Deborah Folloni

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#58: o que acontece depois que você vende uma empresa?




Deborah Folloni começou sua carreira como designer gráfico em 2011. alguns anos depois, ela enxergou a oportunidade de automatizar parte do seu trabalho usando tecnologia, e assim nasceu a Chiligum Creatives, um AdTech que ela fundou em 2012 e liderou como CEO até 2021, quando a empresa foi vendida para a Vidmob. 

destaques:

  • empreendedora de tecnologia com 10 anos de experiência nas indústrias de marketing e publicidade;
  • destaque na lista Forbes Under 30 em marketing e publicidade;
  • fundadora e ex-CEO da Chiligum Creatives – a primeira solução de automação criativa na LATAM;
  • vendeu a Chiligum para a Vidmob em 2021 (empresa investida pela Adobe Ventures e Shamrock Capital);
  • sólido histórico de entrada no mercado em SaaS (preços, estratégia de vendas, mensagens-chave, lançamentos de produtos, posicionamento e capacitação de vendas);
  • forte histórico de vendas em enterprise e mid market;
  • experiência em capital de risco e fusões e aquisições (2 fundraisers, uma aquisição de empresa – sell side).

LINKS:

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notas do episódio com Deborah Folloni

livros citados:
pessoas citadas:
  • Naval Ravikant
  • Tim Ferriss
  • Bill Gates
  • Paul Graham
  • Ben Horowitz
  • Matt Mochary

transcrição do episódio com Deborah Folloni

Henrique de Moraes – Fala pessoal, estamos de volta com mais um episódio do calma! e com uma convidada que meu irmão, eu tava ansiosíssimo pra ter aqui sendo que não é a primeira vez que ela passa por esse podcast, então para vocês verem que ela causou uma boa impressão da primeira vez e se você estiver aí se perguntando porque que tem alguém voltando enfim, vão ser as mesmas coisas? Não porque essa é a primeira pessoa tem uma volta completa ou seja, a primeira convidada que tava empreendendo quando eu conversei a primeira vez e que agora tá aí, acabou de vender sua empresa e como sou curioso eu quero saber tudo por trás dessa experiência aí, imagino que tenham tido altos e baixos. Então sem mais delongas, seja muito bem-vinda novamente minha querida Deborah Folloni

Deborah Folloni – Obrigada Henricão, obrigada pelo convite, acho que o último podcast que a gente gravou rendeu, muitas pessoas elogiaram então estou ansiosa para o de hoje também

Henrique de Moraes – Eu queria começar pela pergunta, talvez a pergunta mais importante, sem querer criar muita expectativa mas já criando, eu quero que você fique nervosa, momentos de tensão, soem os tambores, que eu fiquei muito tempo inclusive pensando como é que vou formular essa pergunta, difícil né enfim, filosófica, existencial que é, se a próxima vez que eu for pra São Paulo a gente pode estabelecer que primeira rodada é por sua conta

Deborah Folloni – No Habib’s pode, no Habib’s eu posso arcar com todas as despesas

Henrique de Moraes – Tá bom, como se você, toda fitness comesse no Habib’s. O que você come no Habib’s? Me conta uma coisa que você come no Habib’s

Deborah Folloni – Pera, tabule. Tem tabule no Habib’s?

Henrique de Moraes – Acho que tem

Deborah Folloni – Tabule é bom ué, é tranquilinho. Tem glúten por causa do trigo mas assim, tudo bem.

Henrique de Moraes – Dos males o menor né

Deborah Folloni – Mas eu pago sim porque agora eu tenho VR Henrique, tenho VR

Henrique de Moraes – Tá bom vou aceitar essa resposta, não era exatamente o que eu tava buscando mas tudo bem, depois a gente vai amaciando a pessoa ao longo do bate papo aqui e de repente a gente consegue pelo menos um gin

Deborah Folloni – Daqui a uma hora você me pergunta de novo

Henrique de Moraes – Exatamente tá bom, tô aguardando aqui, fiz anotação já. Bom mas vamos lá, falando sério ou talvez um pouco mais sério só do que a pergunta anterior, eu pensem em começar do começo que eu não sei se é um começo, se é um meio, talvez seja mais pro meio ou talvez seja pro fim enfim, que é porque vender a Chili, acho que a pergunta é ampla assim mas se você pudesse me falar mais ou menos quando você tomou essa decisão, o que te levou à essa decisão, o que você pesou a favor, contra enfim acho que já dá pra gente ter um, dar o tom aí da conversa

Deborah Folloni – Legal. Bom, acho que a resposta nesse caso é bem simples, é porque eu tava exausta, eu estava enfim assim foram anos numa correria muito louca e anos assim que beleza assim, eu tinha um propósito muito forte e uma visão de longo prazo só que chega uma hora que cansa você trabalhar nesse ritmo sem realização né então assim, “Ah Deborah você tá cansada? Vai viajar”, não tenho dinheiro meu filho, não tenho dinheiro. Então assim, era cansativo e assim, por mais que eu poderia passar uma imagem de tipo “Nossa e tal, empreendedora”, é óbvio que você se compara com outras pessoas e no caso eu me comparava com pessoas que corriam 1% do risco que eu corria e tinham uma vida com muito mais conforto e é óbvio não vou mentir, é óbvio que quando você empreende você quer ganhar dinheiro e aí eu falava, pensei em desistir várias vezes mas no fim como eu sempre tive um propósito muito forte eu sempre resistia né e eu não tinha nenhum plano B, meu plano B era fazer o A dar certo de outro jeito mas não tinha outro plano então assim, por mais resiliente assim que eu tenha sido eu realmente estava cansada. Eu não fui né buscar uma empresa para comprar a Chili, na verdade esse não tinha sido o gatilho inicial né, a gente em abril do ano passado tava começando a olhar para o nosso series A e aí a gente queria muito que viesse alguém mais estratégico nessa rodada e a gente foi falar com a VidMob que tinha acabado de levantar uma rodada com Adobe Ventures e a gente sempre teve integração com o Photoshop, então tinha tudo a ver e aí a gente foi conversar com eles para eles fazerem parte da rodada na verdade, não era nem para uma aquisição nem nada mas na primeira conversa eles já falaram “Pô a gente tá buscando comprar uma empresa como a de vocês, inclusive já estamos bem avançados numa due dilligence com uma empresa parecida com a de vocês mas se vocês tiverem interesse em participar desse pitch a gente ouve falar muito bem de vocês né pelo Miguel que é o country manager da VidMob aqui no Brasil e a gente adoraria também avaliar vocês para comprar, não para investir”. Aí como eu estava exausta eu pensei “Você jura, você promete?” Porque assim, se eu me capitalizasse, sinceramente hoje a Chili estaria eu diria que uns 250% maior do que a gente tava no passado então com certeza em termos de longo prazo financeiramente isso teria sido muito melhor para mim, meus sócios e etc. Só que a gente, quando você se capitaliza né o empreendedor fica alocado por mais 3, 4 anos numa empresa e eu tava muito cansada, não tinha a menor condição de ficar mais 3, 4 anos cansada mas eu também não tava buscando vender porque eu achei que a gente podia crescer mais antes de eu cogitar uma coisa dessa, só que aí quando veio isso eu falei “Bom é meio cedo né mas tô cansada, acho que valeria a pena” e a VidMob tem uma sinergia absurda né com automação criativa, só dando um contexto a VidMob faz inteligência criativa né então ela mede a performance dos anúncios pelo ponto de vista de criação, então não é audiência, canal, é atributo criativo, cor, talento, call to action, mensagem, etc. e aí ela te dá esses insumos para você melhorar a performance criativa dos seus anúncios, e a performance criativa ela representa, o criativo representa 70% da performance de uma campanha de digital né porque se você não tiver clique, esquece você não tem nenhuma né. Não precisa ser clique, poderia ser awareness mas o criativo é muito importante, então era muito complementar e aí eu falei “Pô é uma história super legal, é uma empresa que a gente tinha de benchmark né a gente usava a VidMob de benchmark pra tudo pra marketing, pra produto então era assim tipo, era o sei lá, não seu quem é o seu ídolo mas é o seu ídolo falando “Quero comprar sua empresa”, eu falei “É óbvio né”, eu achei assim super legal e a gente fez esse processo de due diligence entre, a gente começou a conversar acho que em maio e aí a gente anunciou dia 28 de outubro né. Então enfim, a gente fez esse processo, as empresas que eles estavam avaliando perderam o pitch e eles escolheram a Chili nas palavras deles pela tecnologia que a gente construiu né então no fim a gente fez um investimento bem pesado mesmo em engenharia e foi a realização disso né, foi muito mais do que assim, claro compraram talento, compraram carteira de cliente mas foi muito pela tecnologia porque enfim, a gente comeu sal uns bons anos então a gente aprendeu bastante né, a gente se tornou muito especialista nesses algoritmos de processamento de imagem, em manipular coisas da Adobe né que eram enfim, você pode contratar alguém mas diferente né tipo assim a tecnologia da Chili, uma coisa é você montar um software, vou dar um exemplo, baseado no banco de dados então um aplicativo de delivery por exemplo é um negócio baseado em um banco de dados relativamente previsível né porque tem muita literatura sobre isso e é uma coisa relativamente mais simples de ser feita porque já fizeram muitas vezes antes, se você fizer um algoritmo de processamento de imagem é tudo um grande buraco negro, você não sabe quando vai sair do outro lado então faz muito mais sentido você comprar um time e uma coisa que já existe do que você fazer do zero, nesse caso fazia sentido mas enfim, foi mais ou menos isso. Então estava cansada, por isso que eu vendi e não foi esse o gatilho inicial, não foi assim “Meu Deus tô exausta quero vender” mas já que, já que estava lá, já que quiseram comprar, já que era uma empresa super legal que a gente curtia, eu não teria vendido para qualquer um sinceramente, falou assim “Ah uma agência, vou te comprar” não, é uma empresa de tecnologia americana que eu admiro muito, investida por um player super estratégico onde aprenderia muito porque eu me tornei executiva da VidMob né, hoje sou inclusive até hoje diretora de product marketing lá, então aprenderia muito com executivos, executivos da VidMob assim, os VPs da VidMob são assim Champions League do mercado de tech, a CMO era CMO da Adobe, os VPs eram VPs do Facebook então assim, galera muito senior, muito legal e que eu tenho aprendido bastante então foi uma história enfim, casou bem as, foi uma história muito legal assim, a história da aquisição foi muito legal, não foi porque, tem muitas histórias que são assim vendeu porque deu ruim, no caso a gente vendeu porque deu bom.

