Carlos Brando

convidado Carlos Brando

#43: sobre a importância de se manter curioso, com o cofundador e CTO do Enjoei

ouça o bate-papo com Carlos Brando aqui:

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Carlos Brando é cofundador e CTO do Enjoei, a empresa que eu mais admiro nesse Brasilzão todo – o que deixei bem claro com toda minha tietagem ao longo do episódio.

se você por acaso ainda não conhece o Enjoei, saiba que eles são o marketplace mais cool do pedaço! uma empresa que respira criatividade e que acaba de levantar mais de 1 BI em seu recente IPO.

sobre Brando:

  • desenvolve software há mais de vinte anos, começando em Visual Basic e passando para C, C ++, Java, C #, Erlang e agora Ruby and Go;
  • já trabalhou para várias empresas, incluindo Grupo Portugal Telecom, AT&T América Latina, DirecTV, SKY, VISA, Surgeworks, CloudWalk, Powershop New Zealand e Enjoei;
  • escreveu os dois primeiros livros sobre Rails 2.1 e 2.2, e liderou a tradução do “O Guia (comovente) de Ruby do Why” para o português;
  • é super engajado na comunidade e já teve até podcast sobre o assunto, o GrokPodcast, que você ainda encontra disponível em algumas plataformas de streaming.

como vocês podem imaginar, bater esse papo com o Brando foi sensacional! ele é super gente boa, curioso, nerd assumido e sua trajetória é repleta de curiosidades interessantes.

notas do episódio com Carlos Brando

livros citados:

Fora de Série (Outliers) – Malcolm Gladwell

Don’t Make Me Think – Steve Krug

Getting Real: The Smarter, Faster, Easier Way to Build a Successful Web Application – Jason Fried, David Heinemeier Hansson, Matthew Linderman

O Programador Pragmático: De Aprendiz a Mestre – Andy Hunt e Dave Thomas

Maverick – Ricardo Semler

pessoas citadas:

Malcolm Gladwell

Patrick Collison

Ana Luiza McLaren

Tiê Lima

Elon Musk

Steve Krug

David Heinemeier Hansson

Ricardo Semler

Tim Ferriss

Andrew Hunt

Dave Thomas

Silvio Santos

outras citações:

Enjoei

AWS

Amazon

Stripe

SKY

DirecTV

Net

AT&T

Ruby on Rails

Microsoft

USP

Plataformatec

Nubank

CodeMiner42

Slack

Campfire

Zoom

Meet

Skype

Tesla

WhatsApp

Mercado Livre

Tik Tok

Netflix

Honda

transcrição do episódio com Carlos Brando

Henrique de Moraes – Fala Brando, cara seja muito bem vindo ao calma!, estou muito feliz de ter você por aqui, queria começar é lógico já agradecendo pelo seu tempo, sei que é muito generoso da sua parte no meio dessa loucura, acabou de fazer IPO e me doar aí uma hora e meia do seu dia então assim cara, obrigadão de verdade e eu queria começar o podcast um pouquinho diferente, fazendo um disclaimer aqui porque como eu falei com você no convite né do podcast, eu sou muito fã do Enjoei assim, eu tô na plataforma desde 2013 ou seja, acho que foi pouco depois da sua entrada, acho que quando vocês estavam ali começando a profissionalizar de certa forma assim né, de criar a loja online de verdade enfim e de lá para cá vocês foram assim uma referência para mim do que é uma empresa, pelo menos do meu ponto de vista porque assim, eu sou apaixonado pela forma como vocês se comunicam então aprendi muito sobre o que é de fato um branding por exemplo, o que é a experiência do usuário e assim se eu for ser bem honesto aqui as pessoas conseguem inclusive perceber isso nas empresas que eu construí, especialmente hoje na agência, na Wee, eu fui muito pautado pelo que eu chamo de “jeito enjoei de fazer as coisas” porque cara assim foi de fato um impacto muito grande assim, vocês tiveram uma participação inclusive assim, se eu for falar a verdade vocês tiveram participação no fato de hoje eu ser dono de uma agência, então para resumir essa história toda aqui e parar de falar de mim e começar a falar de você que é o convidado aqui, é tudo sobre você na verdade, eu acho que isso é uma forma de agradecer a vocês né, vocês e todo o time de fundadores por me mostrarem que é possível construir uma empresa e uma marca com uma pegada mais humana, mais divertida, mais leve, sem chatice institucional e por fim de fato usar isso como um asset né, usar isso a favor pra crescer, conectar com as pessoas de verdade em vez de achar que uma comunicação muito ousada pode ser uma fraqueza, por exemplo então eu tô cara de fato muito empolgado para ter esse bate papo contigo, tava empolgado desde a época que eu te convidei pela primeira vez lá e você falou “Cara espera mais um pouquinho”, então mais uma vez seja muito bem-vindo e obrigado cara por ter topado e obrigado por ter feito parte da minha história sem você nem mesmo saber no final das contas

Carlos Brando – Muito legal cara, é bom saber, interessante.

Henrique de Moraes – É engraçado né que eu acho que quando você tá construindo uma empresa muitas vezes você não faz ideia do quanto você impacta né a vida das pessoas de verdade, então não sei quantos depoimentos você recebe

Carlos Brando – Acho que a gente não faz ideia do quanto de fato impacta nossa vida, essa é verdade, acho que empreender é uma coisa muito louca né então acho que ninguém para para pensar um pouco no que de fato vai mudar na vida e no que vai mudar na carreira das pessoas também né

Henrique de Moraes – Sim com certeza, acho que é um assunto inclusive que a gente pode abordar, vou anotar aqui pra gente falar sobre isso, sobre as mudanças que você sentiu né porque imagino que foram muitas, uma trajetória tão intensa né mas pra gente conversar acho que seria interessante você falar um pouco sobre o pré Enjoei, como é que foi a sua trajetória, o que você fez assim, como que inclusive você foi construindo até a sua entrada e como foi a sua entrada né, de onde surgiu o convite para você fazer parte, ser cofundador e cuidar da parte de tecnologia

Carlos Brando – Legal. Cara acho que é assim, a minha história, eu sou um programador né eu sempre digo assim quando eu vou num hotel ou se perguntam “Qual é a sua profissão?” eu sempre disse programador, até hoje ainda continuo dizendo programador então acho que eu encontrei isso, acho que tive a sorte de encontrar minha profissão, minha paixão muito cedo né quando ainda era um menino né

Henrique de Moraes – Quantos anos você tinha?

Carlos Brando – Eu tive acesso à esse mundo da Computação com 12 anos, alguma coisa assim, eu lembro que eu fazia, olha aí como é que a gente entrega a idade assim, eu fazia datilografia na época em que isso era uma coisa importante né, as crianças faziam datilografia e aí eu lembro que nesse lugar onde eu ia para aprender a usar as máquinas de escrever e tal tinha um rapaz ali que era meio que um instrutor, ele apareceu um dia lá com com um computador e aí eu lembro que eu fiquei maluco né cara, falei “Poxa”, eu tava ali escrevendo num papel e tal e aquela coisa toda e aí aquele cara fazendo as coisas ali no computador e aí eu fiquei louco e ficava em cima do cara né tipo “Me mostra aí, deixa eu entender” e era aquela coisa super antiga né tipo tinha que trocar um disquete, tirava um disquete e colocava outro e tal mas eu achei muito legal aquilo né mas era uma criança, tava ali e fiquei interessado mas muito pela curiosidade eu acho. E aí eu tive a felicidade depois de um tempo do meu pai aparecer em casa com um daquele e aí naquela época era uma época diferente né, quem tinha acesso a um computador não era como hoje né para jogos e tal porque não tinha muito disso né, você tinha ali um editor de texto, uma planilha, aquelas coisas super arcaicas e eu me descobri, o meu videogame foi começar a escrever pequenos aplicativos ali, pequenos sistemas ali e eu fui me descobrindo naquilo né e para mim aquilo se tornou uma diversão assim, eu gostava, pra mim era como jogar videogame e aí eu lembro até que quando eu fiz meu primeiro programa, eu nem lembro assim exatamente o que que era, alguma coisa meio que um repositório de piadas, eu não lembro era uma coisa bem simples e aí eu gravei aquilo num disquete e fui lá levar para esse amigo lá do curso de datilografia, mostrei para ele e aí ele ficou maluco “Como assim você que fez isso?”, era uma coisa “Como assim você que fez?”, ele tava acostumado a usar os sistemas né que comprava ele comprava e tal, copiava de alguém e eu tinha feito e aprendi assim com revistas na época e tal e aquilo despertou uma paixão e dali em diante eu continuei, era uma época pré internet até né então tudo que aprendi foi nos livros, revistas e tal e aí aquilo foi só foi aumentando, aumentando né até que eu consegui um trabalho onde eu passava o dia inteiro fazendo aquilo, amava fazer aquilo, pré-internet né, fazia sistemas pra escolas, alguma outra coisa assim e aí fui acompanhando esse movimento todo, aí começou a web de fato a surgir mais, os acessos também aqui no Brasil as pessoas começaram a ter mais acesso à internet então foi uma mudança né, eu também tive esse movimento de migração e tudo muito novo né, eu tinha ali talvez nessa fase aí meus 15, 16 anos, era ali meu primeiro emprego sabe, primeira oportunidade que eu estava tendo, não tinha nem ingressado na faculdade ainda então tava ali começando a entender aquela coisa

Henrique de Moraes – Deixa eu te fazer uma pergunta, de onde você tirava informação para construir isso?

Carlos Brando – Cara então, é bizarro pensar nisso hoje né porque eu acho que primeiro assim, eu era muito curioso, eu acho que quem trabalhava com isso naquela época eram pessoas assim curiosas porque você não tinha acesso à informação como tem hoje, vídeo aulas e tal. Cara eu comprava livro, era o que eu fazia, eu pegava meu salário, era muito pouco na época né eu ganhava ali na época talvez até menos que um salário mínimo sei lá, um jovem aprendiz ali e eu comprava livros, eu gastava boa parte do dinheiro com livros. Eu lembro que tinham meses que, tem até histórias engraçadas, eu lembro de meses em que eu não tinha dinheiro para pagar o ônibus para ir trabalhar porque eu gastei tudo comprando livro né e aí às vezes meu pai dava um jeito ali e me emprestava ou me dava e aí eu conseguia ir para o trabalho porque eu não tinha dinheiro para pagar o ônibus e recentemente eu reencontrei um amigo meu de muitos anos e a gente hoje tem bastante contato com a AWS, com a Amazon né e aí eu fui um evento já faz tempo, antes da pandemia né já faz um tempinho, ele tava lá e a gente se encontrou e foi um barato assim porque a gente trabalhou junto e ele falou “Pô cara você se lembra quando a gente se conheceu que eu comprei um livro”, eu comprei um livro e vendi o livro pro cara né aí você fala “Poxa olha só como é que era né”, o jeito de você ter informação era esse né então era muito era muito diferente. Depois quando a web começou mesmo assim, se popularizou né porque sempre esteve ali, a gente sempre teve acesso à internet de alguma maneira né mas quando se popularizou, que você já encontrava mais informações nos blogs, teve um boom dos blogs né todo mundo queria escrever alguma coisa e aí a coisa mudou, começaram os fóruns, aí você começava a trocar, aí você começava a ter mais acesso à essa informação e a coisa facilitou muito mas no começo eu acho que era um pouco disso mas eu acho que isso era a graça, entende? Você fazer um negócio que ninguém sabia como era né, essa era a graça. Eu lembro que um dos empregos que eu consegui quando eu entrei numa consultoria porque assim eu trabalhava sozinho né e devia fazer muita coisa errada né, ainda bem que eu não tenho acesso a essas coisas mais, nem sei o que que eu fazia mas quando fui trabalhar numa consultoria, com programadores né que tinha uma equipe e tal, que aí sim você aprende muito né, você faz muita coisa e eu lembro que eu fui fazer entrevista e eu tava com uma mochilona assim foi até engraçado porque eu cheguei no prédio e o pessoal já me mandou pra, eu cheguei na portaria para entrar e fazer a entrevista e o pessoal me mandou ir pelos fundos porque acharam que eu tava entregando alguma coisa porque eu ia com uma mochila tão, e era tudo cheio de livros né, os manuais gigantescos e aí quando eu entrei para fazer entrevista, eu lembro até hoje disso, o entrevistador me fez uma pergunta, eu não sabia a resposta aí eu falei “Cara eu posso consultar um livro que eu tenho aqui?” e aí eu tirei uma Bíblia desse tamanho assim na época, acho que de visual basic e aí eu abri o livro ali e tal, encontrei a resposta e mostrei pra ele, falei “Acho que é isso aqui e tal” e o cara falou “Tá contratado”, aí eu falei “Pô legal” e ele “Não, só de saber que você tá andando com livro né, um moleque andando com um tremendo de um livro na mochila para onde vai, não tá contratado” e aí eu fique felizão né, era assim cara eu andava assim e não era só eu, óbvio, era uma outra época.

