as pessoas têm muitos critérios para começar as coisas, para fazer as coisas, e o critério ele muitas vezes não pode se sobressair ao seu feeling empreendedor né, às vezes o teu feeling ele é muito forte, você tem uma ideia, você tem uma iniciativa que pode não fazer nenhum sentido para quem está à sua volta, mas que o teu sentimento é de que aquilo tem que ser feito, acontece muito isso comigo. Quando eu pensei na ideia dos blocos por exemplo, ou quando eu pensei no Comvida20, que foi um projeto social durante a pandemia, que eu recebi o desenho de uma criança e a gente transformou numa campanha humanitária que ajudou mais de 2 mil famílias durante a pandemia, eu não tinha garantia de nada, eu não tinha garantia de absolutamente nada, eu tinha um feeling de que aquilo ali era uma coisa que era ganha/ganha, a gente ia ajudar a sociedade ,a gente ia de alguma maneira posicionar a Dimona, claro que tem essa contrapartida de um posicionamento de uma empresa solidária que eu acho que é importante, ganhamos mídia com isso ao mesmo tempo ajudamos as pessoas e eu fui pessoalmente nas entregas nas comunidades, então essa iniciativa me fez conhecer comunidades que ficam a 20 minutos da minha casa aqui no Rio que eu jamais tinha ido, fui conhecer uma realidade que eu não conhecia dentro da minha bolha às vezes que a gente acha que a bolha é uma coisa, muita gente acha que é invenção, a bolha existe, então a pandemia me fez ir, fui de máscara com um grupo de voluntários, com uma galera boa de trabalho e levar cesta básica nas comunidades e conhecer aquela realidade que nunca tinha entrado, tinha entrado em uma comunidade ou outra mas nunca tinha ido tão a fundo né, eu durante academia consegui com esse projeto conhecer várias comunidades do Rio. A gente distribuiu 2.200 cestas básicas no Rio de Janeiro pelo projeto Comvida20, que começou com uma menina de 11 anos que faz um desenho, quem quiser no YouTube tem vídeo de tudo gente, entra no canal da Dimona que tem video de tudo lá, ela faz um desenho em Março/Abril de 2020, início da pandemia ela desenha um vírus verde que é o planeta e chama de Comvida ou seja, é o vírus da vida, o antagonismo ao que a gente tava vivendo na pandemia. Eu olhei aquele desenho cara de uma criança de 11 anos, aluna de uma escola e falei “Cara isso aqui vai ser a bandeira da Dimona, vamos emcampar isso, vamos fazer, vamos botar as máquinas para trabalhar, vamos botar o on demand para trabalhar e vamos tocar o barco”. Cara virou uma campanha muito legal com vários artistas apoiando, artistas de ponta, uma galera boa sabe, é uma projeção gigante. E era legal porque assim, a cada 2 kits vendidos a gente conseguia pagar uma cesta básica, só que a gente estimulou ao invés das pessoas comprarem para si mesmo que é o natural, você vai comprar uma coisa para você, a ideia do projeto era que as pessoas comprassem pra alguém, porque comprar para alguém? Porque como são a cada 2 vendas 1 cesta básica, quem recebia a camiseta com bilhetinho entendia que se ela não comprasse para outra pessoa a cesta básica não estava completa, então para um convite quase que obrigatório da pessoa que recebia a camiseta de presente de alguém presentear uma outra pessoa, e ela postava e convidava “Olha vou mandar aqui a camiseta para fulano”,aí o fulano recebia “Vou mandar agora ciclano”, e indo a gente vendeu 4 mil kits no site durante a pandemia e apuramos 2250 cestas básicas a serem entregues nas comunidades. Entregamos tudo, eu fui em várias das entregas e me ajudou muito a ter uma percepção melhor sobre nossa cidade, nosso país e nossas dificuldades, aí você pergunta “Pô Léo o que você ganha com isso?”, ganho muito, ganho conhecimento, ganhou maturidade, eu ganho experiência de lidar mais, de entender um pouco as diferentes perspectivas de pensamento, isso me ajuda a formar minha opinião como empresário, minha opinião política, me ajuda a amadurecer como eleitor, como cidadão enfim, acho que tudo é uma construção.

Henrique de Moraes – Voltando aqui pras perguntas então, você tem algum hábito incomum, estranho pros outros mas que você não abre mão?

