a convidada desse episodio é a Flávia Lippi, jornalista, escritora, palestrante, mindful leader, biohacker ancestral, estudiosa da natureza e criadora de conteúdo sobre neurociência e diversos outros temas.

é diretora-presidente do Instituto de Desenvolvimento Humano Lippi (IDHL) Brasil e possui mais de 10.000 horas em atendimento personalizado de CEOs em todo o mundo.

LIVROS CITADOS
PESSOAS CITADAS
  • Tim Ferriss
  • David Asprey
  • Oliver Burkeman
  • Derek Sivers
  • Richard Branson
  • Warren Buffett
  • Rei Charles III
  • Dilma Rousseff
FRASES E CITAÇÕES
  • “auto-observação é uma autorresponsabilidade” – Flávia Lippi

se você curtir o podcast vai lá no Apple Podcasts / Spotify e deixa uma avaliação, pleaaaase? leva menos de 60 segundos e realmente faz a diferença na hora trazer convidados mais difíceis.

Henrique de Moraes – Olá pessoal, sejam muito bem-vindos a mais um episódio do calma!, tô aqui hoje com uma uma volta aqui no podcast a super especial Flávia Lippi, seja bem vinda de volta.

Flávia Lippi – Obrigada pelo convite, é tão gostoso seu podcast cara, por mim eu voltaria sempre porque é muito gostoso, muito.

Henrique de Moraes – Ah não mas o último bate-papo foi muito legal assim, rendeu muita coisa inclusive é tá como, acho que dos últimos tempos ele é o que tem mais plays sabia? Depois até te passo as estatísticas e assim, os cortes também estão dando super resultados assim o pessoal adorou e eu também assim né então a gente pode fazer aqui, tentar fazer a cada seis meses a gente faz esse bate-papo de novo porque sempre vai ter coisa para falar né

Flávia Lippi – Vou adorar.

Henrique de Moraes – Maravilha. Bom Flávia, fiz uma pauta longa aqui, mais uma vez provavelmente a gente vai acabar o tempo antes de terminar as perguntas mas eu queria começar perguntando um pouco sobre você assim, sobre como é a sua organização no dia a dia porque assim, você faz muita coisa né, quem te acompanha aí percebe então para quem vê de fora né, quem tá passando por essa situação hoje em dia de estar atarefado, muito trabalho e tentando equilibrar coisa e vida pessoal e não sei o que e paixão e essas coisas todas, fica todo mundo querendo entender né como é que se faz para fazer tanta coisa então queria que você dissesse um pouquinho como é que é seu dia a dia assim, quando você acorda qual a primeira coisa que você faz e depois o almoço, depois do almoço da tarde, você trabalha até que horas, como é que é mais ou menos aí?

Flávia Lippi – Hoje eu vou me divertir de verdade hein

Henrique de Moraes – então vambora

Flávia Lippi – Hoje esse papo vai ser muito engraçado. Cara uma coisa que eu percebo do desespero geral assim é que, pelo menos as pessoas que compartilham comigo essa ansiedade é que elas se tornaram tarefeiras mesmo sabe, elas tem uma listinha e ficam dando check check check sabe, é como se estivesse passando assim no supermercado fazendo uma lista e botando no carrinho e isso não é vida né, isso não é história, isso é uma felicidade vendida né que se você fizer tudo isso e chegar no final do dia com tudo pronto você vai ser uma pessoa feliz, rica, milionária, amada, famosa, vai ter muito sucesso. E aí essa noção de experiência de viver foi se perdendo ao longo das escolhas mesmo que a gente faz sobre o que é a vida então eu faço muita coisa porque eu escolho o que eu quero fazer e eu faço menos coisa do que as pessoas imaginam, muito menos do que as pessoas imaginam. Elas olham uma pessoa extremamente ocupada, eu sou extremamente produtiva, mas eu não sou ocupada, entende isso? Tem uma diferença muito grande porque como eu escolho muito bem aquilo que eu vou fazer e dedico o tempo ao que eu tô fazendo, mesmo que eu faça coisas diferentes né então eu escrevo livros, eu tenho a minha plataforma né que tem 220 horas de conteúdo e todos os dias eu tenho que ir ali né com meus alunos né, tem mais de três mil alunos ali fora os alunos que são pro bono né, eu faço o trabalho nas comunidades há muitos anos, faz parte da nossa ONG né mas é tudo muito escolhido então eu não ocupo a minha vida, eu produzo em cima daquilo que eu escolhi com tempo para viver e viver significa desfrutar do planeta entende, desfrutar das pessoas, dos alimentos, da natureza, da história, dos livros. Aqui eu tenho 500 livros, atrás de mim aqui, aliás hoje eu tenho que fazer a numeração de outros livros aqui e acho que vai chegar a uns 700 livros, são todos livros lidos, não são livros, os livros ficam assim tá vendo, são lidos de verdade, não são livros que eu compro para poder falar numa live o livro que eu estou lendo né, aquela história. Isso tudo ocupa muito tempo da pessoa, criar não realidade ocupa mais tempo do que viver e a agenda fica muito mais apertada de fato porque você tem que criar tanta estratégia pra mentira entende, para aquilo parecer verdade que você perde tempo ao invés de você produzir aquilo que é genuíno sabe, aquilo que realmente faz diferença na vida. Não é nem o que você gosta porque eu faço algumas coisas que eu não gosto e que eu preciso fazer porque o planeta é esse né, ninguém falou que crescer era legal né, você ser adulto tem um monte de coisa que eu ainda não entendo de ser adulto e olha que eu vou fazer 60 anos então tem coisa que eu olho e falo assim “Não entendi ainda como é que faz essa parte” e essa que é a história da vida né então assim, é tão piegas as coisas que eu vou te dizer mas ela é tão real na minha história porque assim, às vezes as pessoas estão acostumadas naquela coisa hiper mega corporativa, “Vamos fazer assim e não sei o quê” e tem coisas que não funcionam. No entanto a infelicidade no trabalho ela é uma realidade né, você vai conversar com as pessoas e elas falam “Eu tô louca para sair do meu trabalho e ter meu negócio” como se isso fosse felicidade, elas não tem ideia do que é empreender né, então a pessoa fala “Não quero fazer mais nada, quero aposentar” então assim, viver é fazer sofrer sofrer sofrer para depois envelhecer e ser feliz? A conta não fecha porque você vai ficar velho, literal não é assim com idade, é velho literal, com dor, com problema, sem dinheiro, sem um monte de coisa. E se você guardou muito dinheiro e você não teve nada de vida você vai ter um envelhecimento também com os mesmos arrependimentos que todas as pessoas do mundo tem, que o dinheiro não difere dos arrependimentos, que são super simples tipo não conviver com as pessoas que eu amo, não fui curioso, não cuidei da saúde, ninguém envelhece dizendo “Deveria ter sido presidente da tal empresa” entende, ninguém fala isso no leito de morte né então a minha vida é piegas mesmo, essa que é a real. Eu acordo de manhã, eu tenho um cachorro que é um pastor canadense então ele é grandão assim parece um lobo e ele dorme dentro de casa, ele dorme no pé da minha cama então acordo de manhã com ele me acordando, ele me chama com a patinha, pula na minha cama, deita de conchinha comigo, dá bom dia e aí isso é 4:30h, 5 horas que é o horário que ele acorda e ele já habitou que é o horário que eu acordo também né, 5h, 5:30h, depende também da natureza né, quando a gente tá no inverno meu corpo pede um pouco mais, no verão mas eu sempre acordo naturalmente, essa é a primeira coisa, eu nunca acordo com o despertador, então eu acordo naturalmente.

