Rafael Lima

Thumb Rafael Lima

#48: hacker da vida, iogue, empreendedor digital, desenvolvedor de software e estudioso das criptomoedas

ouça o bate-papo com Rafael Lima aqui:

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Rafael Lima é o cara das tecnologias e negócios digitais! ele é o empreendedor serial e e fundou a Impulso, Boleto Simples, Projog, Cobogo e muito mais.

o Rafa é uma espécie de “hacker da vida” em busca de desafiar o status quo. um de seus propósitos é quebrar essa engrenagem de busca pela riqueza e poder, sair do piloto automático e, finalmente, descobrir uma vida mais equilibrada em um trabalho que tenha significado. segundo ele, manter-se nesse piloto automático pode ser a causa das maiores desgraças na humanidade – e eu concordo!

inclusive, conhecer o Rafa foi um despertar pra mim. eu tive a oportunidade de trabalhar com ele durante uns 8 meses e, a cada bate-papo eu ia descobrindo que dava pra viver a vida de uma maneira que eu nunca tinha imaginado. coisas como: trabalho 100% remoto [isso bem antes da pandemia, gente]. viajar a maior parte do ano. não ter carro. não pautar vida no sucesso financeiro. enfim, muitos dos questionamento que me faço hoje vieram dessas conversas que tivemos lá atrás e isso, sem sombra de dúvida, deixou minha vida muito mais rica.

notas do episódio com Rafael Lima

livros citados:

Trabalhe 4 horas por semana (The 4-Hour Workweek) – Tim Ferriss

Virando a própria mesa – Ricardo Semler

O Poder do Agora – Eckhart Tolle

Despertar (Waking Up) – Sam Harris

10% Mais Feliz: Como Aprendi a Silenciar a Mente, Reduzi o Estresse e Encontrei o Caminho Para a Felicidade – Uma História Real – Dan Harris

pessoas citadas:

Rafa Abreu

Sylvestre Mergulhão

Klaus Wuestefeld

Ricardo Semler

Ian Borges

Tim Ferriss

Patrícia Figueira

Vinícius Teles

Guga Mafra

Kivanio Barbosa

Deborah Folloni

Eckhart Tolle

Sam Harris

Dan harris

frases e citações:

Dificuldade é uma verdade que você compra – frase Rafael

outras citações:

LinkedIn

Reclame Aqui

Segundo Caderno – jornal O Globo

BL systems

Startup DEV

HE Labs

Impulso

Ignus

Ampliar Digital

Musing

Amazon

Casal Partiu

Uber

Zoom

Slack

WhatsApp

Netflix

Facebook

Twitter

Instagram

Startup Weekend

Startup Farm

transcrição do episódio com Rafael Lima

Henrique de Moraes – Fala Rafa, seja muito bem vindo ao calma!, finalmente!

Rafael Lima – Depois de quase um ano né mas pô legal, maior prazerzão estar aqui e conversar contigo e com a galera e me senti agora muito preparado e feliz de poder contribuir.

Henrique de Moraes – Show cara, maravilha. Engraçado, eu sempre digo pra todo mundo assim que existem dois Rafas na minha vida que são muito importantes né, tem você e o Rafa Abreu que participou aqui, foi o episódio número 17 aqui do podcast e assim, acho que você não faz nem ideia né cara do quanto você influenciou a minha vida nesses acho que últimos 2, 3 anos, a gente se conhece há quanto tempo? Bem por aí né?

Rafael Lima – Por aí né, foi em 2017? Tem mais tempo, tem 5 anos né

Henrique de Moraes – Tem isso tudo já? Caraca

Rafael Lima – Já tem isso tudo

Henrique de Moraes – Tô envelhecendo mesmo

Rafael Lima – Não foi em 2017 que a gente fez lá o negócio na imobiliária e tal?

Henrique de Moraes – Acho que foi, tô meio perdido cara no tempo mas deve ter sido porque a pandemia

Rafael Lima – Eu sou ruim de tempo, começam a me perguntar da minha vida assim, o que foi e quando aconteceu eu digo “Ih não sei, tenho que perguntar pra minha mulher que ela sabe tudo” mas assim eu acho que já tem esse tempo sim

Henrique de Moraes – É cara e é muito engraçado como, acho que nem você e nem ele sabem assim, eu até tento falar e reforçar isso mas cara vocês foram figuras fundamentais assim pra tipo sei lá, basicamente todas as mudanças positivas e foram muitas que eu fiz nesses últimos 3 anos assim cara, vieram tanto dos conselhos que vocês me deram quanto das referências também, que eu suguei muitas referências que vocês passavam então assim cara foi fundamental, então galera esse aqui oficialmente, pra aproveitar o momento

Rafael Lima – Que isso cara eu que agradeço, maior honra, obrigado e a recíproca é verdadeira também, tenho aprendido bastante contigo, sempre bom, é uma troca

Henrique de Moraes – Que isso, tudo mentira gente

Rafael Lima – A troca é muito boa, uma puta amizade

Henrique de Moraes – Show cara, vamos lá. Queria começar pedindo pra você falar um pouquinho sobre sua trajetória, se você puder dar um resumão aí pra galera de tudo, você já fez coisa pra caralho né não sei como você vai resumir isso mas, como você conseguir aí dar sua versão do LinkedIn pra galera

Rafael Lima – Então, eu não tenho LinkedIn né

Henrique de Moraes – Vamos começar por aí

Rafael Lima – Então não tenho esse resumo mas eu posso comentar aqui, eu acho que o ponto que mais me define como eu estou nessa vida, empreendedor, eu comecei a empreender bastante cedo né mas não tão cedo quanto quando eu comecei com desenvolvimento de software sendo programador então pegando assim numa linha mais histórica eu comecei com programação aos 15 anos de idade, com 15 eu fiz o primeiro site que era um, primeiro site freela, que eu ganhei dinheiro né, eu acho que eu ganhei se eu não me engano R$ 90 pra trabalhar 1 mês, para trabalhar 1 mês, foi o primeiro freela pago assim tipo de um cliente e era uma mulher que ela teve a ideia de fazer um site igual ao Reclame Aqui, só que na época chamada Reclame Ame, até um nome parecido né e aí foi muito legal porque a gente fez e tal, saiu na capa do Segundo Caderno do O Globo e o site foi bem interessantes assim. Aí de lá pra cá eu já entrei na internet, comecei com programação e fui trabalhar com desenvolvimento mas rapidamente já montei a minha primeira empresa para fazer produtos né que chamou na época BL systems, isso a sei lá quantos anos atrás. Pra você ter uma ideia de como eu sou perdido nessa parada de data, eu tenho um Evernote que tá escrito assim “Timeline de vida”, aí eu vou anotando os anos das paradas quando acontecem, tá ligado?

Henrique de Moraes – Pelo menos tem um hack né, já que a memória não funciona usa um hack pra lembrar

Rafael Lima – É, e aí eu olho lá e vejo. Mas enfim, foi coisa de 15 anos atrás sei lá, alguma coisa dessa e aí fiz vários produtos né na época que tava nascendo o conceito de Web 2.0 né, começou com um produto de, BLtender que era um software para área de compras, fazer leilão reverso, depois eu fiz um que era pra área de compras também, depois fiz o email fax que era fax pela internet, depois fiz o web fax que foi a segunda versão, aí precisava cobrar por boleto aí eu criei um sistema de boleto pra gente e ele se transformou no Cobre Grátis que foi meu primeiro produto de boleto e aí depoi veio de novo a segunda versão que foi o Boleto Simples

Henrique de Moraes – Isso já veio de lá de trás então?

Rafael Lima – De lá de trás, exatamente. Boleto Simples tem 11 anos, como Boleto Simples assim, e como Cobre Grátis né, então eu entrei nessa área de produtos né como desenvolvedor de software, queria empreender, ter um produto, renda passiva, aquela ideia, aquela antiga ideia de “Vou ter uma renda passiva e não vou precisar trabalhar e tá tudo bem” e aí por isso esses investimentos nesses produtos. Aí em determinado momento eu trabalhei numa empresa que foi onde eu conheci o Matheus né, amigo em comum aqui e aí saí de lá e montei um negócio chamado Startup DEV, que eu oferecia desenvolvimento de MVPs em dois dias e isso foi bem novo assim no mercado, foi um modelo inovador e deu muito certo, foi muito legal assim, algumas empresas copiaram e saí em revista, essas coisas assim né. A gente fez quase 100 projetos nesse modelo e tal, o que deu início a HE Labs, que foi a empresa de desenvolvimento de software que eu montei junto com o Mergulhão.