Leonardo Zonenschein – É tem o hábito que eu te falei né de colocar o tefilin diariamente que não chega a ser estranho ou incomum, pra quem é judeu é uma coisa relativamente conhecida e sabida, acho que eu tenho muitos hábitos assim de movimentar as pessoas assim, de tentar medir até aonde que eu tenho que acelerar até onde que eu tenho que frear sabe, mas não acho que eu tenho um hábito assim caricato, meu assim que faça com que ajude a formar assim a minha rotina sabe, sinceramente acho que não.

Henrique de Moraes – Quando você está sobrecarregado, se sentindo meio, parece que você está perdendo o controle da vida, essas coisas acontecem especialmente pra quem é empreendedor, você tem alguma coisa? Você já falou né que você dá uma corrida, mergulho do mar, tem alguma coisa além disso ou esse é seu segredo?

Leonardo Zonenschein – Cara eu gosto muito de me conectar né, de às vezes dar uma desligada, embora eu não consiga muito. Eu tenho uma relação muito forte com a neve sabe, com a solidão da neve, com o frio, com a paisagem, gosto muito me sinto muito bem nesses ambientes invernais e eu sou fissurado por fazer snowboard embora more do lado da praia e não surfe, sou carioca mas moro do lado da praia e não surfo, tenho que ficar me desdobrando para conseguir subir as montanhas de neve e pra descer com prancha no pé. É um negócio que eu adoro assim, que me faz me sentir muito vivo, muito presente sabe, que me faz sentir muita gratidão por estar aqui, por ser quem eu sou, por ter essa possibilidade física de fazer isso, e é um lugar em que eu costumo conseguir ter boas inspirações, me desligar um pouco e relaxar. Agora na pandemia, óbvio a gente tá sem poder conseguir ir para lugar nenhum, então eu tenho buscado encontrar maneiras de me inspirar e de descansar a cabeça eventualmente dentro de casa mesmo né. Comecei a tentar meditar junto com a minha mulher mas acabou que não andou muito pra frente, então acho que o mergulho no mar acaba sendo, é sempre assim, sempre o encontro com a natureza. É uma coisa engraçada né que a gente sempre volta para as coisas mais simplórias né, a gente corre corre corre corre e a gente precisa respirar nas coisas mais simples né, tomar um sol, dar um mergulho no mar, comer bem, tomar um suco fresco, tomar um açaí fresco, as coisas mais simples né.

Henrique de Moraes – Com certeza. Nossa nem fala de açaí, saudade de açaí. Você tem algum conceito formado na sua cabeça do que é ser bem sucedido?

Leonardo Zonenschein – É que eu tô tentando descobrir na verdade, às vezes eu fico me perguntando “Será que a gente já é bem sucedido? O que é bem sucedido?”, eu acho que é um conceito ruim o bem sucedido, que é um conceito excludente sabe, parece que só alguns chegam lá, só alguns são bem sucedidos e às vezes você pode ter a pessoa mais tranquila do mundo, sem grandes desejos de negócio e ser a pessoa mais bem-sucedida do mundo né. Às vezes o cara tem uma casinha lá em Fernando de Noronha, tem um trabalho tranquilo, ligado com a natureza e o cara é bem sucedido pra caramba, o cara vê golfinho todo dia, o que é bem sucedido? É muito difícil

Henrique de Moraes – Exatamente cada um tem uma visão completamente diferente sabe

Leonardo Zonenschein – Vou te falar, para mim eu acho que ser bem sucedido é momentâneo, acho que você tem momentos em que você é bem sucedido, então por exemplo quando eu chego no Parque Olímpico nas Olimpíadas e vejo aquela multidão com a minha camiseta e eu sei o trabalho que deu, e eu começo a valorizar tudo que foi feito para aquilo acontecer sabe, começo a sentir gratidão pelo trabalho, gratidão por ter tido essa oportunidade, gratidão por ter ganhado dinheiro com aquilo porque ganhar dinheiro não tem nenhum problema também, dinheiro é importante também que fique claro, gratidão pelas pessoas que se envolveram, pelas pessoas que trabalharam mais tarde, pelas pessoas que viraram a noite, isso é um sentimento de uma coisa bem sucedida, de ter conseguido articular, coordenar e inspirar e motivar as pessoas e ter conseguido convencer o outro lado de que você era capaz e você entregar sabe, essa entrega é um sentimento de sucesso e você quer cada vez mais, quer cada vez desenvolver mais, motivar mais, quer aprender mais, quer fazer mais, pra você ter essas pílulas de sucesso ao longo da sua vida. E talvez o conjunto dessas pílulas de sucesso é o que fazem com que você chegue em algum momento, eu não sei se existe, mas tem aquela visão do cara que chega, um senhor de idade, pega um cházinho, senta num lugar bonito e fala “Realmente eu fui um cara bem sucedido”, esse momento não existe né, esse momento é uma construção eterna que eu acho que talvez mais do que se sentir bem sucedido você tem que ter um sentimento de gratidão pelas coisas que você realiza e uma conexão com aquilo que você tá fazendo né, e eu busco sempre isso, sempre articular para não só pensar de forma empresarial mas para manter a relação com a família, com a empresa familiar, com quem está a volta, e com isso me sinto bem sucedido. Não todos os dias, tem dias que eu não me sinto bem sucedido, mas na maior parte do tempo sim.

