Lucas Schuch

thumb do podcast calma! com lucas schuch

aquela sessão de terapia sobre como se sente um criador de conteúdo

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diretor de arte por formação, Lucas Schuch é o criador do Propaganda Não É Só Isso Aí, um podcast que traz jovens lideranças em busca de transformações no mercado de comunicação.

notas do episódio com Lucas Schuch

livros citados:

Essencialismo: A disciplinada busca por menos – Greg McKeown

Fora de série – Outliers: Descubra por que algumas pessoas têm sucesso e outras não – Malcolm Gladwell

Por que os generalistas vencem em um mundo de especialistas – David Epstein

Claros e escuros: Identidade, povo, mídia e cotas no Brasil – Muniz Sodré

Coleção Mil Platôs – Gilles Deleuze, Félix Guattari

Publicidade antirracista: reflexões, caminhos e desafios – Francisco Leite, Leandro Leonardo Batista

pessoas citadas:

Flavia Lippi

Ana Paula Passarelli

Thais Fabris

Tim Ferriss

Greta Paz

Foucault

Felipe Neto

Ken Fujioka

Elizabeth Holmes

Leandro Karnal

Clóvis de Barros Filho

Mario Sergio Cortella

Malcolm Gladwell

Seth Godin

Sam Harris

Sigmund Freud

Jacques Lacan

Tristan Harris

Ana Cortat

Elon Musk

Evgeny Morozov

Tulio Custodio

Muniz Sodré

Gilles Deleuze

Félix Guattari

Francisco Leite

Leandro Leonardo Batista

Aziz Ansari

Gustavo Nogueira

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outras citações:

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Mind & Emotion – playlist Sam Harris

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transcrição do episódio com Lucas Schuch

Henrique de Moraes – Bom pessoal, tô aqui em mais episódio do calma! e dessa vez com mais uma pessoa que eu admiro bastante, seja bem-vindo

Lucas Schuch – Que isso cara, a recíproca é verdadeira, tô honradíssimo, muito obrigado pelo convite e espero poder contribuir com você

Henrique de Moraes – Com certeza, sempre contribui né cara. Bom vamos lá, fazer um pequeno disclaimer aqui, quem acompanha aqui o podcast sabe que ele tem uma agenda meio egoísta, que é de aprender com as pessoas que eu admiro mas desse episódio em particular eu acho que vai bater quase o recorde da agenda pessoal, ou de sessão de terapia quase, já que eu tô aqui com o Lucas que é criador de conteúdo e eu tô aqui num dilema se eu começo a criar conteúdos, se eu faço mais isso ou se eu não faço enfim, e eu queria aproveitar então que eu tenho essa abertura aqui com esse rapaz incrível, que é uma das pessoas que tem um dos maiores engajamentos que eu já inclusive, é impressionante, para tentar aproveitar ao máximo aqui do nosso tempo e navegar aí por todas as nuances né dessa profissão que é difícil e eu acho que muito mal interpretada inclusive muitas vezes. Então eu vou te pedir Lucas nesse começo para falar um pouco assim, se puder falar rapidamente né como que você acabou se tornando um criador de conteúdo e sobre o que você fala, que é importante no contexto

Lucas Schuch – Bom eu acabei me tornando criador de conteúdo porque eu não tinha mais escolha senão falar sobre as coisas que eu tava encontrando assim né, foi um processo bem terapêutico, foi antes isso é importante dizer, foi antes de eu começar a terapia, eu já tô fazendo podcast há uns 3 anos, quase 4 anos agora e eu comecei terapia há uns 3 anos então acho que tem um encontro de datas aí importante então não sei o que veio primeiro, meu desejo de fazer terapia ou meu desejo de falar. Eu crio conteúdo sobre publicidade especificamente mas de uma forma bem ampla eu acabo falando sobre comunicação de uma forma geral, a indústria de comunicação, os problemas, desafios dessa indústria e mas também ele se expande para problemas do mundo do trabalho porque é inevitável assim né, acaba que todos os problemas que a gente enfrenta nessa indústria estão muito ligados à sociedade, a forma como a gente lida com o trabalho então eu crio conteúdo sobre isso, sobre o mundo do trabalho e os desafios que a gente tem enquanto sociedade para desassociar um pouco a nossa vida pessoal do trabalho.

Henrique de Moraes – Obrigado pela explicação. Eu já vou começar então aqui

Lucas Schuch – Por favor

Henrique de Moraes – Na sessão de terapia

Lucas Schuch – Então, eu já to com medo do que isso aqui vai virar, vou ter que botar meu psicólogo aqui na chamada mas tô com um grande medo do que isso vai virar, mas vamos lá

Henrique de Moraes – Beleza, já vai consultando aí pra ver se ele tá disponível, quanto é que tá a hora

Lucas Schuch – Boa

Henrique de Moraes – Você falou que começar o podcast foi terapêutico e eu sei que assim pelo que eu entendo e lembro do que eu acompanho da sua trajetória você começou com o podcast e depois você foi para as redes sociais né e eu tenho a sensação assim, pelo menos a reação que eu tenho com essas duas, esses dois tipos de criação de conteúdo, são bem diferente tá então o podcast eu tenho a sim de que é terapêutico e a parte de criação de conteúdo para rede social menos, então eu sinto que na verdade me demanda mais terapia do que de fato é terapêutico e aí eu queria entender se você sente também essa diferença

Lucas Schuch – Ah sem dúvida, eu acho que eu vou, talvez eu descreva pela primeira vez assim mas me parece que o podcast é aquele momento em que eu tô na terapia falando as coisas, aquela sessão de terapia e as redes sociais são os momentos que geram os gatilhos para eu falar na terapia depois sabe assim, é aquele processo de tô aprendendo na dor assim, ouvindo as pessoas, recebendo hate às vezes, recebendo críticas, críticas genuínas, legítimas e tudo e quando eu tô no podcast eu mastigo, rumino aquelas críticas como um processo terapêutico mesmo né, eu tenho mais tempo, tenho mais tempo de reflexão e tudo mais então o podcast ele ainda que tenha vindo de forma contrária temporalmente assim, eu comecei falando né mas eu acho que foi meio isso né, eu dei insumos para que as pessoas olhassem para mim e depois criticasse ou amadurecesse. Então assim, para mim certamente é muito isso, eu falo no podcast e eu acho que isso tem a ver com o tempo que essa mídia disponibiliza pra gente, eu consigo falar sobre assuntos durante uma hora, e era uma parada que eu queria muito, foi por isso que eu comecei em podcast e não em sei lá, outra coisa qualquer. Porque eu queria muito aprofundar assuntos sabe assim, não queria deixar que assuntos importantes, latentes assim fossem trabalhados de forma superficial, só que é uma relação dialógica assim né, para que isso ganhe alcance eu precisava falar de forma rápida nas redes sociais, não é à toa que meu Instagram ainda hoje não é o nome de um projeto ou não sei o que, é o meu nome, aquilo era o meu @ pessoal e é até hoje só que acaba que o feed virou só trabalho assim, só criação de conteúdo, então essas coisas não são á toa assim porque não era um plano me transformar em criador de conteúdo, era um plano virar podcaster, que é uma parada que eu adorava ouvir e hoje eu nem sou, acabou que isso perdeu um pouco do gosto para mim mas eu escutava muito podcast e falei “Pô eu acho que eu consigo fazer isso, eu gosto de falar e tal” mas eu não necessariamente queria ter virado um criador de conteúdo mas para que aquela coisa lá ganhasse alcance eu precisei transformar o meu Instagram e não sei o quê então certamente o podcast para mim é além de terapêutico é tipo assim, é gratificante. Criar conteúdo é legal mas tem as partes que é muito merda assim, tipo assim os retornos e a pressão por postar, os retornos e não sei o que, isso não é incrível sempre, o podcast pra mim é incrível sempre assim, não interessa. O assunto mais chato que eu conseguir pensar naquela semana para conversar é incrível sabe assim, mas diversas vezes eu já fiz post no Instagram, levantei assuntos que eu falei “Eu preciso levantar assuntos”, sabe?

Henrique de Moraes – Sim. Essa co-dependência né que acho que é quase que impossível de você evitar então você precisa falar sobre o que você tá fazendo, a maneira mais viável e acessível é de fato você fazer isso nas redes sociais e acaba que você tem que lidar, é quase que um preço que você tem que pagar né, tirando as pessoas que já tinham uma audiência antes de começar os seus podcasts né, pra quem tá começando acho que é, foi o que eu passei também assim, durante o primeiro ano de quando eu comecei o podcast que foi no meio da pandemia né, eu aproveitei que o ritmo tava mais devagar, alguns clientes com a conta pausada enfim esse tipo de coisa, em standby e botei para frente o projeto do podcast que eu sempre quis mas eu não tinha audiência né então eu comecei a trabalhar, fiquei um ano ali muito frenético nas redes sociais até que eu tive uma crise de identidade assim

Lucas Schuch – Sei bem

Henrique de Moraes – De olhar, eu olhei pro conteúdo que eu tava criando e eu não me identificava assim, porque foi um ano em que eu amadureci muito sabe, eu aprendi muita coisa e de repente eu olhava pro conteúdo que eu tava criando no início do projeto e eu falei assim “Caraca, isso já não me representa mais, não representa o que eu acredito mais” e aí eu meio que dei um passo para trás, eu parei de fazer tudo então fiquei só com o podcast, divulgando só o podcast basicamente nas minhas redes sociais, falando, jogando aí um pouco de vida pessoal que eu acabei parando também hoje em dia mas enfim, teve esse período assim que foi tipo crise de identidade, para e agora eu tô voltando. E aí nesse tô voltando, todos os gatilhos também estão voltando junto e aí assim, uma das coisas que eu queria te perguntar né, você até falou sobre isso agora né na sua última resposta sobre ter que lidar com todo tipo de reação e criar conteúdo assim, fazendo uma metáfora bem talvez esdrúxula aqui mas sei lá é como se você estivesse abrindo sua casa para dar uma festa só que você não filtra quem tá entrando, e aí vai ter gente que vai respeitar e saber que aquilo ali é a sala da sua casa e vai ter gente que vai fazer xixi no tapete né e só que assim, quando a gente tá falando ali de abrir a porta de casa, a gente tá abrindo cara, para quem tá fazendo uma coisa muito de sei lá, de abrir muito o coração por exemplo, você tá abrindo um pouco da sua alma ali, da sua mente às vezes pras pessoas entrarem e depois darem uma zoada ali. E o seu conteúdo especialmente, ele é pautado, né como você falou, numa crítica ali né a modelos de negócio enfim, basicamente uma crítica ao status quo ali que não tá ajudando ninguém e eu imagino que isso cause uma reação nas pessoas, especialmente as pessoas que querem manter as coisas do jeito que elas estão, que não tem interesse nessas mudanças que você está propondo e assim, eu vou te confessar que eu mesmo já vi conteúdo seu e falei assim “Ah, fácil pra você falar, você não empreende” e teve um ciclo até eu falar “Não calma aí, isso aqui é importante, é importante que ele não esteja inclusive empreendendo e que ele esteja em contato com pessoas que não estão empreendendo por são essas pessoas que estão dentro da minha empresa” enfim, todo esse ciclo então imagino que você tenha todo tipo de reação e aí eu queria entender assim, que tipos talvez de críticas e pushbacks você teve no início ou que você tem até hoje, vamos começar por aí

Lucas Schuch – A primeira vez que eu criei um conteúdo na vida foi, importante falar, tudo que falo vem desde o meu mestrado até agora no meu doutorado então o motivo de eu ter começado era porque eu queria contar as coisas que eu tava encontrando na parte científica dessa mudança de paradigmas que a gente tá vivendo dentro da indústria de publicidade e também no mercado de trabalho. Então eu queria contar essas coisas e aí eu decidi que eu ia fazer um vídeo, não sabia o que que era e fiz um vídeo, botei um vídeo no Facebook, uma rede pessoal assim, e é importante dizer também que eu não tô num centro, num eixo Rio-são Paulo no meu país por exemplo, eu tô longe disso, eu faço/crio, nascido e criado ainda que eu tenha saído daqui um tempo, trabalhado em agências e tal sou nascido e criado em Santa Maria no interior do Estado do Rio Grande do Sul. Quando eu postei esse vídeo, imediatamente após algumas pessoas compartilharam e é importante dizer isso porque esse ciclo que eu vou relatar ele acontece exatamente até hoje, algumas pessoas pró transformação compartilharam e algumas pessoas resistentes à transformação, e aqui por favor não entendam como pessoas mais velhas ou tradicionais como uma coisa ruim mas vou dizer com um olhar mais conservador no sentido de “Vamos manter as coisas como estão para nos desacomodar muitas coisas nesse momento”. Comentaram embaixo né, nesse post de Facebook

Henrique de Moraes – Posso fazer uma perguntinha?

Lucas Schuch – Por favor

Henrique de Moraes – Qual era o teor do conteúdo?

Lucas Schuch – O teor do conteúdo eram as respostas que eu tava encontrando na dissertação de mestrado que eram basicamente porque novos modelos de negócio estão surgindo na indústria de publicidade, essa era a razão. E é isso, esses dias eu fiz esse exercício de rolar 3 anos de timeline no Facebook para encontrar esse vídeo e ver quais são os comentários e lá tem donos e imagina assim, eu não tinha qualquer relação com as pessoas, donos das maiores agências do meu estado vindo comentar nesse post, que eu não fazia a menor ideia de quem eram essas pessoas até então, só fiquei sabendo depois pelo nome, fui pesquisar “Quem era essa pessoa e porque tá comentando, ah tá ela só dona da maior agência do estado, por exemplo” e um dos comentários até hoje eu me lembro era assim “Uma boa oratória não significa que é verdade”, aí eu falei assim “Caraca”, foi meu primeiro momento em que eu pensei assim “É fã ou é hater?”, essa pessoa tá me elogiando pela minha oratória e dizendo que eu tô mentindo, essa foi uma parada bem doida assim, foi a primeira vez que eu tive contato com resistências, e eu vi que ali seria uma jornada de resistências, de pessoas que, não é resistência à mudança mas resistência ao conteúdo em si, acho que aquelas pessoas querem, ninguém é tipo assim “Eu quero ficar parado no tempo”, isso não é uma coisa humana né, agora é óbvio que isso vai te trazer medos, inseguranças e aí você vai tentar resistir de alguma forma né, então esse foi o primeiro contato que eu tive com críticas. Ao longo desses três anos, e respondendo à sua pergunta, eu acho que o maior tipo de questionamento que eu recebo é esse que você levantou em algum momento que é, mas essa pessoa não tá dentro da indústria de publicidade de fato. E aí tem um ponto, e ele é legítimo, é genuíno assim, eu optei por olhar de fora como um analista mesmo,e isso me traz vantagens e desvantagens né, a desvantagem é a óbvia, essa de não estar ali presenciando e não conseguir trazer esse olhar do dia a dia, contudo a vantagem é eu também conseguir ser um pouco mais neutro em relação à modelos né, curtir ou não essas coisas aqui e poder falar um pouquinho mais sem amarras, não que elas não existam, elas existem mas conseguir criar conteúdo baseado nas minhas próprias percepções e não por estar um pouco, mais ou menos enviesado por curtir ou não essa pessoa ou por eventualmente essa pessoa pagar meu salário sabe qual é. Então nesse sentido todo eu acho que as maiores críticas são essas de um possível telhado de vidro tá. Só que aí vê, aí tem uma parada importante, isso sumiu depois de um tempo, o meu primeiro ano foi absurdo assim, isso era todos os dias né. Depois de um tempo eu acho que as pessoas estavam meio que num período de teste comigo sabe assim, “Quem é essa pessoa? Porque ela está falando isso?” e eu considreo que foi um período de teste meio massacrante é verdade mas depois de um tempo eu entendi e falei “Tá, essas pessoas estavam querendo saber se isso que eu tava levantando não era só uma parada pelo engajamento, pela modinha, pelo não sei o que sabe” e era uma coisa que eu ia levantar, levar como uma bandeira mesmo sabe então pô eu acho que eu, por mais que tenha sido um período difícil de fato, o que me levou a cair em terapia e não sei o que, foi a forma que as pessoas tinham de também se proteger sabe assim, tipo “Deixa eu ver se eu não vou dar o meu endosso para alguém que tá…” e era um momento muito aquecido do cancelamento e não sei o que, então tinha muito disso. Aí bom, feito todo esse preâmbulo eu acho que essas coisas diminuíram tá, eu só não acho que elas sumiram, eu acho que essa resistência, essa crítica ao meio conteúdo ela só não chega diretamente até mim sabe assim e aí isso tem muito a ver com eu fazer conteúdo e deliberadamente eu fazer conteúdo de nicho, eu tenho uma grande, aí as minhas resistências, eu tenho uma pá de resistência sobre ampliar esse conteúdo, uma galera vem e me fala “Pô, cria conteúdo mais amplo sobre o mercado de trabalho, isso não tem a ver só com a publicidade” e é de fato assim né, a frase que eu mais escuto hoje é “Você tá falando de agência de publicidade mas isso acontece no direito, está acontecendo aqui na minha área da saúde”, mas porque eu tenho essa resistência? Porque eu consigo ter um controle da minha cabeça, quantas pessoas chegam aqui, lêem esse conteúdo e vão traças suas próprias críticas à isso sabe. Quando dá uma hitada no Twitter, imediatamente eu silencio a conversa pra não ver mais assim porque, e aí algumas pessoas vão me chamar de “a geração que não consegue lidar com críticas”, já ouvi muito isso, escutei isso ontem por exemplo de uma grande liderança do mercado e é, de fato é, é uma escolha, é uma escolha em prol da minha cabeça, quando dá uma hinata eu lá e silencio, quando extrapola a indústria de publicidade porque aí eu não tenho mais controle, eu não sei quem são as pessoas e porque essa crítica vem sabe, então é mais ou menos esse percurso que eu tento traçar assim, escolher por continuar nichado, saber o que eu perco com isso na criação de conteúdo, saber que eu diminuo o meu alcance, saber que algumas pessoas que eu poderia ajudar também com esse conteúdo talvez não vão ter acesso neles porque eu dou uma fechada nesse conteúdo e tudo mais. Contudo é também uma preservação para que eu consiga falar mais por mais tempo. Se eu tivesse aberto, “Vamos falar sobre o mundo do trabalho” cara eu nem sei se eu tava falando hoje ainda, provavelmente eu teria desistido no meio do caminho porque eu não teria tido cabeça para tal sabe, então vai meio por aí a minha relação com abrir e fechar, lidar com críticas, quais críticas são essas e eu acho que o mais importante para mim é, eu crio conteúdo para ouvir as críticas que vão vir para esse conteúdo e adaptá-lo. Quando eu perder esse filtro de saber quem está criticando e porque tá acreditando e se essa crítica é verdade, é genuína, já mudei muito meu conteúdo por conta das críticas e pretendo continuar mudando ainda mais sabe, mas o dia que eu perder esse filtro de quem são essas pessoas, eu não sei como é que criadores de conteúdo de lifestyle por exemplo lidam com essa crítica porque você perde um pouco o filtro de quem são essas pessoas que estão te criticando sabe

Henrique de Moraes – Sim. Cara dá pra seguir vários caminhos a partir dessa sua resposta, tentei anotar aqui algumas coisas pra não perder nada. A primeira pergunta eu acho, seria assim entender um pouco como foi para você né, você falou de um ano aí que foi mais difícil né em termos da quantidade e talvez assim até da sua casca né, você ainda tinha que criar ali também um pouco de se preparar para resistir a esse tipo de coisa e aí minha pergunta fica inclusive ao redor disso assim, como que você teve a resiliência para seguir mesmo com essa pá de crítica acontecendo né, como é que foi isso pra você?

