Carol Manciola

Thumb Carol Manciola

#52: CEO da Posiciona, board member da Crescimentum e autora do best seller Bora Bater Meta

ouça ou assista o bate-papo com Carol Manciola aqui:

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Carol Manciola é autora do best seller “Bora Bater Meta” e do recém-lançado “Coragem: e mais alguns Cês da Vida”.

reconhecida em todo o país como referência em vendas, é CEO da Posiciona e sócia-diretora da Crescimentum, empresa líder em treinamento corporativo.

em mais de 20 anos de carreira no segmento de consultoria e treinamento, Carol acumula mais de 10 mil horas de treinamentos e palestras, para mais de 60 mil pessoas em todo Brasil.

este ano, foi reconhecida como Mindshifter pela RD Station, em uma premiação que selecionou as 10 pessoas que geram maior impacto no mercado de vendas no Brasil.

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notas do episódio com Carol Manciola

livros citados:

A coragem para liderar – Brené Brown

O lado difícil das situações difíceis: Como construir um negócio quando não existem respostas prontas – Ben Horowitz

Empreender: a arte de se foder todos os dias e não desistir: Um manual de sobrevivência para o mundo real do empreendedorismo – Israel Salmen, Lucas Marques

Por que o budismo funciona: Como a psicologia evolucionista e a neurociência explicam os benefícios da meditação – Robert Wright

O Mundo de Sofia – Jostein Gaarder

Minhas razões, tuas razões: A origem do desamar – Paulo Gaudencio

Essencialismo: A disciplinada busca por menos – Greg McKeown

Isso É Marketing: Para Ser Visto É Preciso Aprender A Enxergar – Seth Godin

Os Cês Da Vida – Carol Manciola

Coragem: e mais alguns Cês da Vida – Carol Manciola

Bora Bater Meta: O desafio da venda presencial no mundo digital – Carol Manciola

pessoas citadas:

Beyoncé

Xuxa

Simon Sinek

Epicteto

João Guilherme Estrella

Brené Brown

Ben Horowitz

Freud

Marisa Monte

Paulo Gaudencio

Adam Grant

Greg McKeown

Seth Godin

Caetano Veloso

Anitta

Mark Zuckerberg

Alexandre Pellaes

frases e citações:

“Não tenha pressa mas não perca tempo” – Carol Manciola

“Impaciência com ações e paciência com resultados” – citado por Henrique de Moraes

“Isso é vida, isso se chama vida gente, para de complicar o rolê porque ela é assim para todo mundo” – Carol Manciola

“Narciso acha feio o que não é espelho” – frase Caetano Veloso citada por Carol Manciola

outras citações:

LinkedIn

Instagram

Posiciona

Crescimentum

Meu Nome Não É Johnny – filme

Triunfo

Encanto

Confraria do Empreendedor

B2Mamy

A Era do Gelo – filme

Shark Tank

Méliuz

Netflix

Twitter

Happn

transcrição do episódio com Carol Manciola

Henrique de Moraes – Olá pessoal, sejam muito bem-vindos a mais um episódio do calma!, hoje eu tô aqui em belíssima companhia com a Carol Manciola que é escritora de best-seller gente, não é pouca coisa e eu tô com tanta pergunta aqui, eu fiz uma pauta tão grande que eu não vou nem perder tempo e já vou começar aqui logo contextualizando, mas antes de qualquer coisa, seja bem-vinda Carol

Carol Manciola – Obrigada Henrique, vai ser um prazer bater esse papo e eu fiquei pensando né, calma, se tem uma coisa que eu não sou é calma então assim eu vou tentar manter a minha calma durante esse podcast pra gente poder fazer esse papo fluir, mas vamos nessa

Henrique de Moraes – Não se preocupa porque eu também sou nada calmo assim, na verdade meu cargo no LinkedIn é “sócio ansioso da Wee!, acho que o podcast na verdade foi uma tentativa de encontrar um pouco de calma no meu caminho né e como que as pessoas, acho que me espelhar na trajetória das pessoas, ver que na verdade assim são várias etapas né pra chegar lá assim, não dá pra ter tanta pressa assim, a gente precisa dar tempo ao tempo também, então acho que a premissa é um pouco essa

Carol Manciola – Perfeito, eu falo sempre que “Não tenha pressa mas não perca tempo”, acho que esse é um dilema importante pra vida né.

Henrique de Moraes – Sim perfeito, eu já falei isso várias vezes aqui no podcast inclusive, eu falo uma frase que ouvi que é “Impaciência com ações mas paciência com resultados”

Carol Manciola – Boa, gosto muito também.

Henrique de Moraes – Exato porque é isso, a gente não tá ficando mais novo, mais jovem então assim, a barba aqui branca que não deixa mentir então assim, a gente tem que fazer as coisas que tem que fazer mas é isso, tem que ter um pouco de paciência porque o mundo também não gira na nossa velocidade, na velocidade que a gente quer na verdade, então a gente precisa ter paciência pra pelo menos o resultado vir. Bom mas vamos lá, quando eu tava pesquisando aqui para o nosso bate-papo eu esbarrei em um post seu do Instagram que acabou me chamando atenção ali porque era uma foto sua que você tirou de uma plaquinha né, na verdade eram duas placas, em uma tava escrito “relaxa” e na outra “nada está sob controle” e aí a descrição ali do post tinha uma pergunta que era “Com que tipo de problema você quer lidar?” E aí é curioso por que isso me deixou assim intrigado né porque no final das contas a placa dizia que nada está sob controle mas essa pergunta implica que assim, parte tá né, já que você pode escolher pelo menos quais problemas você quer lidar, parte você pode escolher e eu adoro essa forma de enxergar, esse ângulo né de como você olha para as coisas que está fazendo, em vez de você se perguntar “O que eu quero fazer?”, “Onde eu quero chegar?”, “O que eu quero ter?”, se pergunta também quais problemas isso vai gerar para você e descobre se esses problemas fazem sentido para você né, se você tá disposto a encarar isso, então o meu exemplo pessoal eu acho que eu já dei aqui no podcast inclusive, é que eu queria ser músico e aí quando eu percebi que ser músico era viajar o tempo inteiro, estar longe da família, dos amigos cara, ter uma vida totalmente instável, tem hora que você tá ganhando dinheiro, tem hora que não tem, eu falei “Pô, eu quero isso mesmo pra minha vida?”, ou só quero estar lá no palco e ver os cabelos que não tenho mais né tipo assim voando com vento igual à Beyoncé assim tocando bateria então assim, eu tava olhando a parte muito bonita mas não tava olhando os problemas que isso ia gerar para mim né então enfim, dito isso eu queria entender assim um pouco do, acho que para 2022 o que a Carol escolheu como problemas né para lidar, quais são os tipos de problema que você quer lidar esse ano?

Carol Manciola – Olha você já começou de forma muito profunda, Henrique porque essa reflexão ela foi uma das reflexões mais poderosas de 2021 pra mim, eu tava no meio de um M&A né, a Posiciona que eu fundei há 4 anos e tava discutindo se vendia ou não a empresa pra uma empresa dez vezes maior e eu fui conversar com meu advogado né pra discutir trâmites legais e tal e advogado tem um pouco de terapeuta né e eu comecei a falar “Nossa que angústia, não sei se eu vou, não sei se eu fico, não sei se eu caso ou se compro uma bicicleta” e ele falou “Calma”, eu falei “Ah meu deus não me pede calma porque me pedir calma me dá desespero” e ele falou “Olha só, você não vai conseguir controlar tudo então a reflexão que você tem que fazer agora é com que tipo de problema você quer lidar, você pode lidar com um problema de um fluxo de caixa apertado, um desafio ainda de conseguir mostrar tamanho para seus clientes ou você pode lidar com o problema de uma fusão” e me trouxe uma perspectiva que eu confesso, naquele momento eu não tinha parado para pensar, eu tava muito mais né com que tipo de situação eu vou lidar mas não tava olhando para as consequências, e aquilo foi muito poderoso no processo de tomada de decisão e eu sim vendi a empresa tá, decidindo lidar com o problema que é o que eu tô vivendo hoje e quando eu penso em 2022 eu talvez tenha que fazer um sorteio, tipo o programa da Xuxa que a gente manda as cartinhas, ela joga pra cima né, então tem um monte de problemas acontecendo mas como a gente não consegue controlar tudo, eu tenho optado muito por atuar naquilo onte tá o meu talento né então eu fiquei muito tempo da vida escolhendo tentar, me reinventar, me desconstruir e hoje eu falo “Poxa já tenho um arsenal de coisas muito bacanas aqui” então eu tô escolhendo colocar minha energia naquilo em que eu faço melhor então eu tô lidando com o desafio de um fusão, é um problema dos grandes mas eu gosto também de trocar a palavra problema por desafio né porque pode parecer um detalhe pequenininho mas muda bastante então acho que o desafio de você unir duas empresas, o desafio de você fazer com que a cultura se fortaleça, pegando o que existe de melhor em cada uma, o desafio de aprender e de fato ressignificar a maneira como eu sempre fazia as coisas porque se você é CEO da empresa você manda e quando você é comprado por outra empresa, por mais que eu tenha uma participação na empresa nova, ela é infinitamente menor e eu não tenho todo aquele poder, então eu escolhi abrir mão do poder para exercer mais a influência né e lidar com esse desafio hoje que é fazer com que essas duas empresas se tornem uma potência ainda maior, então esse é meu mantra aí para 2022 que é transformar a Potencial em potência, essa é minha palavra do ano, aliás são duas, potência e leveza para que eu não surte em meio à essa loucura toda.