Henrique de Moraes – Maravilha. E quanto do seu sucesso assim né, tipo você tá são quantos anos? 13 anos na Dimona?

Leonardo Zonenschein – Vai fazer 15

Henrique de Moraes – 15 anos na Dimona. Você lançou vários projetos que foram bem sucedidos, agora mesmo né, esses últimos meses que a gente tá junto já aconteceu várias vezes, quanto do sucesso que você teve ao longo da sua trajetória e você dedicaria à sorte e quanto você dedicaria ao trabalho duro? Quanto que cada um foi responsável percentualmente? Trabalho duro versus sorte?

Leonardo Zonenschein – Eu acho que não existe sorte sem trabalho duro, só tem sorte quem trabalha duro e só trabalha duro quem conta com a sorte, quem sabe que pode contar com a sorte, são duas coisas que andam juntas, não tem como uma coisa se dissociar da outra, você precisa de sorte o tempo inteiro, você precisa de sorte pra acordar e sair da cama né, se você for parar para analisar, os milagres diários que acontecem, todos nós somos muito sortudos né. Quando você associa e você ganha autoconfiança de que universo conspira junto com você e que a tua cabeça, as tuas ideias, a tua mente tem uma conexão, aí é uma coisa minha tá, você consegue conectar o universo a partir do que você pensa, do que você fala e do que você almeja, eu acho que isso já é contar com a sorte, e aí é só trabalhar duro para que aconteça. Parece um pouco clichê falar isso né mas é de fato, acho que às vezes as pessoas acreditam pouco no seu sexto sentido, na sua inspiração, nas suas ideias e na verdade isso tudo é um conjunto, esse conjunto de coisas é que forma sua sorte, sua sorte não é só quem você esbarra na rua, mas você conseguir uma construção mental que te leve até ela, como judeu eu te digo que não existe coincidência, judeu não acredita em coincidência, a gente acredita em um universo que existe para conspirar a seu favor, para que as coisas boas aconteçam, para que você consiga realizar o que você almeja, isso é sorte. A sorte nada mais é do que você, e você consegue manipular sua sorte, acho que você consegue mentalmente através das  suas ações manipular a sua sorte.

Henrique de Moraes – Eu acho que, eu falo isso de vez em quando aqui que é você aumentar a superfície de contato com a sorte né porque se você tá trabalhando, se tá fazendo as coisas, está prestando atenção também, você está aumentando a superfície da sorte encontrar você ali é muito maior do que  se você não tá fazendo porra nenhuma e não acredita e fica tipo “Ah não mas não sei o que” e aí você não faz nada e acaba não deixando isso acontecer também né, você não tá prestando atenção também

Leonardo Zonenschein – Eu acho que quanto mais trabalho duro, não só trabalho físico mas um trabalho seu com você mesmo, maior a probabilidade de você encontrar a sorte, e também você eliminar os teus bloqueadores mentais né, a gente tende geralmente a sempre pensar com um limitador de capacidade, e às vezes você conseguir eliminar esse bloqueio faz com que você consiga alcançar as coisas que muitas vezes as pessoas não conseguem alcançar porque elas tem limitadores, “Isso eu não posso”, “Isso é muito pra mim”, “Isso eu não consigo”, quando eu falei por exemplo que ia pegar a camisa do carnaval e que eu ia dar um jeito de levar esse conceito para o prefeito porque eu tinha certeza que se ele entendesse ele ia apoiar, as pessoas olham e falam assim “Pô esse cara é maluco, vai trazer o prefeito do Rio”, que não tô nem falando de política, mas que é um cara ligado ao Carnaval, ele é um ótimo cara para ser um embaixador dessa ideia né, claro que eu não tô aqui defendendo politicamente nada, tô dizendo o que ele representa hoje né, e a gente vai lá e faz entendeu, acredita, procura, articula e faz. E acho que é isso, acho que às vezes as pessoas que vão mais longe e eu sei que tem pessoas que articulam mais que eu e que conseguem trabalhar isso muito melhor do que eu, quanto mais longe você consegue ter esse olhar, a probabilidade de você ir além é maior.