Henrique de Moraes – Cara só um parêntese aqui, eu tava procurando algumas coisas, fazendo uma pesquisa a seu respeito e eu achei umas pérolas no YouTube cara

Rafael Lima – No YouTube? Me dá que eu tiro tudo

Henrique de Moraes – Tá no canal da HE Labs cara, tem uns 3 vídeos seus muito antigos cara, dessa época

Rafael Lima – Falando de cultura, missão da empresa

Henrique de Moraes – Muito sensacional cara, eu ia tirar um print pra te mandar e esqueci, vou te mandar depois

Rafael Lima – Não, tô ligado. Esses vídeos foram muito legais a gente fazer isso porque assim a gente externou a cultura da empresa né e a gente criou um termo lá que eu ouvi do Klaus que depois veio se tornar nosso sócio também mas, porque aqui no meio de tecnologia a gente chama de “ducaralhice”, a gente começou a trabalhar o índice de “ducaralhice” da empresa como medida pra determinar se a gente tava indo bem ou não

Henrique de Moraes – E o que entra nesse índice cara?

Rafael Lima – Ah cara é o todo né tipo do ambiente, da cultura, do relacionamento da galera, de como que a gente lidava com todas as pessoas, esse índice ele foi refletido no nosso escritório que foi um escritório legalzão com piscina de bolinha, com barco, eu comprei um barco aqui meu irmão de um pescador, transformamos em sofá e botando lá dentro, essas coisas assim que foi muito uma diversão da época né e uma rede no teto pra galera subir na escada, deitar, essas coisas né

Henrique de Moraes – Fui lá, participei, mergulhei na piscina de bolinhas, fiz foto como todo mundo, marquei a HE Labs, na época ainda era HE Labs? Não lembro

Rafael Lima – Era HE Labs, na época era HE Labs. E aí depois enfim a gente ficou, fiquei anos trabalhando nessa empresa e depois ela se transformou, se dividiu, a gente fez HE mobile pra desenvolvimento mobile, juntou, abri a HE Corp nos Estados Unidos, fechamos e aí dividimos a empresa em outras duas e aí nasceu a Impulso e a Ignus e aí depois eu entrei pra trabalhar na Impulso e fiquei um tempo e nesse meio tempo surgiu a Ampliar Digital que era uma empresa que a gente fez um lançamento de um produto né, o Poder Extraordinário

Henrique de Moraes – Que foi quando a gente se conheceu

Rafael Lima – Que foi quando a gente se conheceu né, trabalhei com vários negócios do Ricardo Semler né, é um cara que não é tão conhecido pela galera mais nova mas ele foi um empresário dos anos 80 que trouxe umas ideias meio revolucionárias que foram referências para mim então acabei conhecendo, trabalhando com ele então fui fazendo vários negócios, me metendo em vários negócios, o que na época a minha sina era de ser um empreendedor serial, era o que me chamava atenção né e aí vivia assim e sempre naveguei entre a área do business né, de negócios e área técnica de desenvolvimento de software e juntando assim, sendo como um cara que conversa muito bem com esses dois mundos, tanto na área de negócios quanto na área de software, area de tecnologia mesmo, programadores, designers, produto e tudo mais. Então enfim, por último acabei me metendo um pouco nesse meio de criptomoedas né, também fiz algumas coisas lá atrás em, acho que começou em 2013 mas em 2017 que rolou uns investimentos e aí depois parei e tal mas minha vida permeia entre tecnologia e empreendedorismo, agora criptomoedas enfim, isso do ponto de vista de carreira né. Do ponto de vista pessoal, a pergunta é mais para carreira ou pessoal também?

Henrique de Moraes – Cara vai fundo, o que seu coração mandar.

Rafael Lima – Não então, algumas características, tenho meu site das filosofias que eu curto assim, que eu sigo então uma delas é o minimalismo né que também é chamado de simplicidade voluntária, isso é uma coisa que norteia assim um pouco as decisões, é uma parada que eu me identifico e gosto. A outra é o vegetarianismo né que tá caminhando para um veganismo, tu nem tá sabendo

Henrique de Moraes – Aí é hardcore

Rafael Lima – É mas não tô ainda não, na verdade eu comecei como vegetariano também há uns 12 anos atrás mas depois de quatro anos eu passei a comer peixe quando precisava, quando não tinha tanta opção e aí ultimamente eu tava comendo peixe mais naturalmente no dia a dia e agora mais recentemente em questão de meses eu já estou reduzindo bem assim, questão de 1 ou 2 meses aí tô reduzindo bastante e tô meio que me planejando para caminhar para o veganismo porque é o que tá fazendo sentido pra mim agora

Henrique de Moraes – Mas por um motivo específico?

Rafael Lima – Cara eu acho que é um processo de transformação pessoal mesmo que eu venho passando no último ano e que vem me tocando assim de fazer, eu sempre achei que fazia sentido né o veganismo, sempre olhei e achei que faz sentido

Henrique de Moraes – Porque faz sentido? Me explica um pouco melhor

Rafael Lima – Assim, sentido pela questão da insustentabilidade do consumo de carne, peixe e animais, é insustentável por n motivos comprovados de todas as formas e não é simplesmente uma questão de pena dos animais nem nada mas eu acho que dentro de um equilíbrio também de nós como seres aqui na Terra, eu acho que faz sentido um esforço para que não precisemos matar os animais para comer, a gente já tem tecnologia e conhecimento suficientes para isso então para mim faz sentido nesse ponto mas nunca foi forte o suficiente para eu simplesmente fazer né, então é fácil falar e difícil fazer né mas não é tão difícil assim, é uma questão de preparação e eu tô com essas ideias na cabeça, é uma coisa que tá rodando por agora assim essa coisa do veganismo, mas já tem uma redução drástica de consumo de carne, de frutos do mar né porque de carne mesmo, qualquer outro tipo de carne que não seja frutos do mar eu já não consumo há muitos anos, enfim. E pro pessoal me conhecer, eu sou casado também né com a Renatinha

Henrique de Moraes – Meninas, tirem o olho

Rafael Lima – Nem imaginei isso mas enfim, a gente tá junto há 17 anos, fez 17 anos agora mês passado então é bastante tempo, é super legal, muito bom, sou muito feliz com isso.

Henrique de Moraes – Boa cara

Rafael Lima – Eu não sei se eu consegui resumir mas enfim, falei um pouco de tudo aí

Henrique de Moraes – Foi bom que fiz umas anotações aqui pra gente voltar. Eu acho que eu vou começar aqui de um ponto que na verdade eu ia falar mais pra frente, que é desse seu lado empreendedor/empresário né, porque eu já vi você se colocar como empresário e empreendedor que são duas coisas ligeiramente diferentes né mas acho que hoje você tá mais empreendedor do que empresário né mas você falou que você tinha essa sina de ser empreendedor serial e eu lembro que assim, há sei lá um ano atrás mais ou menos, uma das últimas conversas que a gente teve assim que você falou mais por mais tempo né, você me trouxe uma visão do tipo “Cara eu percebi que eu tava fazendo tudo que eu falava pras pessoas não fazerem e tal, uma porrada de coisas, fico tentando fazer um monte de coisas ao mesmo tempo, rodar um monte de pratinho” e você resolveu tirar tudo, parar um pouco para pensar, refletir, me corrija se eu tiver errado tá assim, você parou um pouco para pensar e acabou que você voltou e ficou só no Boleto Simples hoje né, o que causou essa mudança assim, você lembra de onde surgiu essa necessidade de primeiro, parar e refletir sobre todas as coisas que você tinha feito e depois escolher ficar só no Boleto Simples especificamente?

