Ana Paula Passarelli (PASSA)

thumb para social media da ana paula passarelli PASSA no calma!

#55: segundo episódio da série sobre lideranças humanizadas

ouça ou assista o bate-papo com Ana Paula Passarelli aqui:

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Ana Paula Passarelli, a Passa, é mestre em comunicação e semiótica pela PUC-SP e cofundadora e COO da Brunch, agência que vem ressignificando a influência no Brasil. Atualmente, com mais de 50 creators, a Brunch fortalece a mensagem da influência de verdade e contribui para a solidificação da Creator Economy no País. Passa dedicou a última década da sua carreira ao mercado digital, trabalhando COM, COMO e PARA creators e influenciadores digitais, apoiando no desenvolvimento de modelos de negócios digitais sustentáveis e fomentando as melhores práticas para o mercado publicitário.

LINKS:

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notas do episódio com Ana Paula Passarelli

livros citados:

Infocracia: Digitalização e a crise da democracia – Byung-Chul Han

Sociedade paliativa: A dor hoje – Byung-Chul Han

O herói e o fora da lei: Como construir marcas extraordinárias usando o poder dos arquétipos – Margaret Mark, Carol S. Pearson

A coragem para liderar: Trabalho duro, conversas difíceis, corações plenos – Brené Brown

pessoas citadas:

Lucas Schuch

Daniel Schmachtenberger

Helena Galante

Felipe Simi

Byung-Chul Han

Tim Ferriss

Margaret Mark

Carol S. Pearson

Carl Gustav Jung

Platão

Brené Brown

outras citações:

Propaganda não é só isso aí – podcast Lucas Schuch

Blackberry

Harvard

Dafiti

Brunch

Jornada da Calma – podcast Helena Galante

TOAST

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SOKO

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que PASSA – canal Ana Paula Passarelli

PASSA em Casa – canal Ana Paula Passarelli

transcrição do episódio com Ana Paula Passarelli

Henrique de Moraes – Olá pessoal, sejam muito bem vindos a mais um episódio do calma!, tô aqui hoje com uma convidada super especial, Dra Ana Paula Passarelli, mais conhecida como Passa e que eu vou confessar que eu tenho pensado em chamar você Passa aqui para um bate-papo desde que eu te ouvi pela primeira vez que se eu não me engano foi no podcast do Lucas Schuch, o “Propaganda não é só isso aí” e eu acabei buscando mais entrevistas, conversas enfim que você teve e eu sinto que sempre que eu te ouço parece que o seu nível de consciência a respeito do seu papel no mundo, suas responsabilidades enfim tá num outro nível sabe e eu acho engraçado que você sempre traz um olhar crítico que me faz refletir bastante inclusive sobre muita coisa mas sempre de maneira propositiva sabe, quase que afetuosa assim, compassiva em vez de combativa, o que eu acho maravilhoso então assim, eu posso dizer que eu tô muito muito feliz de ter você aqui, especialmente nessa série que eu tenho pensado em fazer à alguns meses sobre lideranças mais humanizadas, então seja muito muito muito bem-vinda

Ana Paula Passarelli – Eu que agradeço Henrique pelo convite, o podcast do Lucas sempre traz pessoas boas pra minha rede de contatos e pra estarem mais próximas e que a gente consegue trocar bastante, um prazer estar aqui, obrigada

Henrique de Moraes – Obrigado você pelo seu tempo, sempre muito importante né valorizar o tempo dos outros porque é nosso único recurso não renovável então quando alguém dedica um pouquinho de tempo para mim eu fico muito feliz. Vamos lá, nessa série né, então voltando aqui um pouquinho, a gente tá fazendo essa série sobre lideranças mais humanizadas né, eu acho esse termo liderança humanizada curioso mas enfim, na falta de um termo melhor eu continuo usando ele e eu tenho começado esses bate-papos com uma pergunta que eu costumo fazer no final mas que eu acho que pode aí guiar um pouco né, a sua visão em relação à essa resposta pode guiar um pouco nosso bate papo então eu queria entender o que significa ser bem sucedido, bem sucedida para você?

Ana Paula Passarelli – É engraçado essa palavra, essa expressão né, “ser bem sucedido” porque para mim ela tem um significado que não se baseia em mim necessariamente sabe, eu olho pra palavra bem sucedido e isso me lembra muito um curso que eu fiz alguns anos onde a gente conversava sobre esse significado da palavra e do quanto bem sucedido não é sobre o lugar que eu ocupo mas sim sobre o que eu deixei pra trás e o quanto isso que ficou para trás para de pé sem mim, então para mim o ser bem sucedido é alcançar um status de que eu posso olhar para trás, posso olhar pra tudo que eu construí, tudo que eu fiz e não necessariamente mais estar lá para que tudo continue funcionando, todos os meus valores que eu entreguei ali durante anos continuem existindo. A gente vê muito dentro das empresas Henrique, às vezes tem uma pessoa lá que tem uma liderança mais compassiva, uma liderança mais próxima das pessoas enquanto a maior parte dos líderes da empresa já tem uma proposta bastante diferente e é essa proposta que a gente costuma ver, bastante agressiva né e quando essa pessoa cria às vezes uma bolha em torno dela de gestão, uma gestão humanizada, bastante compassiva, ela percebe que se ela sair dali aquele núcleo se acaba porque ele só existia naquele espaço, então é sobre também mudar padrões que hoje estão bastante estabelecidos e bater o pé neles, então pra gente chegar nesse status de bem sucedido para mim nunca foi e nem é sobre os bens que eu consigo conquistar mas sobre o que eu tô deixando de legado da história, do que eu construí ao longo da minha vida, da minha jornada tanto profissional obviamente, quanto pessoal.

Henrique de Moraes – Perfeito. Eu acho que eu nunca pesquisei sobre etimologia da palavra né mas do jeito que você explicou me parece até alguma coisa que tem a ver com sucessão né, tipo o que você vai deixar então, de legado talvez, é muito irritante e eu acho que você já inclusive tocou aí num ponto que é muito importante né, para quem não ouviu conversas anteriores eu acho que vale repetir aqui que eu tô buscando né então referências de empreendedorismo especialmente né já que eu sou empreendedora então sendo bem egoísta aqui eu tô procurando novos empreendedores, novas referências em empreendedorismo que consigam me mostrar novos olhares né, coisas que estão, são mais compatíveis com o que eu acredito e que na mídia quando você vai olhar pro tipo de empreendedorismo que é retratado na mídia, é sempre pessoas que conseguiram sucesso financeiro, fama enfim e que muitas vezes não tem a ver exatamente com o legado que estão deixando ou é um legado que é muitas vezes muito material mas em relação às pessoas que passaram por ali por exemplo é um legado péssimo assim, uma cultura super atropeladora, de todo tipo de assédio né vamos colocar assim e de você ter que conviver o tempo inteiro com uma pressão psicológica né que leva as pessoas à estágios de depressão inclusive muito graves, então esse é o motivo pelo qual a gente tá aqui, eu acho que essa introdução aí que a Passa fez já fala um pouco do porque ela tá aqui, inclusive.