Henrique de Moraes – Com certeza. Última pergunta aqui do podcast, que tá mais ligada com o nome, se você pudesse falar com seu eu de 15 anos, vou botar 15 mas de quando você tava começando na Dimona, se pudesse falar com ele hoje o que você falaria para ele ter mais calma?

Leonardo Zonenschein – Eu acho que falaria para ter mais calma com as pessoas eu acho, eu acho que como eu assumi a empresa muito novo, eu me envia muito responsável por uma transformação que eu tinha que encontrar embora não soubesse exatamente qual, eu tinha muita pressa de fazer as coisas mas não sabia exatamente o quê. Eu devia ter mais calma com o tempo das pessoas, com a comunicação com as pessoas, é uma coisa que eu fui descobrindo ao longo dos anos. Número 1, o óbvio tem que ser dito, que eu acho que as pessoas às vezes não falam o óbvio porque acham que o óbvio delas é o óbvio do outro, e é uma coisa que a gente tem que sempre pensar, às vezes uma coisa que é muito clara na sua cabeça não é clara na cabeça do outro, e uma coisa que é muito clara na cabeça do outro não fica claro pra você.

Henrique de Moraes – Sim, totalmente

Leonardo Zonenschein – Então praticar o óbvio, praticar a comunicação clara é um exercício diário que eu venho construindo ao longo desses anos, que eu acho que aprimorei muito, hoje me sinto um cara muito melhor com as pessoas e com a construção de projetos conjuntos muito muito melhor de articulação, de envolvimento do que antes e eu acho que eu poderia ter tido mais sucesso em outros projetos se eu tivesse aprendido isso antes. Não existe o empresário ou empreendedor que seja bom em tudo, embora às vezes pela rede social pareça que é, tem sempre por trás, você tem que ter por trás pessoas boas nas coisas que você não é bom, e pessoas que estejam do seu lado e almejando seu sucesso junto com você e te ajudando, e te incrementando e te falando a verdade sabe, então eu falaria para o meu eu de 15 anos atrás para ter mais calma com o trato com as pessoas e para ter mais preocupação com a comunicação.

Henrique de Moraes – Importante, muito bom. Acho que é um bom lugar pra eu fechar, porque acho que isso serve pra qualquer relacionamento né? A gente comete esse erro com as pessoas que a gente mais ama inclusive, de achar que tá claro, que a pessoa sabe, e às vezes não sabe. Posso contar uma história rapidinho aqui antes da gente terminar?

Leonardo Zonenschein – O podcast é teu depois, já tá virando 5 horas mas tudo bem, bora lá

Henrique de Moraes – É que aconteceu isso há pouco tempo com uma amiga ela veio aqui em casa, ela tá morando em Paris e eu to morando em Lisboa pra quem não sabe, ela mora em Paris e veio aqui pra casa passar um fim de semana, e ela começou a me falar várias coisas sobre meu relacionamento com a minha esposa, porque ela viu desde o início nosso relacionamento sendo construído e tudo mais, e a gente cara, eu e a Gabi a gente tem um relacionamento incrível assim, tipo todo mundo que tá perto da gente sabe disso, e a gente tava passando por um momento difícil, a gente tinha acabado de mudar de país com uma filha imagina, empreendendo no meio de um lockdown, muita coisa acontecendo. E ela começou a me falar várias coisas, tipo “Ah Henrique presta atenção nisso, presta atenção naquilo, cuidado com isso”, a gente conversando assim, e ela foi embora e tudo mais, passou, e algumas semanas depois eu mandei uma mensagem para ela e falei “Pô, obrigado por ter falado a verdade, e não o que eu queria ouvir quando eu te pedi ajuda, porque foi muito importante, comecei terapia, comecei um monte de coisa por conta do que você me falou, que eu tava muito errado”, aí ela virou e respondeu assim “Cara, Henrique muito obrigado por ter mandado essa mensagem porque eu tava me sentindo muito mal desde que eu fui aí achando que eu tinha pegado pesado, que eu não tinha aproveitado o tempo que a gente ficou junto, eu tava me sentindo muito mal”, eu falei “Caraca para mim eu tinha que ter te agradecido desde já, eu só mandei essa mensagem pra sei lá, reforçar”, aí ela “Não caraca, tirou um peso das minhas costas agora” e é isso, como às vezes a gente acha que as coisas estão implícitas