Lucas Schuch – Então assim, nesse sentido acho que a minha dificuldade em ver como resiliência tem mais a ver com privilégios que eu tive de poder pausar no momento que eu queria, e aí como eu tava falando, nos dois primeiros anos isso não deu dinheiro nenhum, hoje a criação de conteúdo ela paga só a edição por exemplo, só o dinheiro de, a maioria das vezes eu tento editar para diminuir custos mas tem vezes que a vida fica louca, o doutorado fica louco e não sei o que e eu terceirizo a edição. Cara, não paga o meu trabalho por exemplo e dou de bom grado pela causa, por poder falar sobre esses assuntos, por saber que ajuda outras pessoas mas ao mesmo tempo tipo assim cara não dá a grana, o dia que isso virar trampo principal eu não sei se por exemplo eu não vou pausar o projeto para ganhar mais dinheiro porque essa bolsa de doutorado ela termina, termina o doutorado acabou, o que eu viro depois? Isso tem consumido tempo demais na minha terapia, tempo demais tipo assim sei lá meses, eu falo disso né com o final de um ciclo, o que vira minha criação de conteúdo depois disso, saca? Eu continuo criando conteúdo se eu precisar criar para clientes depois? Porque eventualmente eu vou trampar para outro e cara vai me consumir tempo demais a ponto de eu não conseguir pausar. Aqueles clientes lá que botam a comida na mesa e que não sei o que, para eu criar, para eu continuar com este “hobby” para ajudar outras pessoas, sacou?

Henrique de Moraes – Tá, mais uma vez muitas perguntas aqui que vão surgindo, interessante essa questão né assim porque eu consigo ver inclusive, você falou muito do seu ponto, da sua perspectiva né de como você se sentiria por exemplo se você tivesse pegando o dinheiro das agências, tenham sido as primeiras pessoas a te oferecer alguma coisa certo, você falou da sua perspectiva mas eu vejo acho que do outro lado também, tem uma coisa da pessoa que tá lá passando por todos os problemas que você tá listando, talvez dentro daquele mesmo ambiente que tá patrocinando seu podcast e fala assim “Pô calma aí, essa galera aqui que tem todos esses problemas que tá pagando o que eu tô fazendo?” e pode isso, poderia né, eu imagino que não porque você tem uma capacidade eu acho de separar muito bem as coisas mas poderia de certa forma também causar uma crítica e as pessoas de repente tentarem invalidar de alguma forma também né, aí audiência e não os que tão sendo criticados. E uma outra coisa que você falou que achei interessante é que, eu queria inclusive entender como é que você chegou nesse olhar assim porque eu imagino que tenha sido inclusive na terapia que é de você conseguir enxergar esse primeiro ano que foi um ano difícil né como um ano importante e um ano de validação quase né assim, das pessoas que te criticavam porque assim, eu acho que a reação mais esperada talvez da pessoa que tivesse passando pela mesma situação que você seria falar assim “Cara esses caras aqui, foda-se”, não falta de palavra melhor, mais adequada tipo “Foda-se esses malucos falando mal de mim, tem a maior galera que tá curtindo o conteúdo que eu tô fazendo sabe, se identificando então assim, é um monte de gente que eu não vou nem me preocupar sabe com o que eles estão falando” você não, você ainda conseguiu inserir essa crítica como uma coisa positiva sabe, uma coisa com um olhar positivo, vamos colocar assim, de enxergar muito provavelmente uma coisa que só conseguiu fazer depois né porque você precisa passar por todas as etapas, no meio você não consegue enxergar ali o que tá acontecendo né mas foi uma coisa que eu fiquei impressionado assim sinceramente, de ouvir assim, de ter conseguido chegar nessa conclusão. Como é que foi isso, foi terapia?

Lucas Schuch – Cara então, sabe o que é doido nisso é que tipo assim, certamente foi depois de passar por esse um ano, não vou me pregar aqui como o grande evoluído, “Ai que legal foi ótimo, foi um momento de aprendizado” não cara, ficava puto, xingava sozinho num canto, falava assim “Pô cara…”, uma coisa que eu tentava fazer muito era me colocar nesse lugar de tipo assim, de recebedor das críticas de uma forma um pouco mais neutra que é como eu lido com os criadores de conteúdo que eu sigo sabe assim, e eventualmente eu também direcionei críticas para essas pessoas e foram críticas genuínas assim, críticas de coisas que eu tava sentindo então eu tentava tirar um pouco do peso que é você ser o mensageiro de algo sacou, tem esse argumento ad hominem né que é o nome que a gente dá para tipo assim quando as pessoas atacam o mensageiro e não o que está sendo dito. Eu eu sempre me associei muito ao conteúdo que o Startup da Real criava, me espelhei muito né só que ele escolheu não mostrar a cara justamente para dizer assim “Eu não quero que as pessoas, eu faço um conteúdo e as pessoas olhem e digam “É mas ele não tá dentro de startups” e vasculhar a vida dele, “É mas ele tal e tal coisa”, e não tô querendo me comparar em nível de alcance porque ele é absurdamente maior que eu mas é um bom amigo que eu troquei ideia e falei assim “Pô cara como é que você faz tal”, e aí, e troquei ideia no podcast sem saber quem ele era na época, não fazia ideia de quem era a pessoa mas ele fez essa escolha e eu já não tinha mais esssa escolha, já tinha mostrado a cara, já tinha dado a cara pra bater então a minha, muito mal me comparando com ele, eu entendia que várias das críticas que vinham, vinham pra minha pessoa por conta dessa falácia do argumento ad hominem, essa pessoa ela não estava criticando a mensagem, ela tava jogando para mim porque talvez em algum processo de terapia que essa pessoa não fez, ela não conseguiu entender que aquilo ali que eu tava levantando era um problema do modelo de negócio dela, do trampo dela, do que ela tinha que mudar sacou? Então só para não parecer que eu também lidei muito bem com isso, cara lidei mal, chorei, fiquei sozinho num canto e não sei o que, tem alguns mecanismos de trollzinhos da internet que esses sim eu lido bem, o @ com uma foto de anime no perfil que vem encher meu saco, bloqueio e vai achar o que fazer. Agora aquela pessoa que é uma liderança do mercado em que eu acreditava e não sei o que e se dói, e aí vem criticar e aí move céus e terra para transformar você no no anticristo assim porque você tá falando um ponto que você acha que deveriam mudar de forma geral, pô bicho aí você tá colocando em mim um processo de terapia que você não fez, isso me machuca

Henrique de Moraes – Posso te pedir assim, lógico não sei o quanto você fica confortável para abrir ou não esses “causos” mas você pode exemplificar assim um, de repente se nomear

Lucas Schuch – Posso, aí que tá, se você olhar o episódio 1 do podcast e sei lá acho que o primeiro destaque do meu instagram é isso assim, nunca os problemas vão ter nomes pessoais ali, eu nunca vou falar que agência x faz isso, pessoa x fez isso enquanto liderança ou enquanto pessoa da força de trabalho ou não sei o que, nunca vai ter um nome porque eu nunca acreditei que apontar nomes vai fazer resolver o problema do mercado como um todo e também por que esse problema ele é generalizado, esses problemas todos eles não são de uma ou outra empresa né eles acontecem em todos os lugares. Mas uma crítica que geralmente aparece né e eu escuto isso muito a nível local e muito a nível nacional também, mercados mais regionais me falam muito isso e mercados nacionais também falam isso que é a crítica sobre eu pintar a força de trabalho como santa e as lideranças como demoníacas tá e qual é o ponto aqui em que eu primeiro, eu entendo isso, eu entendo essa crítica e eu não acho que ela seja mentirosa, eu acho que ela é verdadeira. O ponto é, essas críticas elas vem no ponto de dizer que eu estou fazendo, eu estou demonizando as lideranças quando na verdade eu vou lá e eu apresento dados sobre pensadores, sociólogos, filósofos que falam sobre relações de poder no mercado de trabalho, que não é uma coisa tirada da minha cabeça ou desejos que eu tenho. E a segunda coisa é que é uma escolha editorial da criação de conteúdo. Quando eu comecei eu entendi que as lideranças tem muita voz no meio e mensagem, são sempre elas que falam. O meu conteúdo é para dar o olhar da força de trabalho, de quem tá na base da pirâmide trabalhista e que na maioria das vezes nessa indústria não são consultadas nesses, não tem a sua opinião ouvida, tô longe aqui de dizer que eu quero dar voz para alguém né mas em algum momento usar desse alcance para emitir as opiniões que essas pessoas não podem e aí é óbvio, se a gente tá falando de relação de poder é óbvio que uma pessoa líder vai achar que eu as demonizo. Direto eu ouço sobre agências locais aqui da minha cidade, do meu estado dizendo assim “Mas você não pode nos pregar as lideranças como pessoas más, maquiavélicas” e minha resposta naturalmente sempre é “Não se machuque nesse nível porque não é sobre você” e é a resposta mais, parece uma fala muito egoísta assim né mas é a resposta mais genuína que eu tenho para dar que não usa essa carapuça se a gente tá falando de um mercado menor, uma agência independente porque eu sei os desafios que também é gerir essas pessoas mas eu tô falando de grandes corporações que usam dessa forma, dessa liderança arbitrária, autoritária de outros tempos e eu falo do ponto de vista da força de trabalho sim. É uma escolha editorial uma vez que as lideranças, o “outro lado” tem mais voz o tempo todo, percebe? Então vê, essa crítica é uma delas que eu consegui, e aí respondendo a sua pergunta inicial, abstrair falar assim “Beleza, essa crítica ela não é para mim, ela tá atingindo ao mensageiro porque em algum ponto essa pessoa entendeu que ela também precisa transformar” e a primeira reação vai ser você atingir o mensageiro ao invés da mensagem.

Henrique de Moraes – Hoje em dia especialmente né, o clássico

Lucas Schuch – É cara então assim, eu vou dizer que essa talvez seja a crítica que mais me dói porque elas vem de lideranças que teriam realmente força de transformação né, e aí essa reação de resistência, pô cara desculpa assim, você lendo 10 páginas de Foucault você descobre que esse movimento de relações de poderes vão existir sempre em qualquer trabalho, você lidar de uma forma mais humana com elas é a melhor forma de você resolver né. Dito isso, resistir não acho que seja, mas beleza só chegando num ponto final aqui que é, eu aceito de bom grado ser esse saco de pancada se na contramão eu recebo majoritariamente mensagens legais da força de trabalho falando assim “Eu achei que eu tava maluco sozinho”, essa é a mensagem que eu mais recebo, direto assim, mensagem positiva que eu mais recebo é essa “Eu achei que eu tava maluco sozinho”, “Pô continua aí porque você tá falando de coisas que a gente não podia falar porque a gente achava que éramos pessoas únicas” então eu aceito de bom grado ser esse saco de pancada aí enquanto mensageiro dessa mensagem se outras pessoas que estão na força de trabalho não se viam reconhecidas e não tinham espaço para que as opiniões fossem ouvidas sabe assim?

Henrique de Moraes – É engraçado isso porque eu não sei como como foi para você mas essa semana você sabe, você tá acompanhando aí eu comecei a falar sobre algumas coisas, me propus um desafio maluco que eu enfim

Lucas Schuch – Maravilhoso, continue

Henrique de Moraes – E quando eu começo a falar sobre a verdade, a minha verdade né por trás do que eu tô fazendo e mostrar um pouco dos bastidores ali né do que eu faço, que não é tão bonitinho, tão romântico como a maioria das pessoas vende né pra gente, eu recebo muita mensagem, tenho recebido muitas mensagens, inclusive é uma coisa que eu queria falar e agradecer assim, das pessoas “Cara obrigado por estar fazendo isso”, “Sempre achei que eu tava errado”, “Saber que outra pessoa passa por isso também é ótimo” enfim, mensagens que são muito maneiras de receber, são muito legais mas ao mesmo tempo, pelo menos pra mim tá é muito difícil ainda fazer isso porque você mal ou bem constrói uma identidade né ao longo da sua vida e a sua identidade ela é pautada basicamente nas pessoas que você tem como referência, no seu círculo social, esse tipo de coisa né então assim, você vai muito pro “Eu quero me tornar esse tipo de pessoa, quero permear esse universo aqui” então você vai olhar para seus pares e vai de certa forma replicar muitos comportamentos né e a partir do momento que eu começo a deixar de replicar esses comportamentos, primeiro eu sei que eu vou frustrar um monte de gente e isso para mim tem sido bem difícil, eu tenho visto pessoas deixando de me seguir embora eu não fique acompanhando ali, não tenho nada, nenhum aplicativo pra saber mas eu sei de pessoas que sempre viram meus stories e que pararam de ver por exemplo, isso é fácil e enfim, você vai desapontar algumas pessoas que de repente você construiu imagens que elas não estavam esperando que você fosse destruir agora né sua própria imagem pessoal de certa forma, destruir que eu digo, quebrar com aquela imagem do padrão né e isso para mim assim tem um custo muito alto de desconstrução que tem pesado e tem um outro ponto, que aí é onde eu ia entrar, que é também assim mas também quando você recebe uma validação de certa forma aquilo começa a fazer uma nova construção

Lucas Schuch – Total

Henrique de Moraes – E eu até li uma matéria, falei sobre isso no episódio com a Greta, li um texto que infelizmente perdi e não consegui achar depois de novo que falava sobre o quanto para os criadores de conteúdo tem sido um desafio você se manter fiel a quem você é sendo tão validado nas redes sociais, vamos colocar assim. Então tem um caso de um criador de conteúdo que começou fazendo conteúdo de veganismo e não deu certo e ele começou a fazer uns testes no YouTube e de repente ele começou a fazer desafios de comer muita coisa e enfim, hoje em dia ele tá super obeso, com a saúde completamente debilitada e ele foi só reagindo ali né tipo, vendo que aquilo tava dando resultado para ele e ele foi moldando, foi mudando sua própria imagem pelos olhos das pessoas que estavam seguindo ele e pelas validações que ele tava recebendo. Como você lida com isso tá assim, acho que no âmbito mais genérico uma pergunta seria essa e depois, se você puder descer um pouco mais pra como que essas reações de fato, e você falou sobre isso uma hora, você falou que você vai adaptando de acordo com as críticas que você vai recebendo, você vai mudando, como é que você lida com essa mudança e os conteúdos que ficaram para trás que talvez hoje em dia já não façam mais tanto sentido ou que você já viu que por exemplo, seguindo as críticas que você recebeu talvez aquele conteúdo ali sei lá, ficou ultrapassado ou de repente até fala uma coisa que não acredita mais, por exemplo

Lucas Schuch – No primeiro ano, no meu primeiro ano inteiro de criação de conteúdo eu tinha aplicativo instalado para saber quem deixou de me seguir e via isso diariamente assim. Eu não chegava a ficar chateado com as pessoas que deixavam de me seguir mas eu certamente ficava chateado comigo mesmo pensando assim “Então onde foi que eu errei para essa pessoa deixar de me seguir?”, sem me dar conta, na época e também isso não é um, acho que não deve ser um peso grande demais para pessoas que criam conteúdo ou sei lá o que porque eram aquelas ferramentas que você tinha para emocionalmente lidar com aquilo naquele momento, não seria diferente sabe assim, tem uma parada que eu tenho repetido muito essa semana, não sei porque isso tá voltando assim nas conversas mas eu falo muito que a minha, falei isso na terapia, a minha companheira e o pai dela, meu sogro eles tem uma parada, um jeito de viver a vida que eu, uma pessoa ansiosa não consigo ter né que é assim, e isso não tá ligado nada a ver com “Tava escrito”, nada espiritualizado nesse sentido, ainda que seria esse tipo de pessoa mas aqui não tem a ver que é assim ó, eles levam a vida de um jeito assim, cara não seria diferente, você não ia mudar em uma semana, duas semanasnsuas ferramentas emocionais, você não ia mudar aquela forma de reagir então isso não quer dizer que você não deva se esforçar ou tentar se transformar ou nada disso mas você ia passar por aquela situação do jeito que você passou, isso é um jeito de não se cobrar muito de tipo assim, eu não teria feito nada de muito diferente naquele momento, com aquelas ferramentas emocionais que eu tinha. Dito isso, eu tento não me cobrar muito pela forma como eu lidei com as coisas no passado, isso é uma coisa né mas a segunda coisa, e aí uma parada importante que você perguntou que é como você lida com esses conteúdos que talvez eu já não acredite mais, numa das minhas palestras eu conto um dos casos que teve um post lá em 2019 que eu falava sobre o post que dá voz né, esse é o causo, tem um post lá que eu dizia, quando eu tava tentando entender esse processo que eu tava fazendo de criar conteúdo, eu dizia que eu tava tentando me valer desse momento de privilégio, de não precisar da grana das agências para dar voz às pessoas que não tinham voz no mercado, esse post continua lá mas ele é um post, hoje eu vejo um post bem prepotente e errado né que é, eu não dou voz para ninguém, essas pessoas tinham voz, elas não eram ouvidas por pessoas como eu  inclusive, dito isso eu não vou apagar esse post, esse post é parte de quem eu era lá, tem uma pá de episódios no podcast, de pessoas que foram convidadas que talvez eu não concorde mais com a sua visão pro mundo, e ele segue lá, naquele momento eu concordava. Eu tenho um pouquinho de bode dessa visão de “Precisamos fazer conteúdos atemporais” ou “não datados”, pra mim é importante que eles sejam datados porque eles mostram a forma que a gente pensava 3 anos atrás, hoje eu não concordo com uma pá de coisas que eu defendi no podcast há 3 anos atrás só que como registro histórico é muito importante que eu veja de onde eu tava, qual era o meu pensamento 3 anos atrás, para onde eu tô indo né. Obviamente aqui se a gente estiver falando de processos que se tornaram crime, aí eu tiraria ou coisas que viraram abusos, eu tiraria obviamente mas aqui eu tô falando de eu pensava que, eu era radicalmente contra premiações no começo de criação de conteúdo, hoje eu sou radicalmente contra algumas premiações, algumas outras eu as celebro porque eu entendi que é um processo de celebração e essas pessoas estão precarizadas no seu trabalho e também precisam de celebração, então algumas eu entendi. Esses que eu critiquei seguem lá bicho, porque era como eu pensava naquele momento, eu acho que e aí tem um pouco a ver com não só o processo meu terapêutico de me entender como pessoa que tá evoluindo suas opiniões ou mudando suas opiniões melhor dizendo, pô é um processo histórico de como a gente pensava, pô eu falo sobre mudanças cara, eu preciso ter um registro datado de como a gente tava antes pra gente ver que a gente tá mudando senão você perde essa referência histórica, a gente precisa do registro do que aconteceu para ver que as mudanças estão acontecendo pô então assim pô, eu sou um grande defensor de conteúdos datados e acho legal voltar 2 anos atrás, me ouvir falar “Porra eu pensava desse jeito, que coisa maluca ainda bem que mudei” sabe assim.