Henrique de Moraes – Maravilha. Tem vários caminhos aqui que a gente pode seguir mas vou pegar esse último gancho seu e entender um pouco como tá essa vida de executiva agora que imagino que seja bem diferente da vida de empreendedora e você falou sobre aprendizados com o time de executivos lá da VidMob, se você puder compartilhar coisas que já impactaram de fato, se teve alguma é claro e de repente já fazem parte dessa experiência nova

Deborah Folloni – Tiveram várias. Bom por onde eu começo?

Henrique de Moraes – Por onde seu coração mandar

Deborah Folloni – Tá bom, aprendizados. Aprendizados foram muito assim, só para contexto né a gente foi adquirida em novembro do ano passado então eu tô aqui há um ano já então já deu tempo para aprender algumas coisas então tiveram alguns sei lá, vou tentar listar 3, poderia passar uma tarde falando sobre isso, acho que o primeiro foi com relação a própria integração, acho que todas as empresas que fazem aquisição chegam nessa mesma conclusão é engraçado, salvo exceções né mas geralmente chega nessa mesma conclusão, conversei com algumas pessoas que é você tem algumas maneiras de fazer essa integração, você pode fazer integração matricial, então você integrar funcionalmente, então time de produto vai responder por time de produto, time de tecnologia vai responder por time de tecnologia, etc. E você pode transformar a empresa adquirida numa business unit, da empresa compradora e manter a independência dela com benefício dela estar fazendo parte de uma estrutura maior, tendo benefício de escala, tendo intersecções e aí é otimizada ao passar do tempo. A gente fez uma integração que foi matricial então a gente acabou perdendo bastante agilidade né porque a gente, você pode falar que foi investimento ou perdeu o tempo enfim, depende da ótica mas eu acho que a gente perdeu muito tempo integrando coisas quando a gente poderia estar focado em inovação e focado no ritmo que a gente tava de entregar coisas então isso foi um aprendizado para obter o máximo aí de de ROI post acquisition, acho que é muito importante manter a independência dessa empresa adquirida e aos poucos ir integrando com as áreas funcionais e identificando potenciais intersecções e coisas que você pode otimizar né então acho que esse foi um assim logo de cara, acho que esse foi o primeiro aprendizado tanto para mim quanto pra própria VidMob porque nós fomos a primeira aquisição né da VidMob. Aí assim, eu fui pro marketing né em especial product marketing então só pra dar um contexto sobre o que é product marketing na VidMob, tem empresas em que o product marketing é mais próximo do time de produto e aí o papel né desse time é muito com relação à lançamento de produto, product innovation e quando esse time fica mais perto do marketing ele tem uma cara mais de go-to-market, um pouco mais negócio do que produto. Então assim, tudo que tem a ver com precificação, quem é o ideal costumer profile, quais são os diferenciais competitivos frente às outras opções que você tem no mercado, qual é a oferta, qual é a mensagem, o posicionamento, então tudo que tem a ver com isso cai dentro de product marketing na VidMob e eu sempre fui o go-to-marketing da Chili né, que eu não sabia nem que isso se encaixava dentro da disciplina chamada product marketing, mas eu fazia, era o chief presentation officer da empresa, fazia pricing, fazia mensagem, fazia tudo e aí quando eu falei com o Jason que é o COO, ele falou “O que você quer fazer?” eu falei “Quero fazer isso” e aí eu fui lá. Aí isso não só pra creative automation né, isso pra VidMob como um todo então eu faço parte hoje de um time global, por acaso eu moro aqui em São Paulo mas o meu time fica parte em Palo Alto e parte em Nova York e assim, eu escolhi ir pra esse time porque eu realmente, porque é uma coisa que eu adoro então quando eu adoro uma coisa a chance de eu aprender sobre aquela função é muito maior né porque é uma coisa que eu gosto de fazer. E assim, é um papel muito empreendedor assim porque ele é um pouco de vendas, ele é um pouco de produto, um pouco de marketing, um pouco de CS, ele é muito holístico, bem generalista né depende um pouco de tudo então acho que assim, tenho aprendido bastante assim, hoje tem um negócio que eu tô montando que eu uso muito dos aprendizados que eu tenho no meu trabalho, meu chefe é um cara sensacional com quem eu aprendendo bastante, é um cara que tem muita experiência então eu tenho uns frameworks prontos de como executar essa visão de go-to-market. Eu acho que a diferença da visão de product marketing e go-to-marketing para o go-to-marketing de um time de product marketing para o empreendedor é que o empreendedor, vou dar um exemplo para você, o empreendedor ele tem uma cabeça muito de fazer essa estratégia para o investidor, então por exemplo quem é o seu mercado endereçável? O empreendedor vai tentar falar que é o mercado, “Pô meu mercado endereçável é 600 bi que é o tamanho do mercado de publicidade mundial”, desculpa esse não é seu mercado endereçável, vamos afunilando só que você quer fazer coisas pro investidor ver. Quando você é product marketing, você é muito mais realista porque você fala “Eu consigo atender esse perfil de cliente”, aí você tem ferramentas de segmentação, de target account e etc, você tem tantas target accounts nesse segmento que pagam um ticket médio te tanto então o mercado endereçável realista é esse aqui entendeu, então é tipo você faz pra fora, da porta pra dentro então é muito interessante porque você tem uma estratégia de go-to-market que ela é mais acionável, porque estratégias de go-to-market não é um mercado de publicidade mundial, nesse exemplo assim como se você for uma food tech seu mercado endereçável não é o mercado de alimentação global né então você aprende a ser muito mais realista com o seu potencial de mercado, tô dando um exemplo de como essa função acabou me ensinando muitas dessas coisas, acho que esse é o segundo aprendizado. E o terceiro vem de estrutura, de como as empresas maiores funcionam, pra contexto a VidMob é uma empreas de 400 funcionários global e a gente assim, eu nunca tinha trabalhado numa empresa tão grande né então, e não é uma empresa gigantesca, é uma empresa grande, grandinha mas não é uma empresa gigantesca e a gente, é impressionante como quando a empresa vai crescendo você vai exponencializando os seus problemas de alinhamento, de produtividade, de foco, de comunicação e você subestima muito o quanto, eu tô falando principalmente pelo trabalho de product marketing que ele é muito interdisciplinar, você subestima muito o quanto tempo você vai passar que não é trabalhando e fazendo estratégia, é influenciando outras pessoas a agirem de acordo com a estratégia que você definiu. Principalmente quando aquele time não responde para você, porque na Chili, “Ah eu decidi que agora não é mais mensal, a gente vai vender por quilo”, “Ah porque por quilo?”, “Porque eu quero, sou CEO, obrigada”, agora é tipo você estar pedindo favor, então você tem que ser muito articulado porque aquele time não responde pra você, quando tenho que influenciar um time de vendas a agir do jeito que meu time definiu que tem que agir, aí vai faz sales enablement, só que você fez o sales enablement e não quer dizer que as pessoas adotaram a sua estratégia, aí a gente tem uma série de ferramentas pra ficar ouvindo as calls pra saber se o pessoal tá usando as mensagens e os pricings e os decks que a gente faz porque se não tiver usando como é que eu vou poder dizer que a estratégia tá dando certo ou errado? Não tá usando né então assim a gente subestima muito então acho que não é especificamente sobre isso mas tá sendo muito interessante, vou dizer interessante porque eu acho uma chatice, dizer legal seria realmente uma, eu não sou política né então enfim, não é legal eu acho um saco mas eu faço porque tem que fazer

Henrique de Moraes – É cara, imagino. Quantas pessoas tinham na Chili quando você vendeu?