Henrique de Moraes – Muito legal você trazer essa história porque tem dois pontos que eu achei bem relevantes assim né, um do seu pai te ajudar ali ou seja, existem dois tipos de criação nesse sentido, existir o pai que vai ver a sua paixão ali e vai falar que isso é besteira e vai falar assim “Ah para de comprar livro de programação e vai sei lá arrumar um emprego de verdade, vai estudar para concurso público”, eu me reconheço muito inclusive porque a minha paixão na época, eu sou músico, tenho uma bateria aqui atrás, sou não, era porque hoje em dia mal tenho tempo de fazer isso mas eu era muito apaixonado e eu gastava meu dinheiro da comida do colégio com CDs então acabou que meus pais perceberam isso e me incentivaram, mas assim poderia ser o contrário né, poderiam falar assim “Seu maluco, para de ficar com esse negócio de música aí e vai resolver outra coisa” mas esse fato do seu pai te ajudar e colaborar ali, ter levado um computador também no início enfim embora tenha sido sem querer né, eu queria entender assim o quão importante seu pai foi nesse sentido assim, seus pais, de incentivarem a sua carreira e também só para pontuar, a percepção desse cara que te entrevistou né de olhar para o cara que tirou o livro ali embora não tivesse a resposta mas de estar ai e falar “Pô esse cara é um cara que vai correr atrás” sabe tipo assim, que não vai ficar parado aqui esperando a solução chegar no colo dele né, ele foi de certa forma sagaz e você também teve uma ousadia ali de tirar o livro na hora né cara

Carlos Brando – É, acho que eu sempre digo isso cara, até hoje quem trabalha comigo escuta eu falar isso bastante assim, tem coisas que eu não sou obrigado a saber né, tem coisas que realmente não sei e eu tenho consciência do que eu não sei e eu acho libertador não saber certas coisas porque aí você pode fazer perguntas que para outras pessoas elas seriam ridículas ou teriam medo de fazer, então toda vez que eu entro numa reunião de um assunto que eu não sei eu acho ótimo porque eu faço todas as perguntas que eu posso sem medo de errar e eu às vezes aviso a pessoa, “Olha eu não sei nada sobre isso”. Esses dias eu tava tendo uma conversa com o pessoal sobre meios de pagamento e tal e eu falei “Olha eu sei como funciona aqui no Enjoei mas deixa eu tirar minhas dúvidas sobre legislação e tal” e aí eu faço todas as perguntas, eu não sei como funciona, me explica aí como é que funciona essa coisa toda aí, eu quero entender né sei lá, eu não sei nem o que me é útil né então me explica aí, então eu acho que é um pouco disso que eu trago lá de trás assim, eu não tinha essa coisa né, pô me fez uma pergunta e não sei responder, cara eu não tenho problema em te perguntar de volta eu pedir “Me explica aí, eu quero entender”, mas sempre fui muito curioso, sempre fui muito curioso então se alguém começava a fazer algo, era um pouco daquela linha do que me levou até a área né, tava todo mundo ali numa sala, numa turma né sei lá, 30 pessoas todas elas ali usando uma máquina de escrever e de repente chega um cara com um computador, eu fui o único talvez que levantou e foi lá “O que é isso? Como isso funciona? Me explica isso” e aquilo despertou uma paixão né então acho que tem um pouco de sorte porque isso não é uma escolha, acho que é uma coisa que veio comigo ali na minha genética ali de alguma maneira que me fez ser assim né.

Henrique de Moraes – E em relação a sua criação, primeiro seus pais incentivaram isso, essa é uma questão, uma dúvida e até nessa parte de curiosidade, às vezes eu tenho a sensação de que isso também veio um pouco, um pouco passado, eu tô até agora lendo um livro chamado “Outliers”, o “Fora de Serie” do Malcolm Gladwell e que ele fala exatamente isso, ele percebe que a criação fazia com que as pessoas se tornassem mais curiosas porque os pais autorizavam os filhos a serem mais curiosos e a inclusive questionar autoridade, o que eu acho que é um ponto relevante, não sei o quanto você acha que até a sua criação influenciou nesse sentido?

Carlos Brando – Cara minha criação é uma criação muito simples assim, até o fato do meu pai chegar com um computador em casa até hoje eu ainda me questiono um pouco dos porquês né, eu não sei se ele de alguma maneira percebeu isso porque assim, acho que eu chegava em casa e falava “Pô o professor tá assim, tem isso e tal”, se isso estimulou porque naquela época era uma coisa cara, uma coisa meio inacessível e meu pai era metalúrgicos, minha mãe sempre foi dona de casa né, cresci no extremo zona sul aqui de São Paulo num bairro muito simples, escola pública minha vida inteira então nunca tive muito acesso à algum tipo de educação melhor ou luxo e etc e meu pai ele sempre foi um cara assim, eu via meu pai lendo jornal aos domingos, era o que eu via, minha mãe não, minha mãe eu sempre via ela lendo muito, minha mãe sempre lia muito todos os dias eu via a minha mãe lendo mas meu pai não, meu pai eu via aos domingos ler o jornal, então acho que é uma família muito ligada nisso mas meu pai sempre me cobrava muito, acho que ele viu algum tipo de potencial ou viu a minha curiosidade e ele me estimulava nesse aspecto, então o que eu acho que eu posso agradecer e agradeço muito ao meu pai até hoje é o fato dele ter visto isso e me deixado seguir esse caminho né enquanto talvez outras crianças da mesma época, outros adolescentes da mesma época talvez tivessem outro tipo de incentivo dos pais e meu pai me deixou seguir e isso é engraçado porque até hoje né se você sentar com meus pais e perguntar o que que o filho deles faz para viver acho que eles não sabem explicar e nunca souberam assim, acho que eu nunca consegui explicar exatamente o que eu faço mas eles sempre incentivaram e tal. E até nessa época mesmo né poxa, tava ali o computador, poxa outras crianças passavam horas e horas no videogame, não que eu não fizesse isso também né mas eu passava horas e horas naquele negócio com o livro do lado e tal e eu não sei muito bem para ser bem sincero como que eles encaravam aquilo assim, se eles entendiam aquilo como uma diversão mesmo do tipo “Olha o Carlos tá passando esse tempo todo ali brincando, jogando de alguma maneira” alguma coisa que eles não entendiam ou se eles tinham a visão de que eu realmente estava estudando, eu não sei se eles tinham essa clareza sabe mas eu acho que eles percebiam que eu era feliz com aquilo né, que aquilo me deixava feliz e de alguma maneira colaboraram com aquilo mas assim acho que acho que o papel principal dos meus pais nessa coisa toda foi isso, foi ter me dado liberdade para que eu pudesse ir atrás da minha curiosidade, mas agora acho que eles não tinham muita clareza do que aquilo de fato ia acontecer, talvez até quando eu consegui meu primeiro emprego imagino até que eles tenham ficado um pouco surpresos tipo “Caramba como assim? Você passava o dia inteiro jogando, sei lá no computador e agora de repente está trabalhando com isso, como assim?”

Henrique de Moraes – Mas eu acho que já é um mérito cara porque, o próprio Patrick Collison, da Stripe ele fala isso também exatamente, que os pais dele acho que não sabiam o que ele tava fazendo mas deixavam ele então assim ele teve muita liberdade nesse sentido e acabou que a curiosidade dele foi levando ele até enfim, se tornar lá o fundador de uma empresa bilionária né mas e aí como é que foi? Beleza, você foi então ali atrás da sua curiosidade, aprendendo, foi conseguindo empregos e aí como é que chega, como foi a ponte até o Enjoei?

Carlos Brando – Bom eu passei por várias empresas diferente, comecei trabalhando numa empresa muito pequena, depois fui para uma empresa um pouco maior, depois fui pra um consultoria onde eu tive acesso a vários outros programadores, pessoas que tinham um grau de senioridade maior que a minha, estudando e tal e eu trabalhei basicamente em quase todas as empresas de telecomunicação aqui de São Paulo, principalmente TV a cabo né, SKY, DirecTV, Net, AT&T, trabalhei em todas essas empresas e fiquei muitos anos ali na SKY e eu lembro que eu sempre, essa coisa do curioso cara ela sempre ficou e acho que ela até hoje é um pouco assim né, quem trabalha comigo às vezes também pega no meu pé assim porque tá todo mundo falando de um projeto e eu tô explorando outra coisa né e às vezes as pessoas ficam “Porque nós estamos falando sobre isso?”, às vezes eu coloco as pessoas em reuniões que não tem nada a ver sabe, sobre assuntos que não tem nada a ver e as pessoas ficam “Porque a gente tá fazendo essa reunião?” é curiosidade, é pura curiosidade eu quero entender um pouco de coisas que eu sei lá, vai que amanhã talvez eu venha usar isso sabe, às vezes aquilo pode ser útil de alguma maneira, não sei. E aí na época da SKY eu tava ali no meu trabalho, eu já tinha crescido um pouco ali na minha carreira, eu já tinha um time ali de pessoas que trabalhavam junto comigo na época né, liderava um time na época e aí surgiu nessa coisa de pesquisar web e tal surgiu, apareceu na minha frente um tal de Ruby on Rails e aí eu tive curiosidade de ver o que era aquilo, era uma coisa que muito pouca gente falava sobre e eu achei muito interessante, gostei do modelo, da ideia né que tava sendo criada ali e aí eu tinha lido em algum lugar que a melhor maneira de você aprender é você ensinar e aí na época tava naquela febre dos blogs e tal e eu falei “Cara eu vou fazer um blog e vou começar a escrever sobre as coisas que eu tô aprendendo” então era assim, eu estudava, eu não sabia nada, eu não sabia nada sobre aquilo, eu lia, estudava, fazia alguma coisa e eu escrevia sem pretensão, nem imaginava que alguém a ler aquilo, fazia por fazer. E aí as pessoas começaram a ler sabe, as pessoas começaram a ler, começaram a trocar e eu ia recebendo informação e acho que também o interesse das pessoas naquele conteúdo começou a aumentar também aqui no Brasil e aí eu calhei, fui talvez um pioneiro ali também e calhei de, as pessoas iam no Google pesquisar, me achavam sei lá, em português, conteúdo em português e aí cara aquilo foi se tornando uma coisa mais divertida né aí aquilo acabou gerando, obviamente depois eu acabei indo trabalhar com essa tecnologia junto com pessoas também que faziam aquilo, aquilo acabou virando um podcast depois então eu me juntei com algumas pessoas da área, a gente começou a gravar um programa semanal de podcast como esse aqui e tal e falando da tecnologia, das notícias e tal então aí eu comecei a aparecer e aí começou a comunidade que tava desenvolvendo, usando aquelas ferramentas começou a crescer no Brasil, aí começou a ter evento, aí eu comecei a ir palestrar nos eventos então eu comecei a criar em torno de mim ali uma comunidade mesmo de pessoas né, uma roda ali de pessoas que se conheciam e eram apaixonadas por aquilo. Essa fase foi muito legal na minha vida cara porque eu comecei a ter contato com pessoas que até hoje são importantes assim para minha carreira ou que me ajudaram a alcançar novos passos na minha carreira né e tem um ponto interessante dessa história assim porque pensa assim né, na época, não sei o quanto que a gente pode falar aqui, o quanto que os ouvintes aqui vão entender de linguagens de programação e etc mas talvez com certeza já vão ter escutado falar de Java e coisas do tipo então na época você tinha essas grandes linguagens né, o Java, as linguagens da Microsoft né que todo mundo trabalhava e tal e de repente tava um grupinho de pessoas ali meio que contraversoras falando de uma linguagem que ninguém nunca tinha ouvido falar, de ferramentas que ninguém tinha escutado e tal e a graça essa sabe, a graça era a contraversão mesmo a graça era você, tinham os grandes eventos dessas linguagens e a gente tava fazendo um evento que tinham sei lá 30 pessoas que estavam falando daquela coisa que ninguém tava usando né. Eu lembro que a gente fez um primeiro encontro que a gente fez assim que todo mundo tava louco para se conhecer foi ali na USP, a gente conseguiu uma sala de aula na USP num final de semana e aí fomos para lá e cada um fez uma palestra e isso foi muito legal porque esses dias eu tava conversando com um amigo, relembrando essa época e ele falando “Poxa eu acho que, eu não vou saber exatamente 100% mas da minha mente 100% das pessoas que estavam ali de alguma maneira hoje tem empresas” então tava a galera da Plataformatec que foi comprada pela Nubank recentemente, tinha o pessoal da CodeMiner tava lá, enfim pessoal de várias outras empresas que cresceram e despontaram estavam ali e todo mundo muito novo, todo mundo muito jovem, alguns ali nem tinham na cabeça ainda essa ideia de empreender ou de fazer alguma coisa mas tava ali aquele grupo de pessoas que na verdade não eram pessoas interessadas naquela tecnologia, eram curiosos e eu me encontrei ali, eu falei “Olha tem um monte de gente que é igual a mim, um monte de gente que é curioso” e que é meio contraversor também, que não tá muito ligando para seguir o que tá todo mundo fazendo sabe, naquela época querer ganhar dinheiro era isso, você tirar uma certificação da Microsoft e você ia trabalhar numa grande empresa ou você estudava Java né e você ia trabalhar em uma grande corporação. E aí você tinha um grupinho de pessoas ali falando de uma linguagem de programação que ninguém conhecia, que não tinha emprego no Brasil para aquilo e tava todo mundo ali né pela graça do ser obscuro né