Henrique de Moraes – Sim, eu acho que pensar desse jeito e eu encaro dessa forma também inclusive mas assim, acho que meu receio talvez e assim eu não tenho nada para ter receio, basicamente não tenho audiência pelo menos em rede social

Lucas Schuch – Pô cara mas vou te dizer, esse é o melhor momento cara, puta que pariu. E assim não é, porque assim você tá falando de não ter audiência porque você acha que é pequeno mas assim, essa pequena audiência é a sua amostra mais fiel cara tipo assim, as pessoas que não deixaram, você falou que algumas deixaram de te seguir, essas pessoas que não deixaram de te seguir elas vão estar lá quando você tiver 20, 30 mil pessoas te ouvindo e elas vão continuar lá sacou, elas vão acompanhar todo o seu processo de transformação sabe assim, esse é o momento mais puro da geração de conteúdo. Tem uma parada que eu falo muito que é, eu adoro acompanhar processo da criação de novos criadores de conteúdo se colocando assim né, tipo assim esse processo de começo, de descoberta de audiência, de qual é o meu tom aqui, pô cara isso é riquíssimo assim, acho provavelmente o momento mais, esse é o momento em que você mais influencia pessoas. Depois de um tempo eu acho que você começa, as pessoas começam a colocar na balança o ceticismo ao criador de conteúdo que é tipo assim, “Essa pessoa tá querendo me vender alguma coisa?”, “Daqui a pouco ela vai me oferecer um e-book, um curso”, nesse começo é o momento que as pessoas tão com os ouvidos puros para te ouvir como se você fosse, ia falar uma babaquice aqui, ia fala “uma pessoa normal” mas assim, como se você não tivesse com a carapuça de criador de conteúdo olhando para números sabe assim, esse é o momento em que você sei lá, momento mais puro que você tem de, as pessoas estão com os ouvidos completamente limpos para te escutar, sem qualquer viés sobre o que você vai falar depois, queria eu poder estar nessa posição de novo. Já pensei várias vezes em criar um @ novo, criar um negócio para zerar essa percepção sobre mim, o que já não vai mais acontecer, as pessoas já vão saber que eu sou aquele cara daquele outro jeito e não sei o que, que já fez tal coisa e que não sei o quê, pô esse comecinho é riquíssimo cara.

Henrique de Moraes – Eu acho que assim, o ponto que eu ia levantar é que às vezes, dependendo do impacto que você queria as pessoas não esquecem e acho que aí se torna problemático essa questão da evolução. Eu lembro que acabei acompanhando isso de perto de certa forma que foi a mudança de posicionamento do Felipe Neto, que é uma pessoa que eu nunca acompanhei na verdade mas como a gente trabalha com Greg News, o Greg News tinha um conteúdo ali que criticava muito o Felipe Neto, depois ele até fez uma retratação, não uma retratação, fez um conteúdo “Olha ele evoluiu, ele mudou, ele é outra pessoa e hoje em dia eu acho que o conteúdo é legal” mas que é raro as pessoas fazerem, normalmente as pessoas vão olhar pro que você fez lá atrás e vão ainda atrelar você àquele seu momento né porque tá ali, tá registrado e assim, as pessoas que estão fora de contexto elas vão receber aquilo ali e vão ver, vão colocar aquilo ali como, vão marcar aquilo ali como sua identidade, vão criar uma, é como se fosse uma criação de marca né então assim, elas vão associar aquilo ali ao que você diz enfim, vai ficar e você mudar isso às vezes é muito difícil né

Lucas Schuch – Total

Henrique de Moraes – Mas não queria me aprofundar muito nisso porque eu acho que tem outros assuntos que são mais interessantes. Vou fazer uma pergunta aqui meio genérica mas que acho que pode levar para caminhos legais, hoje já que você falou assim dos aprendizados e de tudo que você passou, hoje o que tira seu sono em relação à criação de conteúdo?

Lucas Schuch – Cara, excelente pergunta. Cara eu acho que pô é um medo bem bobo assim mas vamos lá, eu acho que já tirou muito o se isso vai dar grana no futuro, tem uma segunda coisa, eu vou botar três coisas então isso do já tirou né mas sinceramente isso ainda tira meu sono às vezes tá, como eu vou fazer para isso virar algo rentável porque em algum momento ele vai ter que virar e se não virar eu vou ter que achar um outro trabalho e aí meu medo é que isso suma já que vou estar num trabalho de tempo integral, então isso sim é uma questão porque obviamente os apoios que eu recebo ali não paga, não sobra pras contas do dia a dia, só paga o trampo do próprio projeto, só pra reinvestir no próprio projeto, pagar microfone, pagar não sei o que e tal. A segunda coisa que me tira o sono é o que eu vou fazer para não me repetir nos conteúdos. Então assim, eu não sei o que vai acontecer na quinta temporada do ano que vem do podcast, não faço a mais remota ideia, tô numa dificuldade gigante pra encerrar essa temporada assim porque, isso é uma grande, isso sim é uma gigante de uma bobagem assim porque os conteúdos não se, não se esgostam né, eu poderia começar a falar sobre os mesmos temas do começo e vai ter uma, gente nova chegando e outro que os assuntos não foram totalmente esgotados né, só que eu tenho essa pira e esse é mais um defeito do que uma qualidade assim mas essa pira de achar que dizer o óbvio, dizer o que já foi dito é ruim sabe e isso é muito nocivo assim né então esse assim certamente é a parada que mais tá tirando meu sono hoje assim, das pessoas olharem pra isso e me acharem óbvio na criação de conteúdo né e aí então vê, eu tenho uma dificuldade em mudar, quem diria mas assim, eu sou uma pessoa muito que tende à estabilidade assim, eu quero a, eu busco a rotina sabe assim, e aí cara então assim minha criação de conteúdo é, você falou lá no começo que é uma conta com muito engajamento por exemplo, de fato o engajamento da minha conta se eu boto naquelas calculadoras de taxa de engajamento é 19%

Henrique de Moraes – Altíssima

Lucas Schuch – É, absurdo assim só que qual é a roubada no jogo disso, taxa de engajamento é calculada em cima dos seus últimos não sei quantos posts né só que eu só faço um post por semana cara, é óbvio que essa taxa vai estar alta, não vou tirar meu mérito e me colocar abaixo aqui, não vou me desmerecer mas pô eu crio um conteúdo legal que as pessoas acham bacana só que se eu tivesse que preencher por aquilo que eu falei de preencher esse conteúdo com mais coisas porque eu preciso vender um curso ou que eu preciso não sei o que porque eu preciso ter mais entrega para o algoritmo, eu ia encher de outras coisas não tão potentes quanto um post por semana que eu tenho tempo de pensar, refletir sobre ele, fazer aquele beta test ali nos amigos próximos que ajudam o projeto, a ver o que a galera acha. Se eu tivesse que fazer isso não ia ter esse tempo e aí minha taxa de engajamento ia lá para baixo sabe assim então só que, aí nessa pira eu fico nisso de tipo assim, já faz dois anos que eu faço um post por semana soltando uma frase e eu me sinto péssimo por isso porque tipo assim, eu acho que faz dois anos que eu só faço um post por semana, um card.

Henrique de Moraes – Tá, deixa eu tentar mergulhar um pouco mais nisso, primeiro só para dar o meu ponto de vista, você faz muita coisa nos stories que dá trabalho, as pessoas acham que fazer stories é ligar a câmera e só o tempo que demorou para fazer os stories, não, é mentira, tem o tempo de entender o que fazer, porque você tá fazendo aquilo enfim tem tudo isso. Mas o que eu percebo assim né conversando com você especialmente, e me corrige se for uma interpretação errada, é que você é uma pessoa muito boa em uma coisa que eu sou muito ruim, que é colocar, impor ali vamos colocar assim, restrições sabe tipo assim, como você falou no início né do conteúdo ser deliberadamente nichado então você tem uma capacidade de se manter fiel à isso que eu sei que eu não tenho, eu sou uma pessoa que por exemplo, eu tento colocar restrições porque eu acho que restrições são importantes, acho que as pessoas que falam que querem liberdade elas não sabem o que elas estão falando

Lucas Schuch – Não, tá maluco

Henrique de Moraes – Aprisiona você

Lucas Schuch – Total

Henrique de Moraes – O paradoxo da escolha, uma das dores maiores que existem e eu tenho muita dificuldade com isso exatamente, eu sempre quero fazer muitas coisas ao mesmo tempo, estar em muitos lugares ao mesmo tempo e isso acaba diluindo minha energia o que acaba sendo problemático né então em vez de colocar todo meu esforço aqui em uma coisa, o livro “Essencialismo” tem um gráfico inclusive que eu acho ótimo né que é tipo um círculo e outro círculo de energia, você colocando sua energia toda num lugar só e aquela seta enorme e outra com um monte de setinha pequenininha que se você pegar e dividir aquela seta enorme com várias setas pequenininhas na verdade é o mesmo tamanho, só está diluído ali entre vários esforços e eu sempre achei por exemplo, e aí por isso que eu achei interessante você ter falado isso, que essa escolha inclusive fosse super deliberada e você estivesse super tranquilo com ela

Lucas Schuch – Cara pô é que aí que tá, você falando assim agora tô me sentindo até mal mas é isso aí mesmo

Henrique de Moraes – Desculpa

Lucas Schuch – Não mas eu digo me pensando mal porque é isso aí, se meu psicólogo estivesse aqui ele ia dizer isso, que as pessoas me lêem de uma forma ótima e eu vejo aquilo como defeito na real e não como qualidade mas aí você colocando dessa forma de tipo foi uma escolha, de fato no começo foi tipo assim, de novo o episódio 1 do meu podcast é um episódio horrível assim, é uma pessoa incrível que tá lá convidada mas é gravado, foi gravado com dois travesseiros em volta do microfone, não tinha câmera porque a minha internet era ruim, uma zoeira mas é um episódio que é muito importante porque lá tem delimitações que eu sigo até hoje então tipo assim, no episódio 1 eu falo “Esse podcast não é para te dar mais ansiedade, então ele vai ser quinzenal e não semanal”, são coisas que estão três anos e eles continuam sendo verdades assim. Quando eu botei um post por semana, antes ele era de 15 em 15 dias, também era quinzenal as postagens e em algum momento eu falei “Bom, então vamos fazer semanal” mas ainda assim é muito pouco perto de uma criação de conteúdo das indicadas por gurus aí né então de fato, quando você fala isso eu fico pensando que eu acabei de escrever como um defeito uma coisa que as pessoas, e aí você falando foi me desbloqueando memórias de pessoas chegando em mim e falando assim “Cara você faz muita coisa” e eu falo “Caraca eu acho que eu estou fazendo pouco ainda” então me soma assim, de fato tentando me redizer, eu acho que tô com você do que comigo na real.

Henrique de Moraes – Tem um detalhe assim que inclusive eu acho que pra qualquer pessoa que trabalha com criação de conteúdo, especialmente, acho que nem especialmente, acho que qualquer um assim que vê o engajamento que você tem tendo esse posicionamento sabe, dentro de uma realidade em que se impõe via algoritmos e pelos gurus né como você falou, que é uma frequência sempre muito alta, sempre isso que é colocado, eu acho que é um refresco saber que você tem esse engajamento adotando esse posicionamento né, essa frequência de um post por semana e assim, eu te acompanho você sabe disso, tô sempre interagindo

Lucas Schuch – Muito obrigado inclusive

Henrique de Moraes – Pra mim nunca foi insuficiente, pelo contrário assim acho que é tão, acho que você coloca tanto esforço em cada uma das coisas que você faz que aquilo ressoa por mais tempo do que talvez se você diluísse muito sabe tipo, se tivesse muitas publicações ou muito conteúdo ou muita coisa fazendo mas que não tivesse muita importância, se fosse só pra fazer, só pra tapar buraco então eu acho ótimo e inclusive me dá sempre uma dose de esperança assim do tipo “Beleza cara, acho que dá para fazer menos conteúdo e ainda assim ter uma relevância”

Lucas Schuch – Que bom, tô todo arrepiado aqui. Você sabe que por exemplo, o Picpay, o APOIA.se lá para cobrir os cursos de edição, de equipamentos eu demorei, ele só foi existir na metade do segundo ano, um ano e meio eu fiquei sem querer receber apoio nenhum justamente por conta disso aí que você falou, que foi não achar o que eu fazia suficiente então eu via todos os criadores de conteúdo falando assim “Aqui tá o meu conteúdo de graça, se você quiser apoiar e não sei o que você vai receber uma newsletter”, eu falava assim “Eu não dou conta de fazer uma newsletter, eu não posso abrir apoio porque essas pessoas vão apoiar e no primeiro mês seguinte que elas vão ver que estão pagando por algo que todo mundo tem de graça, vão cancelar esse apoio ou vão me pedir o dinheiro de volta” e o problema não era nem devolver o dinheiro se fosse o caso, era o meu medo de frustrar essas pessoas, tinha muito esse receio. E aí quando você fala, e é por isso que eu falei que tô todo arrepiado mesmo porque além de eu me ler como insuficiente eu também não conseguia entender que alguém podia chegar e falar assim “Cara toma aqui R$ 5 no mês para ajudar esse trampo que você já fez”. Teve uma vez que um bom amigo do podcast e um dos apoiadores mais frequentes assim, ele chegou e me deu um dinheiro assim no PIX mais alto do que qualquer outra pessoa poderia dar e eu falei assim “Não cara espera aí, não dá para aceitar esse valor assim” e aí ele falou assim “Não cara, acho que você não tá entendendo, eu não estou te dando pelo que você vai fazer daqui para frente, não é uma aposta, é um pagamento pelo que você já fez” e eu falei “Puta que pariu, é isso assim” eu não preciso ver as pessoas que dão um dinheirinho como pessoas que estão apostando num potencial do que eu irei fazer mas sim tipo uma gratidão por em algum momento o que eu fiz ter ajudado elas a transformar alguma coisa nas suas rotinas aí eu falei “Então tá”, cara aquilo ali foi tipo assim, tô todo arrepiado mesmo só de poder lembrar disso porque aquilo ali foi transformador pra mim de tipo assim, se alguém chegou e disse assim “Pô a partir de agora vou ajudar em quanto tempo eu puder com o valorzinho que eu puder”, pô cara R$ 1 que a pessoa tirou do cafezinho dela para me dar é uma parada de dizer assim “Pô em algum momento essa pessoa já me ajudou”, isso é absurdo, é impensável para mim, eu não consigo entender ainda hoje as pessoas olhando e falando “Vou deixar de tomar dois cafés pra dar pro Lucas”, não cara, toma dois cafés, isso me enlouquece assim mas em algum momento precisou pra fechar as contas e tal e hoje de bom grado eu olho assim e falo “Pô cara que bom que eu dei esse passo” porque a sensação de me sentir insuficiente ela é tentadora, como você pode acabar de ver eu me descrevendo né.

Henrique de Moraes – Eu tô 100% aí, sou time essa pessoa, seja quem for porque o meu sentimento com seu conteúdo também, e eu acho que já te falei isso, é esse exatamente, é do tipo cara eu apoio lá e eu falo assim “É muito pouco” sabe tipo assim

Lucas Schuch – Tá maluco

Henrique de Moraes – Você tinha que ter uma versão premium, e sem mais coisas, não precisa prometer nada, eu acho que é isso tipo assim, as pessoas que podem pagar elas vão pagar e se não tiver ninguém pagando beleza, vai estar lá, não vai ter feito a menor diferença, você vai continuar com seus apoiadores de R$ 10, R$ 15 e vai ter uma pessoa pagando mais e é isso assim, quando eu consigo também eu vou lá no Schuchpix, acho que é esse o nome que você dá

Lucas Schuch – Pode crer, é isso aí

Henrique de Moraes – E é exatamente isso, eu acho e aí do fundo do coração aqui, que o que você faz faz cara é de utilidade pública assim sabe e faz muita diferença para mim e assim de, cara de me quebrar às vezes sinceramente, de falar assim “Puta que pariu cara, tinha uma penca de problema e ainda Lucas me vem com essa merda, puta que pariu, mais um problema que eu não sabia que eu tinha”

Lucas Schuch – Eu sei bem qual é esse sentimento

Henrique de Moraes – Mas é importante, a gente vai falar “Beleza vamos colocar aqui”, a gente agora lá na agência tenta priorizar, “Tem esses problemas aqui para resolver gente, o que é prioridade pra vocês?”, “Eu te garanto que a gente não vai conseguir resolver tudo junto então assim, o que é prioridade pra vocês?”, “Esses aqui são os que a gente consegue, o que é prioridade pra vocês?”