Rafael Lima – Tá, legal. Então foi nesse processo aqui da pandemia né, quando começou a pandemia em março eu e Renatinha a gente decidiu por ficar só em casa sem pisar fora de casa até um momento eu tava me orgulhando muito disso assim né, fiquei acho que dois meses e alguma coisa, três meses sem literalmente pisar fora de casa né mas dado tudo que eu tava passando e mudanças na empresa lá, questões com a Impulso, eu tava com um negócio de meditação né chamado Musing e que não tava dando certo e bla bla bla, aquela coisa que tudo vai acumulando e etc, eu tive um período que eu fiquei bem mal na pandemia, eu tive um surto, Burnout né e isso me afetou bastante por um tempo né. Foi um período bem difícil que eu passei mas ao mesmo tempo muito transformador assim porque assim que eu comecei a me recuperar, imediatamente eu já parei de trabalhar, tive que parar um pouco e foi interessante porque eu continuava ainda assim trabalhando só que ainda um pouco e tal, não teve um momento que eu cheguei e falei “Não vou trabalhar mesmo” mas eu cheguei nesse ponto que eu tive que e passei por isso e aí comecei a fazer terapia né com psicólogo, psiquiatra e essa coisa toda me ajudou muito pra me recompor e reestruturar, reestruturar minha cabeça né e as energias e tudo mais. E aí quando eu comecei a assim, a melhorar, passar por isso e olhar né sobre outra ótica eu comecei a repensar todas as questões da vida né e pensar muito assim “Pô, o que foi que me levou até esse momento? Qual foi a causa de eu ter passado por isso, de ter tido esse descontrole emocional e etc?”, e existem assim, vem surgindo vários fatores né. Um deles que pra mim pareceu muito forte foi a necessidade do controle, de controlar as coisas, eu descobri isso. É presente para algumas pessoas mas não é um problema para a maioria das pessoas mas até onde eu já conversei, algumas pessoas que tinham uma necessidade de controle, naturalmente mesmo até na forma de falar né, de controlar a mente, de controlar a situação, de ter controle sobre as coisas tiveram dificuldades na pandemia porque a gente se deparou com um momento em que a gente não tinha controle nenhum de nada né, então antes eu tinha um planejamento né alguns amigos brincavam comigo que eu sabia certinho assim o ano que eu ia casar, o ano que ia ter filho e já tava tudo planejado assim né e isso é um reflexo de controle né então eu aprendi isso, eu percebi isso né que tinha essa questão e aí na pandemia a gente não tem controle sobre o que tá acontecendo aí fora, sobre a vida, sobre o que que vai acontecer no dia seguinte né e aí eu comecei a repensar e reaprender um bocado de coisas, busquei novas fontes né mudei meu estilo de vida, comecei a estudar coisas diferentes, novas e etc mas respondendo a sua pergunta especificamente, eu parei pra repensar assim o que é importante e o que é relevante para mim, e o que que eu tava buscando antes, qual era a minha ânsia que me levava a ter esse comportamento. E era uma ânsia por um estado em que eu tivesse uma realização de um empreendedor, de um empresário que construiu a própria empresa com o próprio dinheiro, sem investidor, no bootstrapping e que vendeu a empresa e ganhou muito dinheiro, essa era a historinha que eu tinha mapeado para mim, que me contaram algum dia e eu achei que era legal. E aí eu vi que não precisa né assim, a gente não precisa de nada disso, a gente não precisa de absolutamente nada dessas, do que a gente coloca nessas histórias né essas coisas exteriores e aí eu falei “Já que eu não preciso tá tudo bem” e aí comecei a trabalhar a aceitação, aceitação ela é muito poderosa então eu tive que aceitar o momento, aceitar as coisas como elas estão, aceitar a condição de que eu precisava fazer uma quarentena e não sair, e não viajar e não estar com meus amigos mesmo vendo amigos meus saindo e se encontrando e fazendo passeio de barco no Instagram. E aí foi todo esse processo que me levou a ficar mais sossegado, a ficar mais quieto e aceitar e me satisfazer com o que eu tenho, dar valor ao que eu tenho também porque eu percebi que eu não dava valor ao que eu tenho, eu conquistava e depois queria mais então eu não dava valor ao que eu tinha conquistado né. Eu dei pouco valor a várias questões relacionadas à Impulso, por exemplo hoje eu percebo, que é a empresa que veio lá da HE Labs, minha empresa mais antiga que eu fiquei mais tempo, que mais cresceu e tudo mais né. E aí eu falei “Cara eu quero dar valor ao que eu tenho aqui” porque por mais que Boleto Simples seja um negócio menor, que fature menos e que tenha menos demanda, tá tudo bem, já é legal, já tem várias outras coisas muito boas pô, eu faço e me amarro e fico super feliz. Então foi todo esse processo e essas reflexões que me levaram a ficar mais quietinho assim e me desconectar dessa visão do empreendedor serial que hoje eu digo que eu não preciso pra minha vida entendeu, tipo antigamente eu poderia dizer embora eu não fosse, eu não lembro assim, não tenho um registro exato mas eu poderia dizer antes que “Não, eu ficaria mais feliz se eu tivesse várias empresas e se eu tivesse vendido algumas das empresas e tivesse dentro dessa realidade”, hoje eu tenho uma segurança absoluta de que eu não preciso disso assim, absolutamente assim. É muito doido porque racionalmente, antes eu sabia que eu não deveria depositar felicidade nisso, eu nunca fui um cara de pensar em depositar felicidade em algo externo, não era minha linha de raciocínio mesmo desde antes né eu sempre falei sobre o locus interno e locus externo de controle né, em que o locus externo você bota a tua felicidade, você bota a culpa das coisas, culpa é pesado mas enfim a responsabilidade das coisas, tudo fora. No governo “O governo é filho da mãe e fez isso aqui”, “O mercado não sei o que e não sei o que”, “Os meus funcionários não sei o que”, “Meu tio, minha tia, meu irmão, minha irmã, minha família são não sei o quê”, então tá tudo sempre pra fora né. E no locus de controle interno você traz pra si, traz pra dentro, não importa o que aconteça fora, a tua felicidade depende de você né, isso é a verdade que eu tenho. Então eu já tinha isso antes mas emocionalmente eu tinha gatilhos e tinha incentivos que me levavam a fazer coisas e querer né ter vontades e querer um estágio que eu não tinha atingido ainda né. Claro, queria melhorar mas se frustrar por não chegar ou coisa do gênero que é o problema né.

Henrique de Moraes – Sim. É curioso ouvir você falar assim porque eu lembro assim, você era um cara que tipo tinha conseguido mudar muita coisa da sua vida né assim, no sentido de conseguir ser um nômade digital né então viver viajando então tinha todas essas questões assim de que davam a impressão de que você não tinha essa vaidade né esse desejo do empreendedor que vendeu a empresa enfim, era a sensação que eu tinha de fora e aí é até curioso ouvir você falar isso porque acho que essa história né que você tinha sua cabeça, todo mundo que empreende tem né porque é a história que a gente ouve e que contam e seduz a gente, que a mídia vai falar o tempo inteiro enfim, é o que a gente acaba desejando ali mesmo que a gente tente fingir que não né, afinal de contas a gente tá sempre buscando essa cenourinha, nossa cenourinha é essa né, na hora que a gente vai vender isso vai sair no jornal e a gente vai ficar famoso, vai estar na revista

Rafael Lima – A parte da revista eu passo mas é isso, porque eu sou um cara meio avesso à mídias né mas beleza, concordo

Henrique de Moraes – É até engraçado assim ouvir você falar sobre ter descoberto isso em você mesmo porque acho que você talvez nem falasse sobre isso porque você tinha uma imagem sua e isso estava de repente muito interno, não sei dizer assim, não sei explicar mas era muito mais uma coisa interna do que uma coisa que você externalizava porque para mim você não passava essa história por exemplo, entendeu? Era isso o que eu quis dizer e inclusive uma coisa que eu achava sensacional era que quando eu conversava contigo assim, eu lembro assim de uma conversa que eu tive especificamente, que a gente tinha saído da casa do Matheus e aí você estava falando sobre alguma viagem que você ia fazer, acho que você estava com uma viagem mais próxima marcada e eu falei “Cara mas como você faz isso?” porque você falou que ia passar um tempo fora e eu falei “Mas como é que você faz com as suas coisas?” e você falou “Não tenho carro”, e na época eu tava tendo conversas parecidas com a Gabi, de falar “Pô a gente podia passar mais tempo viajando, vamos cagar pro carro”, eu falei assim “Pô esse maluco, ele é quem eu tô planejando ser”, eu lembro muito de ter tido essa sensação assim, acabou que veio filha e não deu pra levar tanto assim essa vida de nômade mas enfim, ainda temos tempo. Mas essa coisa da história na nossa cabeça também, eu tenho lido muito sobre o budismo né e o budismo fala muito sobre como todas as histórias que passam na nossa cabeça né elas são, o budismo não sabe e nem a ciência sabe de onde vem a consciência né ou o pensamento consciente e isso é muito doido quando você parar para pensar, e essa voz que tem dentro da gente né que tá o tempo inteiro ali tipo dando incentivos ou na maioria das vezes cobrando né porque normalmente a gente tá muito mais olhando para o que a gente não tem do que para o que a gente tem, essa voz meio que não existe né, tipo é uma coisa que surge do nada e quando a gente começa a entender um pouco desses conceitos e começa a prestar atenção no que se passa nessa voz, a gente começa a perceber muita coisa sobre a gente né e esses detalhes assim sabe do tipo “Cara porque eu tô me cobrando isso?”, “Porque eu preciso, eu quero ter mais clientes”, “Mas porque eu quero ter mais cliente?”, “Porque eu acho que preciso ter mais dinheiro”, “Mas porque eu preciso ter mais dinheiro?”, “Ah porque eu acho que eu quero mostrar isso pra alguém, eu quero ser melhor”, cara são várias coisas que surgem e que a gente não faz ideia na verdade do que dispara né e eu acho que se todo mundo parasse um pouco pra refletir, muitos desses conceitos caíram por terra e aí eu vou trazer uma fala que eu ouvi sua aqui, num podcast com o Yan inclusive, seu primo que foi convidado aqui do podcast, sensacional e você fala que, você tinha lido um livro do Tim Ferriss né, o “4-Hour Workweek” e aí você percebeu que você adotou algumas filosofias né que eram tipo não trabalhar para ter mais dinheiro, mas pra ter mais tempo e usar o tempo como recurso mais importante da vida e assim, mesmo você tendo isso como filosofia você ainda tava caindo nessa armadilha né de ficar ocupado para conseguir realizar uma coisa tipo que era por motivos que você não faz nem ideia né de onde surgem, essa vontade de vender uma empresa e ser um cara bem sucedido, essa história que você conta pra você mesmo. Mas eu queria que você falasse um pouco desse momento em que você começou a pensar mais sobre o tempo e como isso influenciou sua vida que eu sei que tem uma influência muito grande né na forma de você viver sua vida, inclusive.