Henrique de Moraes – Bem naquele eixo de comunidade mesmo né, de early adopter né tipo assim, eu quero isso aqui porque ninguém tem e aí vou encontrar as pessoas parecidas comigo né.

Carlos Brando – Exato, e aí aquilo começou ficar grande né e aí cara aquilo me deu, acho que me deu o impulso na minha carreira assim porque eu tinha blog, eu tinha podcast, aí eu escrevi dois livros e aí aquilo foi aumentando né e porque que isso tem ligação com o Enjoei? Porque essa coisa também, essa curiosidade ela me levava também a ter encontro com pessoas certas né então num desses eventos eu conheci dois caras do interior de SP, acabei por coincidência me mudando pra cidade deles em Franca, essa história também é um pouco interessante, ela meio que junta também com o Enjoei porque há mais ou menos uns 15 anos atrás, eu cresci em São Paulo e eu odiava São Paulo mas é porque eu morava lá no Grajaú e trabalhava lá em Alphaville sabe então tipo eu atravessava a cidade toda e aí pegava 3 horas de trânsito né, era terrível eu odiava São Paulo eu saí de São Paulo e decidi nunca mais voltar para São Paulo e aí eu morei em vários lugares, também não tinha vínculo fora de São Paulo então também eu ia mudando de cidade, de estado, então morei no Espírito Santo, morei no interior e até fora do país e aí eu caí nessa cidade de Franca por uma questão do acaso e aí eu já tinha esses dois amigos lá que tinha conhecido num desses eventos e tal e a gente foi trabalhar junto, e a gente começou a construir na época um projeto que era o Stripe antes do Stripe, foi até interessante você ter mencionado o Stripe, a gente tava adiantado né e aí cara foi muito maneiro assim a gente construindo todas as plataformas e a gente na época criou um device que você plugava no seu celular e podia passar o cartão presente ali no celular e tal e a gente acreditava muito aquilo, falava “Cara isso aqui vai ser…” só que não conseguia investimento na época né, nessa época acabei conhecendo alguns dos investidores que depois até se tornariam investidores do próprio Enjoei mas não conseguia, a gente precisava de dinheiro, muito dinheiro para fazer aquilo funcionar e aí era uma rotina muito estressante né de viagens e ir nesses eventos fazer pitch e eu não tava gostando daquilo sabe, porque eu gostava do craft né, eu gostava de fazer a coisa mas não gostava dessa parte, eu me sentia meio estranho sabe de ter que ir pedir dinheiro para as pessoas sabe mas era uma coisa que era impossível de fazer sem isso. E aí chegou uma hora que eu tava meio cansado assim, eu tava meio cansado, aquilo deixou de ser um prazer né e aí calhou bem nessa época e aí as histórias todas se juntam né porque o Tiê e a Ana em paralelo enquanto eu tava ali correndo atrás de dinheiro e tal, tentando fazer aquela empresa funcionar, o Tiê e a Ana estavam em paralelo criando ali o blog do Enjoei e tal, a gente não se conhecia e aí quando eles receberam o primeiro investimento anjo ali e o Tiê saiu da empresa né e fundou Enjoei, ele começou a fazer o Enjoei de fato mas era um casal só e aí eles estavam procurando alguém de tecnologia, precisando de alguém de tecnologia para construir isso aqui e aí foi falar com amigo e o amigo falou “Olha não sei se vai topar mas fala com o Brando, o Brando conhece um monte de gente” e de fato, eu vivia em evento e tal, “Liga para ele, sei lá” e aí o Tiê na maior cara de pau me ligou e aí cara você vê como é que as coisas são né, tipo o cara me ligou porque de alguma maneira eu, alguém indicou porque me conhecia desses eventos, dessa coisa toda que surgiu com uma linguagem de programação que ninguém usava, que ninguém fazia nem nada e aquela loucura ali, ao mesmo tempo eu tava cansado daquela vida de simplesmente ficar indo pedir dinheiro e tentar conseguir um investimento, eu queria fazer algo e aí na hora que ele me ligou ele me contou ali o que que era o Enjoei e ele falou “Cara você não tem uma pessoa para indicar, alguém que você acha que consegue me ajudar a construir isso e tal?” eu falei “Tem sim cara, tenho eu, eu posso” e aí na hora ele falou “Fechou, então tá fechado” e a gente nunca tinha se visto na vida sabe, foi uma ligação não era nem uma videochamada, era um telefonema e eu falei “Fechou” e aí ele falou “Beleza então tá bom, a gente começa quando?”, eu falei “Amanhã” e aí eu já fui nesse mesmo dia e sentei com esses outros dois sócios lá, falei com eles que eu não tava mais feliz e que não ia rolar, saí, entreguei para eles tudo, minha participação e tal enfim e já comecei no Enjoei e cara é isso, 10 anos se passaram e tô aqui, IPO em novembro do ano passado.

Henrique de Moraes – E eu ouvi uma, acho também num podcast, uma entrevista até com o Tiê e ele fala que quando você foi entrar você falou que não queria se mudar para São Paulo né, queria continuar em Franca

Carlos Brando – Eu odiava São Paulo, não queria São Paulo nunca mais

Henrique de Moraes – Então assim isso já me traz uma curiosidade assim, como é que você iniciou seu trabalho remoto nessa época cara, porque assim isso não existia né, nem se falava nisso

Carlos Brando – Eu já tinha trabalhado remoto antes, nessa coisa de trabalhar com Ruby Rails não tinham empresas no Brasil que trabalhavam com isso naquela época então eu queria fazer, tinha muita vontade de colocar em prática então eu consegui um trabalho numa empresa americana e aí eu acabei trabalhando um ano, um ano e meio para eles lá, remoto obviamente e então já tinha essa bagagem

Henrique de Moraes – Como é que era o trabalho remoto assim, o que você vê de mudança, por exemplo né porque hoje em dia todo mundo sabe o que é, a realidade enfim, o que você viu que mudou assim e como é que você fazia antigamente por exemplo, o que tinha de tecnologia inclusive?

Carlos Brando – Cara é engraçado porque não mudou muita coisa não, na época já existiam softwares, eu usava um, hoje todo mundo usa o Slack né, na época a gente usava um que se chamava Campfire, então era uma versão do Slack muito mais simples mas era o mesmo conceito, a gente não usava Zoom, Meet, usava Skype né, era isso mais tudo tinha, tudo funcionava, não tinha nada, eram só ferramentas diferentes que no fundo no fundo são a mesma coisa até hoje né, são melhores talvez hoje né mas era simples na verdade e para mim foi libertador porque como eu não queria mais, porque pô de repente eu pegava duas, três horas de trânsito por dia para ir para o trabalho e depois para voltar e agora eu trabalhava de casa e aí eu morava muito afastado do centro e tal, só para um disclaimer mesmo, hoje eu moro em São Paulo de novo, e eu adoro São Paulo né então assim eu reaprendi a gostar da cidade mas aí aquilo para mim para libertadores, eu falava “Pô eu posso ir embora né”, sabia nem para onde eu queria ir, “Para onde? Vambora” então foi libertador poder ter essa liberdade e na época do Enjoei assim, não tinha muita opção porque nesse momento quando eu o Tiê a gente teve essa primeira conversa não existia um escritório né, era o Tiê e a Ana no sofá da casa deles e era eu no sofá da minha casa, era bem isso né então não existia né. Pra você ver como é que a coisa era né eu lembro até que quando, logo nas primeiras semanas assim quando a gente já lançou a primeira versão do site e tal, a minha esposa ajudava sabe, a minha esposa ajudava no atendimento, respondia e-mail então assim, não tinha outra opção né, não tinha para onde a gente ir trabalhar junto, era isso, era a única opção

Henrique de Moraes – E na época eram vocês três só então e assim, quando você teve que contratar gente pro seu time pra começar a aumentar ali o time de tecnologia e quantas pessoas você lidera hoje, só pra gente ter uma noção?

Carlos Brando – A gente contratou muito rápido assim, porque pra desenvolver um produto como o Enjoei você precisa de algumas expertises que eu também não tinha né então acho que a primeira pessoa que a gente contratou se eu não me engano foi um designer né então eu precisava de alguém, eu não sou, não tenho esse traquejo aí né para desenhar as interfaces e tal então a primeira pessoa que a gente trouxe para trabalhar junto foi um designer aí depois eu já trouxe mais uma outra pessoa para me ajudar, a programar mesmo então logo no começo ali eu já tinha pelo menos umas três pessoas e acho que a ideia do Tiê também era um pouco nessa linha de que eu pudesse trazer pessoas competentes para trabalhar com a gente e na época foi muito legal porque assim, eu tava numa oportunidade de trazer as pessoas que poxa, não é como hoje que você tem, abre 40 vagas, não é bem assim né, a gente era “Olha tem uma pessoa, escolhe uma”, então cara eu escolhia aquela pessoa que eu queria trabalhar então eu já sabia quem eram as pessoas com quem eu queria trabalhar então eu ia atrás daquela pessoa e tentava convencer aquela pessoa, era isso então a gente começou muito pequeno, acho que durante bastante tempo a empresa foi nessa linha assim. Óbvio que o próprio Tiê e a Ana também traziam outras pessoas pra trabalhar com eles em outras áreas né, precisava de alguém para cuidar ali da contabilidade, precisava de alguém para fazer o atendimento, depois precisava de alguém para escrever, a gente tinha muito conteúdo né em texto então precisava de gente para fazer isso mas na área de programação mesmo durante muito tempo foi isso assim, 3, 4 pessoas e isso foi talvez, eu não tenho certeza aqui mas talvez pelo primeiro ano todo sabe, a gente foi mais ou menos com esse time. Eu sempre fui um cara muito criterioso com as pessoas que eu trago para dentro para trabalhar comigo e isso sempre foi assim mesmo quando eu trabalhava lá na TV a cabo sabe então até hoje para você ter uma ideia, hoje o Enjoei na área da engenharia e desenvolvimento, a gente tá com 100 pessoas mais ou menos né mas essa é parte interessante porque assim, pro tamanho da empresa que a gente tem se fosse talvez uma outra pessoa gerindo e tal provavelmente teria muito mais que isso, mas eu entrevisto todas as pessoas até hoje, isso daí inclusive é uma coisa que as pessoas pegam muito no meu pé assim porque eu acabo sendo um gargalo tremendo para as contratações mas eu procuro um tipo específico de pessoa sabe, eu procuro aquele menino curioso que eu era anos atrás, você entende? Porque eu entendo a diferença desse tipo de pessoa, então naquela época eu tinha esse grupo comigo e cara era muito gostoso de trabalhar com aquelas pessoas porque a gente discutia e não tinha frescura sabe, era “Vamos trocar de tecnologia”, “Vamos”, “Não, vamos refazer tudo”, “Vamos”, não tinha isso né a gente não tinha essa coisa, a gente tava ali pela paixão também sabe não era só, então eu comecei a ter prazer de novo naquilo que eu fazia porque eu tava fazendo o craft, eu tava construindo de novo, enquanto que o Tiê com a Ana que estavam se virando atrás de dinheiro, eu tava preocupado em construir que é a minha paixão. E aí à medida que a empresa foi aumentando também com o passar dos anos eu sempre fiz questão também de manter o mesmo tipo de pessoa e hoje eu tenho assim, então hoje a gente tem um time muito reduzido em comparação com o que deveria talvez ser né numa outra empresa mas porque são as pessoas certas sabe, são pessoas que eu escolhi a dedo, avalio, testo a curiosidade, teste o quanto que a pessoa está disposta a aprender, a escutar né, é muito interessante isso.