Lucas Schuch – É isso aí, primeiro deixa eu agradecer porque realmente eu fico honrado e essa ajuda de você e de todas as pessoas que estão lá apoiando o podcast são fundamentais para ele continuar existindo e além disso só outra parada que você chega aí e que é mega importante que é, eu falo isso não só em palestras mas acho que já devo ter falado algumas vezes no podcast que é, a gente chegou num momento de escolher as batalhas que a gente vai precisar brigar para continuar brigando sabe assim, uma coisa que eu falo numa palestra lá sobre esses modelos de transformação, esses novos modelos de negócio em propaganda é que quando você descobrir que você resolveu, isso você vai levar anos pra resolver mas resolver o problema de gênero, você tem mulheres em cargos de liderança, você vai descobrir que você não furou a bolha de raça, quando você descobrir a de raça você vai descobrir que você não furou a de classe, você tá com as pessoas da mesma classe social, você vai descobrir a de localidade, depois você vai descobrir a de idade né, e como você falou, você não vai resolver todas elas ao mesmo tempo né mas algumas prioridades você vai dar para que essa movimentação seja mais fluida sabe assim, que seja mais rápidos você mudar isso. E eu falo isso para modelos de negócio mas eu falo isso também pra sua criação de conteúdo aí que você tá começando, cara eu vejo ali que você tem, não tô aqui no papel de seu terapeuta, seu alista, espero você tenha um inclusive, você já me falou que tem inclusive mas o ponto não é resolver todas as suas questões com criação de conteúdo, com sei lá com a sua vida, com seu trabalho e tal de uma forma rápida. Eu acho, e falo isso muito na terapia também, as vezes que eu tentei acelerar processos foi onde deu mais merda assim, foi onde eu meti os pés pelas mãos, foi onde eu magoei pessoas sabe, foi quando eu atrapalhei processos e fiz eles de forma rasa, e aí isso vale pra se você tem que mudar uma coisa na sua agência, se você tem que mudar alguma coisa no seu conteúdo assim, se todas as críticas que eu recebi no processo de criar conteúdo, pô e foram várias cara, se eu tivesse tentado resolver elas todas imediatamente muito provavelmente eu teria resolvido elas de forma superficial e isso não é o ponto né. Eu me lembro de um bom amigo, vou contar um causo, no episódio 6 do podcast, isso sei lá eu tava há 2 meses fazendo o podcast, um bom amigo chamado Ken Fujioka, ele chegou no meu WhatsApp e falou “Deixa eu entender aqui um negocinho que você falou, você acha que tal coisa” e eu falei “Pô cara eu acho que tal coisa” e ele “Não mas peraí, olha isso aqui isso aqui e isso aqui” e eu falei “Hmm, tá”. Ali eu imediatamente assim eu falei tipo “Não pera aí, deixa eu fazer uma retratação, deixa eu fazer uma nota, deixa eu fazer não sei o que” e lembro de falar assim para ele “Ken a gente ainda é amigo e não sei o que?”, e ele falou “Não cara calma, a gente é amigo, você cometeu um erro aqui, eu te corrigi e boa”. Muito tempo depois eu vim a entender que eu tinha um ponto de vista né, outras pessoas concordavam com esse ponto de vista, pessoas terceiras concordavam com o ponto de vista do Ken e a gente só foi uma discordância. Em algum momento eu tentei mudar minha opinião para concordar com a dele, o que eu deveria ter feito acho eu pós 3 anos olhando é falado assim “Cara eu acho, essa é a minha opinião, a gente pode divergir e boa né”, muito tempo depois eu conversei com ele sobre isso, ele falou foi exatamente isso que aconteceu né, aí um ano e meio depois quando eu falei que eu abri Picpay e APOIA.se o Ken é o apoiador 01 da minha lista e ele é até hoje né, tipo assim ele é até hoje o apoio 01 e continua ativo lá então tipo assim o que eu quero dizer com tudo isso é, se permitir o tempo de amadurecimento para as transformações para que elas sejam profundas e não superficiais sabe assim. Em algum momento eu tentei atalhar esses processos e cara, processos de transformação eles são difíceis e precisam ser difíceis porque eles tem que ser profundos. A gente entrou numa pira cara, tô aqui agora, vou tentar soltar aquela como é que chama, aquela frase que os podcasters usam para, você usa como corte e fazer uma pausa dramática mas é assim, por muito tempo a gente usou essa parada de MVP, de startup e a gente precisa resolver as coisas rápido né pra gente testar logo e errar rápido e depois mudar. Não cara, tem coisas que a gente tem que fazer de uma forma lenta, profunda, legítima, com cuidado porque a gente tá falando de transformações não só que influenciam na nossa vida mas na vida de uma pá de gente sacou, especialmente se você for uma liderança do mercado, especialmente se você estiver criando conteúdo. Falar de uma forma rasa sobre qualquer coisa à medida que você influencia vidas, pô cara é uma responsa e não quero botar isso aqui como uma responsabilidade grande demais, muito pelo contrário mas para que você não se cobre em errar rápido para resolver rápido né, amadurece as coisas sabe, dê tempo ao tempo para que a transformação ela seja profunda e não para atender o algoritmo, a crítica que veio ou etc.

Henrique de Moraes – Boa. Acho que esse é o desafio principal assim, especialmente do que eu tô inclusive me propondo agora né assim que é exatamente tirar, me despir um pouco dessa, de todas essas frases de efeito, de todas essas essas práticas que a gente vem acompanhando e tá vendo que assim, tão levando a gente de maneira acelerada para um muro muito louco e duro

Lucas Schuch – É um adoecimento né

Henrique de Moraes – É, e que enfim

Lucas Schuch – Você sempre foi muito ligado a, meti um entrevistador aqui mas, essa parada de coaches ou frase de guru assim? Porque em algum momento eu fui muito

Henrique de Moraes – Fui, não sei se eu fui ou ainda sou de certa forma com algumas coisas porque assim, na minha cabeça como é que funciona né, eu acho que algumas frases elas são uma forma muito extremamente condensada de uma experiência que a pessoa teve e ela conseguiu colocar ali e eu acho que é conhecimento sabe, o problema que eu não via antigamente é que assim, aquilo ali é exatamente o conhecimento de uma pessoa condensada e assim, existem várias outras coisas e várias outras opiniões e várias nuances naquilo ali, inclusive nuances da trajetória daquela pessoa até chegar naquela frase que não estão ali sabe, não estão sendo representadas e eu acho que o que eu tenho me perguntado e tenho tentado ficar mais atento talvez é exatamente isso, ou colocar, tentar entender a complexidade por trás daquilo ali ou então tentar tirar um pouco da hype, do tipo eu tô falando muito sobre esses casos agora que surgiram da Elizabeth Holmes, todas as séries que achei muito legais inclusive mas são muito preocupantes e que assim, eu fiquei durante muito tempo inserido num ecossistema de empreendedorismo, de startup e cara, essas coisas que eles falam né nessas séries do tipo “Cara você é o fake until you make it”, tipo assim, esse “move fast and break things”, todas essas máximas cara eu usei sabe tipo eu usava e eu justificava comportamentos antiéticos nessas coisas, “Ah mas fulano de tal talbém faz, todas as empresas já fizeram sabe, essa é a prática, esse é o padrão” e aí quando você vai ver assim, você vai entender é isso, é uma coisa que foi muito resumida e que as pessoas usam de maneira deliberada, acho que irresponsável pra simplesmente justificar coisas, esse é meu medo com frases de efeito, com tudo né e eu ainda gosto de frases, adoro para falar a verdade, anoto várias delas inclusive mas eu só tenho uma relação diferente com elas hoje em dia, esse é o ponto.

Lucas Schuch – É então mas esse é um ponto muito importante assim que é, falo isso direto na terapia e eu falo quando eu chego em alguma frase né, eventualmente eu falo com todo cuidado com meu psicólogo, falo assim “Oh, vou te avisar que vou citar uma frase”, tenho muito cuidado em citar os pensadores, os filósofos modernos né, Karnal, Clóvis de Barros, o Cortella e aí meu psicólogo fala assim “Eventualmente, às vezes eles acertam”, ele já vem todo e eu falo assim, espero que ele não ouça que ele vai ficar meio puto mas vamos lá, em algum momento ele fala isso “Vai aí, às vezes eles acertam”. O meu ponto com isso é que a gente também não se cobre a ponto de achar que nada daquilo ali é válido, também não sou, claro cuidado né, coach, esse processo, isso que você falou, reducionistas, eu acho que muito pouco dali é válido. Agora, frases inspiradoras que você coloca sua complexidade como você falou, pô cara, e aí sem entender também, e aí ligando esses dois assuntos, que Karnal, Cortella, Clóvis de Barros Filho, não sei mais o que, eles estão inseridos numa lógica algorítmica de criação de conteúdo, eles não são mais pura filosofia. Quando eles lançam uma frase ali no livro resumido em uma coisa motivacional você tem que entender que uma frase dele também tem um efeito de tentar fazer isso que eu falei agora, de criar uma carga dramática e não sei o quê para gerar um corte, gerar uma citação, gerar um card no Facebook legal, uma frase num Instagram de pensamento de filosofia porque no fim das contas todo mundo meio que se torna criador de conteúdo. Agora me lembro muito de um diretor de criação meu que eu tive e é um bom amigo, ele tinha um quadro na sala dele com a frase “Mar calmo nunca fez bom marinheiro”. Naquela época, falando de 2014 eu li aquilo e falava “Tá, ele tá falando que você tem que trabalhar, as coisas têm que vir mesmo para você as coisas duras tem que vir para você sabe reagir”, essa leitura superficial cara, a leitura complexa é nem todo mundo tá no mesmo barco, essas coisas não são fáceis, além do que é uma romantização da dor para o crescimento, além do que quando você olha essa frase você fala “Ah tá essa frase tem a ideia de tentar me vender uma ideia legal mas eu posso desconstruí-la e olhar para ela criticamente”, ela também vai surtir um efeito em você e você leva para terapia e você fala “Eu concordo um pouco com isso, não concordo com aquilo”, isso é dar profundidade e complexidade. Então nesses casos aí que você fala, também cara eu sou consumidor, já fui um consumidor sem olhar crítico e hoje sou um consumidor com um olhar crítico e eu acho que isso mais me ajuda do que me atrapalha, do que tipo me distancio e apago todos esses, não cara alguém tá usando isso como um conhecimento no mercado de trabalho, na vida, não sei o que, eu olho para isso com o olhar crítico que ela merece e ainda assim olho pra isso sabe, me somam total

Henrique de Moraes – Eu acho que a gente tá passando e eu vejo muita gente passando por isso e eu acho que muita gente não tá sabendo ainda muito bem como lidar e a gente durante muito tempo, a gente tinha pouca fonte de acesso a conhecimento, a pessoas enfim, esse tipo de coisa então a gente meio que tava ali num papel de receptor e tinha ali as pessoas que decidiam o que ia chegar até a gente de certa forma. Era mais difícil né, a gente não tinha tanto poder de escolha como a gente tem hoje em dia e conforme a gente foi sendo inundados, veio essa avalanche de conteúdo, de pessoas, de novas formas de fazer e tudo mais, do início a gente ficou meio deslumbrado então assim todo mundo “Agora eu consigo ver o carinha aqui que tá empreendendo, tá começando do nada e tipo ele tá crescendo e eu posso me inspirar nele, eu posso ver a trajetória” e depois de um tempo, pelo meno assim, não sei se dá para generalizar, se é um processo mais de meu do que dos outros assim, hoje eu começo a como você falou né colocar um olhar crítico em cima das coisas e ele é duro de vez em quando porque você começa a perceber que os seus heróis, acho que uma das maiores coisas que eu tenho percebido hoje em dia é não concordar com autores sabe, e isso é muito louco porque para mim, e foi vendido isso para gente eu acho de certa forma que os livros eles são para serem, são conhecimento que você precisa concordar

Lucas Schuch – E inquestionáveis né

Henrique de Moraes – Inquestionáveis, exatamente. Não, é só uma pessoa que teve muita paciência para ficar e escrever trocentas páginas e ela pode estar errada. E um caso super emblemático que eu acho que aconteceu a pouco tempo mais ou menos foi do, como que é o nome dele, do Malcolm Gladwell e tem um livro, eu acho que é o “Outliers”, não tenho certeza do livro que tem isso, que eu já li inclusive e fiquei com aquela coisa “É isso aí, é isso aí”, que ele fala das 10.000 horas, a famosa pesquisa das 10.000 horas e cara todo mundo, as pessoas falam disso até hoje, falam das 10.000 horas, “Ah já colocou as 10.000 horas, as 10.000 horas, as 10.000 horas e tudo mais” e pouca gente sabe que ele voltou atrás em relação à isso aí, porque um autor, de um livro que eu gosto muito que é o “Por que os generalistas vencem em um mundo de especialistas”, que eu também acho que é muito generalista

Lucas Schuch – Provando um ponto né

Henrique de Moraes – Mas como qualquer livro ele tá defendendo ali o ponto de vista dele né e esse foi o paradigma que eu quebrei assim sabe, que todo livro é só um ponto de vista, acabou e aí você tem que ponderar e ler muitos livros para conseguir ter uma visão mais ampla daquela coisa mas enfim, esse cara escreveu, e eu não lembro o nome dele tá mas eu lembro o nome do livro, é muito bom, recomendo inclusive e quando ele foi pesquisar para o livro ele refutou essa ideia das 10.000 horas do Malcolm Gladwell e ele fala isso no livro e depois eles tiveram uma conversa, em algum desses painéis e tal e aí eles discutiram isso e o Gladwell falou “Você tem razão, eu acho que eu coloquei isso como sendo uma regra e essa não é uma regra, existem várias exceções, existem várias nuances aí e existem pessoas que não precisam, que não seguem isso aí, você tá certo e eu tô errado”. Então assim, você pega o cara, Malcolm Gladwell, um dos autores provavelmente mais aclamados assim, vários best sellers, esse é um best seller e as pessoas citam isso como uma coisa tipo assim

Lucas Schuch – Uma verdade incontestável

Henrique de Moraes – Uma verdade exatamente, e não é e assim, isso tem sido para mim ótimo mas ao mesmo tempo doloroso, sendo bem honesto porque é difícil você quebrar tanta coisa assim, eu acho que eu falei também no episódio da Greta que meus últimos 3, 4 anos talvez assim, não sei exatamente datar o período quando tudo começou que eu comecei a ler muito mais e ouvi outros pontos de vista, de sair um pouco da minha da bolha foram excelentes porque é lógico, você tá ali expandindo um pouco o conhecimento, é bom, você se sente melhor de certa forma mas em compensação também primeiro, você tem a crise de identidade que eu falei né então do tipo “Cara mas eu não acredito em nada disso em que eu acredito?” e eu ainda não sei para falar a verdade, eu sei no que eu não acredito mais mas o que de fato eu defendo talvez esteja ainda meio na dúvida sabe tipo, talvez ainda tenha que colocar mais pensamento para conseguir assim ter uma clareza maior. E fora também o fato de que tudo se torna um pouco mais difícil né, a partir do momento em que você começa a olhar tudo com um olhar crítico sei lá, perde para mim, tem uma dureza de perder um pouco do romantismo mesmo que de vez em quando é gostoso, sinceramente, aquela coisa do “ignorância é uma bênção”

Lucas Schuch – É mais confortável né, é mais confortável

Henrique de Moraes – Exatamente

Lucas Schuch – Mas a gente, a Juliana que é a minha orientadora do doutorado e é a pessoa que vai, que mais incentivou esse meu processo de crítica por conta do doutorado mas assim, que passa por trás muito da minha construção de olhar crítico pro mundo, a gente fala uma coisa que, e essa frase é mais dela do que minha, mas a gente tem que tomar cuidado com a crítica imobilizante. Então você vê, e é muito fácil você cair nela, o meu primeiro ano inteiro de criação de conteúdo era uma crítica imobilizante né que era ver porque é isso, é como você falou aí desse processo de desconstrução, é o ponto em que você pega, é muito fácil desconstruir, você pega uma bola de demolição e você desmonta uma casa. Eu sigo um tiktoker que é um cara que mexe com uma retroescavadeira e ele desmonta casas, o negócio dele é demolição. Meia hora ele desmonta uma casa, uma casa completa vai ao chão, o processo de construção ele é demorado cara, tem que começar do zero e não sei o que, então esse processo que nos dói é o processo de construir bases de novo, de cimentar e não sei o que e pô, isso é muito mais demorado do que construir. O ponto aqui é, a nossa crítica ela não pode ser uma bola de demolição, ela precisa ser uma reforma acho eu. Algumas coisas obviamente, alguns pensamentos a gente precisa jogar uma bola de demolição em cima mas essa crítica imobilizante que sua bola de demolição ela vem e derruba tudo a ponto de você não conseguir construir mais nada em cima, esse é o problema, a ponto de você demolir aquela construção e os escombros ficarem em cima de uma possível nova estrutura, isso é problemático então vê, uma crítica que é muito comum na publicidade é assim, mas isso, você vê uma apropriação de uma marca em cima de uma causa LGBTQIAP+, uma marca se dizendo ali no mês de junho pró causas LGBTQIAP+, a galera olhar e falar assim, e a galera não estou falando aqui obviamente as pertencentes a essa minoria ou grupo minorizado, vai dizer “Mas isso é só publicidade”, “Isso é só o capitalismo se reengendrando”, “Isso nada vai mudar”. Ou quando eu falava dos novos modelos de negócio, “Isso aí é tudo agência”, alguém propondo um novo modelo menos tóxico, “Isso aí é agência com outro nome”. Vê, isso é uma crítica que se descobre que é uma crítica imobilizante quando você olha e fala assim “Qual é a alternativa então? Era manter como tava? Porque não tava bom”, aí quando você fala “Vamos manter como estava, “Não mas agência também não é legal” então o que é legal né, você desconstrói o que se tem e a proposição, e não tô nem falando tipo assim “Critica e faz melhor” muito pelo contrário né mas você pode criticar e apontar o caminho, “Isso aqui tá mais interessante” é gostar de algo cara. Eu fui durante sei lá, e aqui é um mea culpa, estou escrevendo o último episódio da temporada do podcast e vou falar sobre isso, um mea culpa do meu começo assim, nas primeiras temporadas criando conteúdo que era assim, era a crítica dura sem a permissão de que alguém apontasse um caminho, o novo caminho era criticado também, “Ah mas essas boutiques são só reengedramentos do capitalismo”, pô cara então o que que você se permite né, qual é o caminho que a gente tem pela frente, é não gostar do que tava e não gostar do que vem pela frente? Você tá imobilizado, travado no canto então é meio isso assim, é permitir derrubar o que tem, o que precisa ser derrubado mas tirar os escombros pra que novas coisas surjam. Deixar tudo ali demolido também não vai nos levar longe, é sair da crítica pela crítica que de novo mea culpa aqui, já fiz muito mas ao mesmo tempo permitir apontar nos caminhos, “Pô isso aqui tem” e não é tipo assim ir lá e fazer ou ser responsável por fazer, mas dizer “Pô talvez isso aqui fosse uma coisa legal”, “Isso aqui é mais interessante”. Era minha pira com prêmios, criticava todos os prêmios possíveis até que alguém veio e me falou “Bicho, precisamos de celebração, é um mercado muito soterrado em problemas, em algum momento a gente vai celebrar, quando é?”, aí eu falei “Beleza”. Aí hoje meu pensamento é, alguns prêmios nacionais são muito importantes pra indústria, porque celebram e promovem algumas vozes que antes não não estavam aí, pô show sabe e eu não fazia isso. Eu acho que é meio meio nesse caminho do tipo assim, você olha tudo aquilo que a gente viu como verdades nos livros, a gente critica tudo aquilo mas se tem alguma coisinha ali que seja um fundinho de exploração, pô permite que isso floresça sabe porque botar uma pedra em cima também não vai resolver.