Rafael Lima – Sim, legal, E é muito doido porque já tem uma evolução dessa ideia porque a nossa noção de tempo, vou dar um spoiler aqui para você me lembrar de falar depois, a nossa noção de tempo e trabalhar o tempo como um recurso muito escasso gera uma tendência de ansiedade, da gente querer as coisas num tempo mais rápido do que elas eventualmente vão demorar pra acontecer, mas vamos voltar à questão que ela é importante. Quando eu li o livro “The 4-Hour Workweek”, que é a semana de trabalho de 4 horas, do Tim Ferriss eu fiquei muito empolgado com tudo que eu vi ali. Esse é um livro que eu recomendo para muitas pessoas, inclusive estava fazendo uma reunião semana retrasada né e aí o cara era de uma empresa assim, um cara sério tava ele e a outra mulher do comercial e aí ele olhou para mim assim e falou assim “Rafael, eu tô com inveja do seu cabelo cara”, para quem está ouvindo e não tá vendo, meu cabelo está enorme porque como eu tô em quarentena e não tô saindo eu deixei, meio que abandonei assim sabe então ele falou “Cara eu tô com uma inveja do seu cabelo, um cabelo de surfista” porque o que tava passando na cabeça dele ali é que, cara eu não posso ter esse cabelo, eu tenho que apresentar me na beca e tal, a gente tava conversando sobre isso né, eles perguntaram “Aonde que você tá trabalhando, em casa ou não?” e aí eu comentei que eu tava aqui em Búzios agora, que a família da minha mulher tem uma casa aqui e a gente tá ficando por aqui e aí eles “Nossa, isso é muito legal e não sei o que” e aí o papo foi por aí né e aí eu “Já morei em vários lugares, já fiquei como nômade digital”, aí ela “Ah meu sonho e tudo mais”, e aí eu falei “Olha vamos fazer o seguinte então, acabando a reunião aqui você entra aí na Amazon, toma o link, lê esse livro”, “Conhece? Já ouviu falar em Tim Ferriss?”, “Não, nunca ouvi”, “Então você lê esse livro” e eu recomendo para todo mundo porque ele para mim ele foi game changer mesmo, ele mudou uma ótica que foi um grande pulo da minha vida, assim como agora eu tô dando um grande salto também nessa parte que fui meio que forçado pela quarentena e tal, eu tô vivendo uma transformação bem grande eu tenho percebido e nessa época que eu li o do Tim Ferriss eu tava trabalhando, foi a única empresa que eu trabalhei na vida, empresa dos outros assim, eu trabalhei durante 3 anos e eu ia para o escritório no centro da cidade, eu morava em Niterói e o escritório era no centro da cidade do Rio né, pegava as barcas e ia até lá, trabalhava durante o dia e voltava para casa, todos os dias então era um emprego muito normal para quem trabalha com computador, escritório etc. E aí eu li esse livro do Tim Ferriss e falei “Cara, vou aplicar isso na minha vida”. Até sentado uma vez lá no centro bebendo uma cerveja com o Matheus e com Henrique eu falei disso, falei “Não, é isso que eu quero para minha vida”, aí o Matheus até me deu uma zoada assim, ele falou “Ah então você tá falhando miseravelmente porque você tá aqui agora e não sei o que”, eu falei “É questão de tempo, calma eu vou chegar lá” e de fato consegui porque cara quando a gente coloca alguma coisa na cabeça de verdade a gente consegue, não existe dificuldade, dificuldade é uma verdade que você compra né

Henrique de Moraes – Boa frase

Rafael Lima – Então a gente faz né. Se você parar pra pensar historicamente, pra trás o que você realmente quis, você fez cara, os recursos aparecem. E o que eu aprendi nesse livro foi dar mais valor ao tempo do que ao dinheiro, basicamente no que diz respeito a qualquer negociação que você vai fazer com chefe no trabalho e tudo mais. O que significa isso basicamente? É ao invés de eu trabalhar para ganhar mais dinheiro, para aumentar o meu poder de compra, eu trabalho para ganhar mais tempo e aumentar o meu poder de realização e eu consigo isso através de uma negociação de tempo de trabalho, seja tendo mais flexibilidade para ganhar tempo por exemplo, no trabalho remoto você ganha tempo de deslocamento ou seja reduzindo a jornada de trabalho mesmo que você vá receber menos dinheiro porque eventualmente o que você vai fazer com esse tempo a mais pode te gerar mais dinheiro do que o dinheiro que você reduziu né então essa é a mentalidade que ele joga e não só isso, ele fala sobre lifestyle né que é estilo de vida e fala sobre lifestyle hacker, que é você ser um hacker do seu estilo de vida. Um hacker só pra também descrever né, um hacker não é um cara mal que invade computadores tá, por definição, tem até uma nomenclatura para isso, esse cara é o cracker, o hacker é o cara que ele entende muito bem de um sistema a ponto de subvertê-lo, seja para o mal ou seja para o bem né então o conceito de hacking é você dominar uma parada aí pra você poder tirar o melhor benefício dali. Então ele por exemplo leu todas as regras lá de um campeonato e descobriu, de um campeonato de luta e descobriu que jogando os adversários para fora do ringue ele ganhava uma pontuação a mais, e ele não precisava de muita técnica para isso, nem muita força e ele ganhou o campeonato aplicando isso basicamente, então ele foi um hacker, ele dominou um sistema, ele entendeu o sistema e achou uma brecha para poder explorar e ganhou um campeonato sem ser o maior técnico e sem ser o mais forte.

Henrique de Moraes – Vale dizer que o livro começa com ele ganhando um campeonato de tango na Argentina

Rafael Lima – Também. É fantástico essa ideia de você explorar e ter outras atividades também, usar seu tempo livre para fazer outras atividades e masterizar essas outras atividades, e foi isso que eu comecei a curtir muito e comecei a aplicar de fato na minha vida e abrir mão das decisões que diziam respeito a dinheiro. Então enquanto eu estava nas minhas empresas inclusive, eu viajei bastante né, fora a pandemia nos últimos anos eu viajava cerca de 4 vezes por ano pra uma viagem internacional, graças a Deus eu construí uma condição para isso mas veja bem, aplicando a mentalidade que eu aprendi nesse livro, que não é de gastação, não quer dizer que sou extremamente rico e tava fazendo viagens porque eu tô rico, não é esse o ponto. Eu arrisco dizer que nas quatro viagens eu fazia no ano, somando todas elas eu gastava menos do que as viagens que uma pessoa que faz uma viagem por ano de férias gasta porque daí é todo um outro conceito né, um outro conceito de viagem, são viagens mais longas, viagens mais longas são viagens mais baratas né se você considerar os custos por dia então eu gastava na viagem mas não deixava de gastar em casa, esse é o conceito do nômade digital. Então enfim, às vezes a gente ouve um negócio desse “Ah o cara viaja muito”, “Pra quem tem dinheiro é fácil” mas não se trata disso, se trata de toda uma reorganização das prioridades para conseguir fazer aquilo acontecer, então dali que veio a priorização pras viagens, questão de não ter carro, não ter coisas, a gente chegou até dois carros populares né, eu e minha mulher e a gente vendeu os 2 e ficou sem nenhum, usando Uber na época e foi tomando decisões em que a gente priorizava as experiências de vida e o bom uso do nosso tempo mais que as decisões de ter coisa, comprar coisas e por aí vai.