Ana Paula Passarelli – Tem um viés aqui. Essa liderança autoritária ela tem um ponto que a gente vive hoje na sociedade que é o seguinte, a gente coloca performance no campo da competição e não da colaboração. Enquanto a gente focar nossa performance, o fato de que a gente tá executando algo bem num campo em que eu preciso competir com outro, com alguém que também está perfomando, pra saber quem vai ser o funcionário no mês, quem vai ganhar medalhinha, quem vai ganhar o bônus, quem vai ganhar o reconhecimento, a gente vai continuar mesmo com esse modelo. Quando eu falo sobre a liderança compassiva, que aí a gente muda essa perspectiva a gente tá falando sobre uma liderança que reconhece que cada pessoa vai executar uma tarefa de uma maneira diferente, isso não quer dizer que ela não tem performance, isso só quer dizer que eu não posso coloca-la numa esteira e colocar toda minha equipe, toda minha empresa que hoje tem 22 pessoas, eu não posso colocar os 22 que estão aqui trabalhando no mesmo molde, na mesma estrutura porque eu sei que a performance de cada um muda, cada um vai lidar com suas emoções de maneira diferente, vem de bagagens pessoais e de bagagens profissionais bastante diferentes da que eu vim, não é justo pra humanidade que a gente constrói, para a sociedade como um todo, pra essa massa trabalhadora, inclusive pra empreendedora também que a gente trate todo mundo e busque a mesma performance nas pessoas, o que não vai ter mas volto a reforçar, não quer dizer que elas não sejam pessoas que performam, só quer dizer que elas não transformam em função da competitividade e sim do formato de colaboração e acho que é essa palavra que a gente tem que fazer brilhar mais nos modelos de gestão de pessoas que a gente tem agora que é um modelo de gestão que volta o olhar pro cuidado das pessoas que estão com você.

Henrique de Moraes – Sim, eu diria que isso pode inclusive ser transferido também para modelos de negócio né porque tem um cara que eu gosto muito assim de ouvir que é meio denso às vezes mas pra quem enfim, curte entender quais são as ameaças de fim de mundo e o que você pode fazer pra melhorar, chama Daniel Schmachtenberger, eu vou colocar depois o sobrenome dele que o nome dele é difícil mesmo e que ele fala muito sobre isso né, que a natureza competitiva da gente faz com que muitas das coisas né, de tudo que a gente tá vendo de errado no empreendedorismo como um todo, na forma das pessoas liderarem suas empresas vem disso sabe, de “Eu preciso acabar com a minha concorrência”, “Eu preciso preciso fazer isso aqui para tal pessoa não ter aquilo” sabe enquanto de repente se as pessoas começassem a colaborar exatamente a gente teria muito menos destruição né e talvez assim, todo mundo saindo ganhando ali de alguma forma e talvez um impacto menos negativo, não sei se positivo mas menos negativo talvez não sei né para o planeta como um todo mas tá, acabei saindo aqui um pouco do tópico

Ana Paula Passarelli – Não tem problema porque eu gosto de sair de tópicos também, mas você tocou num assunto que acho que é uma dor bastante latente hoje, essa natureza competitiva. Eu questiono isso sabe Henrique, se a nossa natureza realmente é competitiva e não colaborativa, se ao longo dos últimos séculos a gente não se forçou a se tornar competitivo porque foi o molde que nos foi dado.

Henrique de Moraes – É, aí não é natureza, na verdade nós exatamente fomos levados a acreditar que somos assim

Ana Paula Passarelli – Acho que é diferente, o ser moldado é algo que enfim, se forma, cultura se forma a partir de repetição, de processos e de situações. Eu acho que essa cultura competitiva se dá porque a gente viu ao longo dos últimos século um enviesar da maneira como a sociedade precisa lidar um com o outro né, o cenário político representa a competição, o cenário dentro das empresas representa a competição, às vezes entre os amigos a gente vê isso, vê dentro da família entre os irmãos então será que se a gente tivesse um novo olhar para um processo um pouco mais coletivo que somos enquanto sociedade e menos individualizado, menos competitivo e mais colaborativo, será que a gente realmente estaria onde a gente tá hoje, da maneira como a gente está hoje dentro das empresas tendo como um dos grandes problemas relacionados às questões relacionadas à saúde mental? Então me questiono bastante sobre os moldes que foram dados sabe ao longo dos últimos séculos e nos últimos anos especialmente dessa transformação digital, esse foco de performance de uma performance individual, o quanto que a gente tá competindo, cada um tá na sua linha, cada um tem que chegar e a gente tá competindo e não realmente competindo como um time.

Henrique de Moraes – Perfeito. Eu assim, concordo com tudo sim e eu acho que esse é o ponto principal até da minha vontade de fazer esse podcast inclusive, de quando eu gero conteúdo porque eu gero uns low low low contents mas que é sempre de tentar quebrar essas formas, essas forminhas que nos foram, na verdade nos colocaram né porque não é uma coisa que a gente escolhe muitas vezes né, então e é tão difícil assim, é tão difícil a gente se questionar, eu brinco até conversando com o pessoal aqui da empresa enfim, as pessoas com quem eu tenho mais contato no dia a dia que eu até parei de escrever, eu tinha uma frequência, tentava publicar quase todos os dias né, aí eu excluí tudo que tinha nas  minhas redes sociais porque eu comecei a ver que eu tava quebrando tão rápido às vezes alguns desses moldes que eu já não estava mais conseguindo saber, eu tava sem identidade sabe, eu não conseguia entender mais quem eu era e o que eu acreditava de tão tão louco que foi assim essa minha necessidade de sair um pouco de padrões e foi importante para mim, eu acho que foi super importante para eu conseguir enxergar algumas coisas que eu não tava enxergando, de clichês e de padrões e referências que eu tinha que não condiziam com a minha essência sabe, como as coisas que eu sempre quis para mim e que de repente eu estava simplesmente me adequando porque eu achava que aquilo ali, eu tinha que parecer uma coisa para ser o empreendedor que eu gostaria de ser sabe, ou qualquer coisa nesse sentido, então é uma dor, foi uma dura assim na verdade quebrar um pouco desses moldes mas eu acho que é tão importante que as pessoas façam isso, que se questionem em tudo sabe, o tempo inteiro, “Porque você tá fazendo isso?”, “Mas porque você faz desse jeito?”, “Porque que não dava para fazer de outro jeito?”. Tem um cara que apesar de ser meio não sei, curioso, esqueci o nome dele agora tá, vou tentar lembrar até o final do podcast mas é um empreendedor que enfim, tem alguns livros e ele fala muito sobre isso, que quando ele pegou a empresa familiar dele que era uma empresa já grande, tipo zilionária mas quando ele assumiu ali a liderança da empresa ele começou, pra tudo que as pessoas tinham de proposta ele pedia pras pessoas falarem três vezes porque, então “Mas porque isso?”, “Porque lalala”, “Mas porque lalala?”, “Ah porque isso”, então tipo assim ele chegava “Então porque as pessoas precisam ir de terno?”, “Porque é importante ter alguma referência de quem tá em qual cargo e porque”, “Mas porque que é importante isso?” “Ah porque não sei o que” e aí no final ele falava assim, que tudo chegava a “Porque sempre foi feito desse jeito”, a resposta no final era sempre essa, então falou “Tá bom então vamos começar a fazer diferente” e aí mudava aquilo ali e de repente ninguém mais precisava ir de terno, não tinha mais dresscode, não tinha mais nada. Então esse ato de se perguntar o tempo inteiro porque está fazendo as coisas acho que é bem importante, é a única maneira inclusive da gente começar a quebrar um pouco desses padrões. Enfim, falei pra caramba, vou voltar aqui, vamos tentar trazer de novo aqui pro tema. Eu vou dar um passo para trás e vou te pedir para me falar assim, quando você pensa né nesse termo né liderança humanizada, o que te vem à cabeça?