Henrique de Moraes – Como que você faz isso cara, como que descobre por exemplo essa particularidade né da curiosidade, tem alguma pergunta certa, alguma dinâmica?

Carlos Brando – Tem, eu acho que eu fui desenvolvendo um pouco isso mas eu acho que cara o principal é seguinte né, por exemplo se eu te digo, é engraçado como é que as histórias se ligam né, pessoa curiosa ela pergunta, ela faz pergunta

Henrique de Moraes – Tão simples quanto isso

Carlos Brando – É isso então assim, se você tá entrevistando uma pessoa que ela só fala de si e ela não pergunta nada, cara ela não tá preocupada em aprender nada. Pensa assim, vamos supor que você precisa, vamos pegar um exemplo aqui, vamos supor que a gente decidiu aqui fazer uma entrevista de emprego sei lá, pra Tesla e aí chega o Elon Musk pra conversar contigo, cara sério que você vai passar uma hora contando sobre você, de frente com aquele cara, sabe? Eu acho que provavelmente eu ia perder o emprego porque eu ia querer saber tudo do cara entendeu, não sei como ele avalia mas eu penso a mesma coisa, eu falo pô eu tô conversando com uma pessoa que talvez tem pouco tempo de carreira, tá começando agora, eu tenho 25 anos de carreira né trabalhando com programação e tal então tem muita gente que às vezes chega ali e começa a questionar, falando “Cara mas como é que é trabalhar aí, como que é e tal?”, eu tô dando as dicas aqui e agora todo mundo vai saber

Henrique de Moraes – Vão chegar lá fazendo um monte de pergunta, o pessoal vai ensaiar as perguntas antes

Carlos Brando – Mas já começa por aí também, se o cara é curioso ele já chegou até aqui nesse podcast

Henrique de Moraes – É verdade, é um bom começo

Carlos Brando – Então assim, eu acho que uma das coisas é essa, é o quanto de pergunta a pessoa faz assim, as melhores entrevistas são entrevistas que eu falo mais do que o candidato fala né e as entrevistas piores são aquelas em que eu não falo nada, a pessoa nunca me pergunta nada, tem gente que entra na empresa e às vezes a pessoa não sabe nem como é que funciona, como é que você vai trabalhar numa empresa que você não sabe nem como é que funciona, e se você não gostar entendeu? Você precisa saber, me pergunta aí como é que funciona isso aí, o que que vocês fazem então acho que uma coisa é essa, outra coisa que eu faço também bastante assim eu sempre tento desafiar a pessoa com algo que ela não saiba, que eu tenho certeza que ela não sabe e aí eu meço também um pouco essa curiosidade né, do tipo às vezes você faz uma pergunta de propósito, é difícil, que eu sei que a pessoa provavelmente não vai saber porque não é do dia a dia dela ou algo assim né ou é alguma coisa relacionada ao que eu sei que ela não trabalhou porque eu já dei essa estudada antes no currículo dela e aí eu analiso um pouco a reação da pessoa né porque eu sempre eu sempre fui assim, se você chegar para mim e falar de algo que eu não conheço eu vou te fazer um monte de pergunta e eu vou te ouvir para tentar aprender e tentar entender então é uma coisa também que eu avalio muito. 

Henrique de Moraes – Interessante

Carlos Brando – Então no começo era fácil tá porque no começo eu já sabia quem eram essas pessoas, eu ia atrás daquela pessoa né, hoje em dia é mais difícil né mas como agora você imagina você ter um grupo de pessoas extremamente curiosas trabalhando para você né, tentando resolver problemas e tentando descobrir qual a melhor maneira de resolver cada um daqueles problemas, você não precisa de muita gente, esse que é o ponto, você precisa das pessoas certas então até hoje eu acho que a gente ainda consegue manter um time super enxuto por conta disso, porque a gente tem as pessoas certas.

Henrique de Moraes – Boa. Você tocou num ponto agora relevante aqui que eu tava até curioso com isso, que é sobre resolução de problemas né porque assim, o Enjoei tem uma história que parece até a história perfeita no sentido de “Ah testei aqui, joguei um blog no ar, tinha demanda, não parava de pipocar demanda” e quando você foi convidado para participar essa demanda já existia né então assim, primeiro o que te motivou assim, qual foi o principal motivador né porque na minha cabeça eu pensando né tipo tentando me colocar no seu lugar eu imagino que essa coisa de cara, existe uma demanda e um problema para resolver, deve ser tipo a melhor coisa do mundo para o desenvolvedor e assim, a primeira pergunta, responde essa que depois eu faço as outras, vai ser melhor.

Carlos Brando – Tranquilo. Eu não sei se eu vou responder a pergunta exatamente

Henrique de Moraes – À vontade

Carlos Brando – O que mais me chamou atenção no produto Enjoei, é porque assim cara no fim do dia não tem uma ciência de foguete assim sabe e não é no Enjoei, eu acho que a maior parte das empresas, pode olhar qualquer outra empresa, os aplicativos que você usa no seu celular, a maior parte deles não usa uma ciência super complicada, ninguém aqui está fazendo, revolucionando nada né a gente está pegando um monte de ferramentas e coisas que já existem e fazendo aquilo funcionar. Seu celular já tem a geolocalização então um aplicativo de táxi, aplicativo de pedir comida e etc ele faz uso daquilo que já tá pronto né, a maneira como ele vai usar a tecnologia é o que vai fazer a diferença, aí entra outro lado meu assim né porque essa minha curiosidade ela também sempre foi ligada um pouco a querer fazer algo com excelência porque tudo começou com uma paixão então eu sempre tive essa coisa do tipo eu não quero fazer algo por fazer, eu quero fazer algo que eu me sinta útil e feliz e entender que eu tô fazendo o melhor né, então tem essa coisa também e o Enjoei cara, no fundo no fundo assim, é engraçado porque é uma empresa de tecnologia né, como qualquer outra empresa de tecnologia você vê que as áreas de tecnologia sempre são vistas dentro da companhia como a principal área da empresa, a área que mais tem destaque na empresa e tal mas eu reconheço que o Enjoei não é só a tecnologia, o Enjoei ele é um produto né, ele é uma composição de muito dessas coisas, outra pessoa poderia ter feito a mesma coisa porque não é um grande, não tem nada de excepcional na construção de um produto do marketplace né, tem um monte aí é mas qual que é a diferença? A diferença é a comunicação, a diferença é a forma como o produto é apresentado, a diferença é o design, a diferença é o padrão de qualidade que a gente sempre se impôs a fazer, então acho que isso que era o que me motivava, era poder falar assim “Ok eu vou fazer algo que para mim, do ponto de vista de tecnologia é trivial, não é uma coisa super complexa que eu tô aqui meu Deus descobrindo uma nova maneira de fazer” não é isso, nada disso mas eu vou fazer de um jeito e tal que vai ser diferente dos outros então o meu benchmark sempre foi esse, eu olhava pra fora o que os outros estavam fazendo e eu dizia assim “Eu não quero ser igual a eles, eu quero fazer algo diferente, de um jeito diferente”. Uma coisa também que eu sempre tive assim também e inclusive é um assunto que às vezes algumas pessoas me questionam muito sobre isso, do tipo acham que eu sou meio maluco, é porque eu sempre tento olhar primeiro pra dentro de mim assim, “Ah temos um problema”, então qual que é normalmente a tendência? As pessoas elas vão atrás e elas vão procurar, beleza como é que as pessoas fazem, como é que elas resolvem esse problema? Eu sempre começo comigo né então poxa como que eu resolvo esse problema, como é que eu acho que deveria ser a maneira? Aí eu penso na minhas ideias, tenho as minhas ideias, faço meus desenhos e depois eu vou validar lá fora para ver se eu não tô muito louco né, “Será que é isso mesmo?” e no fim é engraçado porque assim, no fim acaba que eu não tô pensando em nada novo, eu acho que é um conjunto de tudo que eu aprendi que se juntou ali e aí eu tenho uma solução que é um pouco diferente, é um pouco fora do padrão mas tá dentro ali do que todo mundo faz também, não é nada muito diferente, nada muito estranho né mas normalmente é mais rápido, normalmente vai ser um pouco mais eficiente porque eu tô pensando dentro de mim né e eu estimulo muito meu time a fazer isso né, eu tenho dentro do Enjoei por exemplo no processo da construção, uma das coisas que eu faço os desenvolvedores, eu sempre falo “Olha primeiro pensa, depois faz” né então eu criei processos aqui dentro no desenvolvimento dos softwares que obriga os desenvolvedores antes de saírem escrevendo código né ou de ir copiando, o que seja, eles pararem, respirarem e pensarem então a gente criou o que eu chamo de análise de impacto, então é um desenho, eu falo “Cara você tem que desenhar, você tem que transformar aquela tua ideia em algo que você consegue tocar, ver” e isso estimula as pessoas a serem criativas né então poxa antes de você sair simplesmente usando algo que já tá pronto ou trazendo uma solução pronta ou esperando que alguém te diga o que fazer, pensa, o que você sabe sobre isso? Quais são as ideias? Dificilmente a primeira versão vai ser a versão final né mas aquilo abre um leque porque agora eu consigo mostrar para alguém o que está na minha cabeça, você entende? E aí aquilo fomenta uma discussão e a gente acaba criando as soluções mais criativas e eu acho que no Enjoei um pouco da nossa vantagem é essa, pessoas curiosas, pessoas que gostam de discutir e que querem pensar fora da caixa, eu quero pensar numa solução diferente e aí acaba que a gente cria coisas novas, a gente cria conceitos diferentes o que abre possibilidades para a gente poder ser um pouco mais inovador né. Acho que hoje em dia né se alguém estivesse disposto a criar uma empresa como o Enjoei, a tendência e algo mais normal, pô você tem uma porrada de plataforma pronta aí para marketplace, as pessoas vão pras plataformas e elas usam as plataformas e tá lá só que aí o que acontece, são todos os sites iguais né, qualquer empresa que se você vai comprar um produto na web, tudo igual cara, tudo funciona do mesmo jeito e aí a gente tinha essas coisas diferentes sabe, o Enjoei a gente criou do zero, é nosso, nossa plataforma sabe a gente tem a liberdade de fazer o que quiser com ela né então quando às vezes eu vejo pessoas lá fora “Ah pô eu tenho que criar, tenho que mudar a maneira como a gente vai fazer o carrinho, o check out, etc”, eu não tenho que mudar nada, eu posso inventar do jeito que eu quiser porque eu não tenho essa obrigação, porque a gente criou isso do jeito que a gente queria, a gente achava que tinha que ser, às vezes a gente erra né e vai para um caminho que não era talvez o melhor mas às vezes a gente acerta e faz coisas que são muito legais que você não vê em lugar nenhum. Exemplo, a gente tem um produto que qual é a outra plataforma que você tem na web que você pode fazer uma, você pode pechinchar o preço? No enjoei você pode, você vê lá um produto e fala “Não, isso aqui custa R$ 100 mas eu acho que não vale R$ 100”, você vai lá e faz uma oferta pra pessoa por um valor menor e a pessoa tem a opção de fazer uma contraproposta ainda, cara isso só é possível porque eu não tô olhando pro mercado, eu tô olhando para o que eu acho que deveria ser e vamos tentar né, e aí acaba criando essas coisas meio diferentonas assim.