Leonardo Zonenschein – Falar a verdade às vezes é mais difícil do que você simplesmente não falar, omitir né porque às vezes a gente não tá pronto para ouvir uma crítica verdadeira, e isso é um trabalho de amadurecimento que eu acho que a gente tem que sempre fazer porque assim não tem um momento em que você passa a ter a comunicação perfeita, é um aprimoramento contínuo o resto da vida, você amanhã tem que ser melhor do que hoje e hoje ser melhor do que ontem. Se você conversar com a minha a minha esposa aqui ela vai te fazer um monte de reclamação da minha comunicação com ela, certamente, se você conversar com minha equipe é a mesma coisa, agora tenho consciência de que hoje eu sou muito melhor que eu já fui e que amanhã vou ser muito melhor do que eu sou hoje, eu acho que essa consciência e essa construção é o que faz com que a gente siga caminhando nessa jornada de crescimento e de aprendizado né.

Henrique de Moraes – Totalmente. Léo, onde é que as pessoas podem te achar e encontrar a Dimona também? A gente vai colocar todos os links, tudo que foi falado aqui tá, dos vídeos que você falou enfim, essas coisas a gente vai colocar na descrição do episódio mas se as pessoas quiserem encontrar a Dimona e você, te seguir, como é que elas fazem?

Leonardo Zonenschein – A Dimona podem seguir no Instagram, @dimona, a gente produz alguns conteúdos bem legais lá com relação ao nosso mundo da camiseta, técnicas de personalização, como é que faz a camiseta, a fabricação, os projetos que a gente toca, os nossos clientes, a gente conta muito a história dos nossos clientes através de nossos produtos, eu acho que acaba sendo um espaço legal para você entender um pouco mais sobre o que a Dimona faz e um pouco das nossas parcerias. A Dimona tá em todos os canais, a gente tem também LinkedIn da Dimona, Facebook enfim, é bem fácil de encontrar, ou no nosso site que é o dimona.com.br. Pra me encontrar, pelo LinkedIn é o melhor caminho, é um canal que eu tenho usado mais ultimamente, tenho postado bastante conteúdo lá referente ao meu trabalho junto com a Dimona, e é um espaço onde eu tenho dado mais atenção na construção de relacionamento enfim, se você precisar ou tiver alguma ideia ou quiser fazer algum tipo de questionamento ou pergunta para mim manda lá no inbox do LinkedIn que eu vou te responder.

Henrique de Moraes – Show, fechado. Léo obrigadão pela participação cara, foi sensacional, que bom que a gente conseguiu fazer, encontrar esse tempo aí para gravar, a gente se fala todo dia mas nunca desse jeito né, muito bom cara, muito bom mesmo.

Leonardo Zonenschein – Muita história cara, depois a gente tem que fazer o episódio 2, 3, 4

Henrique de Moraes – A gente vai fazendo. Daqui a pouco vai sair o podcast da Dimona também, olha o spoiler, quem sabe?

Leonardo Zonenschein – Será?

Henrique de Moraes – Muito bom cara, obrigado aí pelo seu tempo, obrigado por tudo e a gente se fala mais tarde né?

Leonardo Zonenschein – Mais tarde daqui a 5 minutos né porque eu preciso falar com você

Henrique de Moraes – Provavelmente

Leonardo Zonenschein – Vai ter final da Libertadores e a Dimona vai lançar camisa do campeão, tem que lançar 5 minutos depois e a campanha tem que estar pronta, tenho que cobrar isso do Henrique aí, nosso mestre de cerimônias do podcast.

Henrique de Moraes – Então beleza, vou desligar aqui pra gente entrar na reunião, valeu Léo

Leonardo Zonenschein – Eu que te agradeço, espero que esse papo, não sei se alguém vai escutar essa nossa conversa mas se você chegou até aqui, se você tá ouvindo a gente e chegou até aqui cara, obrigado pelo seu tempo, espero que nossa conversa tenha agregado em alguma coisa na sua vida e é isso, manda pra gente depois aí, manda inbox, manda pro Henrique lá na Wee também um feedback pra gente saber o que vocês acharam, tá bom? Obrigado Henrique pelo espaço, obrigado pela turma da Wee toda aí e bora, vamos em frente.

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