Ana Paula Passarelli – Tem três coisas bastante importantes quando a gente fala de uma liderança mais humanizada. Tem a ver com a capacidade que a liderança tem de ler ambientes, um processo até de entendimento cognitivo do que tá acontecendo ali, de uma conexão bastante motivacional com as pessoas e também de uma compreensão emocional do seu liderado, e aqui acho que se pudesse eleger uma palavra dentro dessa liderança, é emoção, um líder precisa aprender a ler emoções, interpretar e a partir dessa interpretação conseguir ajudar o liderado a se desenvolver. Lembra quando eu falo que a liderança compassiva ela não olha para uma esteira e que todo mundo tem que fazer igual mas que a gente precisa aprender a interpretar a pessoa pra conseguir tirar dela o melhor e fazer dela uma pessoa melhor? Tá aqui, emoção é essa palavra porque emoção é uma coisa tão difícil Henrique porque a gente não tem, a gente não sabe nomear boa parte das emoções, daquilo que a gente sente e como a gente não sabe nomear a gente também não sabe ler então acho que tem um exercício interno de boas lideranças aqui que é, eu preciso aprender sobre emoções para que eu possa ler essas emoções nas pessoas para que eu possa ajudá-las da melhor maneira, isso não é fazer um papel de psicólogo do funcionário, fazer um papel de mentor de verdade dessas pessoas e eu não tô dizendo que a liderança compassiva é blindada, mas ela reduz drasticamente casos que possam vir a acontecer em que as pessoas estão em estado de estafa mental, porque vai bater isso no físico e que você consegue reduzir drasticamente esse tipo de impacto na sua equipe porque você simplesmente sabe conversar com elas a partir da conexão com a emoção.

Henrique de Moraes – Perfeito. A coisa da emoção é engraçada porque de fato assim a gente não tem vocabulário né às vezes. Uma vez eu ouvi um cara falando sobre isso e ele fala que ele foi pra primeira consulta dele de casal, na terapia de casal e aí o terapeuta perguntou “Mas como é que você se sente em relação à isso?” e ele falou assim “Eu acho que” ele falou ‘“Não, tá errado, se você começou com eu acho, eu penso tá errado porque você não tá sentindo” e aí ele falou assim “Olha pega aquele livro ali e dá uma olhada, são tantas emoções, aí você vai escolher uma delas e falar como você se sente agora” e é isso, a gente racionaliza muito as coisas e de fato deixa de sentir um pouco, quando você deixa de sentir obviamente se você não consegue sentir seus próprios sentimentos né, o que tá passando dentro de você, como é que você vai conseguir essa inteligência de interpretar o que os outros estão sentindo, estão passando né

Ana Paula Passarelli – Eles precisam fazer bastante terapia, precisam se conhecer muito bem para conseguir ajudar o outro. Você sabe aquela história de quem cuida de quem cuida? Você tem que se cuidar primeiro antes de cuidar dos outros, um bom líder se cuida para conseguir cuidar da tua equipe.

Henrique de Moraes – Perfeito. Você falou sobre mentoria né, sobre ser um mentor e sobre capacitar as pessoas e eu queria entender assim um pouco como que você faz para preparar as pessoas para cargos de liderança ou para assumirem mais responsabilidades porque eu sei que isso é uma coisa importante para você, eu sei que você por exemplo teve uma experiência que você aprendeu arrastando aí o cu no asfalto, vamos colocar, guardei o termo aqui, é esse o termo mesmo, essa é a expressão né? Ralando o cu no asfalto, lembrei e que foi assim né, tem uma fórmula que as pessoas falam que é tipo jogar a pessoa na piscina e deixar ela aprender a nadar e que eu sei que foi pela experiência que você conta, foi bem doloroso, foi difícil enfim, teve que aprender assim, ser forjado ali com as merdas acontecendo e aí queria entender como que você faz hoje ou quais são as práticas enfim, recomendações talvez que você tenha pra fazer com que as pessoas não passem por essa experiência que você teve, sabe?

Ana Paula Passarelli – Vou contar um causo. A minha primeira experiência sendo uma gerente, carteira assinada, Blackberry, lembra do Blackberry? Crachá de gerente, foi em 2012, tem 10 anos. Antes disso eu era uma analista pleno e existe hoje um contexto, quando a gente tá falando de crescimento e desenvolvimento profissional existe uma construção de desenvolvimento técnico, desenvolvimento emocional, maturidade da nossa inteligência que a gente vai desenvolvendo para que a gente possa assumir cargos que vão exigir da gente aquela inteligência e eu tinha Henrique na época 26 ou 27 anos, estava por aí tá acho que era 26. Eu não tinha sido preparada para aquele lugar mas era um lugar que estranhamente eu almejava e almejava porque de novo, vem pelos moldes e a maneira que eu fui forjada, minha estrutura, “Tem que ser gerente, lugar de sucesso é ser gerente” e eu alcancei esse lugar, fiquei muito feliz com meu BlackBerry e com meu crachá de gerente mas eu não sabia o que era aquilo, não sabia quais eram as competências, para mim basicamente por bons meses eu continuei fazendo o que um trabalho de um analista fazia só que com a técnica e a senioridade que eu já tinha. Depois de um tempo eu comecei a sacar e especialmente porque a empresa tava no começo, eu ainda não tinha equipe, eu era gerente de uma pessoa só, ali eu comecei a ver que eu ia precisar a ter time e eu não sabia formar um time porque eu não tive, eu não passei por um processo que é o correto de quando você se torna um analista senior, dali tem um preparo de desenvolvimento para você se tornar um gerente, é dali do analista senior pra frente, onde você passa por um cargo de supervisão, onde você passa a assumir algumas demandas ainda um pouco mais simples de um gerenciamento, passa depois pra coordenação e então a uma gerência e então a uma diretoria, e esse processo às vezes ele é bastante negligenciado por um desejo de alcançar aquele lugar logo, “Quero ser head, quero ser gerente”, então eu estava no alto dos meus 26 anos com cargo de gerente no maior e-commerce de moda do país e eu tava assim “Será que eu realmente sei fazer isso aqui? Você me colocou no lugar certo?” porque assim, o meu trabalho, eu era gerente de marketing na área de mídias sociais, meu trabalho eu sabia fazer muito bem, se eu precisasse descer um planejamento de influencer eu sabia fazer muito bem, se eu precisasse descer e fazer conteúdo, eu fazia conteúdo, publicava que era já o trabalho de um analista, eu descia e fazia, sempre fui uma pessoa bastante hands on, mas eu fiquei pensando muito sobre esse pulo que eu dei e o quanto nesse início foi bastante nebuloso entender qual era o meu papel como gerente, que não era mais só o executor ali, a pessoa que tinha que fazer mas também precisava ter essa leitura do ambiente, leitura de mercado, eu precisava ser a pessoa que já tava prevendo coisas antes de estar no dia a dia do tava acontecendo hoje, eu já tinha que estar pensando no amanhã. Logo, sendo uma pessoa que tá executando eu não conseguia ter essa visão. Foi quando meu diretor, Lucca, nunca vou deixar de nomeá-lo nos momentos que eu tenho oportunidade de falar dele, um italiano que fazia parte do nosso time, daquela BU que eu trabalhava, era nossa liderança, Lucca sentou do meu lado e começou a me ensinar coisas que eu jamais teria acesso em nenhum tipo de curso, coisas que ele aprendeu em Harvard porque ele era formado em Harvar, coisas que ele foi me passando e tem um processo engraçado, abrindo um parêntesis aqui, que foi como o Lucca me contratou, Lucca é italiano e quando ele veio pro Brasil e logo que ele chegou na empresa ele não falava português e eu não falava inglês, eu falava português e ele estava em um momento bastante delicado aprendendo, tentando aprender português aepesar da língua latina que ele tinha como língua mãe o italiano ele tinha um pouco de facilidade de entender o que tava sendo falado mas ele tava aprendendo a falar português cantando sertanejo, isso foi demais e eu sou uma pessoa do interioro, então o sertanejo é uma música que sempre fez parte da minha vida então isso conectou bastante a gente de ficar trocando vídeos de músicas de sertanejo. Mas eu lembro desse momento, o Lucca tinha duas pessoas na mesa, dois currículos na mesa, o meu e o de uma outra pessoa, essa outra pessoa inclusive eu a conhecia, era uma pessoa com inglês fluente, com a mesma senioridade que a minha e Lucca me escolheu, ele sabia que eu não falava inglês, ele sabia que eu nunca tinha sido gerente e a portunidade que ele me deu naquele momento Henrique é o espelho que eu quero ser, pra olhar para a sociedade e lembrar que não tem pessoas prontas para executar o que vão fazer, eu fiquei quase 4 anos na Dafiti entregando resultado, o melhor resultado mês após mês porque tinha alguém ali olhando para mim e dizendo “Eu acredito em você”, “Acredito no seu potencial e no que você tá desenvolvendo”, e isso não tem preço. Você ter uma pessoa que olha para você e “Acredito em você”, sentar do meu lado e me ensinar a fazer coisas que quando eu vou explicar hoje sendo uma pessoa que já sabe fazer isso sem ele eu ensino e isso já aconteceu uma vez na minha vida infelizmente, estava fazendo um projeto numa empresa, desenvolvi todo um QNL pra apresentar e quando eu apresentei essa pessoa olhou para mim, um homem olhou pra mim e falou assim “Isso aqui foi você mesmo que fez?” como se eu não tivesse capacidade de fazer aquilo. E toda vez volto a nomear , o Lucca é uma dessas pessoas que me deu oportunidade, acho que é esse o lugar da liderança compassiva, uma liderança que a gente tem que lembrar que o mentor, o papel do mentor não é pegar na sua mão e levar você para fazer, o papel do mentor é te dar as oportunidades, te jogar na piscina pra você aprender a nadar mas ele também tem que ficar de olho ali pra saber o quanto realmente você tá se desenvolvendo mas ele tem que ser uma pessoa que acredita em você sabe. E quando a gente tem aqui, todas as vagas que a gente divulga aqui na Brunch a gente sempre lembra de maneira verbal, verbalizada, no anúncio da vaga que a gente tem uma empresa de oportunidades iguais e que a gente se compromete a preparar as pessoas independente da formação que ela tiver, é claro que seu olho pros meus concorrentes, todo mundo quer gente pronta, mais gabaritado, melhores universidades que vão estar prontíssimas com o inglês impecável, falando ali, conversando com o cliente e já pronta para fazer mas eu sei o quanto o meu papel formador, meu papel mentor volta lá para o início da nossa conversa, tem a ver com ser bem sucedido, o que que eu tô deixando para trás que depois eu posso me orgulhar e mais do que isso, eu posso me distanciar e saber que aquilo continua, não vai parar e esse papel dos mentores da minha vida foram cruciais, de entender pessoas que me deram oportunidade, não ficaram ali me assistindo o tempo inteiro, fazendo, me ajudando a fazer tudo não, deram um caminho, falara assim “Oh a porta tá aberta, você quer ir? Vai, agora se você for, faça bem feito, pega essa oportunidade, agarra e leva embora com você, não pega essa oportunidade e fica esperando eu acompanhar cada passo que você vai dar” porque é quase como se imagina, o palco, e isso a gente tem na nossa missão, a Brunch é o palco da influência de verdade, e isso é para os influenciadores, isso é para a equipe que trabalha pra promover influência de verdade. O palco tá aqui mas você tem que pegar o microfone, você não pode esperar que alguém venha e “Toma o microfone” não, o palco tá aqui mas o microfone é você quem tem que pegar.