Henrique de Moraes – Sensacional cara. E é engraçado, eu tenho falado muito, eu fiz um post hoje inclusive falando sobre isso né que as pessoas estão cada vez mais parando mesmo pra pensar assim antes de agir, todo mundo no piloto automático né com tudo então tipo “Ah chegou um problema, resolve”, ninguém para e faz isso que você falou tipo faz uma reflexão antes, escreve, anota, vê o que você tem de ideia e depois você vai discutir, depois você vai enfim, tomar uma decisão né e eu acho que isso é completamente importante e relevante e solucionaria vários problemas inclusive crônicos que a gente tem hoje de comunicação, por exemplo eu falei hoje sobre isso como a gente fica com um monte de e-mail na nossa caixa de entrada que assim, a gente fica “Ah vou responder depois, vou responder depois” isso acaba causando uma ansiedade e aí você às vezes fica meio puto do tipo “Ah essa pessoa também mandou e-mail aqui, vou ter que responder essa porra agora” mas quantas vezes você parou e antes de enviar o e-mail falou assim “Esse e-mail que eu tô enviando é relevante? Faz sentido eu enviar isso para aquela pessoa?’, no Whatsapp isso é muito pior né, as pessoas tem o hábito que eu falo de transferência de responsabilidade, eu tenho aqui uma tarefa e eu vou mandar essa tarefa aqui a hora que for  pra outra pessoa só para me livrar do peso dela e transferir essa tarefa para outra pessoa então assim ninguém pensa, ninguém se entende e faz um exercício empático de pelo menos falar assim “Mas calma aí, mas isso é importante? Pode atrapalhar o fim de semana desse cara, ou a noite dele?” enfim, é muito louco né então acho que parar pra pensar antes de agir é fundamental em qualquer relação.

Carlos Brando – Sim

Henrique de Moraes – Você puxou aí um ponto que eu acho legal né assim que é a qualidade né que vocês sempre tiveram um cuidado muito grande em fazer, entregar sempre o melhor, pelo menos eu tenho também essa percepção assim especialmente quando você para e pensa em escolhas que vocês fizeram ao longo do caminho que me parecem quase contraintuitivas assim sabe, parece que não fazem sentido do ponto de vista comercial e que deram super certo e na verdade pelo menos para mim sempre foram pontos a favor então por exemplo, rejeitar produto né, tinha a curadoria e a curadoria acontecia porque eu já tive produto rejeitado e eu me sentia quase que o cara que foi excluído do grupinho social ali porque eu adorava a empresa então tipo assim toda vez que meu produto era rejeitado eu ficava assim “Não, eu tenho que melhorar, melhorar a foto, melhorar alguma coisa aqui porque eu preciso ser aceito” então eram várias coisas né vocês fizeram várias escolhas nesse sentido que pareciam que iam atrapalhar o crescimento e eu acho que do meu ponto de vista no geral só contaram a favor né. Alguma dessas escolhas alguma vez explodiu na cara de vocês assim?

Carlos Brando – Cara sim, sim, com certeza. Esse exemplo que você falou é interessante porque assim, acho que é uma coisa que a gente nem discutia assim, pô a gente está criando uma plataforma, a gente quer garantir a qualidade, estou falando de alguns anos atrás né e a gente fazia muita curadoria na mão sabe, eu fiz isso muitas vezes sabe de entrar lá e ficar escolhendo “Esse produto sim, esse não”, “Esse produto não dá”, você falou aí, é diferente de você estar rejeitando um produto porque ele tá fora, porque ele sei lá, a pessoa tá querendo publicar um remédio e no Enjoei não pode né, não é isso, era a qualidade da foto que tava meio escura ou você tirou essa foto aqui na contraluz, muda aqui e tal então a gente fazia isso, “Essa roupa tá meio amassada, manda outra” a gente fazia isso

Henrique de Moraes – Chegava um tutorialzinho né tipo assim “Para tirar a foto, faça isso”

Carlos Brando – Tinha video, então assim é essa questão da qualidade né, até hoje na nossa home por exemplo ela é uma curadoria manual, a nossa home tem todo esse carinho, ela é criada de um jeito tal que é, eu acho que uma das coisas que a gente pensa muito sobre o Enjoei é assim, é uma plataforma diferente né, uma das coisas que eu sempre vi e que sempre me fascinou e eu falava “Cara eu acho que é isso daí” eu me vejo às vezes, tudo bem vai eu tô nesse meio mas eu vejo minha esposa por exemplo fazendo isso, ela abre o app do enjoei e ela fica navegando como se estivesse navegando no Instagram sabe e eu não vejo ela fazer isso em outras plataformas, não vejo, você não entra na Amazon, no Mercado Livre e você fica ali navegando, você não faz isso, você entra com uma missão

Henrique de Moraes – Só adicionar uma coisa aqui que é importante, não é só isso, eu gostava de receber os e-mails, cara quem é que gosta de receber e-mail? Eu abria porque eu sabia que ia me divertir, era muito louco e eu passava, e não tinha nada assim, não tinha conteúdo assim no sentido de ter uma piada engraçada que faz sentido pra todo mundo, não, era porque eu achava tão divertido que eu falava “Cara olha esse e-mail aqui, isso aqui é genial”, eu lembro até hoje, tenho um e-mail na minha cabeça até hoje, “O designer saiu de férias” e era um monte de desenho de palitinho cara, cara assim pelo amor de Deus, desculpa gente eu falei que ia declarar meu amor só no início mas é sensacional cara.

Carlos Brando – Mas o engraçado é que essas coisas são autênticas, eu não lembro desse e-mail mas provavelmente o designer devia ter saído de férias de fato e a galera era muito louca né, isso acontecia muito assim e essa era a parte legal assim sabe, eu me sentia extasiado em ver as pessoas terem esse tipo de comportamento num app em que a função é comprar né e até hoje é assim as pessoas entram, elas ficam ali e eu gosto de comparar, é mais ou menos, eu até falo isso às vezes, o Enjoei é igual você ir no shopping sabe, assim outras empresas né, o Mercado Livre por exemplo, Amazon, você entra lá com uma finalidade específica de comprar algo, você fala “Quero comprar um livro, quero comprar uma ferramenta, eu quero comprar alguma coisa, um utensílio”, você entra, você faz uma busca, você encontra e você compra o eletrodoméstico ou sei lá, qualquer coisa. O Enjoei não, a pessoa entra e ela fica ali vendo e tal, é mais ou menos igual a andar no shopping né, você tá ali e você não sabe exatamente o que você quer comprar, você está olhando as vitrines e tal então pra gente era muito importante ter essa coisa da curadoria sabe, quando você entra no shopping físico mesmo é isso, as vitrines ali são a maneira daquela loja se expressar e dizer “Olha vem cá, vem aqui é legal, aqui é mais barato, aqui é mais bonito, tem mais qualidade” então a gente foi criando também nos usuários esse conceito e isso é muito legal né então quando você tinha um produto rejeitado porque a foto não tava bacana era nosso jeito de dizer “Cara não, isso não vai vender, desse jeito você não vai vender ou então vai desvalorizar muito seu produto, tira outra foto aí” então a gente sempre teve esse cuidado, agora é óbvio né a empresa ela tem crescido num grau exponencial e aí você começa a ter outros problemas que vão ficando mais difíceis de resolver mas esse carinho, essa coisa de ainda ter um produto certinho sabe, da gente oferecer, isso sempre esteve ali, na verdade assim eu acho que são coisas notórias que estão no Tiê, na Ana e estão comigo sabe, com outros também que a gente tem trabalhando com a gente hoje mas eu não aceitaria fazer algo que eu não acreditasse ou fazer algo que eu olhasse e não tivesse orgulho daquilo que eu tô fazendo sabe, eu não aceitaria fazer então tudo que é construído sempre passa ali, “Não, isso não”, é comum a gente discussões tipo “Assim não” sabe, “Tudo bem, entendo que temos que fazer isso mas assim desse jeito não” então eu acho que essa é a graça e por isso que eu tô aqui até hoje ainda e tenho ainda esse mesmo sentimento de 10 anos atrás sabe, de que tô construindo uma coisa que é completamente diferente, que ainda é um pouco contraversora né.

Henrique de Moraes – Completamente. E isso é uma das coisas que a gente já falou aqui né, essa parte de comunicação, de texto enfim, eu lembro também que uma coisa que vocês faziam na época e que depois com certeza ficou inviável e por isso provavelmente acabou mas que era, todos os textos também eram refeitos, eu mandava uma descrição e de repente assim, eu ficava na expectativa do que ia acontecer com aquilo ali, com meu produto e eu lembro que já fui zoado inclusive por algum redator de vocês porque eu tirei uma foto no espelho pra postar uma camiseta, sei lá qualquer coisa

Carlos Brando – Apareceu você

Henrique de Moraes – Não, era só do queixo pra baixo mas aí a pessoa falou assim, eu lembro que no texto tinha assim “O que falar de uma pessoa que tira foto no espelho?” e vinha me zoando assim e no final falava assim “Ele deve estar com muita vontade de vender essa camiseta, então compre”, nessa linha e cara eu me divertia demais, agora eu fico me perguntando, assim na agência a gente tem, eu trouxe muito desse jeito Enjoei de fazer as coisas pra minha agência, a gente manda boleto por exemplo, que é a parte mais chata né que você pode mandar pra um cliente, a gente manda com uma piada, com GIF engraçado e isso gera um monte de resposta engraçada também né, as pessoas falam “Com esse gatinho como é que não vou pagar?” então tem uma coisas assim, mas também gera desconfiança, especialmente nessas empresas mais quadradas né, vocês tiveram alguma dificuldade em relação a parceiros, sei lá um investidor por exemplo olhar pra isso e sei lá achar que de repente não ia colar, que tava muito informal, muito descolado, alguma vez isso aconteceu?