Henrique de Moraes – Importante. Eu fiquei curioso com essa diferenciação que você fez de encerrar o poder e começar a influência né, não foi exatamente assim que você colocou mas explica um pouco, fala um pouco melhor sobre isso, por favor se puder.

Carol Manciola – Quem tem startup sabe que existe o dilema né do fundador que é o rainha ou rica? Eu ouvi isso, “Carol é a rainha ou rica?”, “Eu quero os dois, quero ser rainha e rica, não dá pra ficar com os dois?” então quando você passa por um processo como esse você abre mão do poder mesmo, né claro que continuo com cargo executivo, continuo como CEO da Posiciona, sou diretora da Crescimentum que é a empresa nova mas a gente faz parte de um grupo que é um grupo internacional, um dos maiores do mundo, faturamento de milhões de euros, presente em 50 países então eu não tenho mais a bola né, eu não sou mais a, cansei da brincadeira, vou botar a bola embaixo do braço e vou sair. Mas eu amo o jogo, eu amo o jogo então mesmo não sendo a dona da bola, fazer com que esse jogo seja gostoso, poderoso, com que a gente marque gol, que a gente não tome gol e que a gente continue jogando, que eu acho que a vida, como diz o Simon Sinek, é um jogo infinito e o lance não é ganhar ou perder, é muito mais você se manter dentro do jogo então eu tô começando a perceber e na verdade já sabia disso mas agora tá mais sólido que não preciso do poder né, não precisa ter a autoridade do cargo mas quando você tem consistência, quando você consegue compreender como é que as relações funcionam, entender melhor o que é importante para cada um fica até mais divertido, é cansativo porque mandar é mais fácil, muito mais, “Faz desse jeito e acabou” mas é uma habilidade que eu tô desenvolvendo e eu acho que ela é muito poderosa porque você consegue fazer não que as pessoas façam porque você quer mas você consegue fazer com que as pessoas façam porque elas passam a desejar aquilo com a mesma intensidade que você, então acho que esse tem sido o meu maior aprendizado aqui nesses últimos 4 meses aí de 2022.

Henrique de Moraes – Sensacional. Eu acho que faz total sentido e até casa um pouco, não totalmente pro meu momento assim porque eu tô trazendo sócios pra empresa né, até então tocava a operação quase que sozinho então assim você parar de ficar, acabar com o hábito, vamos colocar assim, de tomar decisão sozinho e começar a dividir as decisões é uma coisa muito complexa assim, eu falo com meu sócio assim “Te peço desculpas por todas as vezes que eu sem querer te atropelar, já de antemão” porque é como eu tô acostumado, são três anos que eu faço isso né então assim, “Me avisa quando eu fizer e eu vou ficar atento” e já aconteceu, a gente sentou e conversou, ele falou “Cara me senti assim”, “Não, obrigado por ter compartilhado comigo, de fato preciso tomar mais cuidado” e a gente vai ajustando, mas imagino que no meu caso eu ainda tô trazendo um sócio enfim que é minoritário e tudo mais mas você não né, você botou uma empresa gigante ali, você se tornou uma parte ali do negócio, então deve ser complicado. Agora vou colocar uma luz num ponto que você falou que eu acho que até conecta com a primeira pergunta né que você falou assim de mudar ali de problema para desafio, é uma mudança pequena mas é uma mudança de como você enxerga as coisas né e quando a gente fala dessa coisa de nada está sob controle, na verdade parte está sob nosso controle né, que Epicteto falava né, parte da vida está sob controle, e outra não então assim, o que você fazer com a parte que você tem sob controle? Vai deixar a vida te levar ou você vai assumir as rédeas dela né? E aí uma das coisas que a gente tem controle é como a gente interpreta os acontecimentos, como a gente interpreta a vida então assim, acho que essas diferenciações são bem importantes, então não acho nem que é só um detalhe, até pode ser um detalhe mas um detalhe que faz toda a diferença né.

Carol Manciola – Nossa você foi de Zeca Pagodinho agora, um negócio incrível.

Henrique de Moraes – Sensacional. Bom, já que você falou da venda né da empresa, além desse desafio teve mais alguma coisa assim que você tenha enfrentado que tenha sido paticularmente complicado de lidar ou alguma coisa que gostaria de saber por exemplo, de ter descoberto antes de começar o processo, por exemplo?

Carol Manciola – É uma reflexão muito profunda, isso aqui tá praticamente uma terapia, um coaching mentoring né mas sabe que eu sempre faço uma reflexão sobre a minha vida e eu lembro daquele filme “Meu Nome Não É Johnny”, não sei se você já assistiu mas o “Meu Nome Não É Johnny” conta a história de João alguma coisa alguma coisa, moleque de classe média alta, usava droga, começou a vender droga pra poder comprar mais droga e um dia virou um ultra mega traficante mas ele não se enxergava como esse traficante né, ele era só um cara que vivia, comprava, gastava dinheiro e vivia a vida etc e tal e eu lembro que no final do filme a juíza vai condenar ele lá e fala “Johnny, entre na sua defesa”, ele fala “Meu nome não é Johnny, eu não sou traficante, tudo que eu consegui na minha vida foi fazendo e as coisas foram acontecendo e chegaram aqui” então eu sempre penso que na minha vida tem esse lado “meu nome não é johnny” porque apesar de nunca ter deixado a vida me levar eu sempre fui uma pessoa muito ambicosa, eu sempre defini não grandes metas, nunca tive um sonho “Ah quando eu crescer eu sonho em ser tal coisa” nunca, nunca me permiti ficar perdendo tempo sonhando mas eu sempre fiz muito isso que você acabou de trazer, o significado das coisas que iam acontecendo então sei lá, passava por um desafio muito grande e eu pensava “Meu já aconteceu, tá dado, isso aqui eu não consigo mexer” mas o que que eu aprendo com isso e onde que isso pode me levar? Então assim desde muito nova, eu lembro que eu trabalhei em loja de roupa né quando eu era adolescente assim, 18 anos e todo mundo ficava falando “Nossa Carol mas você estudou em escola boa, você vem de uma família de classe média alta, você tá no shopping trabalhando numa loja?” as pessoas criticam aquilo e assim, hoje quando eu vejo que eu dou palestra para vendedores né, 2000, 3000, 10.000 de uma vez só eu falo “Aquilo ali foi tão importante para mim” e as coisas que eu fui aprendendo ali eu fui criando significado para aquilo sabe então isso que você brincou aí né de que não é a situação que acontece com você mas é o significado que você dá a ela é o que eu acho que permite a gente essa evolução constante então eu nunca enxergo o problema, nunca faço drama excessivo, então quando alguém pergunta pra mim “Ah então qual foi o maior desafio que você viveu na sua vida?” cara não sei, de verdade, não tem uma coisa que eu diga assim “Ah isso foi traumático” não, pra mim o nome desse negócio é vida, pessoas nascem, pessoas morrem, empresas são compradas, são vendidas, um dia você ganha, um dia você perde então isso sempre foi uma coisa que eu trouxe muito para minha vida então talvez isso faça com que eu minimize mesmo algumas situações, esse é um feedback que eu recebo com uma certa frequência, “Carol você minimiza, a gente tá aqui desesperada”, eu falo “Gente já foi, vamos focar no que a gente vai fazer agora” e aí às vezes falta um pouco dessa empatia né de “Poxa, devia tentar enxergar quem ainda tá doendo, ainda não recuperou” porque eu recupero muito rápido, o joelho ralado passa aí um merthiolate, vai arder um pouco, agora não arde mais mas vamos lá, segue em frente que eu quero continuar meu jogo então eu não consigo pensar assim num grande desafio, num grande trauma agora claro, tenho momentos marcantes da vida que sem dúvida me tornaram quem eu sou hoje, então a separação dos meus pais, eu ter ido morar sozinha com 18 anos, acho que a mudança para São Paulo né porque eu sou soteropolitana, divórcio então assim, tem alguns momentos da vida profissional e pessoal que realmente são muito marcantes mas que não consigo enxergar como grandes tragédias então assim, eu acho que não dá, se soubesse algumas coisas antes eu não teria chegado aqui sabe, então acho que tem uma coisa de maternidade mesmo, das coisas estarem em tempo.

Henrique de Moraes – Sim. Bom você trouxe esses momentos que você falou que acabaram sendo sei lá, pontos de inflexão importantes pra você, gostaria de falar sobre algum deles? Porque foi importante? Como que isso mudou?