Henrique de Moraes – Isso é interessante, nossa tem tanta coisa sobre isso que é interessante, tantos caminhos possíveis mas uma das coisas que eu acho que, especialmente nessa sua última fala que me parece assim, eu acho ruim colocar como um erro mas uma coisa que eu vejo recorrente né em colaboradores especialmente, e não só daqui da agência, que eu vejo em discursos de amigos, de conhecidos, enfim é de “Ah mas a empresa não me dá uma oportunidade, a empresa não abre isso” e eu acho que muitas vezes falta essa atitude de pegar o microfone sabe e eu tava até conversando com uma pessoa que trabalha comigo hoje sobre isso, eu tava pensando em escrever sobre o assunto, de botar assim por exemplo que normalmente, pelo menos comigo né aí sendo bem, falando de maneira bem particular, eu costumo enxergar o potencial das pessoas a partir do momento que elas vêem a possibilidade de ir se abrindo e agarram elas, agarram responsabilidades novas que estão surgindo ou qualquer coisa, elas se oferecem e vão lá e começam a mostrar que eles estão de fato querendo crescer e tem pessoas que na verdade ficam no papel meio passivo ali né, do tipo “Ai eu quero ter a promoção” como você falou porque é um status, eu vou ganhar aumento e tudo mais mas elas em nenhum momento se colocam na posição ou buscam novas responsabilidades como se o cargo fosse levar aquelas responsabilidades para ela, sim só que se você só começar a se capacitar a partir do momento em que você receber aqueles cargos a dor vai ser muito maior né, então começa a buscar essas responsabilidades, vê qualquer oportunidade de você mostrar que você tem capacidade de executar aquela tarefa ali porque a gente vai ver sabe, não tem como não ver, a não ser um lugares de manutenção de privilégio muito grande, lógico que isso acontece, a gente sabe que acontece mas em geral se você tá numa empresa mais ou menos normal, justa, as pessoas vão ver que você tá ali querendo saber assumir mais responsabilidades e aí sim você vai receber um aumento, uma promoção ou qualquer coisa que vai ser na verdade, vai estar completamente acoplada à sua realidade já, você já tá naquele papel, você já tá naquela postura sabe, então vai ser menos dolorido para você e vai ser menos dolorido pra empresa inclusive porque eu já sofri com isso e ia até te perguntar sobre isso de ver uma pessoa que tava ali pedindo muito né assim, querendo, na postura de pedir mais do que mostrar né, de pegar o microfone por exemplo e que quando você, quando eu coloquei ela no papel ali de liderança por exemplo que eu acho que é a maior mudança né, quando você vai pra um papel de liderança, cara foi um caos, ela não tava preparada e ela não sabia que ela tinha que se preparar, não sabia como se preparar e foi só uma coisa de pedir, pedir e eu falei “Tá bom, tá aqui vai, vamos ver como que vai sair” e acaba que é pior porque você fica numa posição do tipo “Cara o que eu faço agora?”, como é que eu vou lidar com a dor de falar pra essa pessoa que ela não tá preparada para esse papel, para assumir essa responsabilidade por exemplo e que talvez eu tenha que colocar uma pessoa no lugar dela e ela vai na verdade sofrer quase que um downgrade ali na sua posição enfim, complicado e eu não sei se você já passou por isso assim, de de repente colocar uma pessoa num lugar, especialmente falando aí de liderança, se você colocou uma pessoa nesse papel e de repente você viu que ela não tava preparada, como é que você lida com isso ou como é que você teve que lidar com isso, se já aconteceu com você tá, não sei se aconteceu.