Henrique de Moraes – Sim, eu gosto dessa analogia assim, me veio na cabeça também uma coisa do desmontar aparelho eletrônico sabe, tipo que é muito mais fácil você também desmontar e aí mas se você não fez um mapa do que você fez para você montar aquilo ali de novo vai ser um problema e é isso, se você quiser montar uma coisa nova é ainda pior e tem uma frase, aí voltando pras frases, não é nem uma frase, é uma forma de pensar que eu gosto do Seth Godin que ele diz que aprender é você se sentir confortável em ser incompetente né durante um tempo e passar por esse período onde você se sente um idiota, vamos colocar assim sabe porque é um pouco disso e especialmente, a gente tá falando aqui dos problemas né, eu vejo que tem uma outra analogia também que é do conhecimento como uma ilha né e sendo sua cabeça, sua mente sendo a ilha e tipo o conhecimento sendo o contato com a água em volta, ou seja, quanto mais a ilha cresce em área ou seja, quanto mais conhecimento você coloca para dentro mais você tem na verdade, eu falei errado inclusive, o mar é o desconhecido né, mais você tem contato com um desconhecido então agora você imagina, você é uma ilha, você tem o mar ali em volta de você que é o desconhecido que tem aquela área pequena ali que você tá atuando mas você vai crescendo né, você vai aumentando ali o espaço, você tem mais contato com o conhecidos e não menos né e isso é muito louco porque eu tenho muito disso assim, eu tô lendo uma coisa e aí, com o objetivo de sei lá, aprender sobre X coisa ou resolver tal problema e quando chega no final daquilo ali eu falo assim “Cara tá, agora eu abri mais caixinhas”

Lucas Schuch – E não fechei pontos

Henrique de Moraes – E não fechei, exatamente, isso é muito comum assim mas faz parte também né então assim acho que é ficar também em paz com isso acho que é um desafio. Tem uma outra coisa também que, tem um app que eu baixei esses dias de um cara que não sei se você já ouviu falar, o Sam Harris

Lucas Schuch – Não

Henrique de Moraes – Ele fala sobre atenção plena né, mindfulness, essas coisas e eu acho que ele tem um ponto de vista assim normalmente interessante sabe e eu gosto, embora não seja budista e nem meditador, eu me relaciono bastante assim sabe com a filosofia então leio bastante e tento aplicar alguns dos conceitos e tal. E aí um desses conteúdos que tem no aplicativo, tem uma playlist inclusive que eu recomendo para todo mundo mas é só em inglês, eu tô querendo traduzir, inclusive já mandei e-mail para ele perguntando se eles liberaram, por enquanto não rolou mas enfim, tô vendo como é que dá pra fazer porque é uma playlist chamada acho que “Mind & Emotion”, mente e emoções e que são vários episódios de 2 minutinhos, às vezes 5 e são todos bem curtinhos mas cara todos eles dão quase um restart na minha mente toda vez que eu ouço então ouço quase toda semana na verdade, “Ah vou botar aquela parada porque tô com esse problema para resolver” e um deles é “Resolvendo problemas” o título do conteúdo e ele fala isso enfim, acordou um dia e tava naquele submerso em problemas, desesperado, desestimulado e tal e ele vai conversar com a amiga dele e a amiga dele fala assim “Vem cá, o que você esperava? Que de repente você não tivesse mais problema, que eu não tivesse mais itens na sua lista de tarefas?”, “Você quer não ter nenhum item na sua lista de tarefas?”, aí ele fala assim “Cara a nossa falha, uma das coisas que a gente faz que é muito errada e quase todo mundo faz”, e aí é ele falando, não sou eu mas eu concordo, “é tratar problema como anomalia”, da gente criar expectativa o tempo inteiro de que novos problemas não vão surgir né e ficar surpreso quando eles surgem né, e ainda ficar surpreso e a vida cara é uma sequência de problemas que a gente tem que resolver então quando a gente fala de levantar e descobrir, apontar novos problemas eu acho que ter essa noção e ficar em paz com isso é um dos desafios que pelo menos eu coloco para mim sabe, do tipo eu brinquei ali com você trazendo algumas coisas da indústria e eu fico assim “Puta que pariu mais uma coisa” mas no final das contas é isso, não tenho como esperar que não surjam e pior, quanto mais você, eu não acho que quando a gente resolve um problema a gente vai se sentir muito bem embora seja motivo para celebrar, você é grato, cara vai ser a mesma coisa do conhecimento né você vai começar a ter contato com mais coisas talvez inclusive que foram, você descobriu no processo de resolver aquele problema, então enfim isso faz parte aí desse jogo que é a vida

Lucas Schuch – Pô e você acabou de me descrever assim porque esse sou completamente eu, uma parada que eu falo muito que é, eu faço uma lista de tarefas daí eu não dou conta dela, eu me culpo mas aí eu trabalho final de semana para dar conta delas, daí eu rico todas elas da minha da minha lista de tarefas aí segunda-feira eu não tenho nada para fazer, aí eu me culpo por que eu tô sem nada para fazer né e assim, eu não consigo ver que foi o meu trabalho ali que fez com que eu conseguisse ter aquele momento de não ter nada para fazer porque aí quando eu fico sem nada pra fazer é esse ponto que você fala, a expectativa de ter resolvido todos os problemas e aí você fica com a cabeça livre e a gente parece que desaprendeu o como é bom estar com a cabeça livre assim, celebrar, ser totalmente pleno, pô já falei tantas vezes isso na terapia que já perdi a conra mas assim, eu não consigo ser uma pessoa plena, sem ter problema nenhum assim, algum momento que eu falei assim “Pô eu tô respirando de forma plena”, tô sem uma preocupação na cabeça ao mesmo tempo que quando eu tive esses momentos eu não os aproveitei, eu os preenchi com mais problemas, mais tarefas por mais que ela não existem então vou inventar alguma coisa para ter, pô é uma relação cruel na real assim né cara, no fim das contas tem a ver sei lá com uma cobrança por produtividade né, em ser a gente mesmo o próprio capataz assim de ficar buscando a próxima coisa para ocupar a nossa mente e pô isso é doloroso cara, doloroso demais.

Henrique de Moraes – Sim totalmente e desce pra várias camadas eu acho assim, que tem a parte do como você falou, por exemplo uma segunda-feira se você não tem o que fazer você vai encontrar porque você se sente mal de não fazer e vamos colocar assim que você seja uma pessoa que está presente nas redes sociais, eu imagino que muita gente inclusive não se sinta confortável em compartilhar que não está fazendo nada na segunda-feira, esteja de férias, tenha uma licença social, moral ali para não estar fazendo nada, dada pelos outros tipo “Você agora tem licença para falar que não tá fazendo nada sabe” e se tornou um relacionamento de fato complexo porque é isso, um, a gente fica esperando que não tenha coisas para fazer no sentido de que a gente quer no final das contas de certa maneira não ter problemas ali para resolver, todo mundo que evitar problemas de certa forma mas a gente coloca problemas quando a gente não tem nenhum, a gente descobre alguma coisa. E outra coisa que eu tenho percebido que eu tenho feito, e isso é muito louco, percebi isso a pouco tempo cara que eu criei uma procrastinação produtiva

Lucas Schuch – Ah sim, a procrastinação esclarecida, é um grande conceito

Henrique de Moraes – Porque eu pego e falo assim, sei lá por exemplo, eu vou ler tal livro agora para poder sei lá, porque eu acho que preciso aprender tal coisa mas no final das contas eu tô pegando aquele livro para ler ou um podcast para ouvir ou um áudio book sei lá, o que seja, pra evitar pensar no problema que eu tenho que resolver e eu não tô afim de pegar naquele momento porque ele vai ser difícil, vai ser desafiador sabe

Lucas Schuch – E além disso é tipo assim, é um mecanismo de defesa assim né a procrastinação de certa forma, e de novo não sou psicólogo, nada disso mas já ouvi falar essa descrição da procrasitinação como uma forma de, você adia tanto aquele problema né, a fazer aquela coisa que aí você vai chegar ao ponto de não ter mais tempo de resolver aquela coisa, resolver da forma que der e você vai resolver, não tem jeito os problemas passam né, de alguma forma você vai resolver, bem ou mal da melhor forma ou da forma possível você vai resolver e aí você vai olhar para aquilo e falar “É mas eu tive pouco tempo né então foi por isso que saiu essa coisa”, é uma forma de justificar quando as coisas não vão bem, quando você não é, você olha para aquilo e “Tenho que fazer, tenho que entregar essa campanha aqui”, aí você fala “Não mas eu tenho um mês de prazo”, “Vou fazer essa outra coisinha que nem tava na minha pauta, que eu inventei e não sei que”, “Vou pegar essa outra coisinha aqui”, aquela coisa que se eu não tivesse tempo eu ia dizer “Isso aí não vai ser feito”, faltam dois dias para fazer a campanha aquela aí você pega e você fala “Trabalho com pressão mesmo” chega na hora sai porque você justifica que saiu o melhor possível naquele pequeno tempo que eu tinha mas não era pequeno, você preencheu com outras coisas, essa procrastinação consciente assim de tipo “Deixa eu mesmo inventar coisas para preencher esse tempo porque me deram tempo demais” e vou te dizer sinceramente eu acho que isso se contrabalanceia com uma coisa que é, eu eu acho que tempo demais também não é o equilíbrio da balança né, é tipo assim eu também não romantizo essa pressão de tempo de menos né, “Vamos fazer em cima da hora” mas tempo demais não ia transformar aquela ideia numa grande ideia e não foi porque você teve mais tempo porque senão também a galera começa a colocar 6 meses de prazo e aí você fala “Ai foi horrível” não, foi o que, é isso que eu falei antes assim, foi o que ia ser cara tipo assim, não ia ter outro jeito com aquelas pessoas, com aquele conhecimento, com aquela bagagem, não ia ter outra coisa que não essa resposta. Ela podia ter um refino do craft um pouquinho melhor, podia ter não sei o que, podia cara mas quem ia prestar atenção nisso é só a equipe que fez porque ninguém sabe as outras alternativas que foram cogitadas naquele espaço de tempo sacou então assim, nem demais nem de menos cara, não dá para se cobrar por tempo demais e não dá para se cobrar por tempo de menos sabe.

Henrique de Moraes – Vou dizer que é bem paradoxal

Lucas Schuch – Total, claro que é

Henrique de Moraes – Porque é muito isso né, a gente tá o tempo inteiro querendo mais tempo mas acaba que esse tempo a mais ele às vezes inclusive tem um peso então enfim, complexo, o ser humano é um negócio complexo né cara

Lucas Schuch – Enquanto tiver ser humano vai ser difícil cara

Henrique de Moraes – Quanta camada cara, às vezes eu fico assim “Caralho não é possível, não tem mais pra onde descascar” mas tem

Lucas Schuch – Lógico que tem. Pô cara a gente nem começou a descascar eu acho ainda as complexidades humanas assim, a gente está falando de um tempo de aprendizado olhando para mente de forma profunda, pô cara psicologia, a gente começou uma onda de gente fazendo terapia não tem 2 anos cara 3 anos, virou um lance fazer terapia em 2, 3 anos e é isso, ainda vai dar muito tempo.

Henrique de Moraes – Até o rolê total de existir essa área é uma coisa muito recente se você comparar com o tempo que a gente tem de evolução né assim, de já ter que lidar com sentimentos sem ter nenhuma ferramenta

Lucas Schuch – Pô cara Freud, Lacan foi ontem bicho, aí daqui a 500 anos a gente vai olhar e falar “Puta que pariu, o que tinha para evoluir é brincadeira bicho”

Henrique de Moraes – Exatamente. E assim, trazendo um pouco do que a gente já conversou, é tudo muito lento né, o tempo de fato da gente aprender a lidar com essas coisas é muito lento, especialmente agora com a diferença, a desproporção em relação a como as coisas estão evoluindo né, a velocidade com que as coisas estão evoluindo então se a gente já tinha um processo de aprendizado muito lento sobre nós mesmos né, então muito lento eu tô falando de centenas de anos para aprender a lidar com uma coisinha sabe tipo assim, que foi talhada na gente durante milênios, você vendo como tudo tá acelerado hoje em dia, cara a gente não tem a menor, eu acho que a gente não tem menor chance assim tipo, acho que o Tristan Harris, aquele do “Dilema das Redes” ele fala isso, mas acho que ele pegou essa frase de outra pessoa, não é dele enfim mas nós somos seres humanos com cérebros paleolíticos, sentimentos não sei o que lá e tecnologia dos deuses, basicamente então assim, é uma disputa que é difícil você conseguir de fato vencer porque eu, até aproveitando esse assunto para entrar em rede social, a gente falou aqui, falou superficialmente mas eu acho que é um assunto que é muito importante que as pessoas já tão discutindo mas que eu ainda vejo pouca gente levando a sério né o impacto das redes sociais e para você especialmente como criador de conteúdo imagino que seja ainda maior porque eu lembro quando eu antes de passar por esse período de me dedicar mais à esse craft, vamos colocar assim, palavrinha bem publicitarês, eu lembro que tinha uma relação mais saudável, provavelmente já tinha sintomas que as pessoa estão sentindo hoje em dia né de ansiedade, de se comparar sem perceber, de ver só palco né e tudo mais mas eu acho que eu também meio que cagava, sempre caguei assim pro que tava acontecendo, era só uma coisa de compartilhar com os amigos e família né e depois que eu comecei a fazer eu comecei a sentir mesmo assim cara os efeitos, de coisas como o quanto eu me sinto validado ou não pela quantidade de interações que tem uma publicação ou alguma coisa que eu faço né. Então quanto eu fico ansioso de uma maneira assim que eu não fico com mais nada, absolutamente, nem o podcast, eu não fico surtado vendo quantas pessoas deram play no podcast, quantas pessoas ouviram. Pra falar a verdade eu nem olho muito aquele gráfico que é um gráfico importante do average listeners, onde as pessoas estão saindo, onde não estão, eu tô cagando, não vou conseguir mudar esse conteúdo mais, ele já foi então eu não me importo com isso mas com rede social eu fico impressionado assim como muda, eu mudo, eu me torno outra pessoa literalmente assim. Se eu publiquei eu já começo a ficar neurótico abrindo meu celular e querendo saber quantas pessoas viram, quem tá comentando, quem tá falando, se eu tô recebendo a respostas ou não e enfim, várias outras coisas, comparação também é uma coisa que eu tenho tentado inclusive evitar seguir pessoas que tenham sei lá, gatilhos, despertem gatilhos que eu não quero mais ter, tem uma série de coisas assim e eu tô tocando assim bem na superfície ainda assim, acho que tem coisas mais profundas e eu queria saber de você né assim, como que você liga com as redes sociais assim, pode falar de maneira genérica e depois a gente vai se aprofundando