Henrique de Moraes – Nossa, um sonho

Flávia Lippi – É um sonho né. Por isso eu tô falando, minha vida é piegas, tô te avisando já.

Henrique de Moraes – Tô achando maravilhosa, piegas é acordar com despertador, coisa mais clichê pô

Flávia Lippi – Então, o despertador ele tem vários efeitos negativos né, não só neurobiopsicológicos né mas você já acorda em alerta né e a vida não é isso entende? Nesse ponto que eu quero chegar, a vida não é esse alerta. Então eu acordo e aí eu dou um sorrisão mesmo assim, eu gosto de agradecer quando eu acordo porque é incrível poder acordar, eu já tive o medo de não poder acordar né quando eu fui hospitalizada em 2017 e eu acho que essa sensação né de você acordar e, piegas de novo né, você tem mais um dia, você tem mais uma oportunidade, tem um monte de sofrimento também, um monte de perrengue mas você tem um dia inteiro pela frente, você tem uma vida para ser construída naquele dia né então eu acordo, faço esse agradecimento, aí eu faço um exercício de respiração, de breath working que é um exercício que eu já faço há muitos anos né, tem os pranayamas, tem os exercícios, tem vários exercícios de respiração diferentes, eu escolho aquilo que, eu sou muito resumida nos meus hábitos né então eu não preciso fazer uma tradição inteira tibetana de respiração ou todos os pranayamas que eu conheço, eu escolho exatamente aquilo que eu acho que é bom para mim. Então eu faço cinco minutos de respiração, faço uma meditação e aí vou tomar um banho gelado que já é tradição na minha família, meu pai que me ensinou que é psiquiatra, então agora que tá na moda aí do banho gelado ele já fala do banho gelado seja sempre inclusive ele mesmo sempre indicou para os clientes dele com depressão o banho alternado finalizando com o banho gelado então para mim já é uma coisa da história da minha vida inclusive meu chuveiro quando eu construí a casa, eu tenho dois chuveiros então eu posso tomar o banho alternado sempre sem fechar a água, saindo de um chuveiro para o outro ou só o banho gelado né então tem algumas coisas do hábito assim, do acordar do corpo que são essenciais para as escolhas depois né. De uma forma geral de manhã eu gosto de fazer jejum então também não é o jejum intermitente né, essa história vem da tradição mesmo de aprendizado oriental, por sinal meu bisavô era chinês então a gente tem uma questão assim da filosofia oriental muito forte, eu principalmente mais que as outras irmãs e isso parece que veio no meu DNA mesmo porque eu tenho uma facilidade muito grande para qualquer prática oriental então gosto de fazer o jejum de manhã e aí eu tomo um shotzinho também que hoje ficou super na moda e tudo mas na ayurveda a gente já toma, não é para todo mundo, não é todo dia, não é toda hora né. Isso é uma coisa importante que eu queria falar, isso que eu tô falando não serve para todo mundo, não é para você anotar e sair copiando depois porque pode não ser o seu perfil, por exemplo se você é um cara que não é cotovia como é meu caso de acordar cedo, eu vou matar você se você for acordar 5 horas da manhã, você tá entendendo? Você vai ficar mal, vai ficar mal humorado, não vai produzir nada porque a sua produção é depois, seu corpo acostuma? Acostuma, a gente acostuma com tudo na vida, com o que é bom e com o que é ruim, a gente costuma comendo batata frita gente, depois acha uma delícia, acostumou com açúcar né, acostuma com álcool, acostuma com droga, o corpo ele é adaptável, ele vai fazer aquilo que você tá mandando ele fazer né então isso não é um manual de instruções para viver bem, é a minha rotina e funciona pra mim. Então assim, algumas pessoas precisam ter essa clareza, “O que funciona para mim?”, se não funcionar não faça. Tem algumas experiências que a gente tem que fazer uma, duas, três pra sentir se vai dar certo, se vai ser gostoso mesmo, se aquilo vai fazer sentido. Tem outras meu que você já fez uma você já sabe entende e tem umas que você nem precisa experimentar, tem algumas coisas que você não precisa nem testar então a minha rotina matinal ela tá muito equilibrada com as minhas escolhas. Eu começo a trabalhar para o mundo, pra fora a partir das 11 horas, meio-dia. Até então, como eu sou muito produtiva no período da manhã eu escolho aquelas coisas que são muito importantes, muito importantes na hora do meu raciocínio mais rico, então eu gosto de escrever, eu faço exercício físico porque depois que eu faço exercício físico também eu tenho uma carga de adrenalina que me ajuda a colocar ideias importantes no papel né então raramente eu tô daqui pro mundo antes das 11h, aí a partir desse horário e começo a marcar reuniões, marco podcasts, marco outras coisas. Tem uma palestra que é às 8h, claro vou me preparar né, eu não tenho nada que eu não consiga fazer, tenho aquilo que é muito melhor pra mim e aquilo que eu adapto meu corpo pra ficar bem. Normalmente essa questão da escolha é que entra né Henrique naquilo que a gente tava falando logo no início, de quais escolhas você tá fazendo pra vida, eu poderia né como eu já fiz quando eu achava que isso era muito importante, eu me matei de trabalhar na televisão por exemplo, eu tive uma produtora de shows gigante, gigante. Eu tinha mais de 700 colaboradores trabalhando entende, tudo isso tem um preço e tem um momento também que você pode escolher para isso sabe então acho que também tem o amadurecimento de quem é você e porque eu gosto de trabalhar, adoro trabalhar mas eu não gosto de trabalhar por nada entende? Tem algo que me move e esse me mover é desfrutar da vida mesmo, do mundo mesmo então a escolha pela manhã tá muito ligada à isso.

Henrique de Moraes – Deixa eu te fazer uma pergunta só relacionado a esse último detalhe de você até as 11h né que você falou que fica trabalhando concentrada ali fazendo as coisas mais importantes, até esse momento você chegou a pegar celular, ver computador, e-mail, alguma coisa ou não?