Carol Manciola – Tem um deles que pra mim é o mais, digo que 1º de julho é meu dia da coragem, eu digo que a gente devia ter dois dias nossos, o dia do eu, que você determina que dia é esse no calendário mas é um dia que você faz tudo que você gosta, liga o foda-se pra todo o resto sabe, se comemora, se presenteia, porque tem dia do marido, dia do amante, dia do sexo, dia de um monte de coisa, e o outro dia é o dia da coragem, você decide assim, é o dia do ano que eu vou pegar tudo aquilo que eu decidi há um tempão e vou implementar e 1º de julho é meu dia da Coragem, dia 1º de julho de 2013 eu acho que eu tomei a atitude mais corajosa da minha vida porque eu mudei para São Paulo em 2008, vim trabalhar numa empresa de consultoria, cheguei pequenininha, a empresa era pequena mas 5 anos e meio depois eu tinha 25% de participação no negócio, a empresa já faturava mais de 10 milhões e eu simplesmente acordei de manhã né e falei “Hoje é o dia que eu vou dizer tchau”, só que coincidentemente esse foi o mesmo dia em que, eu vivia um casamento de 14 anos então comecei a namorar, fui morar junta com 19 anos com 32 eu já tava “Puxa gosto muito, é um cara muito bacana mas não é com quem eu quero viver o resto da vida e está chegando o dia de dizer tchau” e no mesmo dia, 1º de julho de 2013 eu acordei de manhã, olhei para o lado e falei “Cara então, você é um cara incrível e tal mas não dá mais, acabou total, não tem mais chance, não tem mais discussão, não vou mais falar sobre isso, quem sai, você ou eu?” me arrumei e fui pro trabalho. E chegando no trabalho, liguei para o meu sócio e falei “Tá chegando?” aí ele falou “Tô”, ele chegou, tranquei ele na minha sala e falei “Cara hoje é o dia de dizer tchau, reune todo mundo, vamos aproveitar que tá todo mundo aqui no escritório hoje, a gente vai voltar do almoço, vai juntar todo mundo e vambora”. Então assim, quem viu aquele dia, talvez meu ex marido e meu ex sócio pensaram “Ela surtou” só que eram coisas que eu já tava amadurecendo há muito tempo.

Henrique de Moraes – Os dois não criaram um grupo pra conversar entre eles não? Pra fazer um tratamento ali em conjunto, fazer um encontro de bar.

Carol Manciola – Não mas foi um dia muito forte, muito desafiador mas pra mim não caiu uma lágrima por nada porque eu já tava amadurecendo, já vinha infeliz com o casamento, infeliz com a sociedade mas é muito difícil desistir das coisas né e o que eu tava fazendo ali era literalmente desistir, desistir, vim até aqui, a gente entra muito naquela escalada do comprometimento né “Poxa já tô há 14 anos, nessa altura vou me separar?” e aí fica mais 40 então eu precisei romper a escala do comprometimento e para mim foi um momento muito importante de virada porque o casamento era muito bom, o marido era muito bom , a sociedade de alguma forma era muito boa, a empresa tava crescendo então eu abri mão de coisas boas porque eu acreditava que eu podia ter coisas melhores ainda e realmente quando eu olho pro que eu construí depois saindo da Triunfo, que era essa empresa, e o meu casamento, hoje eu falo “Olha foi a melhor coisa que eu fiz na vida e hoje eu vivo aquilo que eu mereço, aquilo que eu falo que valeu muito a pena” então acho que esse é o momento X aí na vida.

Henrique de Moraes – Porra, e se foi né. Primeiro parabéns, de fato tem que ser comemorado esse dia da coragem aí porque é uma baita coragem, é curioso né porque muitas dessas decisões que a gente toma na verdade elas já foram tomadas de certa forma, só que a gente tende, foi o que você falou, a gente tem esse custo de tudo que a gente já construiu né que a gente não quer deixar para trás, não quer abandonar. Uma vez eu tive uma experiência engraçada que eu acabo levando muito, tento levar isso em consideração quando eu vou tomar decisão que é, eu tava na casa de praia da família e tinha uma ilha né ficava tipo do outro lado e tinha um caiaque e falei “Cara vou pegar esse caiaque e vou até a ilha, parece perto né”, vou fazer até analogia, quando você casa é isso você olha e fala “Ah eu amo essa pessoa, tá pertinho”, você esquece de toda a trajetória que teve mas beleza, peguei o caiaque, comecei a remar, fui lá, tava amarradão e de repente falei “Pô não chega, tá demorando pra chegar”, falei “Vou desistir”, olhe pra trás e tava longe pra caramba também, tava no meio do caminho e eu falei “Cara o que que eu faço agora? Eu volto? Já tô cansado, eu volto ou vou até lá?” nesse caso eu decidi ir até o final, não foi pelo curso, foi poque eu falei “Vou cansar mas lá pelo menos eu posso descansar e depois eu volto” mas eu poderia voltar também, não teria uma decisão certa ou errada nesse caso assim só que é isso, a gente muitas vezes toma decisões na vida assim sem perceber um, custo que você vai ter de fato, a gente fica, foi o que a gente falou no início, a gente tá muito animado com a decisão, com aquilo que a gente vai se tornar, a gente vai sair e tudo mais e aí só que quando você chega no meio do caminho você olha e fala “Caralho eu ainda tenho muita coisa pela frente, muita coisa para trás, o que eu faço agora?” e aí essa é a hora de tomada de decisão que é mais importante

Carol Manciola – Eu brinco que eu sou muito a Luisa do Encanto, não sei se já assistiu aquele filme Encanto, tenho uma filha de 2 anos e meio então é um super filme para assistir, tem muitas mensagens legais e a Luisa é um personagem que o dom dela é ser forte então eu tenho muito essa coisa de que eu tenho quer ser forte, tenho que aguentar, tenho que dar conta, tenho que ser uma supermulher, tenho que ser uma super mãe, eu tenho que cozinhar, eu tenho que tudo né e de vez em quando eu preciso me dar o luxo de literalmente ligar o foda-se sabe, dizer “Vai todo mundo pra fora de casa”, “Não vou arrumar casa, “Vou ficar lendo um livro e comendo brigadeiro, vou ligar pra uma amiga que não tem nada a ver com o objetivo de avanço daquilo” mas eu quero esquecer que existe um próximo passo, então é uma coisa que eu faço muito pouco e a outra coisa que eu faço muito pouco que eu preciso melhorar muito é me conectar com outras pessoas que passam pelos mesmos desafios que eu, isso é uma coisa que, estar em comunidade tem me ensinado muito né, o poder de ouvir outras pessoas que vivem o que você tá vivendo porque liderar é uma coisa que é meio solitária, não precisa ser solitária mas muitas vezes é, empreender é você com as suas caraminholas na sua cabeça então eu acho que eu preciso olhar mais para esse lugar, de trocar como mais gente que tem os mesmos perrengues e a mesma força, com outras mães né então assim é muito gostoso isso de você sentir que aquele problema não é só seu, não é só você que sente aquilo, então acho que lidar um pouco mais com as minhas emoções nesse sentido sem dúvida é um ponto que eu preciso olhar para esse lugar para poder ter uma vida mais leve né, eu falei que é potência e leveza, então a leveza de vez em quando tá ficando pesada, então acho que esse é meu maior desafio hoje.

Henrique de Moraes – Não perfeito, eu como empreendedor também sofro né com essa solidão, vamos colocar assim e eu acho engraçado que eu acho que também parte de um, de uma dificuldade de mostrar nossas vulnerabilidades sabe, de se abrir de fato e falar assim, tirar um pouco dessa coisa que a gente acaba vestindo que muitas vezes não é nem porque só a gente quer vestir né, porque a gente é mal interpretado nesse sentido das pessoas acharem “Ah não, ele quer parecer forte, ele quer isso” não, é porque às vezes a gente é exigido né que tenha isso porque você precisa mostrar para pessoas que você tá ali, que você tem um caminho, você tá guiando as pessoas de certa forma, tá ajudando ali, pelo menos no caminho da empresa e às vezes é difícil você chegar para o seu par por exemplo e falar “Cara tô sofrendo com isso” porque você acha que a pessoa vai te julgar né e muitas vezes não, muitas vezes quando você divide a pessoa fala assim “Caraca eu também tô passando por isso, pelo amor de Deus o que a gente pode fazer? O que você tem de experiência? Troca comigo, fala o que você já aprendeu que eu falo o que eu aprendi”, acho que esse podcast é um pouco disso também, aqui eu tenho a desculpa né para fazer pergunta.

Carol Manciola – Boa, mas acho que esse falar de sentimento assim tipo, ontem eu acordei muito confusa, muito irritada e uma das primeiras coisas que eu fiz de manhã cedo, eu mandei uma mensagem para minha par aqui na empresa e falei “Cara tá pesado, tô exausta, como você tá aí?” sabe e ela “Ai eu também, esqueci minha filha na escola ontem” aí pronto, ficamos as duas chorando ali e esse chorar as pitangas juntos é bom cara, isso humaniza, cria laços então às vezes eu sinto falta mesmo de com quem eu posso falar isso, eu brigo muito com meu marido em casa porque eu falo assim, às vezes eu chego lá “Nossa amor aconteceu isso e isso, eu tô ferrada”, eu tô querendo que ele me ouça e ele fala “Nossa e comigo? Foi muito pior”, aí a gente fica competindo por desgraça então acho que de vez em quando se unir à pessoas, essa coisa de comunidade então assim, Confraria do Empreendedor, B2Mamy, mulheres nordestinas, eu tenho um monte de comunidades hoje e é muito legal quando você larga né, quando você tira sua armadura lá e vem outras pessoas e falam “Vamos lá, vou te dar pezinho, ou vou só te abraçar, ou vou te dar dois tapas na cara” né porque eu acho que, a Brené Brown tem um livro que eu sou apaixona, “A coragem para liderar” e ela fala muito isso, acho que é muito difícil você receber feedback de quem não tá inteiro na arena então nós que empreendemos tem muito isso do tipo “Quem é você? Cara você já liderou quantas pessoas? Já participou de M&A? Sua empresa existe há quantos anos? Quanto você fatura? Porque eu não vou ouvir você se você não sabe, não passou pelo mesmo que eu passei” então essa coisa de buscar iguais sabe, aquela coisa da Era do Gelo lá quando o elefante encontra com outro “Então existe mais de mim no mundo”, existe e é muito bom a gente não se sentir sozinho, então conta comigo também tá Henrique aí na sua empreitada