Lucas Schuch – Eu tenho tudo isso aí e eu acho que descreveria ainda pior, muito pior que isso, do que esses pontos que você tocou. Como eu já falei então, eu num primeiro momento cuidava quem deixou de me seguir, eu tinha aplicativo instalado, pro podcast a mesma coisa, pro podcast eu defini que eu não vou, eu tenho o media kit dele né pra se alguém quiser patrocinar e não sei o quê e eu raras vezes atualizo ele porque eu nunca abro a página, nunca abro a página de dados dele, numérico. Eu não sei quantas pessoas escutam no mês, eu não sei qual episódio foi bom, qual episódio foi ruim. Hoje em dia eu não sei qual o episódio mais ouvido, sei lá não sei quanto dá de retenção. Isso tem muito a ver, de novo né, com aquele privilégio de não querer e não precisar fazer dele um ganho de vida pessoal né porque senão isso teria que virar, para outros criadores eu entendo que isso vire mandatório né mas pro podcast eu não olho nada, justamente para que isso não enviese o meu conteúdo né, se eu souber que um conteúdo vai melhor que outro talvez eu vire só aquele conteúdo e não o que eu gostaria de falar e o que eu acho que, é meio prepotente isso mas o que eu acho que as pessoas precisavam ouvir também né então vê, talvez o que tenha feito alguma, tento fazer isso sem prepotência mas assim, talvez o que tenha me trazido até aqui foi eu ter falado o que as pessoas precisavam ouvir e não o que elas queriam ouvir né. Dito isso, se eu começar a direcionar para o que elas querem ouvir talvez elas até percam o interesse assim porque eu acho que tem outros podcasts que fazem isso melhor do que eu faria. Ouvir os grandes baluartes da propaganda falando, já existe esse podcast e não é o meu né e é muito mais ouvido que o meu inclusive né. Eu sei, já falei algumas vezes também isso que é, eu sei que meu podcast é tão nichado que eu preciso de um, a pessoa tem que ouvir podcasts obviamente, como todo e qualquer podcast, esse é o primeiro cruzamento, o segundo é o podcast ser de propaganda porque mesmo que eu consiga fazer isso no Instagram, no podcast eu não consigo é só publicitário ou publicitária que me ouve ou da indústria de comunicação em paralelo, e a terceira coisa é ser progressista, eu tenho um viés político deliberado ali né, uma escolha editorial é só trazer pessoas progressistas, é só trazer pessoas que não sejam conservadoras nos costumes da propaganda então assim, tem muito muito muito cruzamento ali. Dito isso, eu sei que eu tô, por conta desses no mínimo esses 3 limitadores, eu tô limitando minha audiência né. Sabendo disso eu sei que isso vai ser um conteúdo, uma audiência menor do que ele poderia ser eu só fazendo perguntas “E aí como foi criar aquela campanha incrível que você criou?”, eu nunca perguntei isso no podcast porque eu não quero que vire contação de case né, acho que tem outros podcasts que fazem isso melhor do que eu conseguiria, de novo, mas se eu começar a comprar essa briga eu não vou nem dar conta dela né. Dito isso eu acho que talvez seja uma forma de eu me defender dos números assim, falar que é pra uma comunidade mais nichada mesmo o podcast, eu sei que ele vai dar poucos então nem vou olhar quantos porque talvez isso até me desestimule a parar de fazê-lo, tá dando pouco mesmo, ninguém tá ouvindo. E aí isso vale pra isso aqui, pra esse podcast que a gente tá gravando, a Ana Cortat uma vez falou isso no podcast, no final.de um podcast ela falou e calou fundo em mim assim, ela falou “Lucas se uma pessoa tiver ouvindo valeu isso que você tá fazendo, uma pessoa” e ela fala assim “E eu tava ouvindo, eu tô ouvindo todos”, ela não falou isso mas eu li dessa forma que é, “Se tu acha que tá ruim audiência, eu tô aqui, eu vou continuar ouvindo então não para porque tá sendo importante” então sobre números do podcast isso. Aí que eu falei que, falei que eu pareço uma pessoa super evoluída né porque estou conseguindo lidar, quando eu falo que eu tenho até pior que isso é no Instagram então vê, no Instagram eu botei alguma, em algum momento eu inventei essa regra estúpida que um post indo bem era atingir, e eu sei tudo que os gurus falam aí né, “like é a métrica da vaidade” eu sei todas essas frases, foda-se fala isso pro meu terapeuta lá, eu não consigo tirar isso da minha cabeça sabe então eu criei em algum momento uma pira de que mil likes em 1 hora era um post indo muito bem. Porque em algum momento ali no meio da pandemia, todos os meus posts davam mil likes na primeira hora de postagem. Agora eu vou me expor de um jeito absurdo assim, pra ver o tamanho dessa nóia, eu fico fazendo, nos primeiros 20, 30 minutos durante uns dois anos ali eu ficava fazendo regra de três para ver como aquele post tava indo. Se 17 minutos deu X likes quantos vão dar em 60 minutos, que era minha primeira uma hora. Eu não vou dizer que eu parei com isso tá, eventualmente quando eu acredito faço isso direto mas o que eu tenho tentado fazer agora, postar e esquecer, depois de uma hora eu vou lá ver tá. Só que o que aconteceu

Henrique de Moraes – Desculpa te interromper mas e quando não bate depois de uma hora?

Lucas Schuch – Era aí que eu ia chegar, é péssimo assim, so que o que começou a acontecer é, por algum motivo também os meus posts começaram a mudar de forma de engajamento, talvez seja o algoritmo, talvez não, dever ser obviamente mas tipo assim, a primeira uma hora não é tão boa mas ali depois de 24 horas ele ainda tá entregando e eu chego em mil, mil e pouquinho, a média ali é mil e pouquinhos likes, o que é, de novo, é muito pra uma conta que é relativamente pequena tá, é muito. Mas ainda sim como eu tive no meio da pandemia ali esse parâmetro de que tava tudo indo muito bem eu botei ele como regra a mínima, o que é um absurdo porque eu olho outras contas do mesmo tamanho e a média de like é 200, 300 e já são posts ótimos né. Pra mim não, pra mim é péssimo então direto que chego pra minha companheira e falo assim “Pô o post de hoje foi muito mal, deu 400 em 1 hora” e aí depois eu falo “Cara não seja imbecil” e no dia seguinte chega a mil por exemplo, alguns não chegam a 1000, realmente eles são raros, que bom que são raros mas eu tento ainda botar nessa balança de tipo “Cara isso não é a regra, isso não é a regra”, uma hora as pessoa naturalmente vão cansar desse conteúdo ou o algoritmo não vai mais me entregar ou não sei o quê e não sei o quê lá então assim, isso não pode ser a regra mas, aí respondendo sua pergunta, é péssimo cara, tipo assim de falar na terapia no outro dia que não deu mil likes. E eventualmente tem posts que tipo assim, e eu sei o quanto isso é uma questão de ego, é puro ego e não tenho o menor problema em dizer isso, falo muito na terapia sobre como o ego é uma das partes importantes do nosso ser né, desde que isso não seja patológico mas eu vejo o mil ali e eu fico tranquilo, respiro aliviado mesmo que tenha dado dois comentários, que é absurdo assim do ponto de vista de dados do que é rede social, se você falar pra qualquer analista de rede social e o trampo que eu faço para alguns clientes isso seria a coisa mais idiota né. Agora de novo, falar isso pro meu terapeuta como é que eu resolvo na minha cabeça isso né, entre entre o profissional Lucas saber que isso é uma bobagem numérica da plataformização das paradas ali das plataformas, dos algoritmos e não sei o que e o ego do Lucas de falar assim “Pô as pessoas estão me ouvindo, estão curtindo, estão endossando que aquilo ali que eu falei pô é legal sabe

Henrique de Moraes – É cara, isso é muito louco né porque a gente faz algumas coisas, tem umas armadilhas assim que são sei lá inerentes ao ser humano, que é a gente se comparar né e essa criação de expectativa que ela normalmente também tem um pouco de uma base de uma comparação, mas você tá falando de você e eu acho que todo mundo faz isso mas de você ter colocado uma barra baseado na sua própria experiência né e tem um cara que eu trabalhei durante um tempo que ele falava isso, ele contava uma história engraçadinha, acho que já contei aqui no podcast, não quero ficar me repetindo mas resumindo bastante, ele foi correr uma maratona, nunca tinha corrido e, coach tá mas é legal a história, eu acho interessante, sempre gostei e sempre uso que ele tava com um problema, tava doente e foi recomendado fazer exercício físico, resolveu correr uma maratona para ter uma meta tipo grande e continuar ali de alguma forma engajado com a corrida e ele correu a maratona e ele foi o penúltimo, ele fala até pra criar uma tensão, ele fala o número que ele ficou tipo, nem lembro qual que era, tinham umas 300 pessoas correndo a maratona, ele fala o número exato e falou assim “Significa que fui o penúltimo a chegar” e ele era engraçado e todo mundo começa a rir sabe. Ele para, olha pra todo mundo, ele fazia isso direto assim, era comum nas palestras dele, “Vocês estão rindo de que? Quem aqui já correu uma maratona?” e aí tipo 5 gatos pingados levantavam a mão, “Então tô na frente de todo mundo” e aí ele falava assim “Cara a lição que eu tirei disso é, você tem que ser o dono da régua que mede seu próprio sucesso sabe, não dá pra você ficar pelo olhar dos outros” mas é difícil né, a gente, a nossa construção como eu falei lá no início, nossa construção de identidade ela é pautada no que a gente acha que as pessoas estão interpretando da gente, a gente atua, quase coloca uma máscara para conseguir fazer com que a pessoa enxergue a gente de um jeito específico né, então é difícil

Lucas Schuch – E tipo assim, mesmo nessa forma de olhar, essa régua, essa métrica maluca que inventei da uma hora mil likes é uma parada que aconteceu comigo, se amanhã começa a dar, nos próximos cinco posts começa a dar dois mil likes em uma hora fudeu, vai ser essa minha nova e mesmo eu sabendo que é uma parada que eu inventei, que ninguém, que essa regra nunca foi escrita e não sei o que mas agora que eu a experienciei é isso, falo pro meu psicólogo tirar da minha cabeça porque eu não vou conseguir sabe, eu preciso conseguir uma hora mas essa é minha batalha enquanto pessoa que faz terapia, talvez não seja nem brigar com as expectativas do outro mas brigar com as expectativas que eu mesmo coloquei em mim mesmo assim

Henrique de Moraes – E enfim, o mais engraçado é que se você olha pro que você tá fazendo né assim, vou botar da minha perspectiva agora, do meu olhar aqui, irmão se eu tivesse mil likes assim, sucesso!

Lucas Schuch – E é uma merda isso cara porque é isso assim, eu consigo ver que é uma puta, é um absurdo assim sabe. É tipo assim, um sucesso que pô cara nem nos meus melhores sonhos eu imaginei que iria acontecer. Contudo, e assim não é que eu não me veja como pessoa exitosa, mas é que é nessa lógica de tipo assim, e isso eu coloco como um traço patológico e não como, fica meio patológico, meio “guerreirinho né, como você tá sobrevivendo com isso?”, “Como você sobrevive com mil likes?” mas é tipo assim, eu coloco isso como um desafio de eu tentar desconstruir isso porque é meio isso assim, eu sendo o meu próprio, meu próprio gerente assim de rede social sabe tipo assim, como se eu tivesse contratado alguém para me chicotear e falar assim “Mais, mais”, quando sou eu e eu mesmo sabe, eu dizendo pra mim que um post com 800 likes em 24 horas não é êxito sabe?

Henrique de Moraes – Mas acho que entra numa área que existe um nome pra isso que eu não vou saber dizer agora mas que é o quão rápido a gente acostuma com as coisas npe e que é de fato, assim patológico e inerente ao ser humano né assim, não existe, nunca conheci nem nunca ouvi alguém falando que não tem isso, na verdade no máximo você vai ver uma pessoa falando assim “Estou tentando me tornar muito atento para evitar”, no máximo mas você nunca vai conseguir. E por isso que a gente tem todas essas maluquices assim né que acontecem das pessoas sei lá, a pessoa, já vi acontecer a pessoa num barco animal e falar “Putz olha aquele barco ali” então assim, porra olha esse barco aqui

Lucas Schuch – Pô mas isso é a história da minha vida cara, antes você perguntou como é que eu lidava com números em redes social, comparação e tal, cara eu vejo, eu não, putz agora uma merda que eu vou ter que realmente ir pra terapia agora depois disso aqui porque eu tô me lembrando de quantas vezes eu abro o perfil de outros criadores de conteúdo que passam, cara não vou lá “Vou ver como essa pessoa tá” mas tô rolando aqui, passou um post do Henrique, “Deixa eu ver como o Instagram do Henrique está indo melhor que o meu, e aqui de novo, falei que ia me expor mas é isso assim, parece uma péssima pessoa, eu sei o quão péssimo isso parece mas eu faço muito isso e não é tipo assim pra desmerecer a pessoa se ela está indo melhor ou pior, é pra ver se eu tô indo bem o suficiente sabe, o que é tão ruim quanto.

Henrique de Moraes – Exatamente o que a gente falou né, quem foi que colocou o bom o suficiente, quem foi que definiu bom o suficiente? E essas escalas são muito loucas né então assim, eu fico me perguntando, de vez em quando as pessoas, vejo a pessoa querendo, se inspirando numa pessoa como, o Elon Musk tá num período dos mais controversos da História né mas cara que seja, um empreendedor, você dá seu próprio nome, pega um empreendedor muito rico tá, pode ser nem famoso e você para e pensa assim “Se essa pessoa tivesse feito pelo dinheiro, não faria mais sentido ela estar se fudendo até hoje com esse negócio” e isso tá em todas as áreas, a gente acha, tem essa ilusão de quando a gente tiver tal coisa, quando atingir tal resultado, tal métrica a gente vai, “Tá bom aí vou estar feliz” e que acho que é nossa maior fonte de frustração porque a gente chega lá e não é o que a gente imaginava primeiro, nunca é né e segundo, que a partir do momento que você chegou naquele lugar é isso, aquilo se tornou seu novo padrão

Lucas Schuch – Para de ser suficiente

Henrique de Moraes – E descer daquilo ali é uma dor, e as pessoas passam muito por isso. Ouvi alguém falar sobre isso, que uma das piores coisas que existem é um salário, em termos de você se baseia, baseia seu valor no tamanho do seu salário e você tem a expectativa de quando você receber um salário maior você vai se sentir melhor e quando você chegar lá na verdade a única coisa que acontece é, você aumenta seu padrão de vida, seu estilo de vida, seu custo. E de repente você só tá criando um cenário para você em que caso alguma coisa aconteça você vai se fuder, vai se frustrar e não só se frustrar eu diria porque se você tá aumentando seu padrão de vida de acordo com a sua receita, proporcionalmente você nunca vai ter a chance de ficar um ano sem fazer nada porque enfim, se você ganha, vou pegar um salário decente né tipo que não é realidade brasileira, você pega uma pessoa que ganha R$ 10.000 sabe, R$ 15.000 mas gasta 9 e meio sabe e ganha 10, você é um escravo, você continua numa lógica ali que é muito difícil, você tá numa esteira que se você parar de correr ali vai dar ruim. Isso serve na verdade pra tudo né assim, aí voltando pro ponto das redes sociais, essa barra que você coloca né é isso, você chegou um padrão, olha eu tentando explicar o que você tá sentindo, não é isso, é da minha cabeça, você chegou num padrão em que aquilo se tornou seu novo normal né

Lucas Schuch – E aí tem uma pergunta importante a se fazer que é, o quanto, você falou aí então vamos continuar na analogia dos salários, o quanto plataformas não te dão gostinhos de novos patamares para você continuar produzindo mais para dentro delas né. Eu também não gosto de fazer essas grandes como é que chama, especulações sobre algoritmos, não sei o que, todo mundo que fala sobre “Ah eu conheço o algoritmo do Instagram”, é uma grande mentira, quem conhece é quem escreveu ele, são só especulações mas sei lá numa hipótese aqui, fazendo uma grande tentativa de especular isso, vai saber se plataformas não te dão esse gostinho de “Vou fazer esse post aqui muito bem porque essa pessoas vai se sentir tão bem a ponto de querer fazer mais e mais e mais e continuar gerando grana sem eu pagar R$ 1 para ela”, o Instagram é o empregador maior hoje sabe assim e eu não recebo R$ 1 dele, e eu não recebo direitos trabalhistas, não recebo nada e eu continuo ali todos os dias e acabei de dizer que me machuca eu não receber mil likes né. E para o Instagram é muito bom eu ficar triste por não receber mil likes né porque na semana que vem eu vou tentar de novo

Henrique de Moraes – Sim, você vai se manter na roda né. O próprio Tristan Harris ele fala isso também, não sei quem conhece ou não mas acho que vale a pena pelo menos pesquisar algumas coisas que ele faz que é o cara que tá meio que indo contra aí, tentando tirar um um pouco dessa romantização que a gente faz das redes sociais e mostrar um lado mais complexo, e aí tem ele que é um dos responsáveis pelo “Dilema das Redes”, aquele documentário da Netflix que todo mundo viu e ninguém fez nada depois que assistiu

Lucas Schuch – Várias coisas que a gente viu durante a pandemia

Henrique de Moraes – Exatamente, mas ele fala isso, que as redes sociais as pessoas encaram como ferramentas né mas o que que é uma ferramenta, pega o martelo por exemplo, o martelo tá lá parado, quando você precisar dele você vai pegar e vai usar, depos você guarda ele no lugar dele ali, então como o podcast é um pouco mais isso né assim, ele ele de certa forma não fica, não tem uma plataforma que fica ali te cutucando para fazer mais, para fazer desse jeito, para fazer do outro, muda a forma como funciona para você precisar otimizar e tudo mais, As redes sociais não, elas são como se fosse o martelo que precisasse que você usasse de um jeito específico e de repente ela muda o jeito que você precisa usar porque se você usar do jeito que tá usando não vai mais fazer sentido e que tem uma expectativa, tira essa coisa imparcial, ela tem uma agenda por trás do que ela tá fazendo ali, todo mundo sabe e só que essa agenda, eu acho que esse é o problema né, ela fere muito a gente né cara. Falando do ponto de vista do criador de conteúdo mas eu tô falando do ponto de vista de quem consome também, é surreal