Deborah Folloni – 30

Henrique de Moraes – 30, tá. Ainda é bem tranquilo de manter uma coesão

Deborah Folloni – Já é meio caotiquinho

Henrique de Moraes – Já é meio caótico

Deborah Folloni –  Já não é mais uma família feliz, já é uma selva, já tem problema, imagina 400

Henrique de Moraes – Sim, exato é uma doideira, porque a gente saiu de sei lá 10 que a gente deve ter ficado aí uns 2 anos com 10 pra 20 esse ano e já é um desafio né e você manter todo mundo não só de ganhar mas manter todo mundo engajado inclusive com direcionamento enfim, com posicionamento, mensagem-chave enfim, essas coisas, imagino 400 pessoas. E tem toda aquela analogia né do barquinho, lancha e transatlântico

Deborah Folloni – É literalmente um transatlântico. Eu entendi esse conceito mas eu nunca tinha vivido isso na pele e é muito pior do que a minha pior previsão.

Henrique de Moraes – Bom. Bom que a gente tá sendo assim, a ideia era ser realista e você já começou falando que tava exausta e falando assim “Cara é muito difícil” agora nessa nova fase então beleza, estamos indo pra realidade do negócio mesmo. Voltando para o início ali né desse processo da venda, quando você percebeu que aquilo estava se tornando uma realidade né e sei lá vamos supor fez contas e começou a pensar que poderia né vir o alívio que você tava tanto buscando e talvez até um conforto né, quais sentimentos que chegam, o que passou pela sua cabeça assim?

Deborah Folloni – Ah muita ansiedade né porque assim, no fim podia dar errado também né, eu podia estar apostando numa aquisição, eles estavam avaliando 5 empresas contando com a Chili, eles podiam escolher outra e eu podia aos 45 do segundo tempo ter que correr atrás de fundraising com outra empresa, não tem como você levar um M&A e um fundraising simultâneo né, é muito cansativo, demanda muito do empreendedor e então assim foi muita ansiedade assim, na época eu perdi tanto peso que eu tava até cabeçuda assim, parecia um minicraque, elas falavam assim “Nossa o que você tá fazendo, tá tão seca, tá tomando alguma coisa?” eu falei assim “M&A”, não podia falar né mas aí quando saiu eu falei “Então é por isso que eu tô magra gente, por isso que eu tô” e era uma funça, era tipo na véspera, nossa na véspera, quando alguém fala “Ah eu tô estressado” eu falo “Você não tá, não é o seu limite, pode ser muito pior”. Por exemplo hoje no meu trabalho, claro que é estressante mas não tem nada remotamente assim, minimamente perto do estresse que foi o ano passado e foi a vida né toda né mas em especial nessa fase do M&A então assim, quando ficam falando que estão estressados eu falo “Não é desfazendo de seu estresse mas não tá não, tá um pouquinho, talvez 80% de sua capacidade máxima, 70%” e aí a gente na véspera chamou todo mundo porque tinha muita gente de fora de São Paulo, a gente comprou passagem para todo mundo e falou “Vem aqui para São Paulo”, ninguém sabia o que a gente ia anunciar, sabia que a gente ia anunciar alguma coisa, não sabiam o que era. Isso sei lá numa quinta-feira, quarta-feira 9 horas da noite a gente estava em reunião com os advogados e não tinha assinado ainda, e todo mundo em São Paulo já esperando, ia ser 10 horas da manhã o negócio, aí meia noite mais uma reunião com advogado, não tinha assinado ainda, quando foi 3 horas da manhã aí sim foi quando eu recebi o doc sign, assinei, acordei 6 da manhã, me atrasar com calma e tal, aí olhei lá e tava faltando uma assinatura, falei “Gente eu não vou anunciar isso sem que ter todas as assinaturas”, era 10 da manhã e assinou 9:10h. Aí assim, isso é estressante entendeu, qualquer outra coisa tipo assim, você voou, gastou uma puta grana pra trazer, grana que a gente mal tinha pra trazer todos os funcionários pra São Paulo, não tinha nem um contrato assinado mas depois assinou. Mas assim, isso que eu falo, é o que eu senti, ansiedade, estresse, um pouquinho de medo né porque podia dar muito errado também mas depois é um alívio assim, esse dia que a gente assinou foi literalmente o melhor dia da minha vida porque não foi só pelo pix, o pix realmente foi muito bom mas assim o mais legal foi tipo, primeiro ver todo mundo junto pela primeira vez porque a gente cresceu durante a pandemia então foi a primeira vez que todo mundo se encontrou e depois porque muitas pessoas que comeram sal comigo durante anos e poderiam ter desistido, poderiam ter desistido, eu não podia desistir, eles podiam, mudaram a vida deles também né então eu “Falei para vocês confiarem em mim” aí eles confiaram e foi super legal, isso não tem preço, isso realmente não tem preço.

Henrique de Moraes – Eram pessoas que foram vestidas ao longo do processo?

Deborah Folloni – Exato, eu acelerei o vesting de todo mundo, todo mundo que tinha vesting eu acelerei o vesting porque teoricamente eles não tinham vestido tudo mas acelerei o vesting de todo mundo.

Henrique de Moraes – Boa, que legal. Pela sua fisionomia dá para perceber que essa foi a parte, talvez uma das partes mais legais né

Deborah Folloni – Foi a parte mais legal

Henrique de Moraes – Foi a parte mais legal, deve ser ótimo mesmo, imagino. Tá e aí beleza, exaustão, estresse, loucura, alívio. E aí o que acontece a partir da tal linha de chegada, o que que mudou depois, o que que não mudou, o que você achou que ia mudar e que não mudou?

Deborah Folloni – Primeiro obviamente né, minha vida mudou absurdamente porque antes, assim bom gosto eu sempre tive Henrique o que faltava eram os recursos né, então me dei alguns presentes e tal, presentes acumulados que eu não me dei nos últimos sei lá 8 anos, fiz um plano, tipo plano JK sabe 50 anos em 5, mais ou menos isso que eu fiz esse anos mas sempre obviamente com juízo porque eu não sou louca, tanto trabalho para ganhar esse dinheiro não vou gastar ele nunca e paz, por um tempo paz né porque realmente precisava descansar por um tempo e assim, todo mundo fala “Nossa Deborah, como você faz tudo, você lê, você medita, você treina, você tem um negócio, você tem 15% de gordura e não sei o que, também quero ser igual a você”, não queira, você vai ter burnout, não queira, não queira equilibrar todos os pratinhos porque aí quando você quer equilibrar todos os pratinhos o pratinhos, vai cair o da sua saúde mental, isso é fato, não tem uma pessoa que eu conheço que quer ser bem sucedido 360 na vida e não pifa, todo mundo pifa, aguns pifam antes, outros depois mas assim, 100%. Aí assim eu falei “Vou descansar, eu vou descansar” só não descansei da academia que isso eu continuo treinando e sempre vou continuar mas assim, falei “Vou descansar por um tempo, não vou ficar arranjando sarna pra me coçar, vou só focar em retomar a minha saúde mental que estava inexistente naquele período assim”, inexistente no sentido acho que, vou falar disso depois, vou guardar, vou guardar e a gente fala disso depois, me lembra de falar sobre criatividade para empreendedores, muito importante. Mas eu queria descansar e eu não conseguia né pô fazendo reunião 10 horas por dia no meets, exausta não conseguia ter tempo para tirar um coelho da cartola, não tinha mais coelho da cartola, eu sentia que estava esgotada, não tinha mais nenhuma criatividade dentro de mim então eu precisei tipo realmente dar uma descansada e aí quando você descansa primeiro assim, teve uma euforia inicial porque realmente tudo que eu queria eu consegui e aí depois eu comecei a ficar com tédio né porque eu falei “Ai gente tá tudo muito, não tem uma DARF pra pagar, tudo muito calmo né” e aí eu comecei a buscar inspirações né de probleminhas para resolver né, comecei a arranjar uns negocinhos e tal e aí comecei a dar umas mentorias para empreendedores e aí eu comecei a buscar um propósito novo para minha vida porque o meu propósito com certeza não é ficar aqui na VidMob, desde o primeiro dia eu falei isso para o Jason que é o co-founder da VidMob, eu falei “Não se iluda tá, não é uma questão de se eu vou sair mas quando, eu com certeza vou sair daqui para montar outro negócio mas por enquanto tô aprendendo e vou ficar aqui” então né já comecei até aí umas, comecei a ter umas ideias aí e depois teve uma que eu falei “Essa aqui que eu vou fazer” e comecei a investir nesse projeto, ainda part time assim, ainda tô cumprindo meu ciclo na VidMob mas assim é isso que mudou, no geral.

Henrique de Moraes – Tá. Nossa eu tô contando os dias para não ver DARFs na minha frente, ou pra pelo menos delegar pra alguém pagar no meu lugar só pra eu não ver pelo menos mas tudo bem, acho que foi o momento mais inspirador que eu tive na minha vida agora, imaginar um momento, um dia sem DARFs pra pagar mas tudo bem

Deborah Folloni – Você vai sentir falta

Henrique de Moraes – Talvez de outros pagamentos, não o DARF

Deborah Folloni – É que o DARF é bom, você só paga quando você ganha dinheiro

Henrique de Moraes – É verdade, isso faz sentido. Olhando aqui de longe enfim, eu percebi assim e não sei se é uma percepção que foi pautada, guiada ali né por conta da história mas eu sinto você mais confiante sabe, com um olhar diferente, com uma cabeça mais erguida. Você sentiu alguma coisa diferente da maneira como você sei lá, sua postura no dia a dia até porque assim, tudo bem só de você sair de um lugar de exaustão né e beirando o burnout, estresse

Deborah Folloni – Beirando não, no auge

Henrique de Moraes – No auge exatamente, já ultrapassando o limiar seguro

Deborah Folloni – Era meu estilo de vida, sabia nem que tinha outra vida

Henrique de Moraes – Dieta do burnout, entendi. E assim você não ter mais tudo isso, pesando eu já imagino que isso faça com que você já ande um pouco mais leve mas em relação a como você tá se sentindo sabe, muda, você acha que mudou alguma coisa?