Henrique de Moraes – E pra uma pessoa que sei lá se interessa, apesar da gente estar no meio de uma pandemia né, esse estilo de vida está mais difícil agora mas pra uma pessoa que tá pensando assim qual é sei lá a principal dica que você poderia dar assim pra começar a se organizar para ser nômade digital por exemplo? Ler o livro

Rafael Lima – Sim, ler o livro. Nem todo mundo quer ser nômade digital, existem vários conceitos de nômade digital por exemplo. Tem um conceito lá do Vinícius Teles e da Patrícia Figueira, o  “Casal Partiu” que é o nômade perpétuo, eles são o primeiro casal nômade perpétuo do Brasil, então eles saem de um lugar e vai pro outro, e vai pro outro, e vai pro outro, e vai pro outro e esse outro pode ser o Brasil mas não importa né então ele realmente não tem uma casa tá. Então a minha dica para esse ponto específico seria segui-los, entra lá, Casal Partiu e busca a Patrícia Figueira e o Vinícius Teles e você vai achar porque eles falam só sobre isso, são especialista nisso. No meu caso eu fui um nômade digital mas eu tinha minha casa, minha residência em Niterói né e eu ia para o lugar, ficava um tempo e voltava, depois eu ia de novo e voltava, e voltava, é uma outra dinâmica né fiquei dois anos e pouco fazendo dessa forma. Às vezes eu ficava aqui 2, 3 semanas só pra mais três meses fora mas são dinâmicas diferentes então a minha dica seria seguir, buscar mesmo. Em termos práticos precisa de uma organização financeira assim, de não você ter muito dinheiro ou guardar muito dinheiro isso não, mas você tendo um fluxo de grana do seu trabalho é bom você reduzir os seus custos ao máximo aqui então a gente fez isso né, a gente simplificou muito a vida para poder, quando você estiver viajando não ter outros custos por aqui, custos fixos e tal então é mais nesse aspecto assim. Mas com relativamente pouco dinheiro é possível viajar e aí quanto mais dinheiro ou quanto menos dinheiro que você tem dá para você ter mais conforto ou menos conforto enfim né mas é viável, é viável e para uma pessoa que tem, que mora numa cidade grande, tem os custos tradicionais que todo mundo tem, talvez com filho, com carro, tv por assinatura, plano de saúde e não sei o que, aquela história toda, é possível até viver de forma nômade gastando menos e isso o Vinícius ensina e é caso vivo disso.

Henrique de Moraes – Sensacional, boa. E você também já trabalha 100% remoto há muitos anos né, acho que você foi a primeira pessoa inclusive que eu conheci que era 100% remoto e quando eu conheci você já era há anos, então assim eu tava bem atrasado. Mas a gente entrou numa realidade agora em que tá todo mundo né vivendo esse regime e assim, o que eu tenho percebido é que a maioria das pessoas não sabe muito bem como lidar né e o que tá acontecendo é que as linhas ali de trabalho e vida pessoal estão ficando todas embaçadas e a maioria das pessoas está trabalhando mais, até porque assim você tem mais cobrança porque o seu chefe também provavelmente tá trabalhando mais, todo mundo ali na cadeia tá trabalhando mais e aí você não sabe às vezes nem tipo como você resolve isso tentando eliminar por exemplo, parando X horário, esse tipo de coisa. Pra quem tá passando por essa situação e que ainda não conseguiu né porque assim já tá há mais de um ano de pandemia, mas acho que, eu sinto que as pessoas estão sentindo mais ainda agora, mais do que no início, tá começando a pesar mais assim sabe esse ritmo de trabalho. Você tem alguma recomendação assim tipo pra quem quer melhorar, ter uma rotina mais saudável no trabalho remoto?

Rafael Lima – Legal, vamos lá. É, trabalho remoto eu já faço há algum tempo nas minhas empresas, desde a época lá da HE Labs, a gente implementou o trabalho remoto como cultura e de lá pra cá sempre foi assim, no Boleto Simples desde que nasceu foi remoto né, o meu sócio Kivanio ele é de Cuiabá por exemplo, então trabalhar remoto sempre foi natural pra gente. A gente é uma empresa de software né então, tudo meu é meio que de tecnologia, software,  o que facilita um pouco, não é a realidade de todas as empresas mas a primeira questão assim que eu acho que é importante todo mundo saber é que trabalho remoto é diferente de home office né. Então fazer home office é uma coisa, você ter uma cultura de trabalho remota é o outra porque a cultura de trabalho remota envolve você ter processos em que as reuniões são online, em que a documentação, comunicação é toda online, que usa-se pouco telefone e muito mais comunicação assíncrona do que síncrona, existem várias coisas que, esse é o maior problema das empresas que precisaram se adaptar correndo agora por conta da pandemia tá. Isso é um primeiro fator e eu acho que ler e estudar sobre a cultura do trabalho remoto é importante. Por exemplo a gente já teve ocasiões na época de HE Labs em que estávamos tipo quatro pessoas fisicamente no mesmo escritório, no nosso escritório no Rio e a gente fez uma reunião em que cada um foi para uma sala e a gente fez pelo Zoom, isso é cultura de trabalho remoto, porque? Porque todas as nossas reuniões já era automaticamente gravadas pelo Zoom e armazenadas, faz parte da nossa realidade lá e se a gente fizesse uma reunião numa sala de reunião aquela informação ficaria perdida e não ia poder ser compartilhada com mais ninguém, então isso é cultura de trabalho remoto. O outro aspecto é que o home office é parte do trabalho remoto, é diferente de trabalhar em casa numa pandemia, esse é outro aspecto. Então o que eu quero dizer é que o que as pessoas e empresas estão vivendo e vivenciando hoje na pandemia tendo que trabalhar remotamente e muitas vezes tendo que ser feito setup às pressas, não representa o que sempre foi pra gente o home office e o trabalho remoto, principalmente no que diz respeito à essa questão de horário. E pras pessoas que estão trabalhando e que estão nessa condição, algumas dicas básicas assim que eu posso dar é sobre o ambiente né, você tentar dentro da sua casa criar um ambiente assim, um espaço para você trabalhar, um espaço fixo assim e de preferência que você consiga ficar dentro de um quarto sozinho, que tenha uma mini liberdade ali com som né e tudo mais. Sobre os horários é restringir mesmo, é você definir o horário de trabalho bem como você já definia antes né e não abrir mão disso né, realmente você se desconectar. Por exemplo o celular é um problema né porque a gente fica colado com o celular às vezes quando acorda e enquanto dorme, eu por exemplo tenho uma rotina matinal que é uma coisa que eu aconselho como prática para isso, que envolve não olhar o celular nem nada, notícia eu não vejo mesmo né mas para quem vê notícias ou e-mails, ou mensagens né no Slack ou Microsoft Teams, nos aplicativos não antes de fazer uma série de coisas né então eu acordo, faço meu desjejum, vou meditar, passo meu café da manhã, quando eu vou correr na praia só na volta que eu me conecto assim com essas questões de trabalho. Na hora de dormir também, tipo é o básico que todo mundo fala né, deixar o celular de lado e fazer outras coisas, livro e etc. Eu não tenho essa prática bem feita, eu não tenho ritual noturno bem feito por exemplo porque eu gosto de deitar e consumir coisas assim, nem é tão bom né assim pra saúde pra falar a verdade mas eu faço, comigo é assim e eu fico às vezes vendo um vídeo né, eu tô vendo muita coisa de criptomoeda e fico vendo as coisas sobre criptomoeda e tal mais de noite e enfim, mas as dicas eu acho que são mais ou menos por aí né, você criar um ritual matinal, se desconectar dos canais de comunicação em determinados horários, você restringir o teu horário, ter um ambiente né e se puder, criar triggers mentais pra você se dizer, você deixar claro pra você que você está num momento de trabalho, isso também é legal. Eu tenho um amigo que mora na Alemanha que o trigger mental que ele criou foi de colocar o tênis, então quando ele tava de tênis dentro de casa ele tava trabalhando, então todo dia de manhã antes de ele começar a trabalhar ele colocava a roupa, colocava o tênis, ia para o escritório dele começar a trabalhar e ficava assim. Quando ele acabava de trabalhar ele tirava tênis, é um trigger mental isso, nada além então cada um pode criar o seu né, criar um trigger diferente e se arrumar né para trabalhar também, arrumar o quarto, arrumar o ambiente, a pior coisa que tem é você entrar uma call e as coisas estarem meio bagunçadas e tudo mais, acho que acaba sendo importante também