Henrique de Moraes – Tamo junto. E sobre o primeiro ponto que você levantou, só pra marcar uma coisa é engraçada, que é uma coisa que eu tenho refletido muito e não tenho nenhuma resposta, vou só jogar mais questionamentos aqui para a galera mas é que eu tenho pensado muito sobre o quanto a gente é muito focado na nossa própria narrativa né e a gente às vezes aumenta, exagera muito o quanto, qual o impacto que você vai causar no mundo ou o quanto a gente vale no mundo e eu tenho tentado fazer o exercício de me afastar disso tudo e ver na verdade o quão insignificante eu sou mas ao mesmo tempo se você só faz isso você também perde a sua, não a capacidade mas você fica até meio desmotivado para fazer as coisas que você quer fazer também né então você não pode nem ir para um lado totalmente do tipo “Me afastei completamente aqui, eu acho que eu sou insignificante” ou seja, isso tá me desempoderando, tá tirando todo meu poder de fazer alguma, de causar alguma coisa né, alguma mudança no planeta até porque mudanças acontecem com pequenas ações acontecendo ali no dia a dia né ao mesmo tempo que também se você tá muito autocentrado ali tipo com o ego lá no alto, inflado e tudo mais, qualquer coisa que acontece você acha que aquilo ali tá acontecendo contra você, tipo assim “Meu Deus isso que está acontecendo, porque está acontecendo comigo?” e vira um drama que não, aconteceu porque acontece, porque é a vida, não é para você, é com você sabe, o mundo não roda ao seu redor então tipo assim vai lá, fica na sua, então encontrar o equilíbrio entre essas duas coisas para mim tem sido mais difícil, onde fica esse equilíbrio de fato sabe porque assim, beleza a gente tá o tempo inteiro variando né tipo, uma hora meio no ego e outra hora mais afastado dele mas como é que a gente encontra esse meio do caminho né, até onde eu quero ir, até onde eu quero que o meu ego me ajude a construir o que eu quero construir mas também não me faça ficar cego em relação a tipo qual de fato o impacto que eu tenho sabe, então é muito não sei, não é a resposta, são só perguntas, é uma reflexão que eu tenho pensado muito assim tipo de fato.

Carol Manciola – É uma reflexão muito poderosa essa porque acho que o maior desafio que a gente tem é sair do ego pra alma e tem um livro chamado “O lado difícil das situações difíceis”, todo empreendedor tem que ler e ele fala que o empreendedor vive dois estados constantemente, euforia e desespero, ou você tá “Ah é o mundo” ou você tá “Caralho morri, ferrou, acabou tudo” a gente tem extremismo e isso que você trouxe sobre a narrativa me tocou aqui né porque eu tava conversando com uma amiga minha que é empreendedora também e ela tem um projeto que é incrível assim, você conversa com ela e você fala “Esse negócio vai mudar o mundo”, você entra na pilha e ela disse que foi apresentar para os investidores um dia “A gente faz isso, faz aquilo, a gente é foda, o que a gente vai fazer vai mudar o mundo inteiro” e o cara falou “Tá bom, 5 anos de empresa, se é tão maravilhoso porque é tão pequena?” e eu trouxe isso pra mim porque eu falo da Posiciona, “Melhor empresa de treinamento de vendas, a gente muda o mundo, muda o ponteiro, a gente trabalha isso” então porque é pequeno? E foi essa reflexão no começo de 2021 que me fez olhar para esse lado de buscar investidor, “Vamos pro Shark Tank”, “Vamos vender uma parte da empresa” porque eu falei assim “Cara é muito bom, o que tá faltando para se tornar maior?” então acho que você sai do foco da narrativa, você já se convenceu dela, não precisa mais falar isso para você e você começa a pensar o seguinte, o que tá me impedindo de fazer com que outras pessoas enxerguem o que eu enxerguei? E aí foi muito legal porque nessas rodadas que eu tive que eu conversei com muita gente nesse processo até decidir qual a empresa, é o que eu falo, eu não vendi a empresa, me compraram né então nesse processo de conversar com um monte de gente foi muito legal fazer essa reflexão porque um dizia “Cara falta isso”, um dizia “Falta aquilo” e aquilo que pra mim era perfeito tá cheio de buraco então acabou virando um processo de arrumar aqui e arrumar ali e eu tenho muito orgulho porque hoje eu olho para o negócio e ele tá redondo sabe, ele funciona, as coisas fluem, a equipe tá feliz, a cultura poderosa, só pequeno, o desafio agora com a fusão é como é que a gente torna grande aproveitando ao máximo desse grupo que adquiriu a gente mas também né influenciando com isso que a gente traz aqui no nosso DNA. Então acho cara, empreender é um assunto que a gente poderia ficar aqui horas falando sobre isso. Um outro livro que eu não sei se você leu mas eu super recomendo, se chama “Empreender: a arte de se foder todos os dias e não desistir”, que é dos fundadores da Méliuz. Se você ler esse livro, a primeira conversa que a gente teve aqui antes de começar a gravar eu falei “Eu preciso indicar esse livro pro Henrique” porque ele traz os erros mais comuns e você fala “Nossa eu fiz isso”, “Eu tô fazendo isso” então assim, essa sensação de você ir se identificando é muito legal, e hoje tem muita coisa né, tem muito programa de aceleração, muito mentor então acho que buscar ajuda é sempre uma das melhores alternativas aí pro nosso rolê.

Henrique de Moraes – É engraçado essa coisa do euforia pro desespero né porque isso às vezes acontece em minutos de diferença né porque por exemplo, às vezes aqui na agência a gente fecha um negócio e se é um negócio grande é tipo assim “Yes, conseguimos” aí fala assim “Caralho fudeu, eu preciso organizar essa entrega inteira agora, caralho tenho que encontrar fornecedor, terceiro, funcionário, contratar rápido” e aí assim, você migra, “Quem foi o irresponsável que fechou isso agora?” então de fato você fica nessa montanha russa maluca. E acho que um exercício que eu tenho feito muito nessa coisa de como tentar manter o equilíbrio do afastamento da narrativa, eu comecei a perceber isso quando viajava de avião, quando você viaja de avião você vê tudo do alto e você vê tipo os prédios, os carros, tudo pequenininho e comecei a me perguntar “Caralho, é sério que eu vou passar a minha vida inteira trabalhando pra comprar um espaço do céu, porque aquilo, um apartamento é um espaço do céu, não é nem um terreno, você não pegou um pedaço de terra, é um pedaço do ar sabe e quando você olha do alto você tira a perspectiva e aquilo é tão pequenininho comparado ao resto do mundo e eu falo assim “Caralho, as pessoas passam o resto da vida, elas se matam de trabalhar pra ficar escravo de pagar uma parcela de um apartamento”, não tô falando pra ninguém não comprar apartamento gente não é isso mas assim, é mostrar que assim, às vezes as coisas que a gente valoriza tanto nem são tão importantes assim né sabe e muito do que a gente dá de importância às vezes foi uma construção social sabe e que a gente pode desconstruir, a gente pode valorizar outras coisas e priorizar outras coisas. Eu tenho lido muito sobre, nessa busca tenho lido muito sobre o budismo, tem um livro que eu recomendo para todo mundo que é “Por que o budismo funciona”, não é um livro esotérico gente, não fala sobre a parte religiosa do budismo, na verdade ele traz uma comparação do budismo com a psicologia revolucionista, que fala que tudo que a gente, todas as noças reações, tudo que a gente faz hoje em dia é baseado na seleção natural então a gente meio que faz tudo meio que para sobreviver, por extinto de sobrevivência e ele dá vários exemplos e aí ele fala né que o budismo tem essa coisa do vazio né, que tudo na verdade é vazio de significado e dá uns exemplos que acho tão sensacionais, ele fala por exemplo que se você tá num, vou dar uma pesquisa que ele usa, tem uma pesquisa que pessoas que estavam tomando vinho, era uma pesquisa sobre vinhos e eles serviram o mesmo vinho numa garrafa super premium e numa garrafa tosca e pra ver o que as pessoas iam achar, se ia ter alguma diferença no sabor, e era o mesmo vinho, e as pessoas pegaram a garrafa premium lá que tinha aquela cara toda bem trabalhada e falavam “Nossa” é aí 78% dos participantes falaram que o vinho tinha um sabor melhor e tudo mais. Então assim, tem uma série também na Netflix, que é sobre quadros, sobre uma fraude de quadros que aconteceu em Nova York, de uma galeria tipo a mais prestigiada lá de Nova York que começou a comprar quadros falsos sem saber, achando que eram verdadeiros porque acreditou na história da pessoa que vendia o quadro para ela que eram quadros que tinham sido encontrado de pintores famosos e tudo mais e aí as pessoas compraram esses quadros imagina isso, comprou o quadro e botou na sala dela e falou “Nossa eu comprei um quadro do fulano de tal, raro que ninguém vai ter porque foi dessa nova leva que acharam de quadros dele” e depois descobriu que era falsificado. E aí o cara que comprou o quadro tava processando todo mundo né e de repente o quadro que ele pagou coisa de um bilhão de dólares, alguns milhões de dólares naquele quadro perdeu completamente o valor sabe então ou seja, o valor daquilo ali é completamente subjetivo sabe, então assim, porque você pagou? Pagou porque é bonito ou você pagou porque, qual a razão de fato por trás daquilo ali né? Então é isso, as coisas não tem um valor, o valor quem coloca é a gente. E aí nessa hora você faz esse exercício de se afastar e você fala assim “Cara porque eu tô dando tanta importância pra isso aqui?” “Ah beleza por causa disso e disso”, “Porque meus pais valorizavam”, “Porque eu quero que as pessoas me vejam bem sucedido” e quando você vai ver, todos os valores são externos, nada é interno, nada é uma contrução sua e aí você começa a repensar tudo que você tá fazendo, enfim fui longe aqui agora.