Deborah Folloni – Com certeza porque assim, no fundo acho que todo mundo assim, pelo menos as pessoas mais próximas minhas, sempre me viam como uma pessoa bem sucedida e etc só que na minha cabeça, isso sempre tive desde muito cedo, para mim eu tinha uma meta de ser bem-sucedida cedo e você me falou isso no último podcast, que eu levo até hoje pra você ver como eu lembro, essa cabeça é grande por um motivo que o sucesso é muito relativo, a definição de sucesso para as pessoas mas que tinha uma convidada sua que tinha falado que sucesso é ter orgulho da sua própria trajetória, ela falou isso. E aí na minha cabeça eu teria orgulho da minha própria trajetória se eu tivesse 3 coisas, uma era dinheiro não posso mentir, dinheiro é bom demais,  2 esse reconhecimento então no caso eu sempre quis sair na Forbes e eu consegui e 3, fechar um ciclo né então botar o avião no ar e pousar em segurança em algum lugar, também consegui fazer isso então montei uma empresa, coloquei ela para rodar e vendi. Então assim, a minha percepção com relação a mim mesma, porque eu acho que é daí que vem toda a confiança com certeza ela mudou porque antes era tipo assim “Nossa você é super bem sucedida, inteligente, maravilhosa não sei o que e tal”, “Sim mas não tenho dinheiro” dinheiro é tipo uma super validação né quando você faz um bom trabalho e isso me frustrava muito então assim a minha percepção com relação a mim mesma como certeza mudou e a percepção dos outros com relação a mim obviamente muda também porque tipo assim, sinceramente eu não sou melhor ou pior do que era antes, talvez eu tenha aprendido umas coisas novas esse ano mas imediatamente depois que a gente anunciou, tipo as pessoas já me viam de uma outra forma e eu com certeza me via de uma outra forma, então

Henrique de Moraes – Esse é um ponto esse ponto que eu acho interessante assim porque eu vejo muito essa alteração de status acontecendo né, toda vez que alguém atinge algum milestone que tipo valida de alguma forma o que ela ta fazendo e é curioso né assim porque, foi como você falou, você não mudou tanto, talvez você tenha aprendido algumas coisas mas a forma como as pessoas se enxergam muda e a gente tem uma coisa que eu acho que é o que mais gera ansiedade, pelo menos para mim e para muita gente que eu converso que é essa validação de uma plateia invisível né, vamos colocar assim, que tem ali, você conhece, imagina que você tá sei lá, tá num estádio, você tá em cima do palco e você tem uma plateia enorme. As pessoas que estão na fila da frente você consegue reconhecer né, você consegue ver ali de repente mas as pessoas que estão atrás você não sabe quem são e eu tenho muito essa sensação de tipo, que quando a gente tá empreendendo ou fazendo qualquer coisa né, no final das contas não só empreendendo, a gente busca validações mas de pessoas que muitas vezes não fazem a menor diferença na nossa vida né mas por algum motivo a gente fica o tempo inteiro e é uma ansiedade assim né você pode sei lá, pode vir uma pessoa como você falou, um amigo, um conhecido falar “Caraca você é muito foda, você tá indo bem, de repente você ainda não fechou esse ciclo aqui mas eu tenho certeza que vai fechar” mas dentro da gente a gente tá naquela coisa, um nervosismo, uma sensação de tipo “Não cara eu fiz nada ainda, eu tô aqui pequenininho” e acho que até um dos motivos pelo qual eu tava ansioso pra ter essa conversa era isso, entender assim, depois que você consegue essa validação, 1 se muda, já falou que muda um pouco né mas você mudou a hierarquia, do tipo agora você tá procurando validação de uma galera diferente, de uma camada diferente que você não buscava antes?

Deborah Folloni – É uma ótima pergunta mas eu acho que em parte sim porque tipo do começo você sempre se compara com os seus pares e seus pares vão mudando, então conforme você vai crescendo e etc e claro sem nenhuma ingratidão ao que eu conquistei, tenho super gratidão a tudo mas você vai ganhando perspectivas diferentes e você fala “Tá beleza qual o próximo nível?” e muito também pelo propósito que eu tenho na minha vida porque eu quero entregar um mundo melhor do que eu encontrei então você sempre quer causar impacto e aí você fica viciado em causar impacto, você fala “Tá, legal eu quero fazer de novo” e quando você faz de novo, quando você causa impacto geralmente você é recompensado por isso né então sim, acho que você muda um pouco a, você vai tipo se comparando com talvez outras pessoas, outros pares.

Henrique de Moraes – Sim, tem o Naval Ravikant ele fala isso, o único problema dos nossos desejos é que eles são contratos que a gente faz com a gente mesmo pra se sentir infeliz até conseguir o que a gente quer, e ele fala assim que sempre vai ter alguém mais alto, sempre vai ter um desejo maior, uma montanha maior enfim e se a gente pelo menos não tá consciente disso e fazendo, sabendo que a gente tá seguindo um, entrando numa esteira que não tem fim, achando que a felicidade está só ali no fim e depois dele beleza, felicidade eterna, se você não tá ciente que não, a felicidade vai ser efêmera né ainda assim por mais que seja uma realização, acho que isso leva muita gente à frustração. Tava até ouvindo esses dias o Tim Ferriss falando isso, um dos últimos episódios assim, achei interessante que eu acho que nunca tinha ouvido ele falar tão honestamente sobre o dinheiro apesar dele falar que o dinheiro não levou à felicidade, sempre falou isso, dinheiro não trouxe felicidade e não sei o que mas ajuda mas não foi o que mudou a vida dele mas ele fala isso, que a vida inteira dele ele passou achando que o momento em que ele tivesse dinheiro todas as inseguranças dele seriam eliminadas, automaticamente eliminadas e ele fala que quando ele ganhou dinheiro foi pior porque primeiro, não só as inseguranças continuaram, outras inseguranças surgiram e ele ainda não teve a realização de que ele achava que sei lá estaria livre então assim, ainda teve a decepção de não se livrar de tudo isso, no topo de tudo. Então ele falou tipo assim, “A decepção, minha frustração foi muito pior, eu entrei num nível de depressão que eu nunca tinha entrado” e aí enfim depois ele vai descobrindo como fazer, como usar o dinheiro como recurso que ajuda ele a fazer as coisas que ele quer fazer, os próximos passos.

Deborah Folloni – É o dinheiro ele é importante mas você não pode ser escravo dele né porque senão enfim, tudo de bom que ele poderia te trazer ele acaba tendo um efeito meio que reverso, mas

Henrique de Moraes – E não só o dinheiro né, tudo isso, tudo que a gente falou de reconhecimento, tudo isso é sempre muito bom, lógico cara, você conquistar coisas é sempre maravilhoso desde que tenha esse cuidado eu acho né de tipo não achar que toda felicidade do mundo tá ali no final daquele ciclo, naquela linha de chegada. Acho que você fala inclusive uma coisa interessante sobre isso no podcast antigo, quando você fala sobre gratidão, você inda pratica, ainda escreve como é que tá isso?

Deborah Folloni – Eu mudei um pouco o formato, eu tenho rezado ao invés de escrever e como eu não tenho nada pra pedir eu só agradeço. Na verdade eu peço, eu peço, não mas é verdade, não só em relação com dinheiro, em relação à tudo mesmo, família maravilhosa todo saudáveis, tenho amigos maravilhosos enfim, não tenho nada pra pedir. Na verdade pra não falar que eu não peço nada eu só peço três coisas toda vez que eu rezo, sempre peço, deixa eu pensar na ordem dessas 3 coisas, as 3 coisas eu sei deixa só eu pensar na ordem que faz mais sentido. Eu peço sabedoria para entender sinais porque se você tá aberto assim né, Deus sempre te dá um sinalzinho, só que se você não tá prestando atenção você não percebe. Paciência para viver os ciclos que ele acha que eu tenho que passar e coragem para agir quando ele me der os sinais de que eu preciso fazer alguma coisa, são as únicas coisas que eu peço. E aí sei lá, acho que esse tempo aí que eu tava muito focada no trabalho e etc eu usei isso tipo como um motivo para assim, desculpa para me desconectar com Deus e aí eu não tinha nem coragem de pedir nada, eu falava “Eu não falo com Ele nunca, não posso nem pedir nada pra ele.” E aí esse ano eu falei “Meu, eu preciso, não dá”, sempre falta alguma coisa, acho que quando você tem esse sentimento de que você tem tudo que você pediu na sua vida inteira e tá faltando alguma coisa, geralmente é falta de Deus no seu coração então aí eu comecei a rezar e aí eu acho que quando você tem fé e quando você se agarra na única coisa que é eterna na sua vida que é Deus né, tudo é passageiro mas Deus vai estar lá né então quando você se agarra na única coisa que não é volátil na sua vida, aí a sua ansiedade diminui né porque, tende a diminuir né, claro que continuo sendo ansiosa mas é impressionante assim, me dá muita paz assim sempre que eu tô com uma questão que eu tô ansiosa, é que isso já é um hábito, independente de estar ou não ansiosa eu rezo, mas principalmente quando eu tô ansiosa não é necessariamente que é uma mágico lá e agora tirei toda a ansiedade mas é que só pela intenção quando você faz uma oração e você coloca uma intenção de não ficar ansiosa com a situação que é tipo “Estou dando o meu melhor, o que tiver que ser será” mas posso, quase uma coisa meio estoica né de você tipo “Bom isso aqui está no meu controle, posso dar o meu melhor, posso ter tudo que preciso fazer”, o resultado disso não tem o menor controle então entregar nas mãos de Deus, aí você fica um pouco menos ansioso

Henrique de Moraes – E você tem alguma religião específica?