Henrique de Moraes – Esse hábito de deixar o celular, aqui onde a gente está agora né no apartamento, tem um segundo andar onde é o escritório então assim cara foi o que me salvou porque quando, tem dias que eu tô mais estressado é isso, eu largo o celular aqui e só vou ver depois de tomar o café da manhã do dia seguinte, quando eu vejo, de vez em quando eu deixo pra ver mais tarde e que é um hábito que é difícil assim de se implementar mas cara é tão relevante porque hoje mesmo por exemplo, acordei e aí eu tava com o celular lá embaixo e eu olhei o WhatsApp e tinha mensagem de cliente reclamando de coisas que eram assim, pra mim não faziam sentido e eu já fiquei estressado, já comecei o dia estressado então assim cara é muito, muito relevante e especialmente nas ferramentas de comunicação que não tem essa divisão né, tipo o Slack é de trabalho, sua família não tem grupo lá, seus amigos não vão te mandar mensagem lá, então beleza é até mais fácil, agora no WhatsApp você abre, você vê todas as mensagens e mesmo que você não abra você já sabe que tem tudo aquilo te esperando e já causa uma ansiedade então eu acabei criando esse hábito de largar o celular aqui em cima para não correr o risco de olhar, ver que tem mensagem e já ficar nervoso, ainda mais eu que sou muito ansioso, eu vou querer olhar, vou achar que deu merda, que tenho que resolver alguma coisa rápida enfim. Uma outra coisa engraçada que eu lembro que você me passou no início da Ampliar e que eu gravei e até hoje eu passo pra galera que é de primeiro, passar sinais quando você tá falando em vídeo call, tipo fazer assim porque normalmente você fica mutado e as pessoas muitas vezes ficam com cara assim de, mexendo o cabelo e tal e você fala assim “Caraca eu tô um tédio aqui né falando” e aí eu falo isso muito com o time lá e de estar sempre com a câmera ligada, então cara porque isso é  muito clássico da galera, especialmente em reunião de manhã não ligar a câmera e aí você tem um ponto que é muito importante que as pessoas não se ligam que é se você tá num dia ruim por exemplo, tá meio mal humorado, sua expressão normalmente vai passar, e você vai falar “Vou fechar a câmera porque eu não quero que as pessoas vejam” só que não, pelo contrário, você precisa ligar porque senão a pessoa que tá tocando a call, seu gerente, seu líder, qualquer coisa não vai ter nem a empatia de entender que você pode estar num dia ruim e não te encher a porra do saco então assim, isso foi uma parada que eu aprendi com você cara lá no início assim que ficou e eu percebo muito hoje em dia com essa coisa de todos mundo trabalhando remotamente. E uma dica que eu vi também uma vez, que eu não faço mas que tem a ver com isso do trigger que você falou, que do Guga Mafra eu acho, ele fala que no início ele também tinha essa coisa de não saber onde era a linha de trabalho, vida pessoal não sei o que e tudo mais e ele começou a bater ponto, ele falou “Cara era mentalmente”, mas ele falou “Eu criei o hábito de toda vez que acabei de trabalhar beleza, tô batendo meu ponto aqui virtual e descia” porque ele falou “Cara a partir de agora acabou meu dia de trabalho, acabou, minha cabeça mudou” porque acho que o maior problema é esse, é você não ter mais essa sensação de tipo “ O trabalho acabou, estou indo fazer outra coisa” né que tipo às vezes você tinha ali o trecho do trabalho pra casa onde você ia desligando, ouvindo uma música, ouvindo um podcast, comprar uma coisa do mercado e agora não tem mais isso então você ter de fato essas pequenas mudanças sutis assim que mostram que acabou o dia de trabalho ou que você está começando um dia de trabalho são de fato muito importante embora eu falhe também ainda com isso mas pelo menos a coisa do celular já me ajuda bastante.

Rafael Lima – É, isso é bem importante, tem várias dicas assim né, uma delas são as notificações, você não deixar ligada as notificações no celular enfim, eu faço isso também, sobre essa coisa da câmera que você falou é realmente muito importante, as pessoas não sabem o quão importante é porque quando a gente tá conversando, se ver melhora o nível da comunicação de um outro grau, é outro patamar né então sem dúvida essas são boas dicas que acho que todo mundo pode seguir. Eu também vou ser sincero que eu não tenho essa coisa de “Acabei o trabalho aqui”, tipo eu não faço isso de uma forma tão rígida mas também não me incomoda, não me atrapalha, eu sei maneirar bem e eu gosto muito também de dar umas paradas durante o dia, acho que isso é importante, a gente faz reuniões às vezes muito uma depois da outra né bem direto assim e você parar para sair, dar uma volta e voltar, se permitir ter outras atividades mesmo no meio da tarde eu acho legal também.

Henrique de Moraes – Sim, verdade. Cara uma das suas características que eu acho que é muito marcante, pelo menos quando eu te conheci eu lembro que eu ficava, foi uma coisa que me impactou é que você é um cara muito sincero né e inclusive, vou até lavar roupa suja aqui, pra quem não sabe, que é uma curiosidade, o Rafa foi a primeira pessoas que eu convidei pro podcast e meu primeiro “não”, e o não foi pautado na sinceridade assim, isso que é maravilhoso e depois a gente pode contextualizar a história para não ficar uma coisa tipo “Nossa que era maldoso” porque não foi mas é muito interessante assim e você também aceita muito bem sinceridade né porque assim, isso é um ponto importante senão você estaria só cuspindo ali “foda-se”, nao era assim, você sempre aceitou muito bem tipo, sempre foi muito aberto. Quando eu ia falar com você problemas que eu tava tendo ou até falar e dar feedbacks pra você também você sempre foi um cara super aberto, super receptivo. Isso foi uma característica que você nasceu desse jeito ou você desenvolveu isso com o tempo?

Rafael Lima – Eu acho que pode ser uma característica um pouco nata assim já, eu não lembro de nenhum evento em que eu tenha buscado ou aprendido ou feito algo com o objetivo de trabalhar com sinceridade ou dizer não ou coisa que o valha né, é um dos valores que eu tenho né na minha vida a sinceridade, a verdade enfim. Quando eu era muito novo eu tinha até problema quanto à isso, lembro que assim, era um problema pra mim ter que te falar a verdade, sempre e tal enfim, não conseguia às vezes nem omitir algumas coisas que não valiam a pena, eu fui aprendendo aos poucos o outro lado que também é importante. Mas eu acho que meio que sempre esteve presente

Henrique de Moraes – E além da infância assim tipo, você mais velho teve algum momento que isso atrapalhou ou você acha que ajudava mais que atrapalhava? Porque assim, o brasileiro ele não é um cara que tá muito acostumado né, não é um povo que está muito acostumado com essa sinceridade, vamos ser sinceros

Rafael Lima – É porque tem várias facetas né, a gente pode ser sincero sem ser agressivo, a gente pode ser sincero sem ser grosso, a gente pode ser sincero sem ser um cavalo e a gente pode ser sincero com muita morosidade mas o meu problema é que eu não só sincero, eu era um cavalo muitas vezes então me fez muito mal, claro. Inclusive em todos os tipos de relacionamento, não só trabalho como família e tal e enfim, hoje eu já não acho que eu sou tanto assim porque antes eu era sincero mas eu fazia questão de ser assim sabe, tipo aquela coisa “Não isso é valor, tem que ser assim senão é palhaçada”, “Eu tô falando que é, o outro que aceite”, coisas do gênero mas agora não, entendo que a gente pode ser bastante sincero e bastante cauteloso na forma de falar e cuidadoso nas palavras, que é o mais legal né então assim, acho que sempre foi muito bom eu ser sincero e acho que falar a verdade é uma parada meio básica assim que deveria permear, embora tenham pesquisas aí que, tem no Netflix um documentário sobre isso, que fala só sobre a mentira, de um que pesquisa sobre essas paradas, não sei o nome dele cara para poder dar a referência aqui mas é bizarro assim como que muita gente assume as mentiras que fala, como as pessoas encaram esse tipo de coisa né e o quanto de mentira que a gente vê por aí toda hora também né pra tudo quanto é lado, as pessoas reclamam de fake news e de governo mas elas são as primeiras a falar mentira a torto e direito, para tudo quanto é lado em todos os casos então assim, com que autoridade tem pra reclamar e como que quer que seja diferente se nós mesmos, a sociedade não tá sendo diferente então não tem nem do que reclamar, é sem sentido né, uma reclamação completamente inócua, solta então enfim, eu acho que é positivo, agora tem que saber sempre a melhor forma de fazer. Por não saber a melhor forma de fazer eu acho que foi negativo para mim em alguns aspectos, em alguns momentos, relacionamento com a família, relacionamento com a minha mulher e no trabalho também em alguns casos. Eu não sei pontuar um caso assim sabe que tenha ficado marcado mas eu acho que você tá fazendo essa pergunta muito relacionada à questão do como falar “não” né?

Henrique de Moraes – Sim, também, até para contextualizar aqui né eu falei do primeiro não aqui do podcast, e aí na época o Rafa ele tava como mentor da agência né, tava ajudando a gente lá com uma série de questões que a gente tinha mas especialmente, nosso ponto principal era aumentar nosso faturamento, e aí a gente tava com uma porrada de tarefa para fazer e eu resolvi montar um podcast no meio de um monte de coisa para resolver e aí eu falei para o Rafa “Pô Rafa tô com vontade de fazer isso aqui e tal, queria que você fosse o primeiro convidado” e ele falou assim, não lembro as palavras exatamente mais foi alguma coisa tipo “Cara fico muito e lisonjeado mas cara, eu acho que você não deveria estar montando um podcast agora e portanto eu não vou aceitar porque você tem que estar focado nas coisas que a gente tá combinando” e aí eu “É, faz sentido”