Lucas Schuch – E acho que mais até pra quem consome, acho que a gente ainda consegue ter um olhar privilegiado por você começar a criar conteúdos e se envolver com os números e não sei, você ainda consegue fazer essa distinção do tipo “Ah beleza, aqui é só número. O próprio fato de eu chegar aqui e falar isso e falar a expressão “métricas da vaidade” significa que eu conheço sobre métricas e conheço o funcionamento do algoritmo, conheço o que isso vai me alimentar de ego pra eu buscar isso, só eu ter esse conhecimento já é um lance cara, você imagina o que faz uma pessoa sei lá numa pessoa que não tenha qualquer envolvimento com isso ver um corpo diferente do seu e falar que aquilo ali é o idealizado e o meu não é sem ter qualquer noção sobre como as plataformas estão diretamente envolvidas nisso sacou, é muito mais grave do que onde eu tô enquanto criador ou criadora de conteúdo, eu conseguir olhar para isso e falar assim “Ah não beleza, eu sei que isso é só um recorte das redes sociais e tudo mais” pô cara isso é assustador. Tem um autor que se chama Morozov, ele prega que a internet é o fim dos tempos assim, foi a pior coisa que a gente poderia ter inventado enquanto sociedade assim né. Tem um curso muito legal para criadores de conteúdo que eu sempre recomendo da Quid, uma empresa também incrível, eu fiz esse curso, é um curso gratuito em que você só precisa passar por um processo seletivo e ver se você entra e tal e não tá nada ligada a números então eu entrei quando eu tinha muito menos seguidores e tal, que é justamente para isso, para falar, é um curso sobre democracia para criadores de conteúdo para falar que o Morozov tava errado, que a internet pode ser um lugar melhor né. Mas o fato é, que ele propõe que democraticamente e em tudo que a internet envolve essa forma que a gente criou, plataformas e tudo mais é o pior cenário que a gente poderia ter, enquanto não desligar o botão na internet a nossa cabeça vai para o ralo sabe e ainda que eu tenha feito esse curso e de fato eu acredito que tenham pessoas que assim se a gente fizer coisas muito certinhas e tal e falar mais sobre saúde mental e tudo mais a gente pode melhorar esse cenário, eu não consigo não ser um pouco ele assim sabe, um pouco pessimista no sentido de ver que a gente sempre teve problemas de saúde mental, a gente começou a falar mais sobre isso mas ao mesmo tempo a gente aumentou exponencialmente também os índices de casos de depressão, a geração nativa digital mais deprimida que já houve na história né então é um cenário todo que é isso assim né, que a gente é, o Tulio Custodio esteve no podcast, ele se expressou de uma forma que eu tenho usado isso para tudo assim que é, nós somos vítimas e cúmplices ao mesmo tempo, percebe? Tudo isso aqui que a gente tá falando são duas pessoas aqui vítimas e cúmplices desse processo enquanto criadores de conteúdo e também enquanto consumidores desse mundo ultra conectado que nos faz se conectar tanto com as pessoas a ponto de nos compararmos tanto né

Henrique de Moraes – Nossa adorei, adorei é exatamente como eu me sinto sabe, tipo porque curiosamente por exemplo você pega o próprio, a própria lá entidade por trás do que na verdade o Tristan está à frente muito ela se comunica, ela tá nas redes sociais, que é o centro de tecnologia mais humana alguma coisa assim, traduzindo. E eu vejo muita atualização pelo LinkedIn sabe, então

Lucas Schuch – Lugar mais tóxico do planeta

Henrique de Moraes – É então assim cara, tá ali e é exatamente, você tá falando, tentando quebrar o padrão mas sendo cúmplice, ajudando aquilo ali a se estabelecer porque a partir do momento em que você tem uma audiência ali, as pessoas estão ali naquele lugar, você tá contribuindo de alguma forma, um conflito de interesses esquisito, complexo

Lucas Schuch – Que foi o meu grande debate interno quando eu comecei a criar conteúdo sobre isso e das perguntas que eu mais recebia que era, qual é o jeito certo de romper com o status quo, de dentro ou criticando de fora? E o fato é que não existe essa resposta, as duas formas ajudam de maneiras diferentes, pessoas que estão dentro e decidiram criticar os modelos onde estão e pessoas que optaram por sair, como eu optei por sair de dentro desses, e talvez um dia opte a voltar e sei lá entenda que essa é a melhor forma e beleza mas essa resposta ela é individual e é o limite de cada pessoa escolher né mas tipo assim se não fosse esse ponto que você falou, se não fosse lá, se não fosse o LinkedIn que essa @ decidisse falar, ia ser como? Via panfleto, entregar panfleto na casa das pessoas? Qual é a alternativa? E mais uma vez, novamente é aquele papo da crítica imobilizante, ouvi muito isso “Ah mas você tá criticando mas você é parte do mercado, você tá dando voz” e eu falava “Tá mas qual é então a alternativa? A gente desempregar essa massa toda de pessoas e achar que não vai, ou pregar um socialismo aqui, desculpa mas no socialismo existe propaganda” não é essa publicidade? Não não é, é pra falar do governo mas ele existe, as pessoas estariam empregadas em algum lugar, que crítica imobilizante é essa que você quer que então tipo assim, desemprega todo mundo e vai todo mundo trabalhar no comércio? Eu também não acho que seja uma alternativa né, então qual era a alternativa para essa galera aí? É sair das redes? Eu acho que não, a única forma, eu não conheci nenhuma pessoa que nasceu e no momento do parto teve um formulário para falar “Eu quero viver no socialismo, “Eu quero viver no comunismo”, “Eu quero viver no capitalismo”, a gente nasceu e tava lá, eu só tenho a opção de brigar de dentro, agora para mim né. Tem pessoas que escolhem brigar “Eu vou trabalhar no comércio então”, pô cara eu acho genuíno, eu acho legítimo e justíssimo, concordo, um dia várias vezes já pensei em fazer isso né só que eu achei essa opção menos efetiva do que eu chegar lá e chamar essas pessoas para conversar pra falar “Você tá errando aqui”

Henrique de Moraes – Eu tenho eu tenho um relacionamento bem complexo assim, acho que a gente enfim, eu fico querendo sair, querendo estar e uma coisa que percebi inclusive nas últimas conversas que tive no podcast, foi engraçado inclusive, foi uma revelação pra mim que sempre quando eu puxava o assunto de redes sociais, que tem sido frequente nas últimas conversas porque é uma coisa que tá sendo importante para mim, antes mesmo de eu pensar em voltar a criar conteúdo, mas mais por tudo que tá acontecendo enfim, pelos números que a gente vê e eu percebi que eu entrava nas conversas com agenda. Teve um que foi assim, a ilustração perfeita, acho que o penúltimo episódio que eu lancei tem um tempo assim, eu fiquei um tempo sem gravar em que o objetico do podcast, a intenção era falar sobre redes sociais e todas as consequências que as redes sociais tem. E eu entrei com uma agenda assim, do meu ponto de vista do tipo “Cara isso aqui é Satanás”, aquela visão mesma do Morozov e entrei e falei assim “Meu irmão”, era com a Flávia Lippi, que é a número 53 do calma! e eu entrei assim, você vê na conversa, é até engraçado sabe porque ela tinha uma visão completamente diferente e as últimas três pessoas que eu entrevistei, especialmente as últimas duas que foram a Passa e a Thaís Fabris, elas duas me trouxeram uma visão diferente assim sabe, do tipo “Cara não, tenho um relacionamento ótimo com as redes sociais”, tem seus problemas? Tem como tudo tem então tipo, qualquer relacionamento tem seus problemas mais em geral a relação é ótima e pelo contrário sou muito grata por tudo que a gente as redes sociais proporcionaram e tudo mais, acho que no seu caso por exemplo é uma coisa que é genuína também né, é um espaço que você tem né e que faz com que sua mensagem chegue em mais gente. E aí é engraçado assim, eu fiquei depois pensando nisso até na hora de fazer a pergunta assim, embora eu acabe tendendo pra levar a conversa pra esse lado mais apocalíptico, eu tô tentando fazer as perguntas inclusive sem viés assim sabe, tirar o viés até pra eu poder me sentir melhor porque de fato mudou um pouco minha perspectiva ter essas conversas, foi ótimo eu falei assim “Cara então não é tão Satanás assim”, tem um lado maneiro que tem de fato, a gente sabe que tem. Quanta coisa aconteceu, quanta coisa a gente tem hoje o olhar mais crítico ou pelo menos o mínimo conhecimento sobre que a gente não tinha antigamente né então assim

Lucas Schuch – Total. Eu acho que o ponto disso cara, acho que o equilíbrio é entender que, sim eu também não gosto de fazer esse papel apocalíptico mas é entender que tipo assim, o olhar crítico, eu falo muito isso, o olhar crítico não é pessimismo, não é não gostar, não é torcer contra, muito pelo contrário, o olhar crítico é a gente acreditar tanto no poder dessa coisa

Henrique de Moraes – Se importar né

Lucas Schuch – Exatamente, que quer ver isso transformado. Então tipo assim, me somam a Passa e a Thais, mas é também que você pegou o exemplo de duas pessoas bem resolvidas né, a Thais é meu, a Passa também mas a Thais eu já falei isso no podcast que ela é o meu espelho de pessoa bem resolvida, ela não curte que fale isso mas ela é o exemplo de pessoa bem resolvida para mim, de falar “Quero ser assim” mas assim, eu também sou gratíssimo ao que a internet me proporcionou né, não tem como eu não ser, do contrário eu não tinha uma pessoa do interior do Rio Grande do Sul você acha que ela estaria falando com essas lideranças nacionais de publicidade sabe, você acha que ia ter essa ponte? Eu acho que não, sem a internet eu acho que não. Contudo não significa que eu não goste tanto da internet a ponto de olhar para ela, criticava e falar que a gente precisa melhorar nisso porque senão daqui a 10 anos nem eu e nem ninguém vai conseguir estar aqui aturando uma internet tão tóxica, percebe. Então acho que é nesse ponto, e aí você falou de demonizar, cara a gente faz pacto com o capeta o dia inteiro, a nossa vida é negociada cara, no sistema que a gente vive é negociada, já falei mil vezes aqui porque eu sou de esquerda e trabalho na provavelmente a profissão mais de direita, mais liberal possível que é a manutenção do sistema que eu abomino sabe e tô aí cara e é a vida, isso não é hipocrisia, isso é novamente, não ter tido escolha e a gente vai negociando, negociando críticas. Então a gente faz pactos diariamente cara sabe assim, então é, a internet tem seus problemas? Tem e ainda assim sou grato por ela e a gente segue sabe.

Henrique de Moraes – Acho que nascer já é um pacto no final das contas, como você falou né, você não tem um formulário lá então assim, você já cresceu dentro de um sistema que vai te levar a pensar de uma maneira específica, isso é muito louco. Só um detalhe aqui que enfim, uma reclamação bem idiota, superficial mas queria saber se você se identifica com ela que é, Instagram se você estiver ouvindo a gente aí ó, presta atenção

Lucas Schuch – E tá ouvindo todo mundo

Henrique de Moraes – Tá ouvindo todo mundo, exatamente de uma forma ou de outra né, ele tá escutando ele não tá ouvindo né, uma escuta ativa na verdade, ele só tá lá “Beleza”

Lucas Schuch – Que é o pior tipo de escuta, o mais tóxico possível

Henrique de Moraes – Exatamente, mais tóxico mas que é sobre os stories, eu acho muito engraçado quando você faz uma coisa que não dá, não impacta, não tem engajamento e aí de repente todos os outros estão condenados, seguidos, já percebeu isso? E aí eu fico assim “Cara olha só, isso é tão na cara, vocês podiam pelo menos disfarçar um pouquinho porque assim” o que acontece, muitas vezes primeiro, você nunca vai ter, raramente você vai ter um story na frente que teve mais view que o anterior, normalmente vai descendo.E raramente tem 1 ou 2 assim sabe, alguma coisa muito genérica assim mas nunca vai, nunca tem uma diferença muito significativa. E aí quando cai aquela história que você fez ali que foi em teoria “ruim”, não teve o alcance que você gostaria, aí a seguinte as vezes faz assim, pô não poderia ser só, se a pessoa não engajar com esse mas engajar com o próximo tá valendo também porque vai deixar ninguém mais ver o próximo porque esse aqui foi ruim sabe

Lucas Schuch – E é tipo assim, quando eu faço e pô a minha entrega nos stories é ridícula, ridícula do nível tipo nos dias bons 1000, pra uma conta de 20 mil tá. Nos dias nos dias bons não, nos dias excelentes, incríveis. Nos dias comuns é 400 cara, 400 pessoas. Dito isso, isso que você fala eu vejo muito no dia do Schuchpix eu falo assim “Galera, postei uma treta, uma merda, um problemão que deu na indústria de publicidade, 4 mil views, “Foda”. Imediatamente depois, tem um dia sempre do mês pra ir o Schuchpix no ar né, imediatamente depois é o dia do Schuchpix eu falo “Porra deu 4 mil, uma galera vai ver e vai ajudar, esse mês eu vou pagar as contas” e dá 400 o do Schuchpix, porque? Porque tinha um link, aí pô porque você vai sair do meu app, sair da plataforma a entrega vai ser pequena, pô bicho, na moral cara, é tipo isso, é tipo assim, é tão, eu entendo que não seja maquiavélico do tipo assim “Ninguém sabia que o Lucas, e isso vai levar para o dinheiro da conta, de pagar o boleto do Lucas no final do mês e não sei o que” mas ao mesmo tempo cara é isso que você faz com quem cria conteúdo sabe, você tem formas ali de manter a pessoa só ali, pô bicho é muito cruel, tenho isso demais assim.

Henrique de Moraes – Cara, a gente já chegou aqui, acho que a gente já bateu umas 2h30 de conversa, não que eu queira encerrar isso aqui porque por mim eu ficaria aqui o dia inteiro basicamente

Lucas Schuch – Também cara

Henrique de Moraes – Fazer um podcast de 24 horas mas queria fazer umas perguntas aqui que são perguntas que eu faço mais para o final do podcast que são mais rapidinhas assim, você não precisa responder rápido também não tá, não tô com pressa mas pra começar assim, vou tentar fazer essa pergunta de duas formas diferentes para você ver qual que faz mais sentido, vou usar uma que é o padrão Tim Ferriss de fazer perguntas e a outra do jeito que eu faria normalmente. Você teria de dois a três livros para indicar que de alguma forma impactaram, não precisa ter a ver com criação de conteúdo, não precisa ter a ver com nada assim, livros que impactaram você de alguma uma maneira. E aí se essa pergunta for muito ampla, e aí eu venho pra versão Tim Ferriss que é, qual foi o livro que você mais deu de presente?

Lucas Schuch – Tá bom. Tá, então vou responder a sua pergunta dos três livros. Cara eu preciso dizer antes que eu sou um péssimo leitor, até acho que ajuda a não criar um estigma de doutorandos lêem muito e não sei o que, cara doutorandos lêem muito o seu tema e lêem muito mais artigos, dissertações do que livros então sou um péssimo leitor. Dito tudo isso, tem provavelmente o item de tecnologia que eu menos usei na minha vida, foi o Kindle, comprei e sei lá não uso e tudo mas vamos lá, tem acho que três livros que eu preciso recomendar. Cara então, os três livros, primeiro esse aqui é muito bom, vou começar pelo do Muniz Sodré, “Claros e escuros: Identidade, povo, mídia e cotas no Brasil”, pô esse livro vale muito a pena, o título já ajuda, o subtítulo também mas Muniz Sodré é um autor muito importante pra gente enteder essas, o efeito cotas, é muito legal. O segundo livro se chama “Mil Platôs”, do Deleuze e Guattari, que provavelmente é o olhar, os autores que eu mais uso na minha forma de olhar o mundo no doutorado mas acabou se tornando o pensamento mais importante para eu entender como o pensamento humano funciona, ele fala sobre o pensamento rizomático, é basicamente, são autores da filosofia né mas basicamente que vai explicar porque que não existe resposta única para nada nem dicotomias nem ou sim ou não, então por isso que meu pensamento é tão maluco e eu fico aqui quando vou responder uma coisa minha cabeça fica puxando fios e fios é isso, é um rizoma na verdade. E por fim eu vou deixar aqui o “Publicidade antirracista” porque tem muito a ver com a minha área, organizado pelo Francisco Leite e pelo Leandro Leonardo Batista, é um livro da USP e pô tem artigos aqui que talvez sejam as coisas mais interessantes e recentes que a gente tenha sobre a forma que a gente tem que levar a propaganda hoje assim, tem artigos muito muito muito bons de pessoas muito muito muito incríveis que eu acredito demais, então “Publicidade antirracista” fala sobre sei lá, como eu olho a publicidade nos últimos dois anos no mínimo assim.

Henrique de Moraes – Sensacional, capa bonita né

Lucas Schuch – Lindíssima, esse livro é maravilhoso

Henrique de Moraes – Quando você está desmotivado enfim, a gente sabe que isso é comum né, por mais que as pessoas tentem vender essa

Lucas Schuch – Isso aí é terça-feira à tarde para mim

Henrique de Moraes – Mas quando assim, você entra no loop ali do tipo “Caralho eu sou insuficiente” como já falou que algumas vezes acontece de vez em quando, você tem alguma coisa para qual você recorre além da terapia né que a gente já sabe que é uma coisa que você faz?

Lucas Schuch – Tem uma coisa que chama, além da terapia, tem uma coisa que chama “amigos fora do seu círculo” assim. Cara isso é provavelmente a coisa que mais tem me ajudado que é assim, você ter um círculo de amigos que não tem absolutamente nada a ver com o que você é online. Tem um círculo de amigos lá que obviamente eles vem do meu círculo de amigos da minha vivência em religiões de matriz africana assim, essas pessoas elas não fazem a mais remota ideia de quantos seguidores eu tenho, sobre o que eu posto. Como eu falei antes, eu sou a geração ali que começou a criar conteúdo pós onda de cancelamentos assim, então tinha um medo enorme do cancelamento e tudo que eu fazia era um grande receio assim né. Das vezes que eu errei e fui criticado era para esse círculo que eu voltava e as pessoas falavam “Mas o que é Twitter? Isso não tá acontecendo fora do Twitter cara, isso não existe fora da internet, essa coisa que tá te dando medo não existe lá” então sempre quando eu tô nessa pira do tipo “Tô insuficiente e não sei o que”, essas pessoas elas nem sabem quem eu sou online então esse círculo de pessoas, boa parte delas começou a usar Instagram tipo há um mês atrás, alguns deles nem usam ainda sabe e não são pessoas de outro tempo, são pessoas da minha idade assim só que não são ligadas nisso e essas pessoas não sabem o que é o meu trabalho sabe, não sabem publicidade, não estão muito importadas com isso. Se eu não falasse, não sou eu levar isso para eles eles não estão nem aí para isso e para mim foi ótimo então minha pira é tenha um círculo de amizades que não faz ideia quem você é online, pô isso tem me ajudado muito.