Carol Manciola – Foi mas é legal essa conversa porque no final das contas eu sempre falo isso, tudo é pelo sentir, Freud vai dizer que tudo é sexo, para mim tudo é excitação, é o sentimento, porque que você paga, outro dia a gente pagou uma fortuna lá pra ir no show da Marisa Monte, ela lé longe, eu olhava mais no telão do que qualquer coisa mas é o sentir cara, é a aura, pô a Marisa Monte olho pra mim, tocou essa música para mim, é com quem eu tô na hora, então assim no final das contas tudo que a gente faz é para sentir alguma coisa né então o que você sente quando você compra um quadro falso mas que na sua percepção é verdadeiro? É poder, “Sou único, exclusivo” e é por isso que os perfis comportamentais né, o que cada um valoriza é tão diferente. Então para alguns um lugar é calor e o outros no mesmo ambiente é frio então eu acho que quando você, e por isso que maturidade para mim é um negócio muito foda né porque maturidade é aquela hora que você deixa de fazer algo porque o outro espera que você faça e você passa a valorizar o fazer algo porque você quer fazer, então você deixa de, assim a vida inteira a gente cresce “Ai que o sonho do meu pai é que eu tivesse uma casa própria”, você compra uma casa própria, todo mundo fala “Investe o dinheiro”, “Não mas meu pai queria que eu tivesse uma casa própria”, iinconscientemente você vai realizando o sonho de outras pessoas e expectativas que as outras pessoas têm sobre você né, tanto que é comum ouvir coisas tipo “Nossa cara eu não esperava isso de você” aí eu falei “É porque você não me conhece como eu me conheço”, tenho usado muito essa frase quando alguém fala isso, “Porque você não me conhece como eu me conheço” então segue a tia que ela tem a razão dela. Então acho que cada um tem a sua razão, e esse tipo de reflexão você não faz com 18 anos, não faz e se você fizesse com 18 anos você deixaria de ser uma pessoa de 18 anos e passaria a ser um velho de 45 que nem eu, não é, tem um momento da vida que você tem que querer mesmo um monte de coisa, realizar a expectativa dos outros e depois você começa a entrar nesse flow porque é o próprio instinto de sobrevivência né, cada fase da vida exige uma coisa de nós, então acho que a frase da vida para mim é “Isso é vida, isso se chama vida gente, para de complicar o rolê porque ela é assim para todo mundo”.

Henrique de Moraes – Boa. A gente acabou trazendo aqui algumas referências de livro e já vou aproveitar então para te fazer a pergunta assim, você tem de 1 à 3 livros aí que pra você mudaram a sua vida de alguma forma assim, que fizeram um impacto quase que desses momentos que você falou de inflexão, um livro que fez assim você falar “Caraca calma aí”, ou um livro que você dá de presente, qualquer coisa assim, um livro que seja importante pra você”

Carol Manciola – Tem um livro que para mim foi muito marcante que eu lia na adolescência chamado O Mundo de Sofia que é filosofia né, que me fez questionar ainda mais o mundo, então para mim foi muito marcante, eu tô sonhando agora eu tô acordada quando eu tô dormindo? Então essa coisa de, essa viagem filosófica para me abrir um olhar e foi muito bom porque foi muito jovem que eu li o livro, então me deu esse poder de ampliar um pouco mais a minha consciência e questionar mais as coisas. Tem um livro que eu indico para todo mundo que tá em processo de divórcio ou tá angustiado com relacionamento, que se chama “Minhas razões, tuas razões”, do Paulo Gaudêncio, um livro incrível cara assim, que discute muito a origem do desamor né, eu amo muito Adam Grant, amo muito Brené Brown, fiquei muito fã do, esqueci o nome dele, Greg Mac alguma coisa que é do “Essencialismo”, que são os livros mais recentes que eu li, mas tem tem um livro para mim que foi muito marcante também que se chama “Isso É Marketing”, do Seth Godin. Cara, esse livro para mim foi “Meu é isso, eu teria escrito esse livro”, o cara conseguiu traduzir várias coisas que eu penso assim, eu sou muito do viés da confirmação sabe Henrique, se alguma coisa confirma minha teoria eu amo então assim, o “Isso É Marketing” é um livro que eu falei “Que tesão” mas ao mesmo tempo me abriu muitas portas. Então assim, eu sou muito viciada em leitura, a maternidade me tirou isso durante um período porque eu tinha que escolher e falei “E agora vai ficar“ e voltei, tem dois anos que eu tô lendo um, dois livros por mês então é muito difícil escolher um, eu não consigo abrir mão da biblioteca, detesto emprestar livro, eu dou de presente porque livro meu é rabiscado, é cheio de post it mas acho que esses três aí foram livros que me marcaram em perspectivas diferentes da vida e que eu costumo recomendar.

Henrique de Moraes – Perfeito. O Seth Godin é um dos caras que eu mais admiro assim, inclusive pra quem fala inglês eu recomendo muito que busquem aí todos os podcasts, cara qualquer podcast com o Seth Godin assim é incrível, você vai aprender muita coisa, e vai com o caderninho.

Carol Manciola – Eu assisti ele ao vivo tá?

Henrique de Moraes – Nossa, sensacional

Carol Manciola – Eu assisti ele ao vivo, o cara é muito incrível, a palestra do cara é incrível.

Henrique de Moraes – Ele é tão incrível que eu peguei e tatuei um pedaço de um texto dele aqui no meu braço, não sei se dá pra ver aí, não vai dar pra ler né mas tem um texto dele que eu acho incrível e que eu tento levar pra vida assim mas que é difícil, é simples mas não é fácil, que ele fala que se é uma escolha então não é uma obrigação, então não trate essa escolha como obrigação. E aí ele tem esse “own the choice” enfim, eu tô resumindo bastante, o texto é um pouquinho mais longo mas é muito legal e aí eu tatuei isso, eu botei “cut the bullshit”, que isso não tem no texto dele, “own the choice” pra tipo toda vez que eu me pegasse tipo “Ah não sei o que”, reclamando da vida eu falar assim “Calma, quais foras as escolhas que me fizeram chegar até aqui?” as escolher que eu que fiz sabe então assim tipo, corta aí a palhaçada Henrique e ou você muda, faz escolhas diferentes ou então você tipo assume a escolha que você fez e resolve a porra do problema sabe, não fica dando desculpa.

Carol Manciola – Cara Henrique eu me arrepiei agora, arrepiei. Porque quando eu vim morar em São Paulo eu tava naquela de tipo “Volto ou não volto?”, “Que cidade gelada”, “Que pessoas estranhas”, como diria Caetano Veloso “Narciso acha feio o que não é espelho” e eu lembro que eu fui conversar com um amigão meu e ele falou isso para mim, ele falou “Carol eu tenho um mantra na minha vida, toda vez que eu tô vivendo uma situação eu penso ‘Eu escolhi, eu decidi” e eu falei “Cara é isso, eu escolhi, eu decidi então se eu tô vivendo isso é uma escolha minha, se eu não quiser mais é uma escolha minha voltar atrás também, então quando você trouxe isso agora, depois me dá o livro do Seth que ele fala sobre isso, o Seth é meio íntimo já, que eu quero mergulhar nisso aí

Henrique de Moraes – É um textinho de blog, depois te mando, te mando em seguida aqui, já te encaminho. Tem alguma coisa Carol hoje que te gera mais ansiedade assim?

Carol Manciola – Lentidão cara, pra mim, essa frase que eu comecei hoje falando, “Não tenha pressa mas não perca tempo”, eu detesto sentir que eu tô fazendo coisas que não estão me levando sabe então assim eu fico agoniada ou com timing das coisas, do tipo, vou dar um exemplo bobo, outro eu falei “A gente precisa fazer um vídeo e não sei o que”, falaram “Preciso de 5 dias”, eu falei “Mas você precisa de 5 dias para fazer esse vídeo ou porque você tá cheio de coisa e você vai fazer ele meia hora antes do prazo que você decidiu entregar?”, “Não Carol é um video, tenho que fazer isso, tem que fazer aquilo” e eu falo “Gente, eu não preciso de um negócio de Hollywood sabe, eu preciso de um vídeo” então assim, as pessoas às vezes num preciosíssimo perdem um timing e hoje em dia a gente sabe que timing é importante. Não adianta você fazer um post sobre a Anitta hoje sabe, aconteceu há 4 dias meu, não vai rolar, não vai fluir mais então eu fico muito angustiada, ainda mais eu que trabalho com grandes empresas então, e hoje eu tô vivendo isso porque na minha empresa você tem que movimentar toda uma organização, processos, então eu tenho um pouco mais de empatia mas só de falar você viu que eu mudei até a fisionomia, mas é a lentidão, meu marido às vezes eu falo “Amor a criança tá chorando” e ele “Não, ela vai lavar o rosto”, e eu “Não, ela tá chorando, vai logo”

Henrique de Moraes – Esses somos eu e minha esposa também. Ela reclamando de mim, é a mesma reclamação que acontece aqui também.