Rafael Lima – Esse foi o contexto mas assim, eu tenho sobre o podcast também, eu fui um pouco relutante, eu tô abrindo uma exceção aqui para você de fato porque eu trabalho, me esforçar é meio forte né mas eu trabalho proativamente para não aparecer, certo então isso é uma questão certo e hoje eu não tenho Facebook, não tenho Linkedin, não tenho Twitter, não tenho Instagram, tenho contas desses todos porque já tive um dia, só Facebook que eu nunca usei na vida mesmo mas o resto eu já tive contas, tem um histórico de mensagens minhas lá que você pode achar mas tá completamente inativo e eu não entro mais nesses aplicativo, não sinto necessidade e não uso mais. Essa mesma reunião que eu tive, que o cara falou do meu cabelo, nós conversando ele falou “Pô te procurei no Linkedin, como é que eu te acho?”, e eu falei “Não acha”, aí ela “Mas você não tá no LinkedIn?”, falou indignada sabe aí eu falei “Não eu não tô no LinkedIn, não faço parte do LinkedIn”, ela ficou fazendo não com a cabeça, virando a cabeça assim né tipo “Como é que pode?”, era o que passava na cabeça eu acho então assim, isso é um esforço para não estar em voga mesmo. E aí por um tempo assim em fiz algumas palestras quando eu tava bem no começo lá na parte de startups, no meio de startup, eu fiz mentoria Startup Weekend, Startup Farm mas recusei, comecei de um tempo para cá a recusar muitos convites mesmo então o mais natural quando alguém me convida para um podcast, ou para uma entrevista, ou para uma palestra é eu negar. Não por medo, nem porque tenho medo de falar em público, nada do gênero mas simplesmente porque eu acho que não vai agregar tanto assim, eu não tô num período, numa fase de evangelização vamos assim dizer, evangelizar no bom sentido, pessoas ou disseminação de conteúdo para passar, qualquer coisa que eu saiba e tal até porque eu acho que a tendência natural dessas entrevistas e palestras são sempre uma auto exposição, over assim sabe, tipo em que a pessoa vai ficando num pedestal como se fosse uma referência e tal, e os outros olham isso e começam a venerar e isso entra num loop que eu acho que não é saudável e acho que a gente tem que tomar muito cuidado quando a gente se expõe e fala porque a gente é facil a gente influenciar né algumas pessoas e enfim. Eu acho que eu poderia colaborar com muitas pessoas de muitas formas se eu falasse assim como acho que todo mundo pode colaborar né mas ao mesmo tempo não acho que eu tenho nada de especial que justifique aparecer e falar, não senti até agora no coração assim tipo “Pô essa linha aqui ou isso que você tá fazendo e tal, eu acho que faça sentido a valha a pena qualquer tipo de investimento do gênero” então como eu sei que eu também sou um cara que eu não gosto de mídia né, não consumo mídia, não consumo notícias, eu não leio jornal, eu não leio sites de jornais, eu não consumo seja qual for o canal, notícias e esse tipo de coisa então é meio que um contrassenso. Quando eu estive como CEO da Impulso por exemplo, tinha essa questão né, a gente contratou uma assessoria de imprensa e aí tinha essa coisa de aparecer e tal e isso era um problema para mim porque eu não queria entendeu, começar a ser visto como um papel porque vai um pouco de crenças pessoais mesmo do que que é relevante e do que que não é relevante e traz muita vaidade esse tipo de coisa, muito ego e é o tipo da coisa que não vale a pena eu acho

Henrique de Moraes – Sim, mas querendo ou não, mesmo sem isso você cara assim é engraçado, acaba influenciando bastante gente porque na semana passada eu conversei com a Deborah Folloni por exemplo e ela falou cara de você com carinho assim tipo, da época do Startup Farm eu acho que vocês se conheceram, alguma coisa assim ou antes e cara ela falou que você foi uma mega influência na vida dela e tipo eu já conversei com outras pessoas também que tem esse carinho, eu já falei aqui no início

Rafael Lima – Sim mas eu acho legal, eu acho bom isso, eu reconheço e agradeço, reconheço que isso acontece mas eu tô, eu prefiro relações mais íntimas e mais duradouras sabe do que uma relação muito fria em que a internet tem proporcionado. No caso da Deborah por exemplo eu era um mentor do Startup Farm e ela era uma das participantes e eu sempre tive um faro muito bom para identificar uma galera boa assim, potencial, essa parte eu nunca me arrependi assim das vezes que eu fiz e tudo mais eu gostei do resultado depois e ela era super já se destacava de todos os outros participantes, a gente conversava entre os organizadores lá etc, “Cara que menina é essa cara” e ela fez uma animação que eu falei “Animal” e quando ela disse que ela tinha vontade de trabalhar com isso e fazer isso eu falei “Vou ser seu primeiro cliente então” e assim foi, eu contratei, eu fui o primeiro cliente dela e depois eu me interessei por ela assim, pelo negócio dela, pelo potencial e aí quis até ser sócio dela durante um tempo nessa sina de ter vários negócios né, não rolou e ótimo  né mas eu fiquei quase um ano fazendo mentoria com ela, quase um ano que eu fiz uma mentoria bem profunda com ela e foi animal assim, muito bom e eu vou acompanhando, hoje eu peço para ela opinião das coisas, ela que me dá mentoria, é uma troca muito saudável, muito legal. Eu gosto assim entendeu porque a gente constrói alguma coisa mesmo né de verdade e hoje em dia eu tenho feito também as mentorias, com ela foi gratuito porque foi o que eu tava fazendo na época, depois eu fiz as mentorias profissionais como a gente fez juntos também e hoje eu tenho feito com alguns amigos mas sem cobrar assim, sem essa coisa de, quando eu falo de mentoria aqui só para contextualizar, eu não tô falando do mercado de infoprodutos que a galera faz mastermind, mentoria, não tô falando disso sabe eu tô falando quase uma pseudo consultoria né que a gente conversa, trabalha juntos um a um, sempre eu gosto eu trabalhando junto com os sócios da empresa porque a gente vai ver cada dor, cada ponto, cada coisa que acontece e como eu meio que já passei por isso né, até um tamanho de empresa pelo menos né, o tamanho que a Impulso tomou e o tamanho que o Boleto Simples tem, eu consigo pegar dores de quem tá começando e enfim mas eu tô fazendo para amigos pessoais assim, a pessoa “Pô Rafa tem como me ajudar aqui e ver?”, aí pessoas que souberam que já fiz mentoria e tal e hoje tenho feito sem cobrar assim, de forma recorrente, com cadência, tudo da mesma maneira mas sem um viés econômico assim e tem me dado uma satisfação enorme.

Henrique de Moraes – Sensacional, boa. Por falar em mentor, um tipo de mentor que a gente tem normalmente são os livros né, você já falou do Tim Ferriss aí mas você tem mais algum livro aí que tenha te influenciado muito ou te ajudado em um momento específico?

Rafael Lima – Tem um livro que eu comentei no iniciozinho lá, do Ricardo Semler que se chama “Virando a própria mesa”, esse é um livro antigo mas ele me influenciou muito. Eu digo que o Ricardo Semler foi o maior influenciador para eu determinar como eu queria montar a cultura das minhas empresas, assim como o Tim Ferriss foi o maior influenciador de como eu desenhei minha vida, foram essas duas figuras assim e esse livro “Virando a própria mesa” conta a história do Ricardo Semler que pegou um empreendimento do pai e das coisas que ele implementou na empresa que foram bem revolucionárias pra época e eu gostei do estilo rebelde dele de fazer as coisas de forma diferente e provar que dar certo, e foi isso que eu quis fazer. A piscina de bolinha por exemplo que teve na HE Labs tem uma história por trás, eu conversando com um amigo meu, eu falando “Não, eu vou montar uma empresa animal tipo Vale do Silício aqui” e daí o cara “Não mas não dá pra fazer aqui no Brasil”, aí eu falei “Mas porque não dá?”, “Não porque não dá, CLT, imposto e não sei o que, não tem condição”, eu falei “Não, a gente vai botar um montão de coisa lá” e aí ele mesmo falou “É, seria maneiro ter tipo uma sala de reunião que fosse uma piscina de bolinha, você abre a sala, entra na sala de reunião e faz a reunião na piscina de bolinha”, e aí veio meio que a ideia daí né e eu falei “Não, vai ser possível” então representou pra mim ser possível fazer uma empresa diferente, uma empresa com uma cultura diferente e tal né então essa ideia eu sempre gostei, eu bebi um pouco da fonte do Ricardo Semler, isso há muitos, muitos anos, antes de eu conhecê-lo né, nem imaginava conhecê-lo assim e tal, depois que eu vim a conheci e a gente foi trabalhar juntos, fazer negócio juntos, fui sócio dele por um tempo em vários negócios e foi bem legal, eu aprendi bastante ele me deu acesso à muitas pessoas que eu não teria acesso com facilidade, me abriu algumas portas e caminhos que me fez permear por alguns grupos, por exemplo grupos de CEOs, presidentes de grandes empresas aqui no Brasil, fez eu saber bem o que eu não quero também, mas esse foi um livro. Agora do ponto de vista sem ser empresarial assim, pessoal teve um livro que eu li mais recentemente agora nessa minha última fase vamos assim dizer que foi o “O Poder do Agora”, do Eckhart Tolle. Esse livro para algumas pessoas é um livro místico que elas chamam, que é um livro que cada vez que você lê você tem uma interpretação diferente né. Já tive amigo meu que começou a ler e parou no meio e tiveram algumas pessoas que gostaram demais assim, mas é um best-seller né com milhões de cópias vendidas, ele é tido como um guru de espiritualidade como um todo, sem ligação com a religião e ele traz um conceito que para mim foi muito game changer assim que é o conceito da separação de nós assim como ser e da nossa mente. Eu olhei essa questão por uma ótica que eu nunca tinha olhado antes, eu comecei a meditar em 2018 eu acho que foi quando me deu um estalo de criar a Musing com o objetivo de levar a meditação para as empresas, foi uma das startups que eu criei aí que acabou não dando muito certo, e aí eu entrei para esse mundo da meditação, do mindfulness e tudo mais então já tinha alguma ligação mas quando eu li esse livro “O Poder do Agora” embora em alguns momentos ele seja até repetitivo, eu achei muito bom porque ele vai explicando sobre óticas diferentes a mesma coisa e o entendimento sobre o que que é o viver o agora para mim se aprofundou bastante, bastante assim porque a gente ouve né cara, a vida é o momento presente, é esse instante, o passado não existe mais, o futuro ainda não chegou e o passado e o futuro eles só existem na mente humana, ele não existe pro passarinho, ele não existe pra árvore, ele não existe pro peixe, pro cachorro, certo e nós temos dificuldade de viver esse presente e viver esse presente é algo que eu acho que eu ainda estou descobrindo o que é porque conceitos que vem a partir daí, que foram animais pra mim assim, a mente ela não dá conta da existência, a gente não vai perceber a verdade e entender a verdade com a mente apenas, a mente ajuda mas não é com a mente. As questões mais profundas da vida e do universo elas são supramentais certo e se a gente se atém a mente a gente fica muito limitado pra percepção do que é o mundo, certo. E eu antes dava muito valor à mente cara e o ocidental dá muito valor à mente né, “Eu quero ser uma pessoa inteligente”, a pessoa que pensa demais é uma pessoa que é valorizada né, um raciocínio lógico, brilhante, isso é supervalorizado no ocidente mas o nível, a forma que a gente usa o pensamento e o volume de pensamentos que a gente se atenta e se apega com a mente ele chega num nível de ser doentio né. Eu acho que a humanidade de certa forma vive uma doença mental sem saber que vive essa doença mental, que é o de pensar demais e se envolver demais com os pensamentos, e essas foram as questões que eu fui descobrindo a partir daí, a partir das leituras que vieram daí e é muito legal ver essa diferença da visão das culturas orientais né comparadas com as culturas ocidentais em relação à isso, com a visão de que as mazelas do mundo e o sofrimento ele tá todo na mente, todo na mente e que se você começa a se distanciar da mente, se colocar como um observador e se desapegar do seu pensamento, você começa a sentir uma realidade diferente.