Deborah Folloni – É uma mistura assim, eu tenho filosofias religiosas porque eu não gosto de muito de religião porque acho que ela limita muitas coisas, acho essa coisa de tipo julgar uma pessoa porque ela fez isso ou aquilo, não necessariamente ela é má pessoa por causa daquilo né então é isso assim eu não tenho nenhuma específica, meus pais e minha família católica mas muito por uma linha mais espírita então é uma coisa que eu me identifico mais mas até aí também eu tenho uma hamsá tatuada aqui então budismo também eu gosto muito da filosofia mas minha família é mais espírita e sempre acreditei em vida após a morte, etc então é mais a coisa que eu sigo mas eu acho que é sempre independente de quem seja, ninguém sabe exatamente né quem é Deus, não tem nenhuma coisa científica né mas eu acho que uma coisa que quem tem uma religião todo mundo realmente têm em comum é que você acredita que tenha não sinceramente, quando era criança eu pensava em Deus era tipo um velhinho de túnica, barba branca sabe com cajado, voz grossa assim “Deborah, Deborah” e aí hoje eu vejo mais assim como uma energia criadora entendeu, não necessariamente é uma pessoa.

Henrique de Moraes – Você frequenta algum lugar?

Deborah Folloni – Não, não tenho o hábito de ir não. Vez em quando eu vou num centro espírita mas vez em quando, faz um tempo assim que eu não vou.

Henrique de Moraes – Acho que uma coisa que eu por exemplo sinto falta, eu já tive uma religião, então frequentava o espaço e eu acho que a parte de você pertencer, ter uma comunidade, ter pessoas ali e todo mundo tá se movimentando por um propósito único é uma coisa que faz falta. A gente tem um pouco disso né, tem a religião do empreendedorismo mas

Deborah Folloni – A seita

Henrique de Moraes – Exato mas ainda assim eu acho que é uma, tem vários estudos e pesquisas que mostram a importância de você ter essa comunidade e de você se sentir pertencente a alguma coisa, especialmente que busca um propósito maior e hoje eu sou meio agnóstico assim e sinto falta desse tipo de, o que eu mais talvez sinta falta na parte da religião né de ter uma comunidade a qual pertencer, além do trabalho, além de amigos e tudo mais. Mas enfim, assuntos diferentes, queria voltar pra quando você deixou ali, deixou a deixa de criatividade para empreendedores, o que isso significa?

Deborah Folloni – Então, você falou do Naval e eu ouvi um podcast dele, eu amo esse cara ele é maravilhoso, filósofo

Henrique de Moraes – Surreal

Deborah Folloni – Maravilhoso, o livro dele é maravilhoso, maravilhoso. E é um podcast até bem curtinho, nada próximo desse que a gente tá gravando aqui né mas é tipo sei lá 20 minutos e aí ele fala uma coisa que eu sempre defendi porque eu sempre fui uma pessoa muito criativa e ele falou uma frase que me marcou muito que é “O empreendedor, o founder né, ele deveria ser a pessoa mais criativa da empresa porque a criatividade dele é a que gera maior alavanca na empresa”, todo mundo deveria ser criativo mas em especial a criatividade do founder é a que tem o potencial de alavancagem maior. Então num pequeno insight você pode impactar um negócio inteiro só que como que você vai ser criativo se você tem reunião das 8h às 20h?Não tem espaço, não tem como então no caso dele né ele acabou saindo do cargo de CEO da AngelList, virou chairman, é que no caso dele é uma utopia assim que eu acho que não tenho e nem quero isso mas ele falou assim “Hoje não tenho agenda”, tipo

Henrique de Moraes – Nossa

Deborah Folloni – Isso é riqueza, entendeu?

Henrique de Moraes – Isso é riqueza

Deborah Folloni – “Eu não tenho agenda”, o cara fala “Vou te ligar amanhã, pode ser às 11h?”, ele falou “Cara me liga”. Ele falou que tem um assistente pessoal que às vezes lembra ele de umas coisas importantes mas ele não tem agenda, isso é riqueza. É só você ver como você se comporta num sábado, domingo que você não tem compromisso a menos que você lote o seu sábado e domingo de compromissos, o quanto você se sente leve, imagina você vivendo assim um ano inteiro? Porque realmente o fato de você ter horário para tudo causa um estresse, consome ali sua memória RAM e tudo que consome essa memória RAM te impede de ser criativo né e além de tudo, além dos compromissos com os horários você tá na função o tempo inteiro resolvendo pontualidades, resolvendo né buchas sem contar com o fato de que o CEO é um imã de bucha né, de buchas avançadas porque não chega para o CEO uma bucha tranquilinha, chega uma bucha que nenhuma pessoa, ninguém do management team conseguiu resolver aí tiveram que escalar para você, então só bucha avançada né, como é que você vai ser criativo? Não tem como e aí por mais que você fale assim “No meetings Thursday”, esquece vai surgir uma bucha lá também entendeu e se surgir você vai parar para resolver. Então isso foi assim, é uma coisa que eu sentia muita falta e talvez você ache que eu esteja mais confiante mas também uma coisa que eu tenho hoje é brilho porque antes eu tava sem brilho, tava morrendo, não fazia tipo assim, hoje meu trabalho é muito criativo então eu consigo ser muito criativa na maior parte do tempo e isso para mim é muito energizante né e tem até no livro que você estava lendo semana passada do “The Great CEO Within” que ele fala de energy audits né, quando você vai fazendo uma flag “Isso aqui me energiza, isso aqui me drena” se eu fizesse essa análise no trabalho que eu tava fazendo nos últimos meses na Chili, era só coisa que me drenava, não tinha nada que eu fazia e falava “Nossa que gostoso fazer essa atividade” não então assim, pra mim o que me energiza é momentos, picos de criatividade criativa que obviamente eles nascem no ócio, quando você não tem, “Daqui a meia hora eu preciso sair porque tenho uma reunião” não, tenho aqui 3 horas, 4 horas, 10 horas sei lá sem nada pra fazer, só criatividade, aí são os momentos que eu perco a noção do tempo, que eu “Pô olha só quando eu vi passou 4 horas e tô fazendo aquele negócio”, esses são os momentos. Só que eu não tinha como, tava com muita dificuldade na Chili de criar esses momentos que me energizavam e acho que qualquer negócio que eu vá fazer daqui pra frente vou sempre tentar preservar ao máximo essa capacidade criativa, delegar ao máximo assim as coisas que, desde o começo as coisas que não precisa ser eu para resolver para que eu fique com essa criatividade sempre aflorada e sempre me energizando porque se eu tenho coisa que me energiza o tempo inteiro aí eu não tenho fim, é tipo eu consigo correr quantas maratonas forem preciso porque não tá me drenando, tá me energizando né.

Henrique de Moraes – Sim, não à toa alguns empreendedores fazem aquela tal daquela Think Week, tipo o Bill Gates que sai e tipo fica isolado sem internet, sem acesso à ninguém e fica só ali com livros, escrevendo e pensando porque de fato você precisa escapar né, tem escritores que falam isso né que a única maneira de escrever é ir para um lugar onde ninguém te acesse e você não acessa nada e ficar entediado, quando o tédio bate a coisa mais legal que você tem para fazer é escrever, então faz sentido. E tem uma, eu tenho tentado usar hoje mas que lógico, eu consigo pelo momento do negócio que ainda é pequeno, aquela agenda do Paul Graham o nome dele né?

Deborah Folloni – Do Y Combinator?

Henrique de Moraes – Isso, exato que ele fala sobre isso, que um dos maiores, uma das maiores dores e que desmotiva os empreendedores é que de repente a agenda dele ele vai ver que não tá mais no controle e ele só trabalha e não faz mais o que ele gostava de fazer que era normalmente, trabalhar com tecnologia é fazer código, escrever código e aí ele fala isso, você separar a sua agenda nesses dois momentos né, na agenda maker e na agenda sei lá, não lembro o nome que ele dá e que você separa bem isso então sei lá você tem 3 horas onde você vai ficar focado no que você gosta de fazer e o restante do dia é tipo compromissos que você tem que ter, reunião, essas coisas e tal. Não necessariamente vai te ajudar a ter esses insights criativos porque eu acho que grande parte dos insights criativos vem de fato do ócio ou do banho

Deborah Folloni – É verdade, é verdade, eu queria um notebook assim à prova de água pra deixar no banheiro lá

Henrique de Moraes – Exatamente, botar um negócio em que você consiga pelo menos falar né tipo mandar mensagem de voz para você mesmo.