Flávia Lippi – O computador eu pego quando eu começo a escrever, eu gosto muito de escrever à mão mas hoje eu acabo escrevendo muito no computador porque agiliza muito na hora de entregar os textos de livro por exemplo né, então eu tô fechando um livro agora que eu vou entregar para uma editora e aí é muito mais rápido porque eu consigo fazer as revisões mais rápido então acabo pegando no computador, mas eu só pego o computador para escrever no computador, eu escrevo uma hora por dia, uma ou duas horas por dia né nesse período então eu só vou pegar o computador por volta das 9:30, 10 horas, até então não, até então eu não tô com essa conexão né. Eu acho que essa questão da tecnologia nesse sentido foi interessante você perguntar isso sabe, eu sei que tem os grandes gurus aí né de tudo mas tem uma coisa muito importante sobre isso que eles repetem e isso faz sentido que é você realmente não acordar com a luz do celular logo de manhã porque a gente tá falando já também da questão dos nossos relógios biológicos né que são vários que a gente tem no corpo né e da mesma forma que à noite você tá com a luz do celular no rosto você inverte o seu relógio e ele acha que é dia, quando você acorda de manhã também com a luz azul do celular e você é capturado imediatamente né por uma série de informações e cada vez mais né a gente sabe que inteligência artificial tá testando a nossa capacidade cognitiva, não acho que é uma boa opção de fato. Não é aquela história, você tem que ler 10 páginas de livro por dia, isso não é regra e poder não ser isso que seja produtivo pra você, pode ser que de manhã o mais produtivo pra você seja fazer um exercício físico, seja fazer ligações para pessoas que você precisa conversar enfim sabe mas não exatamente com a tela no seu rosto, acho que essa é uma boa opção realmente evitar logo que acorda e assim, pelo menos de duas a três horas antes de dormir.

Henrique de Moraes – Boa, maravilha então vamos lá, só pra gente fechar esse seu dia aí, então até as 11h você tá escrevendo normalmente

Flávia Lippi – E ainda tô em jejum

Henrique de Moraes – Em jejum, aí o que acontece

Flávia Lippi – Jejum é igual eu falei também, não é igual pra todo mundo, não é bom pra todo mundo, tem gente que não pode fazer jejum de jeito nenhum, pode até aumentar o índice glicêmico e tudo e não é todo dia também que eu faço jejum, eu faço jejum quando eu sinto que meu corpo pede, ele pede a maior parte dos dias né mas tem dia que eu acordo de manhã e não quero fazer jejum e eu não faço entende assim, eu acordo “Não, hoje eu quero, vou tomar um café de manhã” né e não tomo café com cafeína né isso eu nunca tomo, o café com cafeína até às 10 horas da manhã nunca porque ele impede que eu utilize o bom cortisol que foi aquele que me tirou da cama. Se você toma um café com cafeína antes das 10 horas da manhã você impede o bom cortisol e aí você vai utilizar todo cortisol de agitação de cansaço durante todo o seu dia e vai impedir que o bom cortisol que é o que você precisa para levantar da cama e sair, que você utilize ele entende então café é sem cafeína, o com cafeína se eu quiser só depois das 10 horas.

Henrique de Moraes – Já tinha ouvido falar sobre isso, qual que é a regra, a partir de quantas horas depois de você estar acordado?

Flávia Lippi – Depois das 10h da manhã

Henrique de Moraes – Ah é um horário específico do dia?

Flávia Lippi – Específico, depois das 10h. Porque até as 10 horas da manhã a gente começa a produzir cortisol, a gente produz vários momentos diferentes né do dia. A gente tem inclusive um pico de aumento de cortisol que é o nível máximo de estresse tipo 18 horas e aí por isso que as pessoas que estão muito estressadas elas acabam comendo doce, trigo e tendo assim mau humor e não conseguem dormir e ficam lá coladas no celular por causa do nível que vai aumentando de cortisol né e depois o cortisol começa a ser produzido de novo por volta das 4h da manhã que é porque a gente precisa pra acordar, então o corpo vai começando a fazer uma produção química para que o nosso corpo levante por isso que é bom acordar naturalmente sem o despertador né, pro nosso cérebro é muito melhor e aí você acorda com esse bom cortisol que foi produzido pelo corpo para te acordar entende, você não tá produzindo você um cortisol, elevando o seu nível de cortisol a nível do estresse mesmo né então quando você deixa ele produzindo normalmente às 10 horas da manhã que é o cortisol que vai te fazer acordar, ter energia para fazer exercício e etc né. Aí depois as 10 horas da manhã ok, e também não deve tomar mais de uma xícara de café por dia também, no máximo se for com o cafeína né e se for sem cafeína é menos mal mas também não deve ficar exagerando né e nem fazer aquelas coisas todas né e bota óleo de coco e bota não sei o que e bota etc etc, isso aí também tem uma