Henrique de Moraes – Sim, sensacional. Era o que eu tava tentando de alguma maneira explicar lá atrás quando eu tava falando do budismo né, até tem um livro do Sam Harris, que é “Waking Up”, “Despertar” em português em que ele fala que, ele faz algumas comparações assim que são muito fodas mas uma delas que me marcou muito é, se você estivesse andando na rua, falando em voz alta as pessoas te tomariam como maluco né mas você tá o tempo inteiro falando com você mesmo na sua mente, você tá fazendo isso, só não está expondo, você tá conversando com você mesmo, que voz é essa? Com quem você tá conversando? sabe, então para pra se perguntar isso, você não tá conversando com ninguém, é coisa de maluco mesmo sabe, e ele traz assim

Rafael Lima – Não é coisa de maluco, é coisa de ser humano.

Henrique de Moraes – Sim é coisa de ser humano mas coisa de maluco que ele quer dizer é assim, que a gente julgaria como sabe, então porque a gente não julga o nosso pensamento internamente, só quando a pessoa externaliza porque ali ela só perder um filtro mas ela tá fazendo a mesma coisa que a gente já faz e aí ele traz umas reflexões que são bem maneiras nesse livro também e eu ouvi falar desse livro “O Poder do Agora” por um outro livro de meditação, não é de meditação na verdade, é sobre o Budismo mas é uma historinha bonitinha que é de um repórter americano, eu esqueci o nome agora, falei tanto desse livro há pouco tempo mas é bem legal, é um jornalista americano famoso que ele leu esse livro e ele ficou tão curioso que ele começou a pesquisar tudo de budismo, foi na verdade uma busca para tentar encontrar outras pessoas que pensavam igual aí ele se encontrou no budismo e ele tinha um preconceito, “10% mais feliz” do Dan Harris, e ele fala que as pessoas no trabalho dele começaram a achar que ele era maluco porque isso tem muito tempo né é porque na época a meditação e o budismo não eram tão aceitos e ele inventou esse mantra, uma vez ele falando com uma amiga falou assim “Ah porque você faz, porque você pratica meditação?” e ele falou assim “Porque me sinto 10% mais feliz” e ela “Como assim? Não parece uma coisa má, excêntrica e maluca sabe, parece uma coisa muito tangível” e ele começou a usar essa frase pra convencer as pessoas, pra mostrar que é uma coisa que simplesmente deixava ele melhor, ele se sentia melhor fazendo, praticando. E com isso ele foi trazendo mais gente, foi convencendo as pessoas e com isso ele escreveu o livro dessa jornada dele né porque ele era muito cético, usava drogas e os caralhos, até ele conhecer esse livro “O Poder do Agora” e começar a se aprofundar nos estudos e chegar no Budismo e aí tipo é onde ele tá até hoje, pratica meia hora de meditação pelo menos por dia e fala como melhorou a vida dele, é bem legal, uma historinha super rápida de ler e que eu recomendo assim porque traz muitas referências inclusive né pra você depois pesquisar

Rafael Lima – É, uma coisa vai puxando a outra né porque a gente vai entrando nesse processo então eu por exemplo, embora eu tenha começado a meditar lá em 2018 como eu falei com aplicativos e tudo, depois foi melhorando, depois eu parei e agora há 6 meses eu tô meditando todos os dias mesmo assim sem parar, 20 minutos a meia hora também enfim você vai aprendendo, eu comecei a fazer yoga também que foi muito bom e que eu recomendo demais pras pessoas, a filosofia do yoga é bem profunda e é muito mais do que eu imaginava, eu olhava o yoga e eu achava que era uma coisa assim legal mas o yoga é uma meditação ativa no final das contas né, o objetivo do yoga é você acessar a agitação mental então quando você percebe a sua agitação mental e começa a conseguir através de meditação, respiração e práticas cessar um pouco, se desconectar um pouco, você vai percebendo uma outra realidade né, uma outra forma de viver que faz bem, é bem diferente e acaba gerando mais curiosidade né para investigar e olhar um pouco melhor esses pontos né mas no yoga com meu professor que é o professor Carlos Henrique, ele tem sido um mestre para mim assim porque as coisas que ele fala e as coisas que eu tô me desenvolvendo assim a partir daí tem sido muito boas. Primeiro no exemplo né assim, eu falei né dessa coisa de uma maneira melhor de falar, pode ser verdadeiro mas sabendo o jeitinho, o cara parece que escolhe cada palavra, cada palavra que ele vai usar e você percebe o carinho ali na história e tudo mais e aí você começar a entender né, eu já tinha muitas crianças né por ser espírita, então vida após a morte né, que nós somos um ser diferente do que a gente vive aqui como corpo e por aí vai mas ainda assim foi possível aprofundar né, ter um entendimento de que somos no limite, seres do bem e seres de luz que dado as nossas vivências e realidades começamos a criar, construir muitas barreiras e muitas coisas em cima disso que traz uma percepção difusa e que faz com que às vezes a gente comece a buscar fora né como se um dia eu fosse descobrir a felicidade, fosse chegar a alguma coisa, no entanto tendo todos os recursos e tudo dentro da gente, absolutamente dentro da gente então ao invés de tentar buscar fora o lance é percorrer um caminho de volta né, um caminho de volta para casa então aí quando você vai entendendo essas questões e percebendo e etc vai abrindo um campo de possibilidades muito grande assim para viver uma situação mais tranquila, mas em paz né independente do que aconteça externamente.

Henrique de Moraes – Boa cara, acho um bom lugar pra gente a gente encerrar o bate-papo cara. Rafa, obrigadaço pelo seu tempo cara, obrigado pela generosidade de ceder e abrir mão do seu sigilo, da sua privacidade

Rafael Lima – Não que isso, também não é assim. Tenho que tomar até cuidado né, vai que de repente eu participo de outro aí vai falar “Não mas ele falou aquilo” não mas eu voltei para você né, falando pra gente gravar, eu fiz questão porque eu queria, é uma honra muito grande, eu vi o trabalho que você tá fazendo, o podcast me ajudou eu te falei isso então é com muito carinho que eu tô aqui falando essas coisas aí para ver se consigo colaborar aí um pouquinho com quem vai ouvir.

Henrique de Moraes – Com certeza cara, colabora muito. Obrigadão cara pelo seu tempo

Rafael Lima – Obrigado você Henrique, sucesso aí, um abraço a todos que estão ouvindo também e muita paz à todos.