Deborah Folloni – Porque realmente é isso, você começa a dar uma relaxada e começam a vir um monte de pensamentos e você vai dando uma filtradinha, vai arranjando o que serve e o que não serve.

Henrique de Moraes – Cara você falou no Naval né e eu acho que eu fico tão triste na verdade que o conteúdo dele não tá em português sabe, que não existe e eu já pensei em traduzir muita coisa dele porque eu acho que muitas coisas que ele fala são filosofias de vida que deveriam ser incorporados por muita gente sabe tipo, faria muita diferença pra outras pessoas

Deborah Folloni – Acho que o almanaque dele tá em português sim

Henrique de Moraes – Ah tá em português? Olha aí, não sabia. Eu tenho a versão em inglês no Kindle e assim, os podcasts são todos em inglês né

Deborah Folloni – Isso sim mas o livro dele tá. É que o almanaque do Naval apesar de ser um livro bem legal não é um livro que ele escreveu né, é um compilado de tweets dele que aí fica meio solto. Assim, as passagens são muito legais mas é um livro que apesar do conteúdo ser legal ele não tem muita sequência, é meio solto assim mas os podcast fariam muita, seriam um serviço para o mundo 

Henrique de Moraes – Pois é, eu lembro de, tem aquele “How to Get Rich” que apesar do nome né, “Como ser rico” não tem a ver só com a riqueza financeira né tipo tem muito mais a ver com uma realização assim né como um todo, olhando mais para felicidade, acho muito foda assim e eu já recomendei esse podcast pra tanta gente, tanta gente que eu deveria ter um link de afiliado do Naval assim

Deborah Folloni – Ele é maravilhoso, é um super filósofo além de ser um empreendedor né porque tem muitas pessoas que são filósofas e não realizam nada nas suas vidas a não ser ficar filosofando, mas ele é um executor e um filósofo, isso é muito raro de encontrar.

Henrique de Moraes – Te perguntar uma coisa Debs, considerando esses, foram mais de 10 anos não foram, na Chili?

Deborah Folloni – Desde que eu comecei como freela e etc, porque eu comecei como freela e o freela virou uma agência chamada Chili e depois Chili virou uma de tech foram tipo quase uns 10 anos mesmo

Henrique de Moraes – Tá então considerando esses 10 anos aí de jornada, pensando nos períodos de 300 reais na conta sem tirar salário, duas perguntas, você acha que um, valeu a pena e dois

Deborah Folloni – Sim

Henrique de Moraes – Boa maravilha, resposta rápida, aquelas SIM, NÃO das cabinezinhas, e agora a segunda pergunta, você recomendaria pra alguém que tá começando a pensar agora em empreender?

Deborah Folloni – Sim

Henrique de Moraes – Sim

Deborah Folloni – Você viu que eu nem pensei né, “SIM. Você recomendaria largar CLT, VR, plano de saúde, segurança e saúde mental por empreendedorismo?”, “SIM”, mil vezes sim.

Henrique de Moraes – Acho que é uma coisa que está dentro da gente né, é difícil

Deborah Folloni – É porque assim hoje né, eu sempre gosto de fazer planejamentos de longo prazo pra minha vida né, então eu já sei o que quero fazer daqui a 10 anos

Henrique de Moraes – Peraí, peraí, como você faz isso?

Deborah Folloni – Ué, vou fazendo

Henrique de Moraes – Só planejamento assim ou você tem no papel, você tem alguma metodologia que você usa, quero saber isso aí

Deborah Folloni – Tenho sei lá uma visão e aí tem os passinhos pra chegar naquela visão. Na verdade pra não dizer que tenho, como sou muito nerd né, não é sempre eu já fui mais disciplinada mas eu tenho OKRs pessoais, tenho uma planilha se você quiser eu te passo. Mas é verdade, tipo assim eu tenho uma menina que eu dave mentoria, a Júlia, só um parêntesis depois eu volto, que eu passei isso para ela, ela queria aprender a falar inglês. Na verdade o contexto foi, era uma iniciativa de uma amiga minha maravilhosa que chama André, ela reuniu 200 mulheres executivas empreendedoras para mentorar 200 meninas em situações de vulnerabilidade e etc e essa minha amiga era presidente da Education First, que enfim dentre muitos dono da English Live etc e aí elas deram bolsas de estudos para essas meninas, e aí eu acabei virando mentora da vida dela mas o essencial era pra acompanhar ela pra ter adesão ao curso de inglês e eu criei as OKRs pra ela aprender inglês então o objetivo era aprender inglês e os outros era tipo assistir 3 horas de seriado em inglês por semana, ouvir um podcast em inglês por semana, ler um livro, era isso você pode aplicar para qualquer coisa né. Mas enfim, voltando, eu falei porque eu postei isso acho que ela postou semana passada e falou “Até hoje você mudou minha vida e não sei o quê” e aí eu repostei e aí todo mundo veio pedir, “Me passa aí esse template” eu falei “Gente não tem muito segredo mas tudo bem” enfim. Mas voltando, eu gosto de fazer planejamento de longo prazo e etc e assim medindo pela nossa conversa porque você perguntou se eu recomendaria que as pessoas empreendessem. A minha experiência né valeu super a pena, claro que tem histórias também em que o cara rema rema e não chega a lugar nenhum mas eu sempre parto do princípio que não chegou a lugar nenhum porque desistiu antes, se tem uma qualidade que eu tenho, que fazer para mim é uma qualidade né para algumas pessoas pode ser “Nossa é muito cabeçuda, meu Deus” mas também eu sou resiliente e eu persisti durante muitos anos. Se eu tivesse desistido em 2016/2017 quando foi a primeira vez que eu tive um revés bem grande na minha vida eu não tinha chegado onde cheguei, só que o que geralmente acontece é que no primeiro probleminha, “Ai desisto já deu tudo errado”, por isso que você vê aí taxa de mortalidade de empresa 90%, porque o primeiro revezinho que deu o cara joga a toalha né, o custo emocional de você sei lá você tava vamos supor, não era um empresa grande, tava com 15, 20 funcionários, deu muito ruim e você teve que mandar embora e ficar com 5. O custo emocional pro empreendedor é muito alto mas o dinheiro acabou e você vai fazer o que? A maioria das pessoas pega e fala “Deu errado”. Eu, pra mim essa possibilidade nunca existiu então eu sempre persisti e eu sempre, eu realmente tive muita resiliência para passar pelos perrengues que muita gente não tem então por eu não ter desistido eu consegui fechar um ciclo, só por isso, não é tipo “Nossa eu realmente olha só, brilhante e tal” não, cabeçuda, insistente e foi por isso que eu consegui fazer as coisas eu queria fazer porque se tivesse desistido na primeira oportunidade não tinha conseguido fazer isso. Então foi um ciclo legal para mim então recomendo para qualquer pessoa que assim se tem um sonho, tem uma visão etc, vai para cima, tenha paciência né que eu acho que isso, eu escrevi isso, fui dar uma palestra na Business School, escrevi na parede “Tenha paciência mas não desista” porque as pessoas desistem, o cara tentou um ano, “Ah deu errado, desisti” eu falo “Meu filho você nem tentou, se eu fosse você já contaria que vai dar errado no primeiro ano, já bota isso no seu planejamento” e aí hoje assim como empreender literalmente mudou a minha vida e mudou, eu vi mudando a vida de pessoas que comeram eu falei sal, agora eu vou falar capim comigo durante anos, eu não me vejo fazendo outra coisa daqui para frente que não seja ajudar empreendedores a causarem a mesma transformação que eu tive na minha vida quando eu fui empreendedora. Então eu acho que tem vários veículos para eu fazer isso né e não sei se isso é só para os próximos 10 anos, a princípio para os próximos 10 anos e quiçá pro resto da minha vida mas eu posso atuar desde tipo assim, empreendedor tem muito problema, fácil ajudar empreendedor porque empreendedor é cheio de problema, desde o tipo não ter acesso a capital, então posso ajudar como investidora, não ter conhecimento, posso ajudar como mentora, consultora, adviser, boardmember, boardviser sei lá qualquer nome que quer dar pra essa função, posso ajudar com produtos, serviços que ajudem empreendedores e founders. Então assim para mim o que eu quero fazer da minha vida é isso e como é isso que eu quero fazer da minha vida acho que isso responde muito bem essa pergunta se valeu a pena, valeu tanto a pena que eu quero, é a missão da minha vida ajudar outros empreendedores a serem empreendedores.

Henrique de Moraes – Boa, maravilha. Bom primeiro, onde eu assino? Você nesse período teve recursos assim que foram úteis tipo livros, conteúdos específicos ou não, foi mais mesmo com pessoas que te ajudaram ali?