Henrique de Moraes – Manteiga ghee com não sei o que

Flávia Lippi – Mistura tudo num negócio só né. Tradicionalmente o que as pessoas estão fazendo com café que eles chamam de bulletproof que foi criado na verdade pelo Tim Ferriss e David Asprey é colocando toda a tradição de ayurveda dentro do café e era feito no leite, a tradição ayurveda é você colocar de fato né no leite de vaca tirado da vaca, não esse leite de caixinha e etc, de uma vaca do campo mesmo e você coloca o ghee e aí você coloca cúrcuma e chama-se golden milk que é utilizado para desinflamar e é um remédio, inclusive usado nos hospitais e aí se inspira ali né, dá uma modificadinha, dá uma gourmetizada e mete no café e entendeu, é gostoso? É gostoso, é para toda hora? Não, é todo mundo que pode? Não, tem pessoas que estão fazendo dietas restritivas e vão tomar um café com óleo, claro que isso vai aumentar o índice calórico por exemplo né então tem que pensar várias coisas assim, tem muita coisa que a gente pode aproveitar e deve e tem coisa que eu brinco aqui assim que uma das coisas mais legais do biohacking é que tudo deu certo porque os grandes milionários não vão contar o que deu errado, você concorda? Então a gente sempre vai divulgar tudo que deu certo, os caras que criaram as técnicas e que chuparam lá do oriente e recriaram e fizeram uma reestrutura disso não vão contar o que deu errado, vão contar só o que deu certo então você pode também ir por aquele caminho ali de peneirar aquilo vai dar certo para você né. Então a minha rotina na parte da manhã é essa então ela é mais introspectiva e eu sou muito introspectiva também, eu sou mais introspectiva mesmo apesar de a vida inteira ter trabalhado com comunicação foi uma coisa meio que treinada mesmo né, eu fui treinada para estar do lado de fora do mundo mas a minha opção é mais reservada mesmo. E aí a partir da hora do almoço eu tenho uma alimentação também, cada um aí tem a sua mas sou vegetariana há muitos anos então tenho uma alimentação normalmente com o que eu tenho em casa né porque eu tenho horta e tudo, procuro né me alimentar o mais saudável possível, adoro, amo de paixão tortinhas de frutas milhões então tem um monte de fruta aqui em casa então tenho que evitar porque tem açúcar né então faço opções com menos açúcar, enfim. Tô passando por um período super delicado da mulher né que é a menopausa e eu comecei a tratar muito tarde porque eu fui realmente muito no natural e tentando fazer todas as questões hormonais totalmente natural e para mim não deu certo, eu precisei mesmo recorrer à reposição hormonal então eu engordei muito, sinto muito calor então tô passando por um período assim muito complicado né de menopausa que eu não sei como é para outras mulheres né, não sei mas eu acho dificílimo, não acho fácil não, tem muitas consequências de memória, de cansaço, eu nunca tive insônia por exemplo e às vezes eu vou dormir e fico nossa com aquele calor e rodando na cama e tudo então começando a reposição hormonal comecei a me sentir melhor então tô muito atenta a esse momento também sabe, é um outro, é um momento novo na minha vida, nunca passei por isso antes né então tô muito atenta ao que que tá acontecendo com meu corpo, quais são os desejos do meu corpo né, porque que às vezes eu quero comer uma coisa que eu nunca quis comer entendeu, porque que às vezes eu tô cansada, às vezes eu tô com o corpo dolorido e aí eu tô entendendo né e esses novos entendimentos também estão me trazendo novas soluções, então acho que umas coisas importantes do viver né que a gente tá falando, viver é isso né, se eu não estivesse ligada nisso, só cumprindo uma lista de tarefas de coisas eu tava desconectada de mim assim e não ia saber o que era bom para mim também né, eu fiz várias tentativas naturais e vi que não funciona, podia não estar percebendo né então assim, acho que essa auto-observação é uma autoresponsabilidade sabe e que a gente só consegue ter isso vivendo de verdade na nossa história, não na história do Insta de quem ensinou aquilo, na história do outro né porque essas outras histórias elas tiram a gente da nossa trilha sabe, tira completamente.

Henrique de Moraes – Nossa total, adorei essa frase, eu não sei se vou repetir certo mas esse olhar pra gente sempre prestar atenção na gente é uma autorresponsabilidade né porque eu percebo que, muito até do podcast aqui eu falo muito sobre isso, as pessoas entraram no piloto automático e vivem no piloto automático e não prestam atenção exatamente. Elas até percebem sintomas mas beleza, é isso, é uma coisa que tem que medicar no final das contas e não é entender

Flávia Lippi – Ou vai para o exagero total né, ou fala que é normal ou vai pra uma coisa assim absurdamente, eu faço parte de alguns grupos né que tem muita gente nova, muita gente nova então alguns grupos de biohacking por exemplo, cara eles discutem nootrópicos assim impensáveis, desnecessários para a idade sabe assim, são sempre soluções mágicas Henrique, isso é uma coisa que eu vejo né assim, o sucesso tem que ser mágico, ganhar dinheiro é mágico, ser conhecido é mágico e saúde é mágico, você quer 6 passos, um comprimido, uma coisa que vai te deixar com foco e vai deixar forte, gente é tudo ancestral, é tudo milenar, não adianta você querer apressar entende? E como pular etapa, eu não tenho como pular a menopausa não, faz parte e não tem como pular a morte também entendeu, não tem como driblar a vida sabe eu acho que essa coisa, eu até tava lendo sobre o guru do Google que é o cara que tem as previsões mais assertivas da humanidade falando que em 8 anos a gente descobriu a longevidade e que a gente vai evitar a morte, cara em tese acho tudo lindo entende, acho maravilhoso mas a qual o preço né, de fato eu quero viver o resto da vida mesmo? Qual é o preço de você ficar na existência sem estar na existência entende, sem naturalmente você estar desfrutando dela né então tem muitos casos interessantes de pessoas que gastam né, tem um cara aí que ficou até famoso agora que gastou milhões né para para ter o corpo de 18 anos né

Henrique de Moraes – Nossa

Flávia Lippi – Gastou milhões, então ele quer reverter biologicamente né. A reversão ela não existe, mas a prevenção, envelhecer bem né, com seus relógios internos funcionando e você desfrutando da vida, isso não é desfrutar da vida entende, é de novo uma vida enganosa né, você quer enganar o relógio biológico, você quer enganar a história né, você quer enganar o Insta né, você tira uma foto com um livro que você nem sabe a orelha do livro e assim sabe essas enganações são tão interessantes, eu acho que não é uma mentira em si, é uma enganação mesmo. A pessoa nem percebe o quanto ela tá enganada sobre ela e o preço disso né.

Henrique de Moraes – E tá assim já envolvida num processo ali que é isso, se chegou nesse nível tava precisando muito parar e de repente fazer terapia

Flávia Lippi – Também

Henrique de Moraes – Mas de assim sei lá é isso, volta praquela fala do piloto automático né e eu to relendo agora um livro que eu tô recomendando para todo mundo assim né que é “Quatro mil semanas: Gestão de tempo para mortais”, do Oliver Burkeman e cara eu terminei esse livro, foi o primeiro livro que eu terminei e imediatamente voltei pro início de tão assim encantado eu fiquei com o livro porque embora ele tenha esse nome ele na verdade assim tem muito pouco de gestão do tempo e é muito mais da nossa relação com o tempo né então ele faz um apanhado histórico do porquê que a gente chegou aonde chegou, onde a gente tem a sensação de que a nossa vida é só uma sequência de tarefas que foi o que você falou enfim e tem uma hora que ele fala sobre a morte né, acho que o nome do capítulo é “Encarando a própria mortalidade” alguma coisa assim e ele diz isso assim, ele fala que se a vida fosse eterna nada teria graça porque a gente só aproveita bem as coisas que a gente tem porque a vida é finita né então faz sentido a gente priorizar coisas, a gente dar valor a coisas que fazem mais sentido, ele falou assim que se a vida fosse infinita você ia acordar e falar assim, “Ah eu preciso escrever meu livro, mas por que eu tenho a vida inteira mesmo”

Flávia Lippi – Se a gente tivesse a vida inteira, se fosse eterno a gente ia procrastinar, ou ia ter preguiça ou ia falar “Vou viver a vida toda mesmo, vou escrever um livro um dia então”, por outro lado a gente sabe que vai morrer e não tem a experiência de viver o planeta, a natureza, as pessoas que a gente ama né. Existe assim tem até uma pesquisa de um psicólogo que depois até virou um comercial de televisão de qual o tempo real que nós temos com as pessoas que a gente ama, dependendo da distância que as pessoas vivem e quantas vezes a gente as encontra né e é um negócio tão interessante, eu fiz as contas de quanto tempo eu tenho de vida com meu pai que tem 89 anos. Eu moro em São Paulo, ele mora em Belo Horizonte então eu não estou lá todos os dias, eu vejo nas datas mais marcantes ou agora por exemplo eu tô indo pra lá porque eu tô com saudade, então vou ficar 10 dias lá mas mesmo fazendo todas essas contas, sabe quanto tempo eu tenho com ele? Um dia e meio