Carlos Brando – Não, acho que não, acho que as pessoas elas sempre, cara as pessoas querem algo diferente, as pessoas querem isso acho que todo mundo tem essa ânsia de, pô vamos ser sincero assim né a gente tem ferramentas que a gente usa no nosso celular que a gente é meio viciado em usar, você todo dia entra ali no Instagram mas a tua busca, você só fica ali porque de vez em quando aparece um influencer diferente que você não conhecia e você fala “Essa pessoa aqui é legal” e aí você fica de novo ali né, o Tik Tok porque toda hora tem alguém diferente ali mas quando você começa a ver sempre os mesmos ou as mesmas piadas aí você “Ah, cansei” então acho que o mercado ele quer isso, ele quer a diferença então acho que talvez um pouco de preocupação né, por exemplo essa coisa da curadoria manual, da redação manual, isso daí era óbvio né desde sempre era assunto de pô, a gente sabe que não é sustentável né, se você quer criar um negócio que é escalável, não tem como né, você não vai conseguir fazer isso num nível e tal, e aí esses desafios a gente encarava e aí era onde a gente entrava e falava assim “Tá como é que eu resolvo isso né, como é que eu faço?” porque o lance não era “Ah então vamos parar de fazer os textos” ou então “Vamos parar de nos preocupar com a qualidade das imagens”, a pergunta era “Como que eu faço meu usuário entender que é assim que ele tem que fazer?”, então esse movimento foi natural e é até engraçado isso porque assim a gente começou com aquela coisa toda desse tipo de texto que você comentou aí né, falando “Esse cara quer vender muito” então a gente reescrevia, depois a gente começou a ver que os usuários Léo falando do cara quer vender muito tá então a gente escrevi ia depois a gente começou a ver que os usuários eles começaram a entender né, os vendedores começar a entender e aí eles mandavam um texto que já vinha com a cara do Enjoei e a gente não precisava mais fazer e aí o mais engraçado é que chegou um momento em que a gente começou a ter um problema que a gente tinha que reverter isso porque o que acontecia, o cara ia lá e tirava uma foto de um chapéu e aí botava na plataforma e ele não escrevia que ele tava vendendo um chapéu, ele dizia assim, o título do produto era “Terminei o namoro” e a descrição era sei lá, “Olha eu ganhei da minha namorada e agora eu não quero mais” e aí botava um texto muito louco lá e não dizia em nenhum lugar que ele tava vendendo um chapéu, e aí a gente “Temos um problema”, os títulos dos produtos eram assim né, você tinha um vestido e não tava ali “Vestido azul”, era alguma outra coisa, era “Pronto pra passarela”, sei lá alguma coisa assim né, então a gente teve que desconstruir, e aí a gente teve um tremendo trabalho lá no passado mas a qualidade da imagem e tal, aí como é que a gente faz isso, a gente faz isso pela nossa curadoria então assim, hoje é óbvio que não tem mais tanto controle, não dá mais para ter controle naquele nível né, nem chega perto de algo assim mas a gente dá vantagens para as pessoas que fazem do jeito que a gente quer que as pessoas façam, então você tá publicando, é só você entrar na home do Enjoei, você vai ver várias lojas ali que são destacadas, você ter um destaque na home você vende para caramba, como é que você ganha destaque? Tem que tirar foto certinha, tem que estar com o preço certinho, tem que estar com uma descrição bonitinha, tudo certinho e você vai ganhando destaque né, a gente tem algoritmos aqui dentro também que valorizam isso né, durante muito tempo a gente sempre foi trabalhando em cima disso, sempre olhou a imagem, sempre olhou o texto e a gente vai dando destaque então a gente tem essa corrida também para ensinar as pessoas a fazerem do jeito certo né. É diferente né porque a gente tem desafios muito diferentes do mercado também né porque até, você pensa, falando da área de tecnologia especificamente né você fala “Poxa”, um exemplo que eu sempre cito quando alguém vem me oferecer uma ferramenta de personalização né, porque todo mundo fala disso, Netflix, o legal do Netflix é o algoritmo do Netflix que você entra lá ele te dá uma tela com tudo que ele entendeu que você gosta, isso é bom e é ruim também né, é bom mas às vezes eu me sinto entediado também porque você fala “Não tem nada, tudo é a mesma coisa, eu quero ver outra coisa, descobrir outra coisa” então a gente também tem essa preocupação, da descoberta, de você entrar lá e cara, eu vim aqui para comprar um sapato mas que vestido maneiro ou então sei lá, que carteira legal, que bolsa, não tinha visto isso ou até às vezes um enfeite para sua casa, sei lá né então você se surpreende, tem sempre essa coisa, agora por exemplo às vezes vem uma empresa vender pra gente “Olha temos um serviço de personalização que é usado pela empresa A, B, C, os marketplaces todos usando” eu falo “Pô então, legal” só que tem um problema né, se você entrar na Amazon por exemplo e comprar um livro ele vai dizer para você “Olha quem compra esse livro também compra esse livro aqui”, no Enjoei você tem um problema porque é o seguinte né, quem comprou o primeiro livro e comprou o segundo livro levou os dois e não tem mais então como é que eu vou recomendar pro outro cara? Você já levou os dois então não tem como dizer “Olha quem compra esse compra esse também” não dá né, então aí você tem essas complexidades que mudam todo o jogo né e então isso torna mais difícil o jogo né porque aí eu tenho que começar a entender coisas diferentes né, como é que eu digo que esse vestido é parecido, do mesmo modelo desse né e eles estão ali mais ou menos na mesma linha e juntam com esse outro sapato aqui também, então esses desafios para mim é o que mais me motiva assim que eu acho que é o mais divertido da brincadeira toda né, mas ver uma empresa crescer e escalar como é o nosso caso dá um pouco de medo também né cara porque as coisas começam a atingir proporções que você não, não é que não imaginava mas às você não imaginava que ia vir tão rápido né, você não achava que ia acontecer daquela maneira tão expressiva né e às vezes você tem a sorte de pensar num modelo correto, certinha de como você vai atingir o usuário mas ao mesmo tempo às vezes não né às vezes você simplesmente se surpreende pela forma como as pessoas estão usando a aplicação

Henrique de Moraes – Você tem um exemplo disso?

Carlos Brando – Por exemplo, a gente cria esse conceito da oferta né e aí você vê as pessoas usando de maneira diferente né, esses dias a gente tava vendo, a Ana também ela, bom todo mundo aqui é meio maluco

Henrique de Moraes – Vou me inscrever pra algum cargo aí cara, maluco eu também sou cara, tamo junto

Carlos Brando – A gente faz muitas análises aqui né, a gente tem essas planilhas, gráficos e tal e a gente analisa cada movimento da plataforma e tal e às vezes a gente surge com umas análises qualitativas que a gente tira da nossa cabeça assim coisas que a gente tá olhando, não é bem da nossa cabeça mas são coisas que a gente tá olhando ali que você não tem um número ali do lado e tal, e aí a Ana fez uma apresentação esses dias mostrando esses comportamentos de usuários por exemplo usando o chat ali, não é bem o chat, a gente tem a opção de fazer uma pergunta né pro usuário, então eles usam aquelas perguntas pra se comunicar mas mais do que isso até, um exemplo né recentemente eu vi um caso desse, um usuário entrou num produto e fez uma pergunta, falou “Olha você não tem o tamanho sei lá, você não baixa um pouquinho teu preço ou tem o tamanho de peça tal”, aí o vendedor respondeu e aí a pessoa não comprou o produto, não teve interesse de continuar com a compra e que o vendedor fez? Ele achou a loja daquela pessoa dentro do Enjoei, ele pegou um produto daquela pessoa e aí tava lá vendendo “Olha então sabe aquele vestido lá, eu baixo o preço” sabe, então você vê as pessoas dando um jeitinho de conseguir, “Não eu vou promover o meu produto aqui”, então a gente vê essas coisas acontecendo, a gente vê às vezes a própria comunicação das pessoas é muito legal também às vezes uma pessoa entra lá e fala “Pô tá muito caro, eu queria comprar” aí você vê a resposta, a sensação que você tem é que a pessoa trabalha no Enjoei sabe, o vendedor então a resposta é do jeito do enjoei né então é tipo assim “Poxa assim você acaba comigo né” e aí eles começam aquela conversa e você vê que dá jogo, então aí a resposta é “Mas eu tenho boletos para pagar”, então você vê que a comunicação ela vai na direção daquilo que a gente tava construindo e isso é muito legal e sem de fato a gente prever que as pessoas iam usar a ferramenta daquela maneira né.

Henrique de Moraes – Eu acho que assim o mais impressionante é porque assim as pessoas já têm muita dificuldade hoje em dia quando você fala de empresa, de manter uma cultura interna né então como é que você mantém por exemplo essa cultura contratando redator pra cacete, como é que você mantém isso, agora vocês conseguiram o mais impossível né que é fazer com que a cultura gire pro lado de foram também, que as pessoas interajam entre si dentro daquele ambiente da forma que vocês planejaram né cara então isso é muito sensacional, é um motivo de orgulho imenso assim porque é quando você fala assim “É, acho que a gente tem alguma razão aqui” né, fez a coisa certa.

Carlos Brando – E é engraçado cara porque assim, é óbvio né eu tô envolvido nisso então eu tenho uma história de paixão, eu tenho um laço emocional com o produto mas uma coisa que eu sinto muito orgulho de ver é que os nossos usuários também né, sendo bem sincero e realista é óbvio né que a gente acerta bastante coisa e tem acertado muito porque o produto tá aí né e tem a repercussão que tem tido, mas é óbvio que a gente também erra né, tem coisas que são decisões erradas ou às vezes fluxos que não estão bons para o usuário exatamente do jeito que a gente gostaria que fosse, óbvio que a gente tá olhando pra tudo isso e é um desejo imenso de resolver aquilo, só que tem problemas que são muito difíceis de serem resolvidos né mas a gente tem essa coisa então acho que a ansiedade que é criada dentro da gente é disso, de querer resolver. Mas é engraçado porque assim quando a leitura que eu vejo dos usuários e aí isso que motiva a falar “Não é isso mesmo, tô no lugar certo” é ver a paixão do usuário, então você tem pessoas que entram no Enjoei, a grande maioria felizmente que consegue ter uma compra bem sucedida e você pô tá comprando um produto usado às vezes né e o produto chegar na tua casa, eu sou usuário, eu sou comprador e minha esposa também né, às vezes a gente compra cara e o produto vem cheiroso sabe, você vê que a pessoa teve um cuidado, um bilhetinho escrito à mão contando a história do produto então assim, aquilo, você tá comprando um produto e às vezes a pessoa tem aquela coisa “Vou comprar um produto usado né”, eu era assim também, “Pô comprar uma coisa usada, uma roupa usada”, mas quando chega na tua casa cheirosinho, bonitinho, a pessoa escrever um bilhetinho sabe, às vezes botou um chocolatinho na caixa, aquilo transformou-se, você não tem a sensação de que aquilo foi usado, aquilo é novo, é novo pra mim né então essa experiência é maravilhosa e quando você tem ela você fica, você fala “Caramba eu descobri um novo mundo, eu descobri que eu posso ter acesso à determinado tipo de produto que eu não poderia ter acesso antes pelo alto custo, agora eu tenho e é bom sabe, é uma coisa que tá legal aqui, tá novinha né”, mas em compensação é óbvio que eventualmente você vai ter uma experiência negativa e aí quando você tem uma experiência negativa, porque está lidando com gente né, aí é aonde eu vejo de novo também a paixão né, as pessoas elas ficam revoltadíssimas né e elas vão atrás, pô o que eu recebo às vezes de mensagem, tem gente que descobre meu telefone cara, tem que descobre e-mail e cobra e não é uma cobrança assim do tipo “Olha isso aqui não deu certo”, ou “O produto veio errado e tal e por favor resolva o problema”, é assim, emocional a parada e aí você fala assim, o sentimento é assim, deu errado minha conta e agora eu tô com raiva do Enjoei mas eu tenho mais raiva ainda porque eu não quero ter raiva do Enjoei, eu gosto tanto que eu não quero ter raiva e você tá me obrigando a não gostar, você entende, e isso é muito legal, é óbvio que é uma coisa inevitável, a nossa vida hoje gira em torno de resolver esses assuntos todos e nossa ambição é ter a melhor plataforma possível sabe, que a experiência seja fantástica mas é um grande desafio e até por isso que a gente tem crescido e contratado mais pessoas e remodelado os times todos e outra também né vamos ser bem sinceros, as pessoas às vezes não tem essa percepção clara do mercado e tal mas assim, empreender no Brasil é difícil pra caramba né e é uma luta constante né, você às vezes tem um determinado problema que você precisa de um volume de pessoas trabalhando naquilo com uma energia muito grande e o Enjoei sempre trabalhou, a gente sempre foi desde o comecinho né, você começa trabalhando com limite orçamentário ali muito curto né então você vai construindo aquilo que você consegue fazer né e tal então hoje tá muito focado né, principalmente pós IPO em resolver todos esses problemas e eu tenho muita convicção de que nós vamos porque essa paixão que o usuário sente, esse carinho e essa frustração também quando o produto que ele ama não tá do jeito que tinha que ser, eu tenho, o Tie tem, a Ana tem, os outros aqui na companhia todos tem, o time tem, o próprio time da engenharia, os programadores, todos eles também sentem isso né então a gente tem uma sede de resolver porque a gente também se apaixona pelo produto, pelo que a gente construiu então eu tenho muita clareza e muita certeza de que a gente vai passar por cima disso tudo muito rápido porque a gente tem esse desejo sincero e eu acho que é o legal da coisa toda assim né, poder ver isso construído dessa maneira e ainda assim depois de 10 anos ainda tá apaixonado.