Carol Manciola – Acho que é típico das esposas, vou criar um sindicato das esposas.

Henrique de Moraes – Boa, e o que você faz pra lidar hoje com a ansiedade, quando você tá se sentindo ansiosa, como é que você faz?

Carol Manciola – Hoje em dia tem coisas que eu falo assim “Isso não é problema meu”, eu tenho muito isso. Outro dia eu fui viajar e o Marcos ficou com as crianças uma semana inteira e aí eu comecei a fazer uma lista de coisas e falei “Quer saber de uma? Ele é pai, isso não é problema meu não, crianças, marido,tchau”, problema seu como é que você vai se virar com eles, problema seu se eles perderem a van, problema seu se eles reclamarem que o lanche tava ruim então assim, cara eu tirar um pouco de mim esse peso então hoje em dia quando eu vejo que eu tô ficando muito estressada com alguma coisa eu me faço três perguntas, você botou isso lá nas pergunta que você me fez, eu tenho três perguntas que são para mim muito, muito, muito importantes. A primeira é “Porque que eu tô sentindo o que eu tô sentindo?”, porque eu tô sentindo isso né, o que gatilhou em mim e isso é poderoso porque eu dou aquela ressignificada, falo “Não, tô dramatizando” ou “Nossa, tô minimizando” enfim, então a primeira pergunta é porque estou sentindo o que estou sentindo, a segunda é “Pra que eu tô fazendo isso?”, pra que? Vai me levar pra onde? Outro dia com essa pira de rede social eu falei “Gente é porque eu não postei tem três dias” eu falei “Vem cá, eu ganho dinheiro vendendo curso online?” “Não”, “Eu tenho algum objetivo de ser influencer?”, “Não” então tudo bem se eu ficar 3 dias sem fazer um post, então esse para quê e a terceira pergunta é “Porque eu tô fazendo desse jeito?”, que eu tenho vários caminhos, porque eu escolhi esse? Porque era mais fácil? Porque era melhor? Porque eu já conhecia? Então assim, é muito comum a gente ir pra nossa zona de segurança, pra bola de segurança né então às vezes eu vou por ali por eu já conheço esse caminho, então de vez em quando eu tenho que falar “Esse caminho conhecido é o melhor? Será que tenho que aprender alguma coisa nova?” Então essas três perguntas, falar que não é problema meu resolve muita coisa e me fazer essas três perguntas faz com que eu pare e volte para o lugar. Você tem filho pequeno, eu aprendi um negócio bobo mas que realmente muda a nossa relação com as crianças, quem têm filhos e está aqui ouvindo a gente sabe disso né, tem horas que você tem vontade de apertar porque assim é desesperador, criança tira a gente do prumo. 10 segundos cara, parece bobo, conta até dez, você contou até 10, a raiva passa e você consegue ser o adulto e lidar com aquela situação. Então eu tenho que controlar muito a minha impulsividade, todas as áreas da minha vida então quando eu vejo que eu tô alucinando com alguma coisa eu saio de cena, me faço essas três perguntas e concluo: e problema meu? Vou adiante. Não é problema meu? Cara let it go.

Henrique de Moraes – Sensacional. Sensacional por vários motivos, um que as perguntas são ótimas e eu acho que faz uma coisa que pra mim assim, hoje é o maior problema que a gente tem que é quase uma epidemia que acontece, é ruim falar epidemia agora mas assim, que existe dentro do, entre as pessoas que eu convivo que é cara, sair do modo automático, parar um pouco sabe, se perguntar “Não, porque eu tô fazendo isso?”, exatamente então uma vez um amigo meu me passou esse exercício que eu acho sensacional que é perguntar três vezes porque, que acaba que é parecido com o que você fez, são 3 porquês também né e aí porque assim, no caso dele ele falou “Cara porque qualquer coisa que você tiver que descer até o terceiro porque, você já vai ter muito mais clareza de toda aquela situação” e aí então tipo assim sei lá, porque que eu tô ansiosa aqui porque não publiquei três dias, “Ah porque eu acho que se eu publicar talvez eu consiga melhorar minha imagem, qualquer coisa”, tá mas porque preciso melhorar minha imagem? “Ah sei lá porque eu acho que isso vai…” e aí você vai se perguntando, quanto mais porque você faz, mais você se aprofunda e chega em respostas né que é o mais importante, eu acho que é super relevante e essa coisa que você falou do seu marido é engraçado né porque eu e minha esposa a gente tá num momento assim curioso porque a gente mudou para Lisboa, agora a sessão de terapia veio de fato, a gente mudou pra Lisboa e somos só nós dois, nós três no caso né, e os gatos mas os gatos não ajudam, então somos só nós 3, a gente tá longe da família, dos amigos e tudo mais e com trabalho, ambos trabalham né então a gente tem muita coisa para fazer e vários questionamentos começaram a surgir porque até então beleza tipo, a Alice ficou doente, você pode deixar com o avô, deixa com não sei quem, faz isso, faz aquilo, você sempre tem um rede de apoio e agora não tem mais, e aí? Quem fica com ela? Então a minha esposa sempre me questiona muito, “Mas porque você acha que o seu tempo vale mais que o meu?”, “Porque você tem que trabalhar e não eu?” Então assim, e fez a gente pensar muito

Carol Manciola – Já gostei dela

Henrique de Moraes – Sim e tira um pouco, desconstrói um pouco e assim, de maneira bem, como é que eu vou colocar, talvez de uma maneira mais insistente do que ela deveria porque a gente tem essa construção né patriarcal que eu fui construído em cima dela e tipo assim, é difícil às vezes você quebrar isso e eu não tô de maneira nenhuma tentando fingir que eu consegui porque eu não consegui tanto que a gente discute até hoje mas também faz se perguntar mais profundamente assim do porque que você acha que seu tempo vale isso, porque você acha que precisa trabalhar tantas horas então me fez chegar em tantas outras perguntas sabe, só o fato dela estar desafiando nesse sentido e que entra aí também na parte do porque eu tava trazendo isso que era essa sua fala que é de fato às vezes assim eu acho também que essa construção é tão forte em ambos né, pra gente no sentido de que a gente acha que a gente tem que prover ou qualquer coisa e no caso dela que ela tem que ser a mãe perfeita assim, assado, tudo bem que são tantas cobranças e fora que ela tem que trabalhar, ela tem que ser isso, tem que ser fit, tem todas essas cobranças e aí é que quando você vai perceber assim, muitas vezes das vezes eu acho que tô falando por ela assim mas eu vi isso acontecer com várias outras mães né, ela acha que ela precisa ser a responsável por fazer, por garantir o controle de qualidade das coisas sabe, como se ela fosse a CEO da nossa casa, e é um papel que é meio assim, que meio que é cobrado das mulheres e que no final das contas eu falo isso com ela, a partir do momento que você abrir mão que eu faça as coisas do jeito que você acha que é melhor, talvez eu faça sabe tipo assim, talvez eu faça, horrível né mas assim é isso, não vou fazer do jeito que você acha melhor então não tenta controlar, fala assim “Cara foda-se, tem que trocar, tem que fazer isso, tem que fazer aquilo”, “Beleza, me passa a parada que eu vou fazer”, agora não fala que eu tenho que fazer desse jeito que eu vou questionar.

Carol Manciola – Não mas eu vou defender aqui, como é o nome da sua esposa?

Henrique de Moraes – Gabi

Carol Manciola – Gabi, porque assim, os homens muitas vezes não tem a bolística das coisas. Então é isso, a gente já, porque a mãe manda o casaquinho? Primeiro porque ela já tá pensando “E se fizer frio e ele não tiver casaco, vai ficar gripado e se ele ficar gripado vai sobrar pra mim, então manda o casaquinho” então assim, o homem nem sempre tem essa coisa de “Olhei a previsão do tempo, vi que pode não sei o que lá”, a gente parece que tem uma coisa, e por isso que eu falo pro meu marido, “Só se pergunta mais, você pode fazer do seu jeito” mas eu comecei a abrir mão porque ele também me deu esse feedback né, do tipo “Ah porque tem que ser do seu jeito”, cara eu preciso ir embora e ele é pai, se ele se atrasar pra van eu não preciso falar “Olha, 6h05 as crianças tem que estar lá embaixo porque 6h10 o moço vai embora e se o moço for embora você vai ter que levar as crianças pra escola”, deixa ele, se ele perder quem vai ter que levar na escola não é ele? Então assim, quando o sistema de consequência fica junto da pessoa que tá tomando a decisão ok, o desafio desse rolê aí que você tem é isso, vai fazer do seu jeito mas agora se der caca você vai cuidar também, combinado?