Henrique de Moraes – Caramba

Flávia Lippi – Um dia e meio. É o número de horas que eu tenho até ele morrer. E aí quando você põe isso de fato assim no papel e você olha para essa realidade, a gente entende o que que é vida né, a vida não é aquela lista que a gente tava falando no início de “to do”, coisas que você conquistou, a vida não é uma lista de problemas né, a vida não é expectativas, ela é essa convivência com a gente mesmo, com quem a gente ama, com amigos, com cachorro né. A gente tá aqui, a gente veio para cá, caiu aqui de alguma maneira né mas a gente tá aqui e a gente não vai fazer nada com isso? É uma puta experiência né, é uma experiência amorosa, é uma experiência social, é uma experiência extraordinária né e a gente vai desperdiçar cada segundo das nossas existências com uma lista de coisas para fazer, entende? E nem são coisas úteis, incríveis sabe? Tipo uma lista de supermercado entendeu. E complicações, a vida ela é complexa mas ela é simples para caramba, as complicações é o que a gente inventa né aí começa a criar uma coisa que puxa outra coisa, que precisa de outra coisa que emenda contra outra coisa e aí você na hora que você vê você tá emaranhado em desejos, pensamentos e não tá vivendo.

Henrique de Moraes – E como é que a gente sai dessa armadilha? Essa acho que é a pergunta né mais importante porque eu vejo as pessoas cada vez mais na verdade entrando, cada vez mais afundadas mas assim sem sequer ter uma pista, sequer perceber pelo menos as pistas né na verdade porque pista tem mas tem que perceber as pistas que são dadas assim de que cara você tá vivendo pela expectativa do outro, a vida do outro sem viver a sua o tempo inteiro pensando no futuro ou nas coisas que você não tem e que você gostaria de ter e que você gostaria de realizar e não sei o que e tudo mais enquanto a vida tá aqui né

Flávia Lippi – Exatamente

Henrique de Moraes – E como é que a gente faz para perceber isso assim,  você tem alguma coisa? E depois eu queria te fazer uma pergunta também, vou marcar aqui essa pergunta para não esquecer mas vamos lá, vamos nessa.

Flávia Lippi – Eu acho que ia ganhar um trilhão de dólares se respondesse uma frase pra você mas o que eu posso dizer né da experiência de ter quase morrido e ter ficado totalmente dependente. Isso porque eu já valorizo a interdependência, valorizo o ser humano, a minha vida ela sempre foi muito ligada à interdependência pela própria meditação, pelos hábitos, pelo monastério que tá sempre colado em mim mas esse emaranhado na verdade eu percebi ele assim muito profundamente quando eu vi que se você morrer você vai ser esquecido uns 5 minutos depois entende assim, não tem nada na verdade real que você fale assim, quando alguém fala “Qual o seu legado?” eu falei “O almoço de hoje” porque a internet ela vai aí eternizar texto, imagem e também não é por muito tempo, eu me lembro cara assim quando eu saí da televisão, você dava um google no meu nome eram páginas e páginas de milhões de revistas, jornais, um fuzuê. Depois de uns dois anos você já não achava mais nada na internet entende, então se eu fosse falar de um legado por exemplo de sustentabilidade, de televisão não existe porque eu tô viva ainda então ainda tô deixando um rastro né então acho que esse emaranhado né que a gente cai toda hora é com desejo profundo de não ser esquecido e de ser amado sabe. E no final das contas não ser esquecido e ser amado é aí você com a sua família, eu com a minha entende, com uma pessoa mais próxima que tá onde meu braço alcança porque na hora mesmo ali naquele instante não tem nenhum significado.

Henrique de Moraes – É engraçado né assim, não vou tentar explicar o que tá passando na minha cabeça aqui agora mas vamos puxar aqui, primeiro na minha área né, eu sou empreendedor e o empreendedor assim tá o tempo inteiro sendo impactado por histórias de sucesso e histórias midiáticas de sucesso, do dia pra noite ou do adolescente que ficou zilionário enfim, todas as histórias são sempre assim né e a gente acaba, não vou falar por todo mundo mas eu sei que durante muito tempo eu ficava pensando, imaginando e sonhando com esse momento enfim onde eu estaria ali retratado na mídia enfim e tudo mais. Uma vez eu ouvi um cara que eu adoro que se chama Derek Sivers e ele falou o seguinte, acho que perguntaram para ele quem eram as pessoas mais bem sucedidas para ele, alguma coisa assim e ele falou assim , “A primeira pessoa que viria na minha cabeça seria o Richard Branson”, aquele da Virgin, ele falou assim “Porque ele é o esteriótipo do empreendedor visionário e tudo mais né mas depois que você para pra pensar um pouco, eu não posso saber se uma pessoa é bem sucedida se eu não sei os desejos dela, então vai que no final na verdade ele tentou viver uma vida super sossegada na ilha dele mas como um apostador compulsivo não conseguia parar de criar novos negócios” e se você parar para pensar, às vezes assim quando você vê o discurso das pessoas, o que elas estão falando inclusive é isso, não casa né então ela fala assim “Eu queria poder ir pra praia”, mas a praia é de graça, vai sabe, quase todas né, tem praias hoje em dia que não são mais mas assim você pode ir, vai pra praia mas não, “Preciso fazer isso, preciso fazer aquilo”, tá preso nesse modelo da gente ter que passar por todas essas etapas da vida que foram estipulados para a gente e tem que ser desse jeito e não tem que ser nada né na verdade enfim, essa era uma coisa que eu lembrei agora e acho que seria interessante compartilhar porque quando você fala né sobre isso eu não sei, eu fico pensando, vou mudar um pouco de caminho aqui, desculpa mas é porque minha cabeça tá indo pra vários lugares mas sabe uma coisa que acho difícil, o nosso cérebro tá o tempo inteiro enganando a gente e por exemplo, a gente tava falando no início da conversa ali sobre alimentação, sobre açúcar e tudo mais, eu tenho problema com açúcar, sou viciado desde sempre, sempre fui viciado então a minha estratégia é eu não posso ter, em casa não pode ter nada com açúcar porque aí beleza não vai ter, eu vou abrir a geladeira, se tiver uma maçã e não tiver mais nada eu vou comer uma maça, vou comer uma banana, vou comer o que for ou fazer alguma comida mas se tiver um pudim é certo e eu vou comer a quantidade que tiver na geladeira, você não tá entendendo o nível então o que que acontece, só que é muito louco porque assim, eu paro e penso assim “Cara eu não posso comer assim, esse pudim vai me trazer um prazer absurdo mas não tem quase nutriente, vai fazer mal, vai me levar para tipo uma saúde ruim, para várias coisas que acontecem a partir, é lógico gente que se for um pudim assim tipo, tô falando porque assim eu sou exagerado né se tiver então assim por isso eu estou falando do meu exagero e eu fico pensando nisso né, como é que a gente, e aí conectando com o que a gente tava falando né, como é que você consegue pegar o que você sabe, o que você entende e o que você na sua cabeça racionalmente você sabe que é o melhor para você e não cai nessas armadilhas né que são assim criadas basicamente na nossa cabeça no final das contas né.