Deborah Folloni – Com certeza, pessoas também mas conteúdos. Eu tô aqui, é que você não tá vendo mas tem uma prateleira cheia de livros então tô olhando pra ver se lembro de algum mas assim, os que vem na minha cabeça, “The Great CEO Within” foi sensacional assim, não seu se tinha falado disso na última vez que a gente se falou mas se não eu reforço porque realmente é um livro sensacional assim para CEOs de primeira viagem, é muito tático, tem livros que são muito high level, você não consegue tangibilizar, esse é bem legal. “The Hard Thing about Hard Things”, não é pra todo mundo, tipo se você ler isso muito no começo não vai entender nada, vai passar batido e não vai ser um livro que vai te marcar. Eu li muito no começo e não me marcou e aí eu li uns 5 anos depois, a segunda vez me marcou porque aí sim eu estava vivendo muito das coisas que o Ben menciona no livro, então foi um livro que me marcou muito. Porque tem muito muita gente que tenta pintar uma imagem muito glamurosa do empreendedorismo e ele é muito tipo the real deal, ele não floreia nada tanto que ele fala que eles fizeram um IPO e geralmente o IPO é motivo de celebração mas eles fizeram o IPO pra salvar a empresa, então não era celebração, era tipo “Graças a Deus consegui, pau na máquina” então ele fala de um, ele é muito legal assim né porque não é o glamour, se você quer ver o glamour está no lugar errado, não deveria empreender e aí também olhando aqui eu acho que o, tô falando um bem hard skills assim de empreendedorismo tá. Tem um que é bem tático e técnico que se chama “Empreendedorismo disciplinado”, que ele é um text book do MIT, do curso de empreendedorismo do MIT, ele é ilustrado, adoro livro com ilustrações Nossa eu amo, adoro uns desenhos. Ele é muito bom para quem está começando mesmo, para quem tipo tá com uma ideia. Tem esses outros né, “Business Model Generation” mas que também hoje qualquer coisa que tenha ideia eu rascunho um canvas assim mas esse em especial ele é bem mais, eu acho bem mais acionável, ele é bem legal mas ele é bem técnico tipo assim, não é um livro que você vai “Ai que leitura gostosa”, é tipo assim tô com uma ideia, preciso saber sobre o assunto xpto, aí você vê lá aonde está a formação e vai ler. Eu gosto bastante dele.

Henrique de Moraes – Boa, é um manualzinho na verdade né que você vai usando. Eu uso muito o “The Great CEO Within” também desse jeito, agora eu estava tentando organizar um pouco mais meus ritos ali né e aí beleza, fui la e peguei as marcações, vi qual era o capítulo e aí tipo peguei e reli o capítulo inteiro e criei aqui um frameworkzinho sabe porque eu acho sempre um problema quando você lê um livro muito técnico assim, tático é que você acha que vai conseguir aplicar todas as coisas que você tá lendo de uma vez só né e é impossível então assim, eu tive que marcar ali tipo pontos para depois eu voltar e ficar revisitando do momento em que aquela dor tá mais latente e ele foi ótimo, ele tá sendo ótimo para isso eu li ele inteiro a primeira vez e peguei algumas coisas é apliquei, por exemplo frameworks de feedback, coisas sabe tipo de frequência, de como fazer e tudo mais eu peguei muito do livro. O próprio GTD que eu falei hoje nos stories né eu comecei, eu já conhecia mas nunca tinha colocado em prática e foi por causa do livro que eu acabei também colocando em prática, tem várias coisinhas assim e aí agora tô indo mais assim tipo “Ah beleza, estou com esse problema, vamos ver o que esse livro tem a dizer”

Deborah Folloni – Não, o “The Great CEO Within” é sensacional, a grande mudança que ele fez na minha vida foi justamente a questão dos rituais, inclusive isso tem muito a ver com o negócio novo que eu tô montando mas assim na Chili a gente, porque você tá com 10 e você vai para 30 você sai de fazedora porque com 10 você não tá gerenciando ninguém, você está fazendo, você sair de fazedora e depois você vira gestora de fazedores e depois você vira a gestora de gestores e essa transição ela muda totalmente o que você tá fazendo, totalmente a natureza do negócio, você tem que aprender uma skill completamente nova, e aí como as coisas enfim, o nosso crescimento foi muito rápido, remoto enfim e era tudo novo para mim, eu nunca tinha gerenciado tantas pessoas que não são tantas assim mas para mim era bastante, eu tive que aprender a ser uma gestora, ser um manager e descobri que adoro isso inclusive né, eu adoro porque eu sou obcecada por organização né então, maravilhoso e eu sou meio coachzinha né então para mim manager tem que ser um coach e aí assim, tem um negócio que tenho muito orgulho, tipo assim eu montei um sistema de gestão meu, meu sistema operacional que era uma mistura de Notion com planilhas de Excel com rituais então tipo tem um negócio no Notion que chama “rituais de gestão”, tem toda a minha agenda lá tipo assim 30% da minha agenda do mês estava comprometida com reuniões fixas, previsíveis, produtivas porque sempre tinha uma pauta, o pessoal já sabia que ia rolar, já se preparava e tanto que durante a aquisição o pessoal ficava impressionado com a governança das coisas que a gente tinha porque uma empresa pequena né mas a gente tinha tudo sob controle e não tive que contruir nada do 0, tudo já existia né então o “The Great CEO Within” foi uma grande faísca pra montar isso, claro que eu adaptei uma série de coisas né que fazem mais sentido para a realidade até porque o “The Great CEO Within”, o Matt Mochary que é o autor do livro ele é coach do CEO do Coinbase, dos meninos do Brex, são empresas com mais de mil funcionários então tem muitas coisas ali do framework que fazem sentido mas tem muitas especificidades para empresas menores que não estão cobertas naquele livro, por isso que eu falo que tive que adaptar.

Henrique de Moraes – Boa. Tá, para fechar aqui, tem alguma coisa sobre essa experiência toda que você passou que a gente não tenha abordado e que você gostaria de falar?

Deborah Folloni – Eu fazendo um gancho assim com o que a gente tava falando agora do “The Great CEO Within”, eu montei esse sistema e na ocasião eu busquei um sistema operacional de CEO e eu não achei nenhum, eu pagaria mas eu não achei então eu montei o meu. Só que assim, primeiro eu sou uma pessoa que sou bem tech-heavy então eu conecto as coisas e tal e depois sou organizada, então eu montei o meu mas longe de ser ideal assim, tinham muitas coisas que não tinham automações mas era melhor do que nada e isso me trazia bastante governança, bastante visibilidade, alinhamento e etc. E aí durante a aquisição eu percebi que isso não é normal e depois algumas pessoas que viram isso, até falei isso uma vez no Officeless sobre rituais de gestão, muitas pessoas me deram muito feedback positivo e aí alguns amigos meus falaram “Isso é sensacional, nunca vi isso”, “Me dá consultoria” aí beleza comecei ajudando alguns amigos nesse sentido até que cheguei no Managely que é basicamente o, é como se fosse um chief of staff as a service, então ele é um software que ele basicamente, o propósito dele é tornar a vida do founder/CEO eu ia falar mais fácil mas é mentira, é um pouco menos caótica, menos caótica porque né. Mas em resumo ele assim, o que ele traz, primeiro produtividade né porque eu acho que a gente como CEO a gente sempre tem essa questão de estar entregando mais e etc e aí pô tô resolvendo um monte de incêndio aqui, parece que eu trabalho muito mas não consigo entregar nada, isso é muito complicado né, você tá exausto, trabalhou muito e você fala “O que você fez hoje?”, “Accomplishments”, você não consegue falar nada porque você só ficou resolvendo bucha. Então assim, a primeira produtividade, depois essa questão de governança então às vezes uma empresa familiar talvez não tenha tanta dessa necessidades, claro que a governança é sempre bom né mas principalmente quando você tem investidores você precisa ter governança né porque eles vão querer saber o que tá acontecendo com sua empresa, você vai ter que contar para eles e aí essa questão de excelência operacional que quanto mais cedo você implementar isso, com mais eficiência você vai crescer porque você vai garantir que tá todo mundo alinhado, focado nas coisas que precisam focar, eles vão estar funcionalmente alinhados né então tipo não adianta o time de produto estar trabalhando num negócio e o time de CS trabalhando em outro e essas coisas não se conversam então essas são as principais assim, a principal entrega é basicamente isso, é produtividade e excelência, eficiência operacional. E quem é o perfil de cliente ideal para isso? Eu, quando eu penso no ideal customer profile sou eu, literalmente eu quando eu tava na Chili, hoje obviamente eu vendi a empresa e etc mas assim, que é CEO de uma empresa pequena ou média né, eu falo que é de 20 a 200 funcionários, mais do que 200 o cara provavelmente vai ter um time de BI, vai ter um time que vai ajudar ele a estruturar esse processo, então esse é o perfil de cliente ideal e o sistema basicamente ele tem duas questões principais, a primeira é pegar informações dos softwares dos times funcionais então assim, todo time tem um software, time de produto tem o Jira, time de RH tem o Qulture Rocks, financeiro tem o Omie enfim, todo mundo tem um software. O CEO poderia entrar em todos os softwares mas primeiro, ele não vai e segundo, se ele entrar ele vai ver coisas completamente below the line que não fazem a menor diferença pra ele, tipo o ticket do Jira pra um CEO é completamente irrelevante. Então ele puxa informações desse software com a minha metodologia né então a minha metodologia é, o que é importante para o CEO? Essas não, são métricas secundárias, terciárias, quaternárias, essa aqui, primeira linha, essa aqui importa para ele então quais são as métricas que importam para o CEO centralizadas para que ele consiga ali tomar as melhores decisões, essas métricas não são simplesmente as métricas, tem sempre a métrica prevista ou realizada então tem sempre o bechmark porque se falar assim “Eu faturei R$ 500 mil esse mês, é bom ou ruim?”, não sei, se a previsão era R$ 200 mil é ótimo, se a previsão era R$ 1 milhão é muito ruim. Então sempre tem as métricas centralizadas com os benchmarks pra que se for pior que o previsto tem que ter fato/causa/ação, fato, eu gerei 50% receita a menos que o previsto, causa, gerei menos lead, ação, vou contratar um SDR a mais por exemplo. Sempre aquele painel, aquela informação não pode virar paisagem, ela tem que servir para alguma coisa e para não virar paisagem porque não é para ser um software de dashboards, software de dashboard tem um monte, é um sistema de gestão de rituais então você consegue criar, aí já tem recomendados alguns rituais né onde você a partir dos seus times funcionais você recebe uma recomendação dos rituais que você tem que estabelecer com seus times para você manter a governança, alinhamento, comunicação com todo mundo e aí você estabelece esses rituais e aí você tem esses momentos onde você vai olhar para aquela informação ou para aquela informação ou para aquela informação e naquele momento esse é pautinha daquele ritual, você vai ver o pipeline de projeto, vai ver highlights e lowlights e aí vai ter plano de ação para a semana seguinte ou então vai ser, você vai ver os OKRs e se não estiver tudo verdinho você vai ter que criar um plano de ação para aquilo então é em essência, centralização e governança de dados relevantes para o CEO e ajudar o CEO a estabelecer os rituais e os processos para que ele seja o dono da própria agenda porque se ele não for ele vai só ficar apagando incêndio, vai sentir que tá trabalhando muito, mas trabalhando para os outros e não trabalhando para ele, então é só para ele e realmente assim, a vida do CEO é fazer muita reunião, dá para fazer muita coisa offline, dá para ter muito ritual que não é uma reunião, que é um report mas ajudando o CEO a estabelecer isso, a ideia é que a vida dele fique um pouquinho menos caótica e que a UX dele como founder/CEO se torne um pouco melhor e que ele consiga crescer porque pra qualquer, o empreendedor sempre quer uma dessas coisas, ou ele quer lucro, dividendo ou ele quer vender a empresa ou ele quer fundraise ou ele quer fazer um IPO. Qualquer que sejam esses objetivos ele precisa ter governança, ele precisa ter gestão, ele precisa ter eficiência. Então independente de qual seja o objetivo de vida da empresa, do empreendedor, ele precisa ser um bom gestor e você pode fazer cursos? Você pode mas eu trabalho na VidMob, muito do meu trabalho é sales enablement, então dou treinamento pra time de vendas. Se ele não aplica é inútil então aqui não tem como não aplicar, é literalmente uma consultoria sistematizada onde não tem como ele não aplicar essa metodologia