Henrique de Moraes – Mas eu acho que esse é o ponto, isso é um pouco, provavelmente um desafio que 

Carol Manciola – pra tudo na vida

Henrique de Moraes – Passou porque exatamente, é delegar, se você delega e fica esperando que a pessoa faça do jeito que você faz é a fórmula da frustração né, enquanto quando você libera a pessoa para ela fazer do jeito dela né e assumir as responsabilidades das consequências dos erros que ela cometer, cara isso muda completamente porque a pessoa vai aprender, ela aprende rápido cara porque é isso, se esquecer de levar o casaco e tiver frio vou me sentir culpado pro resto da vida porque meu filho sentiu frio, então eu não vou esquecer de novo né então é isso né, é difícil mas são coisas que a gente acaba tendo que abrir mão um pouco do controle para conseguir.

Carol Manciola – Mas na organização também, na medida em que você cresce é um pouco disso, acho que os maiores desafios da gente que empreende, que sonhou e que idealizou etc e tal, em algum momento é essa delegação então eu coloquei até isso pra mim como maiores aprendizados, existem várias formas de fazer algo bem feito, não é só o meu jeito, então eu tenho as minhas expectativas, eu não preciso que as pessoas cumpram as minhas expectativas, eu preciso que as pessoas reconheçam qual o impacto daquilo que elas vão fazer, então hoje eu trabalho muito mais no sistema de consequência, eu calibro muito menos a expectativa que eu tenho sobre a entrega e muito mais qual é o impacto contratado praquela entrega porque pode ser que pra mim ficou ruim, mas dentro do que o cliente pediu era aquilo? É e ainda surpreendeu? Maravilha, segue o baile então assim, é tirar um pouco essa coisa do preciosismo porque senão não cresce, acho que o grande desafio de quem empreende é isso, você quer crescer mas ao mesmo tempo você não quer abrir mão do controle e do seu jeito, cara você vai ficar empacado então assim, let it go, vamos ligar a Frozen aqui e deixar um pouco as coisas fluírem porque as pessoas são adultas, ninguém faz coisas ruins de forma intencional, então vamos acreditar que as pessoas querem fazer o seu melhor e precisam de apoio, de direção, de inspiração mas não precisam de controle.

Henrique de Moraes – Uma vez eu ouvi um cara falando que toda empresa é um caos, é um milagre que as empresas existam, especialmente as maiores e aí eu ouvi o Zuckerberg esses dias falando assim “Toda empresa é muito ruim em várias coisas e aí a única coisa que você pode escolher é no que você vai ser ruim” que é isso, onde você vai abrir mão de controle e quais são as coisas que você faz questão aqui de manter o controle sobre essas né e tem tudo a ver com tudo que a gente falou

Carol Manciola – Quais são os erros fatais que você não pode cometer, tipo o limite ali

Henrique de Moraes – Exatamente. Carol me diz uma coisa, o que pra você é ser bem sucedido? O que significa isso pra você?

Carol Manciola – Eu sempre falo disso, que para mim não existe chegar lá e se existe chegar lá eu tô fazendo o caminho de volta, se existe um chegar lá eu tô fazendo o caminho de volta porque eu acho que sucesso é uma combinação de quatro coisas né, quando essas quatro coisas fluem, para mim você tá tendo sucesso então assim, a primeira coisa é consciência, clareza né daquilo que você gosta, daquilo que você não gosta, daquilo que é um objetivo para você, daquilo que você quer abrir mão então acho que consciência, são 4 Cs lógico né, porque tem coragem enfim, então essa consciência é um pilar para o sucesso. O segundo pilar para o sucesso é coerência, que é meu, você tá fazendo aquilo que se conecta aos seus desafios? Você falou lá no começo do podcast né que tem gente que tem aquela vida perfeita, eu falo que tem gente que ou eu convivo na rede social ou eu convivo na vida pessoal, eu não consigo conviver com essa pessoas nos dois ambientes porque é lindo o seu post mas eu te conheço. Então assim, gente que vai lá no Instagram e fala que é foda e eu falo “A pessoa tava cagada aqui ontem gente, reclamando disso e daquilo outro e agora tá fazendo post motivacional?” Então assim, para mim coerência, esse walk the talk, viver o que você de fato prega é outro pilar importante para o sucesso. O terceiro é consistência né, até mandei mensagem pro Alexandre Pellaes, que é um palestrante famoso, um estudioso do futuro do trabalho, que hoje de manhã acordei e falei “Cara eu preciso te mandar os parabéns, você é muito foda, você tem uma consistência incrível, você escolher um lugar e você tá se aprofundando cada vez nele e assim, demorou para você conseguir um LinkedIn top voicer, você poderia ter sido LinkedIn top voicer há 7 anos atrás e você foi agora e com um trabalho brilhante, você não teve que se corromper” então consistência é outro pilar do sucesso. E coragem, porque a coragem é um pouco daquilo que eu já comentei, é você saber que você escolheu viver aquilo, é você saber que você não vai conseguir controlar tudo, que você vai levar porrada pra cacete mas mesmo assim você vai né, é você se conhecer melhor do que os outros te conhecem e você, eu sempre falo assim, se você custa caro e você paga à vista mas não ser você custa muito mais caro só que como você paga em prestações ao longo da vida inteira você não sente então coragem é esse sai do armário sabe, se assume, banca seu rolê, então para mim sucesso é gerar conexão entre esses 4 Cs assim né e é ser feliz na jornada então assim, cara é horrível você ter que fazer alguma coisa, você ter que ir para o escritório, você ter que ir para casa, você ter que fazer alguma coisa onde você não se sinta feliz entendeu. Eu acho que nem tudo que a gente faz a gente gosta porque pra gente fazer as coisas que a gente gosta a gente tem que fazer um monte de coisa que a gente não gosta mas esse enxergar sentido e tentar fazer tudo aquilo que a gente faz com prazer, com alegria, meu isso para mim é é sucesso.

Henrique de Moraes – Perfeito. Gostei

Carol Manciola – Viajo né? Vou abrindo um monte de caixinhas

Henrique de Moraes – Esse podcast o nome dele tinha que ser “Abrindo caixinhas” mesmo porque a gente vai abrindo um monte de coisas e fechar já é um pouco mais difícil mas tudo bem. Deixa eu te perguntar, você tem algum hábito que as pessoas olhem de fora e achem muito esquisito mas que você não vive sem?

Carol Manciola – Acho que arrumar coisas

Henrique de Moraes – Como assim?

Carol Manciola – Arrumar, eu cheguei no escritório ontem e não conseguia trabalhar, tava eu lá arrumando, catalogando, botando os post its no lugar e tal, meu lado virginiano é muito forte então eu tenho uma mania de arrumação que é irritante então assim, pega um livro meu tem post it, cada coisa tem uma cor então eu adoro segmentar, catalogar, adoro arrumar, é um negócio que costuma causar estranheza porque como eu faço um monte de coisa as pessoas devem pensar “É uma bagunça” não, meu armário é por cor cara sabe, as roupas de cada cor, e tamanho, às vezes eu mudo a segmentação então assim, minha cabeça vai funcionando em caixinhas. Eu tenho falado muito de caixinhas. Então acho que esse negócio é meio estranho mas é um hábito que eu cultivo e eu curto tá.

Henrique de Moraes – Eu também. Cara eu sou zuado desde que eu sou adolescente pelos meus amigos por causa da arrumação do meu quarto, armário, desde que sou moleque assim, eu sempre fui muito e quando eu fui morar sozinho meus amigos eles pegavam e tiravam a almofada do lugar e ficavam contando quanto tempo ia demorar para eu ir lá e arrumar.

Carol Manciola – Eu, é o dia inteiro arrumando, pegando brinquedo de criança no chão, almofada do sofá, eu falei pro meu marido “Tira as almofadas, tira” porque se cair no chão eu vou arrumar então é melhor ficar sem almofada.

Henrique de Moraes – Boa, eu sou assim também. E se você pudesse voltar pra Carol de 10, 15 anos atrás, no que você diria para ela ter mais calma assim, mais paciente, não ter tanta ansiedade, tem alguma coisa que bata mais forte assim pra você?

Carol Manciola – Pra mim, eu faço essa reflexão às vezes né e tem duas coisas que eu falaria pra mim, a primeira é vai valer a pena porque por mais que eu não tenha tido nenhum grande desafio traumático, nunca nada foi fácil, nada, nada veio de bandeja então assim, vai valer a pena né e muito assim, as coisas tem o seu tempo né. Quando a gente é mais jovem essa ansiedade ela é ainda maior porque a gente vê uma pessoa de 50 anos contando que conhece 15 países e você pensa “Nossa e eu só conheço um né”, calma ela tem 50 anos e você tem 25 né então assim, acho que eu penso muito isso, eu tô com 41 anos, eu penso “Se eu viver com saúde até os 82 eu tô na metade da vida” então é muito louca essa ansiedade por esse chegar lá né então eu acho que essa coisa mesmo de as coisas terem seu tempo, eu falaria isso pra mim para que eu sofresse menos com algumas situações e fosse um pouco mais leve, eu sempre fui muito tensa né e hoje eu troco ser tensa por ser intensa. Não é densidade né, não é tensão, é intensidade e tesão né, acho que são essas duas coisas assim que eu falaria para que eu sofresse um pouco menos e fosse um pouco mais leve, com as pessoas inclusive.