Flávia Lippi – Henrique acho que tem duas coisas importantes assim, nós sempre vamos vair na armadilha do cérebro porque biologicamente funciona desta forma e não é uma armadilha, ele tá fazendo isso para nos salvar na verdade, é por isso que tá perguntando entende mas ele vai ali com o objetivo primeiro de economizar energia para você não surtar porque são muitas decisões por segundo que o cérebro tem que tomar e se ele ficar pensando “come pudim ou não come pudim” ele acaba que pira, ele fala “Como pudim ué, ele gosta de pudim, come pudim” entendeu. Então assim, é aí que entra a questão da autoconsciência e das estratégias que cada um vai criar, você criou uma estratégia de não ter açúcar em casa, de não ter o pudim na geladeira, não significa que você é um perdedor quando tem o pudim, você tá entendendo? Porque não existe uma medição de quem venceu o cérebro, isso é outro delírio, o cérebro ele é assim né então se a gente cria estratégias, claro um monte de gente pode ensinar um monte de estratégias, cada um ensina a sua e você pega aquela que você gosta mais, valeu entendeu e tem muitas experiências em cima de estratégias de mudanças de hábito, a questão não é quando você vai mudar o hábito e se você vai enganar o cérebro, é quanto que você consegue permanecer no seu estado de homeostase e de bem-estar que faz com que você tenha uma vida plena, não é comer pudim todo dia mas quando tem pudim você comer e não desesperar sabe, permanecer nesse estado de todos os dias você cultivar alguma coisa que te deixa num estado saudável e que o seu corpo entre em homeostase não vai ser o pudim que vai te matar entende? E a mesma coisa quando a gente fala de ser empreendedor, eu sou empreendedora assim desde muito novinha, mesmo trabalhando como trabalhei muitos anos na televisão eu tinha paralelo 3, 4 negócios, era uma coisa, eu já tive spa de luxo, eu já tive outlet de objetos, nem existia outlet na época imagina, isso em 1999 eu já tinha um outlet de objetos, de peças de luxo. E essa característica de empreendedorismo é uma característica de pessoas curiosas né e é claro que a gente sofre muito também porque perde, ganha, vende e hoje existe uma necessidade enorme de você se sobressair como empreendedor né e bota nome novo e agora é startup, não é empresa mais, é mesma coisa cara, não mudou nada, não tem nada de diferente dos meus avós, dos meus bisavós, dos meus ancestrais entende, a gente continua sendo coletor, a gente continua sendo caçador, a gente continua os mesmos hábitos dos nossos ancestrais em ambientes diferentes né então a gente não vai enganar o cérebro, esse não é o objetivo, eu acho que o objetivo é aprender a desfrutar do ambiente que a gente está no planeta que a gente está né então assim, você criou certamente novos hábitos estando fora do país morando na cidade que você mora né e alguns hábitos vão ser excelentes para você, outros você vai descobrir que neste ambiente é mais fácil você mudar um hábito que era mais difícil pelo ambiente que você vive porque nós somos endógenos, temos as nossas questões internas que nascem com a gente né, nossos hormônis e etc e tem os estímulos sociais que a gente tem então assim, eu nunca indicaria uma pessoa que tentasse enganar o cérebro ou tentar se enganar e sim descobrir o que tá por trás daquela necessidade naquele momento. Eu comentei com você agora que às vezes eu acordo e quero comer e na maior parte dos dias eu não quero, na maior parte dos dias eu gosto de fazer o jejum, eu acordo e tenho vontade de comer uma coisa específica e aí eu conversando com uma amiga que é médica ela falou “Mas aí não é fome”, eu falei “Não, não é” entende, e eu não vou brigar com isso né, não tô fazendo nada que seja um absurdo tão grande que eu vou morrer logo depois que eu pus na minha boca entende então essa consciência que vem junto com essa autorresponsabilidade ela também tem um traço humano que é, nós somos os únicos da espécie de seres vivos que podemos fazer escolha né, escolhas conscientes e também motivadas pelo nosso inconsciente então ter esse profundo amor pela nossa espécie como nós funcionamos também eu acho que é um presente né assim. Eu não quero mudar minha espécie, eu quero aprimorar, e aprimorar não é no sentido de fazer tipo ser longevo e não morrer nunca mais, isso não é aprimorar, isso é uma distorção, eu quero aprimorar assim, eu quero ter um olhar cada vez mais bonito sobre a vida, eu quero aprender a ouvir cada vez mais, eu quero cometer menos erros que eu já sei que não preciso cometer, eu não quero ser mais bacana, eu quero ser mais sábia sabe, eu não quero me irritar por bobagem, eu quero valer os segundos que eu tô aqui entende, eu não preciso sei lá, nem sei mais onde sai uma capa de alguma coisa, nem sei se existe alguma revista mais né, não sei não é isso mais entende? Acho que esses valores quando a gente vai se aproximando cada vez mais dessa essência a gente pode ter sucesso mas ele não significa que ele está naquele lugar que me disseram que ele estaria entende? Eu acho que eu sou uma super empreendedora de sucesso, perdi, ganhei, vendi mas eu sei liderar, eu sobrevivi até hoje muito bem, fiz boas escolhas entende, eu morei nos lugares que eu escolhi né assim, não sei assim muito mais, eu nunca pensei em ter um avião por exemplo mas eu adoro minha amiga que tem um avião, meu primo também que tem um avião e que posso pegar uma carona no avião deles entende e tá tudo certo mas eu acho que são histórias contadas né, quais são as histórias que a gente vai contando pra gente. Eu não tô me limitando financeiramente por não querer um avião, é uma escolha, eu não quero ficar presa em tudo que eu quiser comprar e ter que administrar todas aquelas coisas, é uma prisão para mim de coisas.