Henrique de Moraes – É eu acho que enfim, puta conselho, usando todo meu paulistês aqui mas eu acho que faz faz total sentido assim e mesmo que as pessoas estejam no Instagram, acho que essa não é a questão, são pessoas que estão com você por motivos completamente diferentes né assim, na verdade sem motivos quase, esse é o problema, não tem uma agenda por trás e eu sou muito próximo de meus amigos e acho que essa é uma das melhores ferramentas para manter a minha sanidade mental assim, só estar junto sabe. Lembrei de uma coisa engraçada que não tem nada a ver com nada mas só porque me lembrou aqui né. Tem o Aziz Ansari, aquele humorista, tem uma série dele que eu acho fantástica que se chama Master of None e ele fala, na segunda temporada ele vai pra Itália e ele fala que ele foi de fato pra Itália e muito das coisas que entraram nos episódios foram coisas que aconteceram de fato que ele depois só adaptou ali pro roteiro. E aí uma das coisas que aconteceu quando ele foi, é que ele foi anônimo, ele não era conhecido na Itália então ele fez um monte de amizade e tudo mais e de repente alguém foi catar ele no Instagram e falou assim “Calma aí Aziz, porque você tem 1 milhão de seguidores no Instagram?”, “Ih não sei deu bug”

Lucas Schuch – Isso aconteceu comigo de tipo, isso aconteceu porque, de novo essa, claro obviamente na proporção que eu tenho aqui e essas pessoas quando começaram a usar Instagram, começaram a se seguir e de novo como você falou, não tem a ver com usar Instagram ou não mas serem pessoas alheias a quem você é. É isso, tenha um círculo de pessoas de pessoas anteriores ao que você se tornou na internet, esse é o ponto. E essas pessoas quando chegaram falaram assim “Porque você tem 20 mil seguidores? Eu tenho 200 e tô achando muito” eu falei assim “É isso cara, é parte do trabalho aí, eu nem cuido muito”, meio que “Não se preocupa tanto com isso, se preocupa em continuar sendo essa pessoa legal comigo que é mais importante que isso”, papo reto isso acontece direto.

Henrique de Moraes – Essa próxima pergunta para mim é uma das perguntas mais importantes do podcast e agora eu tô criando muita expectativa né, eu tinha que ter feito e depois eu podia ter falado. Então a pergunta que eu quero inclusive tá me movimentando pra fazer alguma coisa com as respostas, que é o que que é ser bem sucedido para você?

Lucas Schuch – Aí não sei. Não, é muito difícil. Caraca não tem como. Puta cara se eu responder isso aí eu não tava fazendo terapia hoje, difícil cara. Cara eu vou, puta que pariu. Cara eu acho que vou dizer assim ó, primeira coisa que vou dizer é “Essa resposta tá em construção, ela não tá pronta” mas acho que, de novo, eu falei que era rizomático, não tem uma resposta única também mas tem uma parada que me guia assim é um, pagar as contas, pagando as contas tá ótimo, não precisa sobrar. Claro que sobrar pra uma reserva de emergência acho legal mas se eu pagar as contas e poder ter um dinheirinho para um supérfluo ali, falando em dinheiro esse é o meu ideal, eu tenho muita dificuldade em lidar com a ideia de começar a ganhar muito dinheiro muito rápido, acho que eu não me sairia bem então o meu sucesso pessoal hoje, importante dizer hoje é pagar as contas que eu tenho e boa né. Tenho visto muitos bons amigos assim não se perderem mas com dificuldade de lidar com o fator de “cresci” sabe, cresci, comecei a ganhar muito dinheiro e começou a ficar mais, esse é um ponto. E acho que a segunda coisa que eu tenho como índice de sucesso assim, pô eu acho que tem uma parada que eu acordo todo dia de manhã e eu peço assim, eu realmente peço assim, no que você quiser acreditar assim mas eu falo uma frase que é “Pô que seja um dia legal, que a minha família tenha saúde” então assim quando eu conseguir prover, claro não consigo prover saúde mas se eu conseguir cuidar dos meus é isso, essa é a pira assim então nessa conta do ter dinheiro, pagar as contas uma das contas é prover saúde plena assim. “Pô preciso ir no médico”, vai no médico cara, não bota na balança se, hoje em dia a gente ainda bota na balança tipo assim, obviamente que não falta nada, não vou pregar aqui uma miséria que não existe mas a gente bota na balança, “Pô vamos deixar esse”, hoje eu falei que ia no fisioterapeuta e esse fisioterapeuta eu adiei por uns 2, 3 meses. Podia ter ido antes? Podia e tal, podia tirar daqui, dali mas foi uma escolha porque o dia que eu conseguir prover não uma necessidade de escolha, não precisa sobrar pra sei lá, fazer uma cirurgia desnecessária, beleza não precisa mas para o bem-estar, bem-estar ali, tendo para o bem-estar sem precisar fazer escolha eu acho que a minha métrica de sucesso hoje assim.

Henrique de Moraes – Trazendo de novo aqui algumas das pessoas que eu mais acompanho né, o Seth Godin ele fala sobre isso né, a partir do momento que você tem dinheiro para comida e saúde e teto você tem que se perguntar o quanto mais você precisa né porque a partir dali porque você tá querendo né e o Tim Ferriss também que é uma pessoa que eu falo muito, gosto muito e acho que as pessoas interpretam bem mal assim o conteúdo dele em geral mas ele fala, eu ouvi ele falar isso na verdade esses dias, que era, se você deposita a sua felicidade em qualquer coisa né, futura e a maioria de pessoas coloca em dinheiro e você alcança o sucesso que você almejou e aquilo ali não te traz felicidade e pelo contrário, aumenta as suas neuroses, sua ansiedade e a sua insatisfação, a queda vai ser muito maior porque tipo, se você tá achando que seus problemas vão estar resolvidos quando você atinge aquela meta X ali e eu falei em dinheiro mas pode ser qualquer coisa né. E é isso, você chega lá e de repente é pior porque você não tem nem mais aquilo né então de repente

Lucas Schuch – E tem duas coisas nisso que é, eu acho que tem um dado disso, uma pesquisa científica que fala que existe um número né, salvo engano meu é 17.000 dólares, tô longe de ganhar isso né então tudo bem, não vai acontecer mas depois disso, depois desse valor você não fica mais feliz. Coisas que você tiver com 17.000 dólares por mês você não vai estar mais feliz do que aquilo, já vai ter conseguido então não vai ser mais isso que vai te trazer aquela felicidade ou plenitude né. Eu acho que consigo com bem menos que isso assim, acho que eu já ficaria totalmente, claro isso é uma média científica então eu com bem menos, eu puxo essa média bem para baixo assim, acho que eu conseguiria lidar, não que eu não gostaria de ganhar mas eu acho que eu conseguiria com bem menos ser pleno sabe assim, e a segunda coisa que tem nisso é uma parada que têm me guiado muito nos últimos tempos que é, um bom amigo o Gustavo Nogueira ele me mandou uma vez uma cartinha, acho que era uma cartinha de tarot do Osho uma coisa assim, olha lá vem guru mas como eu já falei isso na terapia também, ele falou “É algumas vezes essas coisas nos fazem sentido”. E aquilo me tocou muito porque dizia assim “Você já comprou, já quis tanto uma coisa, tanto tanto” e no dia que ele me mandou eu tava querendo uma TV, fiquei muito tempo namorando uma TV e aí quando você conquistou aquela parada você ficou com aquela cara de tacho na frente do negócio e falou assim “Tá mas era isso assim, era isso que eu tava esperando?” Cara, depois que eu li isso todas as coisas que eu quero comprar eu fico assim, eu penso “Pô eu vou comprar essa parada e pô vai me fazer bem 20 minutos”, depois vai ser uma TV e não é que eu não ache, animal poder ter acesso a uma TV, isso é foda mas ao mesmo tempo várias coisa eu tenho botado na balança “Cara não vou criar tantas expectativas em ter essa parada porque eu sei qual vai ser a sensação depois que eu tiver ela sabe” tipo assim conquistar a parada é legal mas o sentimento da conquista que tem que ser maior do que o bem material em si então eu tenho que depositar, querer ter o básico tanto quanto uma TV cara sacou? Tipo assim, eu poder pagar um jantar legal com a minha mãe tem que ser mais, tem que me despertar tanta expectativa quando ter uma TV e não pode ser o valor, o preço da parada que me gera essa expectativa senão pô cara é muito frustrante assim, você vê que em dois anos a TV vai estar desatualizada, menos que isso até e toda aquela sua expectativa foi nisso assim.

Henrique de Moraes – Sim, tem muita coisa aí dentro desse meio de sentimentos que dá pra explorar mas enfim, vou tentar seguir aqui pra finalizar essa maratona nossa. Se você pudesse falar com o Lucas, eu geralmente vou colocar o pin em 10, 15 anos atrás, se você pudesse falar com o seu eu de 10, 15 anos atrás mas você pode colocar ele em qualquer lugar da sua linha do tempo tá, aonde fizer mais sentido, no que você diria pro Lucas ter mais calma?

Lucas Schuch – Pô cara em tudo, eu acho que esse seria o grande conselho assim porque eu acho, acho não, quem ouviu aqui 3 horas de conversa sacou que eu sou uma pessoa ansiosa, tenho esse diagnóstico de distúrbio de ansiedade então e o bizarro de tudo isso é que há 15 anos atrás eu não, talvez eu não achasse que eu ia conseguir vencer minha própria ansiedade sacou, que eu era ansioso demais então acho que o principal conselho seria esse mesmo assim tipo, daqui a 15 anos você vai estar num podcast falando sobre como você tá conseguindo ter calma sabe, uma parada dessa assim porque talvez eu nem acreditasse que por conta da minha ansiedade, das minhas questões todas daria certo assim sabe. É foda porque eu acho que agora tô me sentindo bem na terapia assim, vai e volta mas eu acho que a principal ideia que eu tentaria passar uma frase para ele é puta que pariu, sei la. “Ah cara, aposta aí e vai dar certo, ainda que você não saiba o que é o certo vai dar certo, todas as situações que você tá com medo agora elas vão passar e vão virar só uma memória, uma memória pequena lá no fim da sua lembrança então elas vão passar sim”, acho que eu tô dizendo isso mas eu tô dizendo para o Lucas de agora né que daqui a 15 anos essas situações todas vão ter passado né, mas pergunta difícil assim, não sei se tenho resposta pra ela.

Henrique de Moraes – Não mas faz sentido, acho que se a gente conseguisse ter essa percepção

Lucas Schuch – Ah, e compre ações do Facebook, acho que eu diria isso pra ela, “Compre ações do Facebook tal qual lançar, compra e investe em bitcoin, compra bitcoin também”, acho que falaria tudo isso”

Henrique de Moraes – Compra e investe em ação do Facebook e vende no finalzinho de 2022

Lucas Schuch – Compra coisas do Elon Musk e vende antes dele despirocar

Henrique de Moraes – E mas eu acho que se a gente tivesse essa sensibilidade eu acho, de perceber que muita coisa que foi muito importante para a gente lá no passado né hoje em dia não faz a menor diferença, talvez a gente tivesse mais apetite para risco né. O problema é que a gente só tem o presente e cara quando dói alguma coisa dói mesmo né cara assim, acho que a gente já tem até estudos que já mostram né tipo, estudos do cérebro que mostram que as mesmas regiões que são acionadas quando você tem uma dor física são acionadas com dor psicológica né então quando você tá nesse momento de dor né, de estar se questionando é tão difícil a gente ter clareza né cara

Lucas Schuch – É, eu falo isso muito na terapia, aquilo ali vira o seu principal ponto de atenção assim, você só tem aquela ansiedade, aquela preocupação e uma semana depois você fica “Cara como é que eu gastei toda aquela minha energia com aquela situação que era nada, era nada né” mas ao mesmo tempo também é foda que isso não vire uma cobrança, um martírio demais de pensar assim porque eu já entrei nessa pira de desliga, para porque vai ser pouco, tudo bem mas naquele momento eu não consigo fazer isso então encontrar esse balanço, esse meio do caminho, não se cobrar demais porque você não consegue se desprender e de fato se desprender é complexo.

Henrique de Moraes – Eu consegui assim uma coisa que me ajuda bastante hoje né mas é muito particular é isso, eu consegui mapear alguns conteúdos ou práticas assim que me tiram desse lugar, não totalmente, nunca é totalmente, vai consumir energia mas que muda um pouco a minha perspectiva e faz com que pelo menos eu não fique tão na merda sabe. Mas demora, é um tempo, eu vou fazer, vou praticar alguma coisa, vou ouvir esse conteúdo que às vezes por mais que eu tenha escutado eu ouço de novo e falo “Cara é verdade”, então esse salto de perspectiva e eu acho que essa mudança de olhar né, por isso que conversar é importante né, com terapeuta, toda essa mudança de você colocar uma outra visão que por mais que naquele momento específico você vai “Foda-se essa merda”, ainda assim é muito importante. Eu brinco com a minha esposa o tempo inteiro, sempre quando eu viajo de avião eu falo com ela, acho que minha maior mudança de perspectiva é quando eu tô lá no alto e olho para o tamanho de uma mansão e falo assim, tô falando de uma mansão, não tô nem falando de uma casinha pequena ou de apartamento, uma mansão, eu passo e falo assim “Cara é sério que eu tô dedicando a minha vida inteira, toda minha energia vital para comprar aquilo ali, aquele pedacinho, parece uma pecinha de Banco Imobiliário?” sabe tipo, carro então é uma coisa surreal, você fala “Cara eu dedico minha vida inteira”, em detrimento de sei lá, da minha felicidade, de passar mais tempo com minha filha, de passar mais tempo com a minha esposa, de viajar mais, de fazer outras coisas. Coisas que são gratuitas, eu tava brincando com minha esposa também, tadinha ela que ouve todas as minhas, uma pessoa que eu vou é ela e eu tava brincando com isso que eu falei assim, a gente tinha viajado, foi para praia e tal e aí as pessoas sentam na praia, pagam uma fortuna pra ir para um resort e aí sentam na praia e falam assim “Isso que é vida”, a praia é gratuita, aquela não mas assim em geral assim você pode sair pra praia sabe tipo, as pessoas passam um ano inteiro planejando uma viagem para ir para um lugar que é caro sabe para consumir um negócio que é gratuito sabe. Então essas mudanças de você ter esse vai e volta, zoom in e zoom out assim é muito importante para a gente conseguir

Lucas Schuch – Não e também tipo assim, é isso, é o equilíbrio, zoom in zoom out mesmo que é o equilíbrio entre querer, então tipo “Eu quero ir para praia” e isso é genuíno, é legal mas eventualmente você pode se questionar se você quer ir para aquela praia exclusiva que não sei o que, que é a minha pira, você falou uma mansão, cara quando eu tô lá do alto eu fico olhando “É sério que eu quero um iPhone?”, porque um iPhone?

Henrique de Moraes – Que custa uma mansão hoje em dia

Lucas Schuch – Isso exatamente, porque R$ 9.000 num iPhone sabe, e não tô, de novo, não tô colocando, terceirizando isso pra quem por exemplo nunca teve acesso e quer ter um Iphone, eu acho que é legítimo de novo assim, você nunca teve e quer ter, acho jogo mas eu me pergunto pra mim mesmo assim, “É sério que eu já paguei R$ 5.000 num telefone cara?”. E também não dá para colocar assim como tipo “Pô agora eu sou evoluidão, agora eu não tenho essas coisas” não cara muito pelo contrário, às vezes eu tenho essa nóia de novo sabe e beleza e boa às vezes eu quero a mansão e tal mas é um bom termômetro para você ver, para você desenhar sonhos cara, quais são os meus sonhos daqui pra frente né, eu não sei se eu tenho isso meio claro assim, acho que isso é uma das minhas lutas diárias que é, eu não sei quais são os meus sonhos, eu não tenho nada muito planejado, eu não penso muito sobre isso, já tuitei sobre isso, eu não tenho escrito uma lista de 10 sonhos, “Ah quero conquistar tal coisa, quero conquistar tal coisa”. O que eu não sei se é bom ou se é ruim sabe, às vezes eu acho que é bom e ás vezes acho que é ruim mas já me sinto melhor olhando para trás para as coisas que eu já desejei, acho que esse é um bom termômetro, só serve para mim, não serve pra mais ninguém mas quando eu olho para trás eu falo assim “Bom eu já desejei um iPhone”, eu já sofri muito porque eu não tinha um Iphone, talvez hoje eu sofrer muito porque ainda não consigo dar um plano de saúde legal para minha mãe talvez seja mais seja um melhor termômetro para mim do que já foi um dia ter um iPhone sabe

Henrique de Moraes – Boa. Lucas, cara queria agradecer demais

Lucas Schuch – Que isso cara, eu que agradeço

Henrique de Moraes – Pelo seu tempo porque ficamos aqui 3 horas, vamos bater as 3 horas olha aí, eu lembro que quando a gente gravou o “Menos um banner” você falou “Meu objetivo é bater o recorde”

Lucas Schuch – É isso pô

Henrique de Moraes – Você bateu os dois, bateu lá e aqui, mas cara cada minuto foi pra mim riquíssimo, bom demais mesmo, me senti de fato numa sessão de terapia, aprendi bastante e acho que não vai demorar muito e vou te chamar de novo pra gente conversar mais, tem muita coisa pra conversar mas assim cara, são 3 horas do seu tempo então eu de fato agradeço demais viu, obrigadão pela participação, obrigado por tudo

Lucas Schuch – Que isso cara, esse tempo não é gasto, é um investimento pra mim também, aprendi horrores aqui já te falei mais de uma vez assim mas também sou mega entusiasta do seu trampo e tal então pô cara pra mim é um puta aprendizado assim, obrigado por me ouvir aqui e aquilo que já me falaram em algum momento, vou te falar aqui também publicamente, se uma pessoa estiver ouvindo vale a pena cara, continua então tô aqui, tô ouvindo e se uma pessoa ouvir esse papo já vai ter valido a pena, então obrigado pelo convite.