Ana Paula Passarelli – Vou dar um passo atrás aqui Henrique porque isso foi uma coisa, quando a gente montou nossa política de cargos e salários aqui na Brunch, tava muito claro pra mim, pra minha sócia, pra nossa direção que a gente precisava montar uma empresa que não preparava as pessoas só pra ser executivo porque não é sobre dar oportunidade de liderança executiva para todo mundo porque nem todo mundo quer esse lugar, logo se eu quisesse construir uma empresa de oportunidades iguais eu precisava ter um plano de carreira interno em Y e não como uma linha, uma escadinha. Nosso plano de cargos aqui ele é organizado em Y, a partir do analista sênior ele tem dois caminhos, o caminho executivo e o caminho especialista. No caminho executivo você se torna um supervisor, coordenador, gerente, direção, direção executiva. No caminho especialista você se torna um especialista, consultor e conselheiro. Porque a gente fez essa diferença? Porque eu trabalho numa área que é relativamente nova no mercado e que precisa de especialistas inclusive, e a gente tem que parar de achar que a pessoa que escolhe o caminho especialista ela é menor, pelo contrário, sem esses especialistas muitas áreas não param de pé porque não é só de cacique que vive uma tribo, a gente precisa de sábios ali, gente que consiga trazer argumento, gente que consiga trazer metodologia, estrutura de fato pto que tá sendo feito. E aí eu lembro sempre a pessoa quando ela tá nesse ponto de decisão, é lembrar que cargos executivos lidam muito com aspecto mais político de relações e administrativo do trato do trabalho, isso quer dizer que quando você atinge o cargo de gerente, você tem que saber demitir uma pessoa e quando eu falo isso as pessoas tremem na base, eu falo “Se você tá tremendo na base você quer seguir outro caminho” ou pode ser um caminho especialista que é um caminho maravilhoso, eu sou uma pessoa que tem muito mais inclinações para um perfil especialista. É lembrar que você também pode ser desenvolvido, seguir o caminho executivo mas é lembrar, e às vezes as pessoas querem seguir esse caminho e não o caminho de especialista porque vêem o caminho do especialista como menor, e não é, a gente tá falando de carreira em Y exatamente pra gente ter caminhos iguais pra serem construídos e iguais em importância dentro da empresa, acho que esse é o primeiro ponto, lembrar as pessoas que não tem só um caminho para seguir, não é só seguir o caminho da liderança executiva, o que eu não vou falar que o especialista, consultor também não seja liderança mas a maneira como ele exerce liderança não é da gestão de pessoas, não é na gestão dos processos e não é na gestão executiva do contexto mas sim no quanto ele é a cabeça de uma metodologia, a cabeça do pensar sobre o que a empresa entrega, sobre o produto que ela entrega, então é sempre aquela pessoa que vai saber moldar muito bem o produto, fazer um excelente trabalho de planejamento e de execução desse planejamento também. E eu falo, não tem executivos que param de pé sem bons especialistas e consultores do seu lado. Posto isso, lembrando que existem dois caminhos para seguir, eu acho que a maior parte dos casos em que alguém que ocupa um cargo de liderança não performa como deveria num cargo de liderança, mora no lugar que é “Não era o que eu queria fazer mas eu fui para esse lugar porque era o único lugar que era me posto”, então imagina no desenvolvimento de uma empresa, chega num lugar que tá ali como analista senior, se a empresa só tem uma estrutura linear, ele sobe pra supervisão, e às vezes ele não tem competência e ele nem quer supervisionar pessoas e processos, ele não quer ser essa pessoa só que é o caminho que ele tem, às vezes ele passa anos numa empresa ainda que executam um trabalho nota 7, ele passa trabalhando dessa maneira para que, ele só tá ali cumprindo tabela, não tá sendo nem nota 10 como deveria, não tá sendo ruim, cumprindo o que ele precisa fazer e acaba também não se desenvolvendo e pior, pra voltar um passo aqui e explicar pras pessoas que é importante o desenvolvimento das duas áreas. E sim, já passei por situações onde um, a pessoa pegava o microfone demais e não tinha nada pra dizer e situações em que o palco tava ali só esperando ela pegar e ela não pegava. E eu sempre cito essas duas situações, essa analogia do microfone e do palco, voltando para a questão da importância das empresas lembrarem de ser palco, de oportunidades iguais mas que o microfone tem que ser tomado por quem tem que ocupar o palco e não só simplesmente empurrar a pessoa do palco e “Vai fazer”, o palco tá ali, as luzes estão acesas, a plateia tá te esperando, você tá na coxia, você tem que ir para lá, você tem que arriscar porque senão você realmente vai acabar desenvolvendo a sua carreira num modelo piloto automático que não vai chegar em lugar nenhum, e aí você olha para o passado e aí você pensa “O quão bem sucedida eu fui no que eu fiz?”

Henrique de Moraes – Cara adorei, obrigado pela resposta, acho que foi bem assim, deu pra, eu aprendi bastante então assim, acho que vai ser bem útil pra todo mundo, curiosamente eu já falei muito sobre liderança aqui no podcast, sempre da postura de tentar aprender com os convidados e só agora que eu comecei a fazer essa série, que você é a segunda convidada e a segunda que fala sobre carreira em Y, talvez tenha alguma coisa aí mas vamos lá, eu queria mudar um pouquinho aqui o rumo mas com um assunto que eu acho que tá completamente entrelaçado com essa liderança compassiva e mais humana que a gente tá falando que é o seguinte, um desafio pessoal tá, como que, deixa eu voltar um pouquinho, eu sinto né nas suas falas e lugares que você passa que você sempre adota essa postura de vulnerabilidade né e uma coisa assim, um desafio que eu sinto que eu tenho e que eu vejo outras pessoas também passando de como equilibrar essa postura vulnerável e especialmente de autoaceitação sem adotar também uma postura condescendente comigo mesmo sabe, ou seja, eu posso estar aqui hoje me martirizando porque eu não consegui sair para correr de manhã por exemplo né e eu posso estar no outro extremo talvez assim “Ah não tá tudo bem” sabe tipo, “Você não estava se sentindo bem Henrique, ta tudo certo, se aceita”, como que a gente equilibra essas coisas e não fica assim “Agora tô me aceitando tanto que eu não tô fazendo nada do que eu me propus a fazer” sabe, é lógico que tá, só fazendo uma distinção boa aqui que é, quando essa coisa de você se martirizar por coisas que você não realizou também depende da expectativa que você tem, de quando está sendo realista e quando não está sendo mas vamos colocar num cenário onde a pessoa está sendo realista tá, que hoje em dia é quase impossível eu assumo, mas vamos fingir que existe esse cenário onde as pessoas são realistas né, como que você equilibra essas duas coisas sabe, porque eu vejo pessoas indo para extremos ou navegando entre extremos sabe, vai muito para esse lado e de repente não, vai muito pra esse lado assim e nunca consegue equilibrar.

Ana Paula Passarelli – Olha eu vou perguntar pro meu terapeuta

Henrique de Moraes – Hahahaha, me passa o contato dele por favor

Ana Paula Passarelli – O ponto aqui Henrique é que a gente não vai se equilibrar, a gente vai ter momentos em que a gente vai ser mais condescendente e vai ter momentos que a gente vai estar mais focado em resultado, é utopia a gente achar que existe equilíbrio porque, volto pro campo das emoções pra lembrar como que a gente pode sedimentar, dizer assim “Não, pessoas equilibradas são as que melhor performam”, como que a gente pode bater martelo nessa expressão se seres humanos são atravessados de coisas que podem acontecer todos os dias na vida pessoal, profissional, em todos os campos da vida e que vão desequilibrar o tempo inteiro. Para mim não tá no desequilíbrio a resposta, o quanto a gente tem que ser equilibrado, a resposta tá no quanto a gente tem inteligência emocional para lidar com desequilíbrio.

Henrique de Moraes – Adorei, porque talvez o equilíbrio seja a expectativa irreal né

Ana Paula Passarelli – O quanto às vezes sou bastante condescendente e o quanto eu sei lidar com aquele, ler aquele comportamento e interpreta-lo da maneira, eu sei que esse momento, esse comportamento não vai pendurar, ele é por agora mas por agora eu vou ficar assim porque isso me protege emocionalmente e o quanto eu vou encontrar um momento em que eu agora posso sair desse lugar condescendente pra um lugar mais focado em resultado, mais sangue nos olhos né então acho que equilíbrio é uma utopia aqui senão a gente não faria terapia, senão a gente não buscaria respostas sobre como o funcionamento das emoções na nossa vida, senão a gente acordaria todo dia muito feliz e focado em resultado e essa não é uma verdade, a gente acorda todo dia com uma expectativa diferente, acorda com um humor diferente e isso não vai mudar porque a gente não é robô, a gente não é inteligência artificial né, somos pessoas, seres humanos que são atravessados de emoção o dia inteiro, então para mim não é sobre equilíbrio não mas sobre inteligência emocional para alcançar de fato uma relação mais saudável com esses momentos de desequilíbrio.