Henrique de Moraes – Acho que tem dois lados, tem a prisão das coisas sim, o cara que já foi mais o homem mais rico do mundo né, o Warren Buffett falava que ele não queria ter casas porque ele não queria ficar cuidando de casas né porque dá trabalho, mas tem um lado de você também ficar preso assim, a sua felicidade está presa né, o seu senso de sucesso ou de como você se sente com você mesmo tá preso naquele momento, “Ah não tenho um avião então não sou bem sucedido” então você vai ficar na merda né

Flávia Lippi – E olhar assim o negócio né, a gente que é empreendedor por exemplo ou quando você é um cara que trabalha no corporativo entendeu, cara nada vale a sua saúde, não vale, não adianta, não vale entende? E você vai dormir lá no chão do escritório como fez a diretora do Twitter que foi mandada embora uma semana depois e obviamente ela fez uma carta né falando que não arrepende nem um minuto, que ela ficou lá dormindo mesmo porque ela queria o máximo da equipe dela e etc, duvido que ela não se arrepende, fez uma puta carta política para caramba entendeu, falando que faria tudo de novo, não faria nada sabe então assim, eu não tô defendendo só fazer o que você quer, só fazer o que você ama porque isso também é uma outra conversa fiada danada entendeu, dá nada mas esse equilíbrio sabe, essa sensação de que você acorda e que você não tá acordando para cumprir um monte de tarefa. Tem dia que eu não quero fazer nada Henrique e eu não faço, eu organizei minha vida de uma maneira que eu cumpro todos os meus compromissos e eu não quero coisas que eu não quero entende assim, eu sei falar não muito direitinho. Hoje mesmo, a gente tava conversando e aí uma pessoa me mandou uma mensagem perguntando se eu poderia fazer uma palestra em Singapura que seria incrível, que ela iria abrir um monte de portas pra mim e tal, que teria um monte de gente me ouvindo e não sei o que, eu falei “Um monte de gente quanto?”, ela falou “40 pessoas”, eu falei “Já não é um monte de gente, são 40 pessoas”, “E depois, porque que você acha que eu vou sair daqui até Singapura para falar 40 pessoas para abrir quais portas, eu tenho quase 60 anos, que porta você quer abrir pra mim?”, “Eu vou estar aonde, falando pra quem? Pro Príncipe Charles?”, tá entendendo assim? E tem essa pegadinha que tem no mundo sabe, “Você não pode perder essa oportunidade”, oportunidade é o maior tiro no pé no mundo, geralmente te tira da onde você deveria estar, eu pego o avião vou até Singapura, fico não sei quantas horas, a não ser que eu vá fazer turismo também entendeu mas ir lá fazer uma palestra e voltar você tá entendendo assim tem que ser uma coisa muito extraordinária e muito dentro do meu planejamento sabe. Então assim esse tipo de coisa são as oportunidades que são tiro no pé né, e sempre ela vem mascarada com uma grande oportunidade, é óbvio, o pavão já faz há quanto tempo? O pavão vai lá, abre aquele rabão lindo, e você fica encantado com aquelas penas lindas e na hora que você vê tá lá a pavoa. E a vida é isso, se você se encanta por cada pavão que passa na sua frente e que não é o pavão de verdade, eu nunca vi um pavão de verdade a não ser no zoológico, nunca mais quero ver nada no zoológico, eu queria ver ainda um pavão na minha frente, eu eu ficar ali andando atrás daquele pavão até cansar, mas é uma experiência imperdível. Eu não ia levar o pavão pra casa, eu não ia querer ter o pavão na minha cabeça, nada disso mas esse outro tipo de encanto que a gente acha que preenche a nossa vida é uma roubada Henrique sabe, o preenchimento da vida ele é calmo, ele é exatamente o nome desse programa que a gente tá fazendo é calmo, ele é pacífico sabe, ele é quieto, não tem como você viver a vida correndo o tempo inteiro, você nem respira direito. E corre, entra no carro e sai, aí não sei o que dá uma entrevista e não sei o que, é assim, o que é isso? Agora se você tá ali, você desfruta e sabe a coisa que eu mais gosto no mundo? Eu faço uma palestra e eu gosto de ficar lá, primeiro que eu vou chegar antes, tipo uma ou duas horas antes, aí eu chego, o meu empresário que eu adoro, que é um querido fala “Flávia você perder duas horas do dia” eu falo “Eu não perco, eu chego lá, eu sinto as pessoas, eu converso com a moça do café, eu converso com quem tá organizando o lugar, eu converso com o cara do som, eu conheço todo mundo que tá lá. Chega na hora que vou falar, eu vou falar para amigos já, praticamente

Henrique de Moraes – Sim, tá à vontade.

Flávia Lippi – Aí depois quando acaba eu quero ficar lá também porque eu quero conversar com essas pessoas, eu não tenho e nunca tive nem quando eu era de televisão, eu nunca tive um pingo de estrelismo e demonstrando escassez ou que ninguém pode falar comigo, sou inalcançável. Eu quero ser totalmente alcançada pela humanidade entendeu porque eu quero falar com pessoas interessantes também, eu quero sentar do lado de uma pessoa e saber da vida dela, igual a gente tá fazendo aqui entende. Essa conversa nossa aqui é uma conversa que nós teríamos com certeza absoluta num corredor de qualquer evento corporativo, certo, ia tá colando o trem todo lá e a gente sair conversando, é isso que ia acontecer entende. Você tá nisso, a vida tá nessas entrelinhas sabe. Você vai lá e faz o que tem que fazer e não sei o quê mas essas entrelinhas da vida que são completas sabe.

Henrique de Moraes – Sim e até porque é uma coisa que eu tenho pensado bastante né assim, a gente coloca muita meta assim, tem toda a expectativa e tudo mais mas vamos fingir aqui que você pelo menos tá colocando sei lá metas reais, listas só pra você conseguir ter um caminho ali né de pra onde você vai, o que você quer e tudo mais. E as metas elas são tão efêmeras também né porque você depois que acaba “E aí, e agora? Qual é a próxima?”, é igual a Dilma, agora dobra a meta porque é isso, no final das contas você fez aquilo de maneira arbitragem em geral né e aí beleza você alcançou e de repente você acabou

Flávia Lippi – Isso que é uma coisa tão interessante, a gente acha que a gente é inédito, o nosso cérebro ele só busca a resposta naquilo que ele já experienciou. De uma forma em geral a gente não lembra então a gente acha que tá tendo um pensamento inédito e a gente acha que é um pensamento que a gente nunca teva antes mas não é. certamente tem uma caixinha dentro do seu cérebro que aquela frase já tava lá e aí ficou lá esquecida. Um dia o seu cérebro passando as fichinhas rapidinho ele achou essa e lascou na sua cara de novo entendeu. E aí você fala “Que ideia maravilhosa”, você já teva mas só esqueceu até porque as grandes ideias elas duram dois segundos, lógico que você esqueceu, você não anotou a cada dois segundos você já esqueceu e ela vai vir em algum momento novamente entende, então eu acho que as metas são super legais. Eu fiz uma trilha super bonita da minha carreira sabe, fiz planos, agora eu vou te contar, o dia que eu quase morri não adiantou nada os planos que eu fiz, zero.

Henrique de Moraes – Posso perguntar o que aconteceu?