Henrique de Moraes – Sim, sensacional né cara e é engraçado assim, tá sendo uma experiência diferente essa né porque conforme você vai falando dos problemas eu vou me reconhecendo porque eu passei por alguns deles sabe e eu quase me sinto parte da construção, eu não sou um cara muito de ser early adopter, de pegar a tecnologia do começo mas sem querer alguém me indicou vocês no início e eu acabei me apaixonando, hoje em dia uso muito pouco assim pra falar a verdade, primeiro porque eu tô morando em Portugal e segundo porque eu também parei de vender coisa, a vida me atropelou né enfim, essas coisas mas durante muito tempo eu usava muito e até entrei na minha conta hoje lá, vi que ganhei R$ 6.000 e eu não tinha uma loja, eu vendia coisa usada minha e é isso, quase R$ 6.000 então eu vi várias evoluções assim, eu vi o app ser ruim e ficar bom porque no inicio era ruim, sinceramente, eu vi o enjubank surgir, a coisa da etiqueta, foi a primeira empresa que eu vi que tinha a coisa dos Correios

Carlos Brando – Essa coisa do app que você falou ela tem uma história legal assim porque essa coisa de morar fora e tal, em 2013 mais ou menos eu decidi que eu queria ter uma experiência na Nova Zelândia e aí fui com a minha esposa pra Nova Zelândia, trabalhando pelo Enjoei ainda e continuei trabalhando de lá e aí nessa coisa de estar na Nova Zelândia eu me apaixonei pelo país assim completamente, ainda sou louco pelo país acho que todo mundo tinha que visitar uma vez na vida, sei que é uma coisa difícil de fazer mas cara é uma outra realidade assim e aí eu decidi que eu queria morar lá, eu falei “Vou morar aqui, não vou voltar mais”, só que pra morar na Nova Zelândia eu tinha que ter um visto de trabalho e tal e aí cara eu lembro que eu chamei um dia o Tiê e falei “Olha cara é o seguinte”, isso foi pré, a gente não tinha recebido ainda nem o primeiro aporte de investimento ainda né e aí foi assim “Olha cara eu vou morar na Nova Zelândia cara e eu preciso de um visto de trabalho e tal então eu acho que vou encerrar meu ciclo aqui e tal” e eu tava muito com aquilo na cabeça e aí eu consegui um trabalho muito rápido lá pra falar  verdade e aí eu meio que saí do Enjoei, eu saí mas não saí, eu saí assim “Olha tô saindo e tal” e na época tinha muito pouca gente e tal então eu continuava dando aquela forcinha né, “Vou sair mas assim, tô aqui, te ajudo, vamos ajudar a achar alguém para me substituir”, então entrevistava as pessoas aí esses três meses que eu fiquei trabalhando nessa outra empresa lá eu continuei ali o tempo todo quase diariamente tendo contato com o Tiê, tendo contato com o time e tal, entrevistando gente e tal e aí acabou que essa história não rolou e eu falei “Vou voltar pro Brasil” e aí eu voltei pro Enjoei de novo né, “Então já tá aqui então fica aqui” e nesses três meses foram os meses em que foi feita essa primeira versão do app, então ela veio toda ruim né e de fato porque eu não tava ali também para olhar para ela sabe, e aí assim, ela aconteceu e eu tava fazendo outra coisa na época né e aí eu lembro que quando eu voltei eu também achava horrível, eu falava “Cara não é possível” e aí a primeira coisa que a gente fez logo de cara foi “Joga isso fora e a gente vai fazer tudo de novo” e aí de fato hoje a gente tem um app certinho, bonitinho, que funciona.

Henrique de Moraes – Bom, muito bom, vamos lá. Tá passando um filme na minha cabeça cara de tudo que eu vi você me passando essas informações, você falando do ponto de vista de quem tá de dentro é muito gostoso assim e é legal perceber essa paixão em você cara porque é isso, é o que me faz entender de fato né assim a diferença entre uma coisa e outra né e porque algumas empresas de fato fazem coisas que são relevantes e são diferentes porque é isso, é uma vontade genuína e intencional né de fazer, não sai por acaso né e isso é muito sensacional. Você falou lá atrás de livros enfim, vou puxar aqui pra assuntos de livro agora, queria saber se você tem assim de 1 a 3 livros, pode falar até um pouco mais se você quiser, não tem problema mas assim que impactaram muito a sua vida mas de preferência assim você não precisa ficar focado na verdade em livros de trabalho tá, você pode falar de livros de trabalho mas às vezes a gente sabe que um romance pode fazer uma diferença enfim tem vários tipos de leitura que mudam a nossa vida né então você pode ficar à vontade para falar assim qualquer coisa

Carlos Brando – Eu acho que eu leio muito, sempre li muito, acho que essa coisa da curiosidade aí ela sempre despertou isso assim e essa é a parte que eu acho engraçada assim, eu leio muito mas até hoje é muito comum se você me ver por exemplo de férias, se eu estiver lendo um livro provavelmente eu vou estar lendo um livro técnico, eu adoro né o meu trabalho, adoro o que eu faço, eu vou citar alguns livros assim que eu acho que são livros que impactaram assim né a minha vida. Um livro que eu tenho um carinho especial assim é um livro que se chama Don’t Make Me Think  do Steve Krug, ele é um livro antigo, eu devo ter lido ele basicamente há 20 anos atrás, esse livro ele é um livro muito simples, ele fala basicamente sobre as habilidades, sobre experiência de usuário em sistemas web assim né, eu acho que aplica bastante também a parte de aplicativos que a gente tem hoje né, pô li esse livro há 20 anos atrás e tem coisas que eu nunca esqueci sabe assim, que sempre me motivou, engraçado como que as pessoas elas têm o mesmo padrão né e isso não muda né eu lembro de coisas assim por exemplo, as pessoas não lêem, as pessoas não lêem, o ser humano ele tem habilidade de escanear a página ou o app, eles não lêem então você não deve esperar isso as pessoas né, a gente é muito bom nisso, é muito bom em encontrar coisas e quando alguém abre um aplicativo por exemplo ele tem uma missão, você abre o app de comida você tem uma missão, você já sabe o que você quer né e aí vem a tecnologia e a forma como o produto é construído cabe direcionar o usuário para ele cumprir aquela missão o mais rápido possível, essa é a ideia né e aí eu acho interessante esses conceitos e acho mais interessante ainda quando você consegue desconstruir a coisa, que é falar assim “Tá, o meu usuário abriu meu app com uma missão né, ele quer comprar um sapato e eu vou fazer ele comprar um sapato e vou fazer ele comprar também mais uma outra coisa e vou fazer com que ele volte outro dia aqui sem a missão de comprar, com a missão de navegar e ver coisas bonitas e etc”, você entende? Então como que você consegue desconstruir essa coisa toda né, as pessoas não querem ler né mas olha só você mesmo falou que o mais te impactava era exatamente entrar para ler, então como é que eu faço então você querer ler né, então eu acho que esse livro ele foi muito marcante para mim assim e uma parte mais engraçada é que assim eu falei lá no começo, eu não sou um cara de UX, eu não sou designer, hoje por acaso eu lidero o time de UX aqui no Enjoei e obviamente eu não tenho a técnica para conversar com as pessoas e instruir mas muitas das coisas, dos insights que eu trago são baseados em coisas que talvez eu li lá atrás ou que eu entendi e que eu vi que eram reais baseadas no uso né, na forma como as pessoas usam as ferramentas então pra mim esse é um livro que eu acho que vale muito, é uma leitura leve, tranquila, cheia de gravuras, desenho e tal, eu gosto até hoje.

Henrique de Moraes – O nome é sensacional, muito sugestivo né cara

Carlos Brando – É. Outro livro que eu gosto muito, é um livro que se chama “Getting Real”, é um livro da galera do BASIC, ele é um livro que não é técnico também mas ele fala sobre produto basicamente, criação de produtos de software

Henrique de Moraes – Foi um dos caras do BASIC que criou o Ruby in Rails, não foi?

Carlos Brando – É, o David Heinemeier Hansson, exato. E esse cara ele é meio polêmico e tal mas eles tem, tanto ele quanto o sócio dele, eles tem uma visão sobre produto muito única né, eu já vi outras pessoas com uma visão parecida, a gente tem um brasileiro, o Ricardo Semler que também acho fantástico né. tem alguns livros também dele que desconstroem esse conceito de empresa e tal né que eu acho que muita gente no Brasil nem conhece o cara e deveria conhecer

Henrique de Moraes – E ele é conhecido lá fora demais né, ele já foi entrevistado pelo Tim Ferriss cara, surreal

Carlos Brando – Eu não conheço a vida pessoal do cara mas assim, as ideias e os conceitos deles são coisas de louco né e é exatamente aí a graça né, essa desconstrução, você fazer “Todo mundo faz assim eu vou fazer de outro jeito” e essa galera do BASIC bebe dessa fonte aí então esse livro para mim foi muito marcante porque foi um livro que me mostrou do ponto de vista de programador, do ponto de vista de um desenvolvedor de software, como criar um produto então ele foi feito por um programador também ensinando quais são os caminhos, ali também despertou muita coisa em mim sobre esse desejo de criar algo né e de uma vez que eu vou criar algo, como que eu posso fazer algo com o grau de excelência que eu acho que tem que ser feito né, então acho que também foi um livro que me marcou muito, e até um pouco disso que a gente falou agora né, de como os usuários eles acabam descobrindo maneiras de usar seu sistema que você não precisa pensar nos detalhes né, eu falei aqui por exemplo de como o vendedor faz uma venda pró ativa usando comentário e tal mas por exemplo cara, tem coisas muito simples né a gente hoje, toda as plataformas que a gente usa tem o emoji mas isso não é novo né, quem é um pouquinho mais antigo usava os emoticons, a gente fazia os dois pontinhos, tracinho e era um sorrisinho né, cara a gente já fazia isso quando ninguém tinha inventado isso, não tinha isso ali, não tava e a gente já usava né, o mundo foi transformando isso para ficar ainda mais legal, mais divertido e mais usável mas a gente sempre achou meios de resolver os problemas e passar emoção no texto por meio de caracteres, sei lá então o usuário ele faz isso então às vezes criar um produto que você decide o que é importante né, elimina o que é desnecessário no começo e entender que se usuário vai descobrir novos meios de poder fazer e de resolver os problemas deles então para mim esse foi um livro que me ajudou a despertar um pouco essa coisa do produto. E um terceiro livro que eu acho que também mudou minha vida assim é um livro chamado “The Pragmatic Programmer” que é do Andrew Hunt e do Dave Thomas, são dois caras que eu admiro para caramba também, esse é um livro mais técnico também, não é um técnico no nível ensinar a programar mas ele é um livro que fala sobre a carreira de programação, carreira de desenvolvedor de software né, ele fala sobre crescimento profissional e acho que ele também foi um livro que me despertou um pouco essa coisa do craft né, da paixão por fazer bem feito sabe então introduziu conceitos também na minha cabeça, de coisas que eu não pensava antes né tipo entropia por exemplo, tudo que fica abandonado tende a se deteriorar de alguma maneira, se você largar um carro estacionado na rua a tendência é que ele vai se autodestruir, ele vai enferrujar, vai quebrar então tudo é assim né e quando a gente fala de software é a mesma coisa, as coisas elas vão ficando velhas e elas vão se deteriorando sozinhas né, isso vale pra software, isso vale pra produto então eu olho para o Enjoei hoje e eu falo isso às vezes aqui dentro eu falo assim “Às vezes eu vejo o enjoei e me parece velho sabe” aí eu já fico com aquela sensação de que eu tenho que fazer alguma coisa nova porque senão aquilo sozinho vai se deteriorando, vai ficando velho né e esse talvez é o maior problema com as grandes corporações, grandes empresas porque é tão difícil de você fazer mudanças que as coisas vão ficando velhas né e elas vão se deteriorando, vão ficando antigas de um jeito que não funciona mais, até que vem alguém novo que tá começando do zero e passa porque não conseguiu se renovar, então eu acho que esse é um dos grandes desafios né e ele fala muito sobre isso e tal, sobre algumas decisões que fazem a diferença na vida do programador. Então se você juntar toda essa coisa, só pegar esses três livros por exemplo com base e juntar tudo aí você vê um pouco também do porque que eu falo né de produto, da importância de ter um produto de extrema qualidade, que tenha uma usabilidade que as pessoas elas conseguem de fato ter paixão e usar e ao mesmo tempo não abrir mão da qualidade técnica né, de ter as pessoas certas do teu lado, de fazer as escolhas corretas então acho que se eu pudesse dizer assim três livros que mudaram minha vida, esses três com certeza seriam os caras no topo da lista assim. Tem outros óbvio né