Henrique de Moraes – (palmas) Adorei. Enfim, vai ser mais uma coisa que eu vou anotar aqui atrás, muito bom. Vou continuar nessa linha de autoindulgência aqui e perguntar coisas bem egoístas. Eu tava ouvindo algum bate-papo seu, foi eu acho que o Jornada da Calma com a Helena Galante que inclusive já passou por aqui também, eu adoro

Ana Paula Passarelli – Queridíssima

Henrique de Moraes – Muito e você fala sobre essa sua, não sei como coloco, postura, mentalidade enfim e que no final das contas você assim, tô tentando resumir, talvez você resuma melhor do que eu mas é uma mudança de relação com o consumo né, com várias outras coisas mas resumindo bastante uma mudança de relação com o consumo, e você tem uma agência né que em alguns momentos vai estimular o consumo né, eu sei que vocês têm todo o critério para escolher, especialmente na TOAST as marcas com quem vocês vão trabalhar e também na Brunch as marcas provavelmente, as campanhas que vocês vão aceitar pros seus influenciadores e creators mas assim, é impossível a gente afastar assim, se afastar totalmente do incentivo ao consumo, eu falo porque eu tenho uma agência de comunicação em que a gente tem como missão criar um mundo onde marcas sejam fonte de felicidade e não de ansiedade porque a gente tem aqui pra gente que a publicidade sempre foi sobre o que a gente chama de publicidade deficitária ou seja, se você não tem isso ou aquilo né, se você não tem esse cargo, se você não tem esse carro você não é bem sucedido, esse tipo de coisa e a gente, eu vejo assim né e a gente vê aqui na agência que existe um espaço hoje completamente diferente que as marcas podem ocupar, como a Sallve por exemplo, que eu acho um grande exemplo de como fazer, de como criar comunidades, criar demanda inclusive sem fazer com que as pessoas se sintam excluídas pelo contrário, fazer todo mundo se sentir incluído ali então a gente olha muito para esse lado mas no final das contas muito do trabalho que a gente ainda coloca na rua ainda é sobre isso, ainda é sobre fazer com que as pessoas se sintam insuficientes assim, inconscientemente insuficientes e comprem aquela marca para conseguir se completar, então eu queria entender assim né como que você consegue, como é que você lida com essa dualidade, vamos colocar assim né e não querendo trazer você aqui para a sessão de terapia, na verdade minha sessão de terapia tá

Ana Paula Passarelli – Vamos lá, volto pras utopias que a gente acaba construindo, especialmente para quem trabalha com publicidade, eu sempre lembro de uma frase do Felipe Simi da SOKO, quando ele fala que ele ama a publicidade mas ele odeia o mercado publicitário, acho que é mais ou menos assim a fala dele e eu acho que eu corroboro bastante com essa fala no sentido de entender que publicidade é um serviço à população né, assim como o jornalismo é um serviço à população, assim como diversas outras funções são serviços à população. Entendendo dessa maneira não é sobre o pré julgar o consumo porque o consumo ele existe, a gente precisa fazer supermercado, a gente precisa se vestir, a gente quer viajar então o consumo Henrique ele existe, qual que é o ponto pra mim? É o quanto a gente consegue conduzir esse consumo num consumo que seja mais orientado não só pra uma questão individualizada mas também ao coletivo. Você sabe que a gente tem uma percepção de influenciadores na Brunch que inclusive são os drives pelo qual a gente seleciona influenciador que pode ser cliente da Brunch, olha que coisa né, a gente é uma agência que coloca o criador em primeiro lugar então aqui é criador que é o cliente e não a marca porque exatamente, eu quero saber exatamente com quem eu vou trabalhar e se num cenário global e nacional a gente tem a maior parte do mercado olhando para influenciadores culturais, que são pessoas que produzem conteúdo focado numa manutenção da imagem pessoal, gente que tá ali projetando um lifestyle e construindo um conteúdo com base no status, que acaba construindo uma conexão bastante superficial com sua audiência, tem associações de curto prazo com movimentos populares por exemplo, posta o quadrado preto e nunca mais fala mais nada, essa história que a gente bem conhece, acaba trabalhando com qualquer marca sem nenhum tipo de critério sobre processos, sem nenhum tipo de critério do impacto da associação com essa marca com sua imagem, é quase como se ele visse lucro acima de tudo, e aqui a gente tem um olhar pros líderes de comunidade, a gente vê influência como liderança. Entendendo influência como liderança a gente tá falando de pessoas, influenciadores e criadores de conteúdo que se dedicam na construção do que fazem dentro do território digital ao bem-estar da  tua comunidade, do que ele tá construindo ali. Mais que isso, que a base da influência que ele constrói, que ele exerce no mundo parte das suas experiências vividas e também das suas especialidades, não do seu lifestyle, não do que ele tem mas do que ele tem para dizer né, do que ele tem para construir. É muito baseado em uma relação próxima com a comunidade, com os valores e as causas que elas defendem, gente que tá inserida nessa comunidade não só tentando liderar de longe, gente que trabalha com marcas que só respeitam a sua comunidade e respeitam seu trabalho. A quantidade de nãos que a gente diz aqui para marcas é muito grande, é muito grande e para mim isso é inegociável, a gente dizer não pra uma marca que o criador não quer trabalhar, não vou falar para ele “Mas você tem que fazer”, se ele não quer ele não faz nenhum sentido porque para mim como Brunch que defende, é palco da influência de verdade, também não faz sentido porque para mim é encontrar talentos e ter clientes que lembrem-se da obrigação que eles tem porque influência, o poder que a gente tem de liderar uma comunidade ela é uma força e ela é um fardo bastante pesado, logo ele tem obrigação de representar e defender a comunidade dele e não só tentar vender produtos para ela. E quando a gente faz essa leitura Henrique, de um influenciador que coloca sua comunidade em primeiro lugar a gente tem uma perspectiva do consumo de maneira bastante diferente, volto pro contexto coletivo, volto pra um contexto que não estimula pelo estimular, estimula porque já é dado, estimula porque ele já existe, mas estimula que esse consumo seja minimamente mais consciente e quando a gente volta o olhar para a geração Z por exemplo, a gente percebe que esse consumo tá cada vez mais politizado inclusive e é por isso que a gente sempre bate nessa tecla da influência de verdade. O consumo vai existir, não é a Brunch que inventou, não é a sua agência que inventou, não foi o mercado publicitário que inventou o consumo, ele existe porque a gente precisa, você tem luz na sua casa, você quer decorar sua casa, você quer comprar comida para por na geladeira pra fazer um churrasquinho final de semana, você quer fazer isso então isso é parte do seu bem estar. O que a boa influência, influência de verdade precisa estimular e que o papel da comunicação precisa ter é lembrar que o que a gente está estimulando nesse consumo, o consumo desenfreado que prejudica o planeta ou é um consumo de bem-estar? Pra mim tem que ter bastante foco num consumo que vá prevalecer o bem-estar coletivo do planeta e das pessoas.

Henrique de Moraes – Olha, depois dessa conversa você me manda a fatura tá, da sessão, tá sendo ótimo. Vamos lá, a pergunta rápida, talvez seja rápida enfim, você tem líderes que você admira e que você gostaria de recomendar aqui inclusive pra gente? Pra que as pessoas possam sei lá, seguir e aprender com?