Flávia Lippi – Eu fui picada por zika e assim, o Guillain-Barré que foi o que eu tive, é uma doença autoimune neuropática que paralisa todo o corpo, você pode voltar ou não, pode ficar paraplégico, pra começar. E aí você já tem que lidar com isso né, por isso que eu falei total dependência do outro que foi o que eu experimentei, não é interdependência, é total dependência e total falta de controle. Eu tinha um escritório super bem montado, um monte de gente trabalhando comigo, 53 sendo atendidas ao mesmo tempo, cada uma 50 executivos sendo atendidos, adiantou? E simplesmente saí de lá e o escritório estava fechado porque ninguém sabia se eu ia sobreviver ou não, então tudo que era prático foi dado perfeitamente pelos meus pais, pelas pessoas que trabalhavam comigo, advogado, contador, etc. Alguns clientes super generosos que foram super interessantes nessa passada comigo mas não durou nada. Quando eu saí e você acha que eu fiquei mal? “Estraguei meu escritório”, eu nem lembrava, eu fui lembrar, na verdade eu fui ter assim consciência absoluta do que aconteceu comigo em 2019, eu fui internada em 2017 e eu só escrevi isso profundamente agora que eu acabei de escrever um livro sobre isso. E certeza absoluta que eu te falo Henrique, o que eu aprendi com isso sabe o que foi? Nenhuma preocupação que você tem ela é real, não é real, ela é sempre muito menor do que aquilo que você imaginava que fosse acontecer e a outra coisa é, você não tem controle cara, mesmo que eu sou hiper organizada, todos os meus documentos são assinados, eu tenho tudo assim, se eu morrer hoje como quase aconteceu, ninguém fica na mão. Onda tá tudo tá anotadinho, eu sou organizada mas eu não tenho mais nenhum desejo de controlar nada porque eu percebi que não há necessidade, você não tem controle cara, pode ser organizado, produtivo mas esquece de ter controle. Quando você menos espera cara, tem uma coisa que não estava no seu plano, desde aquele chefe maluco que vem com uma ideia 5 segundos antes de você ir embora até um mosquito de picar do nada para você ficar tetraplégica e hoje eu tenho uma doença autoimune que ela me cria algumas restrições também entende e que pra mim tá ótimo, é assim. Não é que tá ótimo ter Guillain-Barré, é isso, eu não tenho controle sobre isso, tudo que eu posso fazer pra ter uma vida saudável, tranquila eu tenho, eu faço entende e quando eu não tenho como fazer as coisas eu não faço. A gente escreveu um livro agora, 44 mulheres, o livro chama “Uma sobe e puxa a outra “, que é um movimento internacional.

Henrique de Moraes – Eu vi o lançamento, foi ontem, anteontem

Flávia Lippi – Foi anteontem. E a gente fez um lançamento cara, e eu coordenei o livro com mais três pessoas, éramos quatro coordenadoras para 44 mulheres. E foi tão interessante que uma delas falou assim para mim ontem até, “Flávia você é muito calma, nada te tira do eixo”, eu falei “Não é porque eu sou calma, é porque não vale a pena”, não vale a pena você entrar em situações que são só um retrato do micromundo do planeta. Você concorda que tudo é um retrato do mundo? Eu tô num grupo de 44, é uma amostra do planeta, se eu tô num número de 100, é uma amostra. Lá dentro de 44 tem o mesmo que tem 100, tem o mesmo de um milhão, dois milhões, três milhões, o mesmo que o planeta, é um ecossistema igualzinho, todos os lugares tem tudo ali e os desejos são sempre os mesmos, ser amado, ser respeitado.

Henrique de Moraes – Isso é engraçado, toda vez que eu, tem duas situações em que isso acontece comigo, ou quando eu entro em algum lugar que tá muito cheio então geralmente ônibus causa isso comigo né assim ou quando eu tô voando também eu tenho duas sensações diferentes mas que levam pro mesmo raciocínio que é esse, quando eu tô dentro de um ônibus assim ou num lugar muito cheio eu fico olhando e falo assim “Cara quanta gente aqui né” e aí fico começando a pensar tipo “Cara o que essa pessoa tá pensando?”, tá todo mundo pensando a mesma coisa, como é que vai pagar a conta, como é que vai pagar não sei o que que tá dando errado e não sei o quê e aí depois e quando eu tô voando, sempre que eu tô viajando de avião eu olho para baixo, vejo o tamanho das casas e apartamento então eu falo assim “Cara a gente passa a vida inteira morrendo, perdendo tudo que a vida tem para pagar um pedaço de ar” porque o apartamento não é nem um terreno, não pode nem falar que você pegou um pedaço de terra, não é um pedaço do ar e que quando você voa fica tão pequenininho, é quase insignificante, é uma vida inteira, são tipo anos e anos pagando um nada sabe, aquele pedacinho ali do espaço sabe

Flávia Lippi – E você sabe que agora, além de pagar o IPTU a gente paga agora o espaço aéreo né, se tem um prédio que você mora acima do 5º andar você paga o espaço aéreo

Henrique de Moraes – Mentira, não sabia

Flávia Lippi – Eu comecei a vender umas coisas e por exemplo, agora coloquei minha casa à venda também e tem uma coisa interessante disso né, eu não sei até hoje, quando eu construí essa casa eu queria que ela fosse um local que eu pudesse sempre me reabastecer né então ela tem natureza, tem horta, sempre me reabastecer e acho que agora eu posso me reabastecer de outro lugar, eu só preciso sempre de estar num lugar pacífico, eu não consigo estar em um lugar onde em que eu tenho que ficar me dando com muitas coisas entende, então é um novo momento também né assim. Eu acho que esses momentos é que a gente tem que aprender a lidar, a vida são momentos e curtinhos. Cara sempre muito bom falar com você e eu vou te falar que eu tô assim passando por um momento mais complicado aqui, cabeça meio fora do lugar e já foi ótimo assim para enfim colocar as coisas em perspectiva, já me deu um boost aqui de ânimo então queria te agradecer mais uma vez Flávia pelo seu tempo, pela generosidade e por todo os aprendizados, todos os insights viu

Flávia Lippi – Eu te falo Henrique e repito aquilo que falei agora, se nós nos encontrássemos em qualquer corredor do poder do mundo nós estaríamos tendo essa conversa num cantinho na curva, então estou super confortável de ter essa conversa com você e em qualquer uma das que a gente escolher elas vão sempre para esse lugar que constrói mais espaços do que cria expectativas, eu acho que a gente não tem grandes expectativas um sobre o outro né mas a gente tem uma admiração mútua e por isso que a gente tá aqui então te agradeço demais o convite também

Henrique de Moraes – Que isso, fico honradíssimo, especialmente por você aí super requisitada e ter aceitado mais uma vez participar, obrigado viu Flávia

Flávia Lippi – Te agradeço muito

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