Henrique de Moraes – Sensacional. Sempre tem né, é difícil escolher 3 né. Cara uma curiosidade sobre o Ricardo Semler, eu tava vendo uma vez, ouvindo uma entrevista sobre ele e acho que vale a pena buscar inclusive, quem não conhece buscar o nome porque é bem curioso, é um personagem bem curioso e ele fala, ele é muito a favor dessa gestão mais horizontal, de você dar mais poder pras pessoas que trabalham com você e chegou ao ponto em que ele deu tanto poder que ele deu a liberdade da galera escolher o próprio salário e como ia gastar o dinheiro, e um dia ele chegou e tinham construído um lugar com uma churrasqueira e uma geladeira de cerveja onde a galera de vez em quando ia descansar lá e fazer um churrasco, dentro da empresa dele e ele chegou lá, olhou e falou assim “Nossa quem foi que fez isso aqui?”, “Ah o pessoal pegou o dinheiro aí, se juntou e fez”, ele falou assim “Legal” e foi embora como se nada tivesse acontecido.

Carlos Brando – Tem algumas coisas, eu lembro de, ele tem vários livros né então talvez eu não lembre exatamente em qual deles ele mencionou isso mas é uma coisa também que me marcou assim, ele falava que nas reuniões de conselho sempre tinha uma cadeira a mais, então você tinha sei lá oito pessoas ali, diretores e etc na reunião de conselho e aí tinham nove cadeiras e aquela cadeira era de qualquer pessoa na empresa, então qualquer um que resolvesse participar daquela reunião e chegasse primeiro sentava naquela cadeira e participava, e ele falou que era normal às vezes você tá fazendo uma reunião, imagina 8 diretores ali, pessoas que estão no topo, tomando as decisões da companhia e do lado tava ali a menina da cozinha sabe, dando a opinião dela e ajudando a tomar, ou o estagiário sei lá enfim podia estar qualquer um ali né e são umas ideias assim que se você parar pra pensar, é interessante isso né cara tipo, faz sentido né porque você tem uma representação, alguém ali que está representando a companhia como um todo de um ponto de vista que aquela galera não tá olhando, não tá enxergando só que é muito louco né porque você fala “Pô eu não tenho como saber quem é a pessoa que está ali, eu não tenho como saber o que vai sair dali” mas imagino que se a pessoa certa, e se a pessoa se propõe a estar ali ela deve ter alguma coisa a dizer, ela não vai simplesmente para sentar e ficar escutando um monte de gente falar coisas difíceis

Henrique de Moraes – E teoricamente assim embora ainda que não tenha uma hierarquia nesse sentido né, de ser uma gestão horizontal mas ainda assim são pessoas que estão acima delas né então você tem até um receio né de sentar naquela cadeira.

Carlos Brando – Mas é um cara interessante, vale sim a pena procurar, ele tem alguns livros bem legais, acho que o livro mais legal dele na minha opinião é o “Maverick”, que acho que é “virando a própria mesa”, ele tem vários assim né nunca lembro qual é e ele tem poucos livros em português também, isso que é a coisa mais bizarra, talvez por isso que ele é pouco conhecido aqui no Brasil né, mas é um cara interessante

Henrique de Moraes – Pode ser, pode ser. Você já refletiu sobre o que é ser bem sucedido pra você, você tem uma resposta na sua cabeça em relação à isso?

Carlos Brando – Cara eu acho que ser bem sucedido para mim é poder olhar para aquilo que você construiu e sentir orgulhoso, acho que é isso, eu me considero uma pessoa bem sucedida por conta disso assim, eu olho para minha família e eu gosto que eu vejo sabe, eu me sinto bem e falo “Acho que eu tô fazendo um bom trabalho”, eu olho pro Enjoei por exemplo e eu gosto do que eu vejo, eu falo “Poxa acho que eu tô no caminho certo”, eu olho para o time que eu tenho né, para as pessoas que trabalham comigo e eu gosto dessas pessoas, eu acho que são as pessoas certas, acho que isso é ser bem sucedido na minha opinião.

Henrique de Moraes – Eu acho ótimo, adoro quando as respostas não estão totalmente ligadas a dinheiro sabe ou de maneira nenhuma ligada a dinheiro né tipo porque a resposta é se orgulhar né, não tem nada a ver com, assim pode ter, pode devolver mas assim você falou,eu olho pra minha família e me orgulho, para o meu time e me orgulho, para o que a gente construiu, eu acho isso fantástico, sensacional

Carlos Brando – Essa parte do dinheiro é engraçado cara porque assim, é óbvio que é importante também né você poder saber, é aí que tá o ponto eu acho né porque assim, porque o dinheiro é importante para mim? O dinheiro é importante para mim no sentido de poder dar uma educação melhor para o meu filho, morar numa casa melhor sabe, num bairro melhor que eu gosto mais ou que eu tenho mais coisas perto e tal ou ter mais tempo, não precisar ficar preso no trânsito por exemplo, isso é legal, isso é muito legal, ou poder me mudar para onde eu quiser né, isso é legal mas mas assim a verdade é que assim, tem estudos sobre isso né eu não tenho números aqui mas existe um valor específico que a partir daquele valor também não faz a menor diferença a mais sabe,  não tem mais sentido né porque assim, eu não sou o tipo de pessoa que se tivesse bilhões na conta eu acho que eu não teria jatinho, não é isso, eu não vejo valor nesse tipo de coisa, não vejo valor nesse tipo de coisa, meu trabalho é uma coisa que me satisfaz então tenho prazer, acho que eu gosto do que eu faço, minha família, adoro minha família, estar com minha família, sou uma pessoa tranquila então assim eu acho que essas coisas elas custam pouco né, elas custam pouco então no fim do dia assim eu não vejo por que teria ligação, eu não consigo fazer esse mash de ligação e no fim a verdade é essa assim, a maior parte das pessoas que realmente fazem, constroem ou ganham muito dinheiro são pessoas que estão fazendo o que elas gostam né, é só você pegar por exemplo um Silvio Santos né, o cara noventa e tantos anos, ele não tá nessa daí por conta do dinheiro cara, ele não precisa disso há muito tempo né mas ele está lá ainda né, continua lá na ativa e isso a gente pode falar de tantos outros né, a gente falou do Elon Musk aqui, esses caras não estão nesse jogo por dinheiro não é isso entendeu

Henrique de Moraes – E já mudou há muito tempo aí e tem uma coisa que é importante também né que assim, hoje com a tecnologia que a gente tem né e como a gente evoluiu nesse sentido, as coisas já não tem mais tanta diferença, o que faz diferença no final das contas é você não estar mais comprando um carro com a tecnologia melhor, você tá comprando um símbolo de status né, é só isso, só querendo refletir alguma coisa ali pras pessoas né então é de fato você não precisa mais de muito, você pode comprar cara um Honda Civic, qualquer coisa assim e já é um top de tecnologia, depois você vai ter um carro que talvez seja até pior pro Brasil especialmente né

Carlos Brando – Mas só reforçando assim, acho que tem um teto ali que assim também se você estiver abaixo daquilo vai ter dificuldade, por exemplo pra quem é muito curioso, tem muita vontade de aprender e tal talvez a pessoa não ter acesso a uma faculdade, a pessoa não poder ter acesso a um equipamento bacana para trabalhar ou tal, aquilo vai atrapalhar, aí eu entendo realmente que essa fase da vida ela é mais difícil mesmo mas depois entra nisso que você falou mesmo, vira status, não vai fazer mais diferença né, se a tua televisão ela tem 80 ou 85 polegadas entendeu tipo tanto faz, não vai fazer diferença honestamente, se o teu celular é o Iphone 12 ou se ele é o 10 ou o 9, cara não mudou nada, é sério, continua sendo a mesma coisa então assim acho que esse é o ponto assim, quando você fala assim “Quem são as pessoas mais bem-sucedidas?” talvez o que vai vir nas nossas cabeças são essas pessoas, os bilionários mas essa galera que se tornou eles não estão nesse negócio pela grana, é esse que é a coisa né, eles não estão nisso, talvez em algum momento deve ter vislumbrado mas acho que talvez nunca tenha sido porque o eles estão aí até hoje, eles não param, não é isso, não atingiu um nível tal e agora chega né, os caras continuam, é bizarro, a vida toda.

Henrique de Moraes – Vira um jogo né. Cara última pergunta pra a gente fechar aqui, 1h40 já, acabei tomando mais seu tempo mas vamos lá, se você pudesse falar com o Brando de 10 anos atrás ali, começando no Enjoei ou um pouco antes enfim, o que você diria pra ele ter mais calma?

Carlos Brando – Cara acho que eu diria ter mais calma, eu diria “Fica tranquilo, vai dar tudo certo e compra Bitcoin”

Henrique de Moraes – Seria um bom conselho. Tem um amigo meu que ele comprou há muito tempo atrás e ele fala que ele tem assim, um Bitcoin, alguma coisa assim, que é um absurdo hoje assim de caro e ele fala que o sonho da vida dele é que ele vai guardar até o ponto dele conseguir ser matéria falando assim “Pedro comprou o Bitcoin por sei lá US$ 700 e vendeu pra comprar a casa”, ele fala que tá guardando aquele Bitcoin para ser matéria, só

Carlos Brando – Cara Bitcoin é uma parada muito bizarra assim, eu entrei nesse negócio lá no comecinho, curiosidade, eu cheguei a ter 10 bitcoins que hoje seria uma fortuna e vendi quando era sei lá R$ 1000 sabe assim “Caraca meu, comprei por dez centavos e vendi por R$ 1000 sabe” aí você olha hoje e fala “Caramba né se eu tivesse segurado né”, vendi tudo, não tenho nada, é bizarro e acho que a maior parte das são frustradas conta disso assim são muito poucos que talvez tenham segurado igual seu amigo aí.

Henrique de Moraes – E ele fez sem querer tá, não foi proposital, a princípio ele esqueceu que tinha, aí um dia ele falou “Cara calma aí, que porra é essa aqui de que Bitcoin tá valendo não sei quantos mil dólares?”

Carlos Brando – O cara começou a caçar em HD antigo né

Henrique de Moraes – E ele começou a trabalhar com isso depois, ele ficou tão interessado que guardou lá o Bitcoin dele, começou a comprar outras moedas enfim, hoje em dia nem sei se ele faz isso ainda, quando eu conversei com ele a história era essa. Brando cara, obrigadaço mais uma vez pelo seu tempo cara, pela generosidade, foi sensacional assim e foi ótimo inclusive como exercício para reforçar como é importante a paixão né no que você tá fazendo cara então assim, dá para ver quando você fala assim, dá para sentir a paixão que você tem né fazendo o que você tá fazendo e não só a sua mas como o resto da galera e parabéns por ter conseguido manter isso durante muito tempo né porque é difícil, é um casamento né, tipo muito mais intenso inclusive às vezes então parabéns por ter conseguido manter e pela construção cara porque é o que eu falei, eu sou fã assim pra caralho da marca, da empresa como um todo e foi um prazer acompanhar o crescimento de vocês assim, as mudanças e conseguir conversar com você agora tá sendo de fato uma realização cara, obrigado e parabéns

Carlos Brando – Eu que agradeço cara, muito obrigado pelo convite.

Henrique de Moraes – De nada, tamo junto