Ana Paula Passarelli – Ai gente

Henrique de Moraes – Essa é difícil né?

Ana Paula Passarelli – Missão difícil, indicar pessoas pra seguir mas eu tenho uma pessoa que eu gostaria de indicar, mais por conta da literatura porque essa pessoa não existe no ambiente digital, não tem Twitter, não tem Instagram, não tem nada que é um filósofo, professor da Universidade da Alemanha, se chama Byung-Chul Han, eu tava lendo um livro dele ontem que é recente, ele lançou esse ano falando sobre o quanto a digitalização é a, chama Autocracia o livro, o quanto a digitalização é uma ameaça à democracia, nesse nível o livro dele tá gente, é nesse nível e esse livro fala bastante sobre influenciadores e exatamente desse influenciador cultural que eu comentei com você aqui, desse influenciador que não tá nem aí, ele só quer ser famoso na internet, ele só quer fazer bagunça, ele não quer ser bem-sucedido, ele só quer olhar para o seu umbigo, olhar para si e não importa, sem nenhum respeito ou responsabilidade com a própria comunidade. Então se tem um autor, uma pessoa que a gente no nosso mercado vale bastante, muito muito a pena a seguir, é o Byung-Chul Han. No ano passado eu fiz um clube do livro do Byung-Chul Han, a gente fez encontros mensais pra ler alguns dos livros dele e falar um pouco sobre, ter uma leitura crítica sobre os livros dele, tô morrendo de vontade de voltar com o clube do livro dele de novo ano que vem porque ele lançou livros nos últimos dois anos que assim, meu Deus do céu, é uma tacada na cara assim uma mais forte do que a outra, desde o “Sociedade paliativa” ele vem lançando livros que eu falo assim “Calma cara, calma”

Henrique de Moraes – E são livros que são pequenininhos né mas é uma capacidade de te tirar do eixo que é incrível assim, e difíceis né talvez assim, você precisa ler cada parágrafo umas 3 vezes, absorver aquilo ali porque cada parágrafo dele vale por sei lá, 5 páginas talvez de um outro autor né. Aproveitando então né esse assunto de livros, tem algum livro que, pegando emprestado aqui a pergunta de um dos meus podcasters favoritos que é o Tim Ferriss, tem algum livro que você já deu mais de presente assim por exemplo?

Ana Paula Passarelli – Livro que eu tenha dado mais de presente?

Henrique de Moraes – Ou se você quiser falar de um livro que te influenciou muito nos últimos tempos, também pode ser

Ana Paula Passarelli – Olha, eu sou uma pessoa que vende muitos livros do Byung-Chul Han porque eu indico e as pessoas acabam comprando muito desse livro mas eu acompanho meus links lá dos meus afiliados e vejo o quanto compram os links do Byung-Chul Han. Mas voltando aqui, talvez até por um critério mais do meu mercado e do meu trabalho, um livro que eu costumo indicar bastante e pedir para criadores e pessoas que estão construindo uma marca comprem e leiam com bastante carinho é “O herói e o fora da lei”, da Carol e da Margaret, que é um livro que fala sobre a construção do sistema de marca, sistema de significado de marcas. É um livro bastante importante e relevante para nossa indústria, muitas das marcas do mundo todo usam a teoria delas sobre os arquétipos pras marcas, para a construção de uma marca mais concisa, mas humanizada, que tenha um contexto né, uma direção melhor e eu acho que elas conseguiram sintetizar de uma maneira bastante clara como que se constrói um sistema de significado de marcas e isso parte da minha formação, do meu desejo, do meu lugar de mestre em comunicação e semiótica, que adora significados das coisas e porque eu sempre lembro quando alguém fala ou eu vejo alguém falando que “Não, porque os arquétipos de Jung para marcas” eu quero chorar porque não são os arquétipos junguianos que a gente usa no sistema de marcas, são uma releitura e uma leitura bastante avançada de matriz de motivações sociais com base inclusive em alguns aspectos arquetípicos junguianos mas também de Platão que a Margaret e a Carol aplicam no livro, e aí toda vez que eu vejo alguém escrever, qualquer post falando assim “Ah os arquétipos de Jung” eu falo “Gente pelo amor de Deus não é Jung, leiam Margaret e Carol no livro ‘O herói e o fora da lei’ que vocês vão enteder”, porque é bem difícil o quando uma mensagem se espalha com muita facilidade Henrique na internet sem checagem e a quantidade de textos, se você procurar por “arquétipos e marcas” no google, você vai ver textos e textos e vídeos no YouTube falando “Arquétipos de Jung”, não é Jung, Jung está se revirando neste momento, como a gente mas é um livro bastante importante pra quem tá construindo, se você é empreendedor e tá construindo uma marca é um livro importante, se você é um influenciador e criador de conteúdo é um livro importante, é um clássico já do marketing, importante pra todo mundo que trabalha nessa área revisitar inclusive porque se tem um pouco de aula sobre isso na faculdade mas eu acho que ele é um material que pode receber uma imersão melhor.

Henrique de Moraes – Boa. Passa, o que te causa ansiedade hoje em dia, mais te causa ansiedade e como você lida com ela?

Ana Paula Passarelli – A gente falou aqui ao longo dos últimos minutos bastante sobre liderança compassiva, sobre o entendimento das emoções, a importância da gente se colocar nesse lugar de entender que o outro sempre é diferente um do outro e que a gente precisa entender isso quero saber liderar melhor as pessoas e saber construir performance a partir das diferenças mas o cuidar de quem cuida, volta para mim de novo, é o quanto eventualmente eu não tô bem o tempo inteiro sabe, não tô bem o tempo inteiro para garantir o meu nível de liderança compassiva ali, tem horas que vou ser mais condescendente, vai ter horas que vou ser um pouco mais fria com as pessoas. Por isso que eu te falei quando a gente tava falando sobre equilíbrio eu falei, “Vou ligar pro meu terapeuta porque eu não sei essa resposta”, é uma coisa que ainda me gera bastante ansiedade, o quanto eu consigo e não consigo também garantir que essa liderança está sendo bem feita porque eu coloco pessoas em primeiro lugar. O maltrato que às vezes já tiveram algumas situações aqui na Brunch, de situações de funcionários que não foram bem tratados por algum criador, e isso foi motivo de rescisão de contrato do influenciador, você não trata mal as pessoas que te servem, e esse é um lugar em que a gente tem que se colocar o tempo todo, de servir o outro, seja eu a presidente da empresa ou um estagiário, tô aqui pra servir o meu cliente, mas ele não pode maltratar ninguém aqui dentro, porque quando ele faz isso ele desrespeita toda uma linha de confiança que a gente construiu. E se ele não é capaz de respeitar as pessoas independente do lugar que ela ocupa, aqui não é o lugar dela e eu acho que garantir isso para mim, manter isso de pé tem sido os meus maiores gatilhos de ansiedade porque ao mesmo tempo que eu sei que as pessoas estão muito cansadas, ao mesmo tempo que eu sei que são quase três anos de pandemia e ninguém aguenta mais, que eu sei e leio o cenário econômico e social do país, o estado que nós estamos, nós estamos gravando esse podcast a 4 dias das eleições presidenciais no segundo turno, eu sei o estado emocional das pessoas que trabalham comigo e dos meus criadores, logo é nesse momento que eu sou mais condescendente porque nem eu tô bem. E é incrível como esse lugar de liderança é quase como se eu devesse me cobrar estar bem o tempo inteiro, e por isso eu busco todo tipo de recurso, fazer terapia, fazer exercício, vai se alimentar bem, vai no cardiologista, vai cuidar disso e daquilo, estar sempre bem mas a verdade é que a gente nunca vai estar bem, então vou ligar para o meu terapeuta e dizer “Tudo bom Pedro? Vamos conversar” porque a gente nunca vai estar 100% sabe e de novo, volto pra utopia, como que eu posso, se eu líder da empresa não tô 100% tempo inteiro, em que momento eu posso achar que eu posso cobrar que os meus funcionários vão estar 100% o tempo todo?