Henrique de Moraes – Excelente mesmo né porque é isso, acho que a gente se preocupa tanto com um monte de coisa que às vezes não vale a pena. Tem um exercício que eu ouvi uma vez que achei tão interessante que é tipo, quando você tá com alguma coisa te consumindo muito, pensa como você vai se sentir daqui a um dia, uma semana, um mês com aquele problema sabe, se desloca para momentos em que você teve problemas parecidos e quanto de fato vale a pena então isso me ajudou muito quando eu perco cliente por exemplo, cara perder cliente, para quem tem agência, todo mundo sabe como é, é uma dor, parece que tá perdendo o seu melhor amigo, a sensação que dá, tirando uns babacas mas assim, são raros, graças a Deus a gente tem poucos, passaram poucos clientes babacas mas passaram mas é isso, depois quando você para pra pensar e olha pra trás você fala “Cara porque eu sofri tanto com aquilo?” sabe beleza, cliente vai e vem mesmo, é normal, faz parte, eles trocam, às vezes vão e voltam inclusive sabe, então não tem que ficar se preocupando tanto com isso.

Carol Manciola – Hoje em dia eu sempre falo, quanto acontece alguma coisa assim que é catastrófica eu falo “Certeza que a gente vai rir disso um dia”

Henrique de Moraes – Sim, exato

Carol Manciola – Certeza que a gente vai rir desse negócio um dia sabe então eu sempre fico tentando antecipar esse dia que a gente vai rir porque eu tenho, minha terapeuta fala muito isso pra mim, eu falo “Taís, eu odeio drama” porque meu pai tava doente, tava super mal mas o pai de tanta gente já morreu, eu vou ter que lidar com isso em algum momento, ela falou “Não minimiza sua dor”, eu falo “Claro que dói pra caramba pensar nessa possibilidade mas eu vou ter que lidar com isso em algum momento então assim, por mais dramático que seja é aquele aquilo que a gente começou o podcast falando, é o significado que você dá a tudo, então não é minimizar, é entender que você não tem controle, acho que você começou da maneira perfeita, você não tem controle sobre tudo mas você pode controlar como você vai reagir às coisas, então a foca nisso aí e com certeza você vai ser muito mais feliz.

Henrique de Moraes – Carol, qual é a melhor rede social, o melhor local para as pessoas te encontrarem? Além de comprar os livros, é claro.

Carol Manciola – Rede social assim, eu sou uma pessoa muito fácil então se você botar Carol Manciola no Google você vai ter a minha vida inteira, desde o blog que eu escrevi em 2001 até os dias de hoje então eu uso muito Instagram, Instagram é a rede onde eu mais atuo hoje sem dúvida, eu gosto muito do LinkedIn também, flerto com o Twitter, o TikTok eu entrei e saí e o Tinder e Happn eu não frequento por motivos óbvios, então eu falo que eu tô em quase todas mas o Instagram é onde eu mais atuo mesmo, o Instagram e LinkedIn são as redes onde eu mais me divirto. E livros são 3 né, o “Os Cês Da Vida” que lancei em 2017 mas que não tá à venda mais, a gente meio que descontinuou porque eu relancei ele com o coragem, o “Coragem: e mais alguns Cês da Vida” que eu lancei tem um mês, em fevereiro de 2022 e o “Bora Bater Meta”, como a pessoa é meio louca né porque ela escreve sobre vendas então assim, vendas raiz, adoro vendas, técnicas de vendas, sou alucinada, leio tudo, estudo tudo, vendas, marketing, como humanizar a relação entre marcas e pessoas, sou tarada nesse tema, mas eu também sou gente e adoro fazer reflexões sobre a vida, então o “Coragem: e mais alguns Cês da Vida” que conta um pouquinho, é mais autobiográfico, conto várias histórias, outras reflexões, as pessoas costumam rir e chorar enquanto elas lêem esse livro.

Henrique de Moraes – Acho que tá super conectado porque se você não reflete sobre a vida você não teria capacidade de escrever um livro porque senão você ia viver só no piloto automático vivendo a vida dos outros né ou vivendo o que os outros fizeram para você, enfim. Boa, antes de encerrar vou deixar um recado aqui, se isso ficar esquisito ou muito piegas eu vou cortar depois mas é que a gente falou esse negócio lá da minha esposa e tudo mais e eu fiquei pensando sobre isso que assim, tadinha tipo ela tem que ficar insistindo com tanta coisa então assim, homens que estão ouvindo aqui, pelo amor de Deus ouçam mais e ajudem, eu tô falando isso do alto da minha incapacidade de fazer as coisas na verdade, eu reconheço mas ainda tenho muita dificuldade, eu tenho lido assim, eu tô lendo alguns livros para entender um pouco melhor o lado dela, a perspectiva dela mas ainda assim é muito difícil e por isso mesmo assim acho que tem que ficar esse recado aí de cara, entenda o que assim, tem todo um trabalho que não é pago né tipo assim, que as mulheres assumem porque foi imposto né tipo assim, a sociedade colocou isso para gente e que a gente tem que ajudar a desconstruir de alguma forma então assim, eu tô atrapalhando mais a minha esposa do que ajudando até então mas pelo menos eu já enxergo, acho que é um primeiro passo então assim quem puder também assim começar a enxergar e tentar estudar, conversar com pessoas, busque ajuda porque faz a diferença né assim, a gente precisa quebrar um pouco, desconstruir um pouco essas coisas que já não fazem mais o menor sentido, já deveriam ter acabado há tanto tempo né então assim, fica aí a dica gente e não é, eu não tô nem um pouco acima de ninguém, tô só falando porque assim, quem quiser inclusive me ajudar, quiser mandar mensagem, falar “Caraca tô passando por isso”, me manda mensagem aí que eu vou adorar o depois a gente faz um grupo, faz um encontro, faz um podcast sobre isso

Carol Manciola – Legal ter uma comunidade de homens que querem e reconheçam seu papel nas relações amorosas e tudo mais

Henrique de Moraes – É importante, a gente tava falando antes, reconhece aí, a gente tem muita coisa para evoluir ainda, na verdade tem que evoluir ainda, acho que não evoluiu muito ou quase nada e aí vamos trocar gente, qualquer coisa me manda mensagem eu falo o que eu aprendi, vocês falam o que vocês aprenderam e a gente vai evoluindo juntos.

Carol Manciola – Acho que essa postura é uma postura bacana Henrique assim, eu falo muito com meu marido sobre isso, é difícil para mim, é difícil para ele, como você falou né, nós dois fomos moldados para sermos pessoas que cumpririam expectativas de outras pessoas mas acho que o grande lance mesmo é essa abertura para o diálogo né, isso de “Porque sua hora é mais importante que a minha?”, “Porque eu que tenho que abrir mão disso e não você?” e não tem que ser no embate, tem que ser na conversa porque eu acho que quando você se coloca nessa postura de “Me conta, me diz o que eu posso fazer” porque eu acho que também existe um papel nosso, das mulheres, de entendermos o desafio que é um homem chegar no trabalho e falar “Caramba eu não vou poder vir hoje porque meu filho ficou doente”, porque ele também é julgado por isso então assim, é um processo estrutural que a gente não muda do dia para a noite, então a gente não consegue fazer mudanças estruturais com discursos vazios mas quando a gente consegue abrir o diálogo certamente né tenho a esperança de que a gente vai plantando essas sementinhas e vai evoluindo juntos, acho que esse é o grande barato da vida, é crescer junto.

Henrique de Moraes – E é isso que você falou assim, conversar é tão importante né e às vezes é difícil porque isso costuma escalar né assim, sempre quando você entra nesse assunto já é um momento que ou um tá estressaou ou outro tá estressado e isso vira uma briga e os momentos que aqui em casa pelo menos a gente mais conseguiu avançar foi quando a gente sentou e fez de forma prática, “Então beleza, como é que você precisa, o que você precisa que busque, como é que a gente pode organizar isso?” e aí a gente olhou, fez planilha, tentou organizar, não tá perfeito, tem muita coisa melhorar mas assim já é um avanço, já conseguimos corrigir umas coisas então é isso, é tentar conversar não quando estiver chateado, quando estiver irritado, quando estiver puto mas ter conversas de fato né, como uma conversa sobre qualquer outra coisa. Enfim, fácil falar mas difícil fazer mas é importante. Carol, obrigado pelo seu tempo, a gente até acabou passando aqui do tempo que a gente tinha planejado, problemas técnicos aconteceram então a gente acabou se extendendo mas eu queria agradecer pelo bate-papo, foi sensacional assim, várias coisas me fizeram refletir sobre vários assuntos super importantes, adorei conhecer sua trajetória, adorei conhecer sua história inclusive, espero que muita gente se inspire, muita gente procure saber mais sobre você, eu vou ler o seu livro, ainda não tive oportunidade porque tenho uma lista de leitura enorme mas quando eu conseguir eu te dou um feedback, vou te enviar o texto que eu falei e para quem tiver ouvindo todos os links, tudo o que a gente falou, ou livros que ela citou, tudo isso vai estar na descrição do episódio tá bom, vai estar na transcrição do episódio na verdade no nosso site. Então Carol, obrigadão.

Carol Manciola – Prazer Henrique, muito legal, tchau galera.