Henrique de Moraes – Gostei, depois me passa já o contrato. Cara sensacional, que bom que a gente falou sobre isso porque eu já tava até curioso pra saber o que você ia fazer em seguida e também porque de fato desde a nossa última conversa, curiosamente eu fiquei com essa sensação de que você tinha também essa coisa dos rituais muito bem organizados, de uma maneira que eu nunca tinha visto assim, porque uma coisa é você falar sobre os rituais, outra coisa é você falar sobre os rituais que você tem ou qualquer coisa, outra coisa é falar com propriedade e assim com tanta, como é que vou explicar isso eu não sei, uma clareza sabe da importância de cada um dos passos que eu nunca tinha visto antes então acho que faz total sentido, eu aprendi bastante cara eu tenho anotações da nossa última assim que me foram muito úteis, até hoje eu uso então vai ser assim fenomenal, fantástico e eu vou querer assinar com certeza, depois me passa a facada

Deborah Folloni – Baratinho, você ganha em euro

Henrique de Moraes – Olha aí tá vendo, as pessoas tem essa falsa impressão e cara Debs foi assim sensacional, adorei essa segunda conversa, adorei o update. Eu queria dizer que pra mim você sempre brilhou, sempre desde que a gente se conheceu que foi do bate-papo né assim para mim é só admiração por tudo assim, pela dedicação que você teve, pela forma como você, foi o que você falou né, você tem essa, acho que talvez o seu maior diferencial seja o fato de que você não desiste né e você tem uma não sei, eu vejo uma consistência, talvez essa seja a palavra sabe tipo que é surreal, surreal de ver então muito provavelmente, muito além da resiliência que foi o que você comentou né como sendo talvez uma das maiores coisas mas eu acho que a consistência ela é mais importante né, que tá ali mais alinhado com disciplina né. Teve um convidado aqui do podcast que ele falou isso né que disciplina bate força de vontade porque força de vontade é aquela coisa “Ah não quero malhar hoje não, tô meio assim vou malhar de noite, de tarde” e você sabe que você não vai malhar nunca mais e a disciplina acaba fazendo com que a gente de fato consiga realizar o que a gente planejou para gente mesmo né cara, essa que é a questão e você tem essa consistência que eu acho bizarra assim, fora de série que com certeza é um dos traços mais marcantes e provavelmente deve ter te ajudado a chegar nessa conclusão, nesse fechamento de ciclo. Cara, parabéns pelo momento enfim, por tudo que aconteceu, pela venda mas não só pela venda mas por ter vendido e estar com a cabeça boa, cabeça tranquila sabe tipo, consciente dos privilégios, das conquistas, grata por tudo sabe e ainda assim motivada para continuar correndo atrás, eu acho que essa é a parte mais legal assim, você continua tendo propósito, o seu propósito acho que tá até mais claro talvez do que tava antes então tipo eu fico super feliz de ver, super feliz de alguma forma ter feito parte disso né, de ter te conhecido no momento em que isso ainda não tava acontecendo e depois agora mas cara fantástico ver esse ciclo todo então tô muito feliz, parabéns, obrigado por ter topado fazer esse segundo bate papo e tô aqui na torcida, continuo na torcida pra que enfim, você feche muitos outros ciclos daqui pra frente, viu?

Deborah Folloni – Muito obrigada Henrique, muito obrigada. Eu pensei muito se eu deveria responder com “Ai para” mas falei não, melhor não ele tá falando sério, não vou quebrar isso. Não mas de verdade, muito obrigada, engraçado que você falou consistência porque quando você falando eu falei “Pô ele é tipo assim”, você é uma pessoa que eu admiro muito também pelo mesmo motivo tá, eu acho você super consistente, eu falei com você há mais de um ano atrás

Henrique de Moraes – Acho que tem mais de um ano, sim, você vendeu a empresa tem um ano quase

Deborah Folloni – Mais é, mais de um ano atrás e você tipo continua assim por exemplo lendo, você continua fazendo o podcast, você continua, sei que teve um hiato aí mas tipo assim você também é super consistente. Para mim a consistência é o que todas as pessoas bem sucedidas tem em comum, salvo muito, muito, 0,00000001% que deu certo do nada mas tipo assim a consistência é o que perpetua o impacto que a pessoa causa no mundo né então eu também te admiro e adoro conversar com você, acho você assim inteligentíssimo nas perguntas que você faz e eu meço muito a capacidade intelectual das pessoas pela qualidade das perguntas. Você vai estar uma reunião, o cara só faz aquela pergunta para mostrar que é inteligente e você fala “Desculpa você só mostrou que é burro porque todo mundo que tá aqui a gente parte do princípio de que é inteligente, não precisa fazer esse tipo de pergunta”. Agora tem aquelas pessoas que fazem aquela pergunta que vai na alma assim e você fala “Esse cara é da hora”, e você assim, justamente por você ser uma pessoa que estuda, que tem que sempre a preocupação com o seu desenvolvimento intelectual então por isso que as nossas conversas vão longe porque a gente tem muito isso em comum, gosto muito de ler também então tipo são conversas que rendem muito assim né e por isso que eu adoro conversar com você, pode me chamar

Henrique de Moraes – A gente para forçado né tipo assim, tem reunião em 5 minutos, tem que terminar essa merda

Deborah Folloni – Não mas é animal, eu adoro conversar com você, a gente tem muita coisa em comum e é sempre um prazer e sua energia, você tá sempre bem humorado, animado, com a energia lá em cima, isso é muito muito legal.

Henrique de Moraes – Minha vez então de “Ah, para”. Não, obrigado pelas palavras eu fico honradíssimo, especialmente vindo de você e cara a gente vai ter oportunidade para ter várias dessas conversas, não necessariamente todas on record aqui, a gente já teve conversas off também, espero ter muitas off e muitas on enfim, espero vida longa pra esse podcast que é uma das coisas que eu mais gosto de fazer, essa é a parte que energiza né da agenda então eu espero que tenha uma vida muito longa e como você também consistente aí então daqui a pouco tem mais uma nova fase, tem um novo ciclo para gente conversar e falar como que foi enfim, novos aprendizados, a gente tá sempre evoluindo né cara, não tem como. É a única coisa que a gente pode fazer, andar pra frente então a gente vai conversando e vai trocando sobre esses novos conhecimentos ao longo do caminho

Deborah Folloni – Com certeza. Obrigada Henricão, conta comigo sempre

Henrique de Moraes – Obrigado você

Deborah Folloni – Já tô com a roupa de ir pra próxima