Henrique de Moraes – Sim, faz total sentido e acho que é uma dor que qualquer pessoa que levar a sério seu cargo, sua responsabilidade como líder vai ter assim e não tem muito, a gente não tem pra onde fugir, eu não vejo pelo menos escapatória sabe. Eu queria te fazer uma pergunta mas a gente está chegando no final aqui e eu vou te dar a liberdade de falar assim “Cara não vai dar para responder essa pergunta porque ela é muito complexa nesses poucos minutos” e eu vou entender e a gente vai ter que de repente marcar um segundo bate-papo para falar sobre isso, que é como você, qual a sua relação com as redes sociais, levando em consideração a sua relação pessoal mesmo, você como criadora de conteúdo porque você também é uma criadora de conteúdo né, não deixa de ser e você também vendo né, acho que a relação de todas as pessoas que estão aí na sua rede com todas essas mudanças e como isso afeta né tipo a gente numa maneira tão intrínseca que é tão difícil você separar as suas, como você falou muito bem, nós somos seres que são atravessados por emoções o tempo inteiro então as redes sociais hoje elas são ferramentas de mexer né, de sacudir nossas emoções o tempo inteiro então como você lida com isso e como né talvez você seja assim como seus clientes hojr também lidam com isso, então mais uma vez, é uma pergunta complexa então não sei se vai conseguir responder mas deixo você à vontade

Ana Paula Passarelli – Talvez essa relação que tenho hoje parta de uma história com mídias sociais que já tem mais de uma década, eu comecei a trabalhar com mídias sociais em 2010 então já são 12 anos trabalhando com isso, e sempre assumi um papel Henrique bastante curioso e experimentador e isso me garantiu ocupar um lugar de conhecer como funciona. Então se hoje acontece qualquer problema que alguém não sabe entender aqui como funciona alguma coisa, alguma característica do TikTok, do Instagram eu sei como é porque eu fico fuçando, fico mexendo, eu gosto de fazer isso. Esse espaço de experimentação foi muito importante pra mim, especialmente nos primeiros anos como profissional dessa área e também quem tava na frente do palco né, eu tava na coxia e no palco, então eu sou blogueira há muito tempo né, desde 2008 eu tinha blog então tive blog ali por 4, 5 anos, depois comecei a criar mais conteúdo em Facebook, LinkedIn, Instagram, plataformas como um todo, depois voltei com o meu site em 2016 onde eu publico eventualmente algum conteúdo lá mas também não publico com tanta frequência mas porque eu fui aprendendo nessa história com as mídias sociais e com esse modo curioso experimentativo que minha postura não precisava ser a de frequência, de estar lá o tempo todo mas de construir lastro para que se alguém precisasse buscar alguma informação sobre mim ela bota meu nome no Google e vai achar, então se você colocar o meu nome no Google você vai achar o podcast do Lucas Schuch, logo vai achar o seu podcast, vai conseguir ouvir sobre mim, se colocar meu nome lá no Spotify ou em qualquer plataforma de player vai conseguir ouvir todos os podcasts do qual eu participei e eu comecei a perceber que existia uma responsabilidade em o que eu tinha para dizer e acho que essa chave de virada veio com a minha gravidez, fiquei grávida em 2018 e ali eu já trabalhava com influenciadores mas ali veio um desejo de ficar quietinha, eu não queria falar da minha gravidez na internet porque eu via mães falando de gravidez e o quanto elas eram, enfim, totalmente devoradas pelo público na internet com as suas dicas e os suas receitas de como ser uma excelente mãe e eu não queria isso para mim, eu queria me preservar, queria me proteger, minha primeira gravidez, queria viver aquele momento, então não virou conteúdo no meu canal, não virou nada disso eu não falei, se tem 5 fotos no máximo grávida no meu feed lá é muito, porque eu mal postei realmente sobre isso. Tem muita gene que diz assim “Nossa você tem filho”, gente que me conhece há mais de 10 anos, “Nossa quando foi?” porque realmente eu não falei sobre isso. E ali foi um momento de muita reflexão sobre o meu papel e o papel das pessoas criando conteúdo e o quanto a gente precisa ser responsável por aquilo que a gente compartilha. Eu tenho dois canais no YouTube, um que fala sobre devaneios da minha vida que é o “que PASSA” e eu tenho um outro canal que se chama “PASSA em Casa” que é um canal sobre nossa relação com o ambiente doméstico. São duas marcas de conteúdo que eu sou apaixonada pelas duas mas que eu não produzo conteúdo há mais de um ano e não porque eu não só não tenho tanto tempo pra fazer mas é porque eu também comecei a enxergar muito valor no trabalho dos bastidores e esse trabalho dos bastidores Henrique é um trabalho que é tão recompensador quanto estar na frente das câmeras e faço um convite, venham para os bastidores, eu e Bia falamos disso em setembro, do quanto a gente não precisa mais de influenciadores, a gente não precisa mais de plataformas que encontram influenciadores, a gente precisa de gente que queira trabalhar nos bastidores porque o bastidor também tem valor. Sabe aquilo que a gente falou da carreira em Y? É quase como se a gente falasse carreira/bastidor, carreira/palco, as duas tem valor, só que a gente precisa fato, eu, agora volto pro meu papel de liderança desse mercado, construir valor para esse bastidor que ele é importante também, ele é bem importante, relevante no que tá sendo construído na frente das pessoas, na frente do palco é, uma pessoa na frente do palco Henrique pode ter certeza que tem pelo menos 10, 20 pessoas nas coxias ali trabalhando para que aquele espetáculo seja bem feito.

Henrique de Moraes – Sim, verdade. Acho que é um ótimo lugar pra gente encerrar, eu vou querer e vou daqui a um tempo te chamar pra gente falar sobre redes sociais como um todo porque queria explorar mais esse assunto e promeiro assim, queria mais uma vez agradecer pela generosidade de tempo tá, por tirar essa manhã quase para ficar aqui comigo tomando café e sendo minha terapeuta e agradecer por enfim, pelo papel que você está desempenhando aí que eu acho que é muito importante tá e é difícil, difícil às vezes pegar o microfone não é necessariamente só louros né a gente sabe disso e tem muita coisa por trás assim que mexe com a gente então assim, como o livro que eu até comprei por recomendação sua, na verdade eu roubei de uma amiga minha por recomendação sua que é o da Brené Brown que é “A coragem para liderar” e que ela fala muito sobre isso né, tipo você vai ter que entrar ali e sujar a cara mesmo porque na verdade as pessoas tendem a enxergar a luz mas tem tanta sombra ali por trás que enfim, você tem que ter muita, muita, muita coragem mesmo então parabéns pela coragem e obrigado pelo trabalho você tem feito viu?

Ana Paula Passarelli – Mesmo quem pega o microfone a voz desafina, a gente pode entrar com o melhor sorriso no palco com a melhor performance, vai ter dias que a gente não vai estar bem, e eu volto pra um ponto da liderança compassiva, é lembrar que é isso, não existe equipe, funcionário e nem líder linear, até linear ali no gráfico do eletrocardiograma significa que a pessoa já morreu

Henrique de Moraes – Exato

Ana Paula Passarelli – Oscila bastante, é importante porque isso tem a ver com o quanto a gente lida com as emoções. Obrigada pelo convite, Henrique

Henrique de Moraes – Nada, obrigado você